O blog perdeu a pegada, a graça besta de dizer o que quer.
Agora ele vem e vai quando dá.
Bom, ruim, que nada.
Neste canto público, eu não canto quando e como quero.
É quando dá e mal dado.
As coisas se aproximam perigosamente dos 40.
Eu, que fui feliz aos 30, agora tenho certeza de que as certezas se vão com 2×20.
Agora, sim, é que vou acelerar a lambreta.
Filho, botox, criolipólise – vale tudo para não deixar o tempo passar por cima.
Faca nenhuma me furará.
Sexo, night, bebida – acho que a coisa precisará de tarja preta a partir de agora.
Foram-se as vergonhas.
Os sonhos.
As loucas idéias.
Ficou a carne.
E uma certeza cinza de que nada restará.
Pois agora, sim, é que a coisa vai esculhambar geral.
Tudo preto no branco.
Mais preto – é fato.
Tudo escancarado.
Tudo cada vez mais errado.
Barranco abaixo.
Nos derradeiros minutos, nem padre, nem video da Jane Fonda me salvarão.
Remédio?
Só negão manipulado.
Porque de orgânico e vegetariano, só mesmo o professor de yoga que tomou na testa e casou com a professora de pilates.
Desbundei para a geral.
Adoro gente afobada.
Esbaforida.
Sem reflexão.
Sem medo.
Gente que corre sem porquê.
Gente alucinada.
Por que os tempos mudaram e o romantismo acabou.
Hoje me arrebata quem faz tudo sem pensar.
E mesmo errando muito, acerta bonito.
Poucas vezes.
Adoro loucos, arrependidos, passionais, desinibidos.
Vibro com a criação da personagem.
Com a encenação do dia-a-dia.
Com a semana com cara de fim de semana perdido.
Amo os esquerdos.
Eu não penso em amanhã.
Nasci assim, abusada.
Alma de artista penada.
Artista incompreendida, bien sûr.
Imagina subir em qualquer palco ou banco de praça?
Seria avesso ao verso.
Seria arte qualquer.
Criada para ser capitalista, virei uma coisa bizarra.
Dual.
Partida e juntada.
Grito em público.
Falo alto (se quero).
Em geral sou discreta.
Mas vista.
Quando não vejo, provoquei a confusão.
Sou assim.
Alma de artista criada para ser capitalista.
Um problema sem fim.
(Arte de ser o que se é.
De se fazer assim, apesar de.)
Ando pensando muito e escrevendo na cabeça.
Saem uns textos bonitos e sem a menor revisão.
Aí me esqueço daqui e fico flanando no ar.
A estilista morta – tão bonita, tão trágica.
Os meninos ricos da internet.
As lutas televisionadas.
As empregadas.
Fica tudo assim tão século passado.
Tenho achado todos muito impacientes.
Todos correndo.
Todos atrasados.
Uma agressividade pulsante.
Uma necessidade de gritos.
Estou no olho do furacão e gosto.
Sou feliz.
Aqui não há som.
Só imagem.
Casa nova que vai subindo.
Dinheiro, como sempre, escoando rua abaixo.
Viagens.
Cartões.
Chocolate.
E bastante vinho.
Agora com direito a corrida, personal trainer.
Cabelo louro.
Cortado louco.
Vapor.
Ando rindo de tudo.
Ando calma.
Será o outono ou a primavera?
Os tais mais de 30.
Com vinte, eu queria e fazia tudo – mas não tinha a mínima idéia de onde isso iria parar.
Com trinta, festa!
Eu não tinha mais 20.
E continuava com a metralhadora a postos.
Agora, com muuuuuito mais de 30, aponto certeira.
Sei o que não.
Mesmo quando não sei, digo.
As coisas verdadeiramente simples.
No lugar de um posto, de uma cadeira, uma jornada.
Tenho adorado meu trabalho.
Novo, radical, desafiador, maluco.
Meu número.
Vida de caixeiro viajante.
Minha sina.
Tem, claro, um certo glamour, uma certa malícia.
Mas não tem ponto, meninada chata, masturbação de firma – quem comeu quem ou quem se deu bem (desta vez).
O pau, quando quebra, tem cara de Cassino em Mônaco.
O último que sair, gaste umas fichas com scotch para ouvir quem perdeu.
Hoje rua Augusta, segunda no Carlyle com Woody.
Cabelos antes negros e curtos, novamente louros, rebeldes e mais longos.
Cor de cenoura enferrujada.
Abri minha conta nos EUA.
Comprei o que não deveria na Saks.
Vi Liza Minelli ainda em grande forma.
E foi apenas mais uma semana de trabalho.
Quando penso em Dubai, dá vontade de gargalhar.
No século XXI, Casa Grande e Senzala ainda existem
A patroa rói o osso, a empregada come filé – ou bobó de camarão, tanto faz.
Imagine eu não trabalhar porque estou com febre…
Imagine eu não levar um atestado médico depois de ficar dois dias fora de circulação.
Pois é essa a vida da coitada da doméstica que sai sempre de madrugada dos cafundós, pega dois ônibus, um trem, metrô…
Ela chega cansada e tem direitos.
Se for babá, o momento descarrego vai ser na pracinha.
Pare e ouça.
Já a patroa sai as 7h, leva a meninada para a escola, arruma um esquema com o taxista para buscar os meninos.
Paga babá, aula de natação, inglês.
Depois tem que ralar para bancar esse staff.
E morre de remorso de não ter tempo para os filhos.
Ahhhhhhhhhh…
Direitos e deveres.
Na vida selvagem das cidades, não dá para levar empregadas (e patroas) ao pé da letra.
Não tem injustiçado, explorado ou mal pago.
Tem a relação impossível.
Não há salário que pague tanto trabalho.
Nem dinheiro que banque tanto descompromisso.
Falta retorno.
Falta entender.
Falta tempo, minha gente.
E tempo é dinheiro desperdiçado.
Comprei casa nova.
Vou pagar os tubos.
Vou reformar.
Vou entrar para a era dos Jetsons.
Não quero ninguém em casa.
Quero silêncio.
E um bando de máquinas trabalhando por mim.
Se der na telha, contrato um chinês para mandar meus emails.
E vou ficar de chinelo.
Vou deitar na grama e rolar com os cachorros sob o sol.
Lendo isto… http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/97758-a-vida-sem-domestica.shtml
Tum-pá.
Sobre a falta que você me faz.
Nunca fomos amigas.
Nem trocamos confidências.
Certo: uma vez fomos juntas ao salão.
Levei a vira-lata junto.
Eu fiquei com pés e mãos brancos e vermelhos – como a rainha de Copas.
A cachorra levou um pisão de salto 15.
Viajamos para a praia.
Eu te produzindo com uma havaiana meio índia, meio sertaneja… Linda.
Com cabelos lisos e marrons escorridos.
Grande e forte e decidida.
Falava tudo e sem economia.
Coração de urso panda.
Sempre ali, ao lado dos velhos.
Eu ficava tranquila por eles porque você estava lá.
Não sei por que, mas ando sentindo um aperto no peito.
Saudades finas de você.
Quando chove na metrópole, o mundo para.
Árvores desistem.
Faróis de carros parados criam uma atmosfera de filme noir.
Meia-luz e céu sem estrelas.
Eu? “Elucubrista”.
E o pau que a Yoani anda tomando?
Como se o governo da Ilha merecesse mesmo qualquer defesa.
Enquanto isso, a Venezuela reedita seus fantoches.
Se fossem checos, talvez tivessem graça.
No outro continente, heróis da perna de pau enjaulados.
Chinês que paga por cirurgia plástica em cachorro.
E moças que se autodenominam “rycas”.
Os dedos coçam para ler toda poesia de Leminski.
Fazendo as contas, tenho 6 anos para beber mais do que ele.
Por que poesia…
Tmbém posso começar a fazer judô.
Por que não?
No Rio, faz 40oC à noite.
Como filhos fiéis, todos de cervejas a postos e pés na areia.
Rio.
Pouquinho.
pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando
(p.l.)
Sempre tive horror.
Horror a pressão.
Horror dos que querem para ontem e do jeito deles, sem consultar meu gosto, meu tempo, o prazo de validade.
Sem deixar espaço para que meus pulmões trabalhem.
Curiosamente, convivo bem em ambientes de pressão.
Não caio diante do grito.
Da conversa paralela.
Do por trás.
Do para ontem.
Mas prefiro o porvir.
Não gosto de férias com data marcada.
De consulta médica com meses de antecedência.
Não gosto de elevador.
Cabine de submarino.
Helicóptero.
Gosto (apenas) do que chega sem avisar.
Do que se intromete porque não reconhece regras.
Gosto da quebradeira.
Do que atropela.
Do que cai.
E cai de novo.
Ambígua.
Sim, aprecio sair do limite.
Colocar o pé para fora da marca.
Gosto de me esfolar toda na queda.
De sentir a dureza de ser do contra.
Não me diga não – eu torço a corda.
Não me diga apenas sim – eu solto o laço.
Diga que sim de sopetão, sem planejar nem pestanejar.
Vamos.
Arriscando.
Deixando cabelos em pé.
Desatando.
(nós)










