Vem cá, Miriam Leitão, tirando doce de criança? Olha bem a nota que você publicou:
Caipirinha fica 51% mais cara para o consumidor
A inflação não poupa nem a caipirinha. Segundo cálculos da FGV, a bebida brasileira subiu, em média, 51,78% nos últimos 12 meses, pesando no bolso – e na ressaca – do consumidor. Isso significa que ela está muito acima dos 4,42% registrados pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no período.
De acordo com o economista André Braz, da FGV, o aumento está relacionado às altas observadas nos preços dos ingredientes: limão (8,93%), aguardente (17,94%) e açúcar (69,81%).
Opa, opa! Esses números têm que ser avaliados com frieza (e muito gelo):
- qual é a porcentagem usada de cada ingrediente para fazer uma caipirinha ? Afinal, tem que calcular essa alta no tempo gasto para consumir o produto (e, também, se vc bebe um litro por dia tem impacto diferente do impacto de quem bebe um litro por ano – é uma espécie de amortização);
- Com os dados acima esclarecidos, quanto custa cada um dos produtos em valores absolutos? Porque um aumento de oito por centro sobre um real é diferente de um aumento de 70% sobre 5 reais.
Fui no Pão de Açúcar na Web e esclareci tudo – porque isso é assunto de segurança nacional em época de pré-carnaval. Veja o que o oráculo dos supermercados me disse:
Açúcar refinado DA BARRA (1KG) = R$2,24 (com o aumento vai para R$3,80)
Cachaça Branca SAGATIBA (Garrafa 700ml) = R$ 12,90 (vai para R$15,21)
Limão Tahiti Pacote (1Kg) = R$ 1,87 (com o aumento vai para R$2,18)
Total: R$17,01 (com a inflação, a conta fecharia em R$21,19)
Alto lá! Em pleno carnaval jogar água no nosso chopp e urubuzar a caipirinha por conta de QUATRO REAIS… Com isso não pago nem uma cerveja de ambulante… Por favor!
Chama o Roniquito para refazer essa conta! Ou então, para simplificar, tira o açúcar da capirinha e passa a régua!Miríam Leitão, não estou te reconhecendo!
Roniquito de Chevalier, meu filho, manda uma mensagem da adega do céu porque tão querendo fazer quizumba no Antonio´s e vão cortar minha cota de confete e serpentina!
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo
Mudando da cachaça para o vinho de Champanhe…
Li ontem que vai rolar “barraquinha” de degustação de caviar e champagne (com “g” para ficar mais chique) no Shopping Cidade Jardim.
A partir de R$150, você já pode mandar ovas de esturjão para dentro…
Que coisa mais sem senso: “Vou ao shopping degustar uma borbulhante champanha (com “A” mesmo) e comer uma colher de chá de caviar”. Oh! Ah! Uh!
Como protesto silencioso, vou tomar uma caipirinha sem açúcar no Mercado Central de Belo Horizonte.
Para acompanhar, pão com jiló acebolado.
E passa a régua!!!

Isso é que é capa!
Paula Yates foi uma riott girl.
Filha de uma atriz com um apresentador, ficou conhecida como mulher de Sir Bob Geldof.
Mas foi na companhia de Jools Holland que ela mostrou a que veio. No papel de co-presentadora e rainha no flerte no programa cult The Tube (Channel 4). E foi na cama que ela fez as melhores entrevistas. Coisas de inglês: o novo programa chamava-se The Big Breakfast.
Paula largou o chato do Geldof para ficar com Michael Hutchence do INXS.
Michael, como todo mundo sabe, morreu enforcado num quarto de hotel em Sidney. Morte acidental, suicídio…
Paula cresceu acreditando que o pai dela era o Faustão inglês, Jess Yates, que foi demitido da TV depois que uma série de escândalos sobre a vida privada dele tornarem-se públicos.
Um ano antes da morte de Paula, um teste de DNA revelou que outro apresentador, Hughie Green, era o pai biológico dela.
Yates teve três filhos com Geldof – Fifi Trixibelle, Peaches e Pixie.
Os problemas com drogas pioram depois da morte de Hutchence com quem teve a filha Tiger Lily.
Geldof ganhou a guarda das filhas, e a família de Hutchence brigou para ficar com Tiger Lily.
Dura e muito ferrada, ela teve que vender as jóias para pagar as contas e foi morar numa casinha de 2 cômodos.
Um juiz determinou que a morte de Paula por overdose acidental de heroína em 2.000 foi resultado de um comportamento “tolo e imprudente”.
Abaixo, uma pérola do jornalismo inglês.

fazendo merchand
Depois de pula-pula no carnaval, momento de auto-indulgência. Estou numa fase totalmente eski-bon. Bom demais!
Pular carnaval em São Paulo… Algo estranho. O bloco é todo organizadinho – tem camiseta para todo mundo, rua com cavaletes de ferro, banheiro químico, decoração, barraquinhas de bebida, UTI móvel, policiamento. No quesito cidadania, 10.

Pausa para um xixi
A música, superbem escolhida. Marchinhas antigas, todas consagradas.
Mas no quesito bossa e malemolência, zero.
Os caras param para avisar que o bloco vai virar a esquina.
Param para agradecer o pai, a mãe, o patrocinador.
Param!
Gente, carnaval não tem essa de pausa. Começou, meu bem, tem que ir até o fim!
Enquanto isso, o Rio virou outra vez um grande mictório e os blocos arrasam. Que engraçado.
E suspeito que, se juntar, não dá certo. Água e óleo.
Palavras de uma mineira sem pátria que pulou muito carnaval de salão e que ama essa época do ano.
E como estamos em São Paulo, sejamos paulistas.
Dia agitado hoje, passeio com cachorro, depósito no banco, falhei na busca do melhor açaí, salada de fruta na Padoca, cachorro em êxtase dando pulos no mato da pracinha, pé e mão, corte de cabelo, ingresso de cinema para a manicure, supermercado… Computador, muito reencontro no Facebook, blackberry, um pouco de trabalho…
Adoraram meu vestido-saia indiano trazido de Punta.
Adorei meu novo-velho cabelo a la Farrah.
Perdi um chá de bebê por causa da chuva.
Casa! E acabou – meu carro ficou preso na garagem…
Pedi – pela internet – comidinha do Tandoor. Eles trouxeram um forno tandoori da Índia e a comida é uma maravilha! Tem anos que não vou lá, mas arrumei um clima em casa. Vela de citronela (para espantar mosquito), flores (rosinhas caipiras), mesa posta, bebida com gelinho.
Samosas, daal masala e outras delícias. Cervejinha, livrinho e cama.
Chega de festa porque a tia aqui tem mais de trinta!
Ah! Alguém leu “A” notícia do dia?
“Três caixas de uísque e duas de conhaque pertencentes ao explorador Ernest Shackleton foram recuperados depois de terem ficado enterradas por mais de cem anos sob o gelo da Antártida.
As bebidas foram achadas por um grupo de pesquisadores, armazenadas sob a cabana que o inglês construiu no continente em 1908.” (Fonte: Folha de S.Paulo)
Eu só digo uma coisa: se eu encontrasse, eu abria uma garrafa e tomava. Uma oportunidade dessas?
“Richard Paterson, mestre malteiro da Whyte and Mackay, empresa que havia fornecido uísque Mackinlay para Shackleton, descreveu a descoberta como “um presente dos céus” para os amantes dos destilados. “Se o conteúdo puder ser confirmado, extraído com segurança e analisado, o blend original pode ser reproduzido”, afirma. “Como a receita original não existe mais, isso pode abrir uma porta para a história.”
Fastier disse que deve definir nas próximas semanas como lidar com a “delicada tarefa de conservação.”"
Melhor que isso, só tomar banho de mar à noite em dia de calor…
Ciao.
Parede do gato de Alice. Adoro.
19H44 – Estou em casa, cercada de bichos.
(calor e chuva em sampa. e calor de novo)
eski-bom e pipoca – patrocínio da Padaria Rodésia!
Tirei o make, joguei o salto, estou ouvindo a rádio Farm. Essa marca arrasou no DJ. E nas fantasias de carnaval. Semana que vem troco minha foto da Nina por uma de musa do carnaval. E dá-lhe yoga às 5h da manhã para esquecer um ano sem confete! Ohhhhhhhm!
Logo mais, vou dar uma voltinha.
Sacudir o esqueleto. E balançar a pança.
Bora?
Ontem foi toda uma viagem ao umbigo. Tia, tia, madrasta. Fico me pegando e encontrando pedacinho dos outros em mim. É perna do pai, cabelo da tia, nariz da bisavó, olho da mãe, pé da avó. Pareço uma feijoada. Com rabinho e orelha! Muito interessante se reconhecer nos outros. A gente acha que é independente, que veio para estrear, mas é um pedaço de um monte de gente.
A língua frouxa… puxei de quem?
Contei do meu novo celular BlackBerry Curve 8520. Preto, com umas borrachinhas anti-queda, fofo, leve, poderoso.
Perdi muito tempo com iPhone e Nokia.
Ontem o mundo despencava em granizo e vento, e eu twittando frases surreis de camarote no 36o andar. Perdi 3 seguidores. Risos.
Mas estava atacada: afinal, passamos a marca de Noé. 45 dias de chuva. Eu pedi para o moço do café colocar meu bote no heliponto. Vai saber.
A chuva invadiu o escritório – entrou pela escada de incêndio – e eu só brincando de celular novo.
Aliás, quem falou que precisa de escada de incêndio em Sampa?
Aqui precisa é de toboágua!
Besta.

Minha janela
Hoje acordei às 5h: Feira de Flores no CEAGESP. Dia lindo, céu abrindo. Comprei um maço de rosas no Pão de Açúcar on line e fiquei espreguiçando na cama. Rolava para um lado e para outro. Sem livro, sem jornal, sem nada. Eu minha Auping. Felizes da vida.
Alice, a cachorra, repetiu tudo. Super ensinada – faz tudo o que não leva a nada.
Sobre o quadro e a paisagem, uma coisa: entre morar de frente para o Congresso e ter um Matisse para olhar? Dá-lhe pintura!
Daqui dessa telinha, eu vejo vocês aí.
Cada um mais lindo que o outro.
Todos já quitaram IPVA e IPTU.
Todos comem de tudo e não engordam.
Bebem e não dão vexame.
Ihhh.20h.
Tenho que ir… Se não viro abóbora.
A culpa é da Patrícia Palumbo.
O ótimo programa dela na rádio Eldorado é toda quarta às 20h. Entrevistas lindas, músicas incríveis – é uma maravilha. Quem mora em SP, BH e Curitiba pode ouvir pelas ondas do rádio. Quem mora no mundo, pode ouvir na URL do Vozes do Brasil.
Pois o fato é que saio do trabalho e, ato contínuo, entro no carro inteligente que liga o rádio na minha estação preferida. E Patrícia está lá, chamando Elza Soares para um bate-papo. Elza chora, Elza incrivelmente pudica, não quer dizer o que sente quando canta, Elza diz que música é terapia, diz que arrepia.
E bota Elza para cantar… Paulo Vanzolini (um ano mais novo que vovó).
Depois de um dia de ralação, aumento o som e canto alto, mais alto que a rádio. E dirijo rápido. Na chuva.
“… pena de mim não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
(…)
Reconhece a queda
Mas não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima!”
Essa música é a coisa mais linda. Dá vontade de cair (mais uma vez) só para levantar. E como a gente sabe que vai cair, canta por conta.
Elza canta com um acompanhamento debochado, clássico, moderno – participação especial do rapper francês Pyroman.
Bom demais.
Escândalo.
Sobre Paulo Vanzolini, essa coisa de doutor fera em zoologia e sambista… Eu acho que entendo um pouco de vida dupla. (Não a parte de ter dado certo e nas duas!)
O lado “A” e o lado “B”.
Tão bom ter isso bem separado.
Ser um trabalhador de carteira assinada, bater ponto, levar a pastinha. De noite botar meia arrastão, batom e tocar um samba no meio da malandragem.
É o tal do equilíbrio do louco. Risos.
E, claro, este é meu ano de pensar nos mortos.
Nos mortos que aproveitaram a vida e deixaram um rastrinho de bagunça para trás – bien sûr. Porque morto ajeitadinho é muito chato. Deixa pago até o jazigo. Blergh!
Eu acho que meu lado A nesse quesito é pouco B.
Mas vai saber…
Se eu fosse hoje, a conta ia ficar no positivo, mas ia dar um certo trabalhinho para desembaraçar…
Sobre isso mesmo, tem mais uma do Vanzolini. Coisa mais delicada e irônica.
“O que eu fiz é muito pouco
Mas é meu e vai comigo
Deixo muito inimigo
Porque sempre andei direito
Agasalhei neste peito muita cabeça chorando
Morena minha até quando você de mim vai lembrar
Quando eu for, eu vou sem pena
Pena vai ter quem ficar”
Para terminar, sem uma linha de melancolia, e com muito grito e riso. Mais um pedaço de música das cavernas…
Miguel Matamoros em versão de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, Lágrimas negras… Em duas frases.
“Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento”
Abaixo, só mesmo essa internet é capaz de nos trazer isso… Risos.

!
- No mundo, as redes sociais agregam 55 milhões de usuários;
- 52% já interagiram com marcas nesses meios.
- 80% confiam em recomendações de compras feitas pelos amigos;
- de maio a junho de 2009, a audiência do Facebook no Brasil cresceu 40%
- Orkut: 13 milhões de usuários no Brasil
- 36% dos internautas brasileiros sobem vídeos no YouTube. O Brasil é a segunda maior audiência do mundo;
- Blogs: Brasil é o quarto país do mundo onde mais se lê blogs. 2,6 milhões de brasileiros atualizam os próprios blogs diariamente;
- Twitter: cresceu 1.832% em 2008. E SP é a quarta cidade do mundo em uso (Fonte: Agência Click)

- Cara deslavada
Olha, sou suspeitíssima.
Amo o poder que a rede tem de conectar pessoas que não têm recursos. Amo a transformação que a internet provocou na vida de todos.
Adoro ficar em casa descalça e não sair faça chuva ou faça sol.
Adoro comer só quando dá fome e comidinha caseira.
E com internet…
Adoro sair muito de vez em quando, e voltar muuuuito cedo – tipo 7am.
E com internet…
Mas que esse bicho eletrônico (inclua video games, TV e outras geringonças) está nos escravizando e está atrapalhando as relações, está.
E agora?
Só posso dizer uma coisa – e baseada em experiência pessoal, portanto não é regra geral – eu vivo disso, amo a confusão das redes sociais, tenho dormido cada vez menos (mas sou assim) e tenho conhecido muita gente interessante. Mas tenho (como em várias outras questões) exagerado na dose.
E agora?
Hoje vovó fez anos. 87.
Disse que já está na hora de ir embora.
Eu sugeri que ela tomasse um porre e deixasse todos os convidados horrorizados.
Ela gostou da idéia – é muito careta e muito ligada essa vovó – e disse que ia tomar as Smirnoff Ice que comprou para as netas mais novas (!) tomarem no domingão.
E me contou que estava triste: a gaiola caiu no chão e o canário de pé torto fugiu.
Tem um dia que não aparece.
Tem alpiste e água, mas ele não volta.
Ela, tadinha, machucou as mãos ao arrumar a gaiola.
Disse que um amigo/amiga canário andava visitando a ave. Ficava lá, ao lado da gaiola por horas.
Repetiu que estava triste.
Intuiu que o passarinho deve morrer em breve – pois não sabe viver solto.
Mas vai morrer feliz e bem acompanhado.
Eu queria assim:

Ninita
Fiquei assim: 
Mas tudo bem, eu já estava uns 30 anos atrasada no look… Tá certo que o make ajuda muito a esconder rugas de expressão e até espinhas eventuais. E esse eu posso adotar – principalmente quando for participar das minhas reuniões em Miami. Risos.
Em se falando em Miami, dia de sol e calor na “pequena maçã”. E, no lugar do mar, muuuuita poluição. É tão engraçado: a primeira vez que fui a Santiago, no Chile, fiquei horrorizada com a cidade: um monte de prédios afundados num vale e encobertos por uma grossa camada de poluição. Fiquei horrorizada?! Dizem que vemos os nossos defeitos nos outros… Deve acontecer o mesmo no quesito arquitetura das megalópoles.
E uma coisa puxa a outra, da arquitetura vou para a decoração. Recebi um email hoje com uma foto sensacional. Amei a idéia, a execução, tudo. Que delícia. Quero compartilhar: um pedacinho para cada um… E vamos todos trabalhar mais felizes. Uma dúvida: será que tem que pagar direitos autorais para a Fundação Ludwig Mies van der Rohe?
Eu simplesmente amo a escola Bauhaus. Além de achar tudo lindo, clean, moderno, a idéia por trás (custo reduzido e orientação para a produção em massa, sem deixar que esses objetivos influenciem no investimento em design) é muito bacana. “Dar” ao povo, produtos belos, funcionais, duráveis. Capitaniada por Walter Gropius (que foi casado com a viúva de Mahler!), a Bauhaus procurou enfrentar o problema artes aplicadas x belas artes e, com isso, “criou” o moderno design. Quer saber quem deu aula lá? Paul Klee e Wassily Kandinsky…
A escola “verdadeira” funcionou de 1919 até 1933 – depois foi fechada pelos nazistas, que achavam a idéia coisa de comunista… O que deve ter sido o início do século passado. Quantas novidades, quanta loucura, quanta falta de tudo, guerras. Que época incrível.
E é engraçado como o nosso pensamento voa. Começa com uma foto boba, vai para o Chile, termina em Weimar no século passado. Volta para São Paulo.
Só para terminar, sobre Weimar, é a cidade que acolheu ninguém menos que Goethe e Schiller, mais tarde Nietzsche (já bem louco). Alguma semelhança com o coração da pequena maçã?
Decidido. Este ano não tem carnaval.
Não precisa ficar chateado e nem brigar com o prefeito do Rio de Janeiro – que deixa a cidade virar um banheiro público (e cria uma lei para punir o folião). Não precisa se preocupar com o dinheiro perdido em sua fantasia de odalisca, comprada em 10 prestações no Saara. Nem precisa ficar chateado porque já tinha comprado 3 engradados de cerveja e uma nova roupa de banho para desfilar a pança (essa não é nova!) em Ipanema. Se você este ano inovou e comprou ingresso para ver a Sabrina rebolando como passista da Gaviões, nada de pânico. Se você já fez a reserva de plumas na Casa Turuna só para marcar presença na padoca, tudo certo. Baile do Copa, com a turma que tem mais de 80?
Vai fazer calor, vai ter cerveja, blocos e sujeira na rua. Vai ter gente que sai no domingo e só volta na quarta-feira de cinzas. Vai ter bêbado e vai ter fantasia. Vai ter confete e serpentina. E vão haver histórias secretas de carnaval. Como a do avô que cismou de usar a anágua da tia para ir para a praia.
Mas esta foliã anônima, completamente montada e sóbria às 9h da manhã não vai estar em nenhum quadro de Dali. Nada de make up profissional, nada de meia arrastão. Este ano vou radicalizar.
Já perdi a conta das fantasias campeãs: com 4 anos de idade, lá estou na foto de família, de pirata com direito a tapa-olho e sapatilha dourada. Na de 2 anos, sou uma baiana com muitos colares de contas e uma salada de frutas na cabeça. Foto feita pelo Gerson, o tio doido que uma vez convocou todo mundo para destruir um bolo de aniversário com as mãos. Aquele que usava um brinco falso para deixar meu avô desconcertado. O tio que morreu fumando um cigarrinho enquanto fazia hemodiálise. Humor negro era com ele.
No baile do interior, aos 5 anos, havaiana do pão de queijo. Aos seis, passei uma semana na fazenda vestida de mulher-maravilha… Na hora do baile, era a mulher-maravilha com sandálias sujas de barro e bicho-de-pé. Aos 12 anos, misto de bruxa com Nina Hagen. Gene Simmons. Palhaço. A minha predileta é de melindrosa contemporânea – algo de franja, algo de bruxa, tudo dark. Tutu preto, meia arrastão, top Vivienne Westwood legítimo e cabelos presos com muitas plumas para suportar o calor com charme, para não reclamar ao levar os esguichos de água, espuma, e cerveja. Maquiagem a prova d´água alemã – mais cara do que todo meu arsenal do dia-a-dia. Porque carnaval exige planejamento, investimento e muito alumbramento.
Sem confete e sem serpentina. Sem sombra com purpurina. Sem pluma e sem flor artificial.
Novos tempos, novas invencionices.
Vou para um ashram.
Vou dormir cedo, acordar cedo.
Vou relembrar que um dia fiz yoga. (Minha pança e meus bracinhos que se cuidem)
Vou tomar chá, passar a tarde aprendendo a meditar e a não falar.
Marquei duas massagens e até um negócio diferente: quirologia.
Olha o que me diz o email de confirmação do lugar:
“Recomendamos que você acorde cedo, aproveite os banhos de água mineral e participe de todas as atividades.
Mantenha o bom astral e aproveite a sua estadia!”
Isso sim é provação ou provocação…
Mas eu decidi: em 2010 tenho umas coisas internas para resolver.
E não dá para ficar no meu natural ritmo de F-1 para desatar esses nós.
Com esse tratamento de choque (que um dia adorei), talvez eu me obrigue a desarrumar tudo lá dentro.
E como uma decoração nova me encanta.
Detalhes do mundo mundano: pagamento em 3 vezes no cheque.
E fantasia de yogini.
Tem algo de meu aí.
(Risos)
Acessórios para Dulce Pontes
Eu sei, vão me criticar.
Mas o retrato que fizeram da Renata na Serafina… que belo romance.
Dos horários à construção da persona… Renata é mesmo linda e um pouco melancólica. O resto é marketing porque a gente tem que sobreviver, não?
Inspirada pelo belo retrato noir, fui ouvir a Dulce Pontes a “cantaire” Lágrima. Que chatice sem fim. Acho que Roberto Leal acabou com qualquer chance de eu gostar de fado. Maldito louro com jeito de chacrete.
“Cheia de penas
Cheia de penas me deito
E com mais penas
E com mais penas me levanto”
Minha amiga Sarah Ezequiel não fique com raiva. Mas a Dulce dorme num galinheiro? Tem uma criação de avestruzes?
Mas se o fado perde, os queijos vencem. O “Monte da Vinha” então… U-la-lá!
Olha, acho que Lisboa é a pedida da Semana Santa. Também, confesso a choraire recostada em meu travesseiro de pêêêêêêênax de ganso: NYC é uma Miami mais sujinha e apaulistanada. E a terrinha eu não conheço! Como pode? Até lá terei mais caixa porque as costuras para fora já começaram.
E para não perder o bonde, vamos analisar a construção das manchetes e tílulos da F”a”lha de S.Paulo:
A advogada portuguesa que largou a Justiça para fazer queijos com as próprias mãos
por ELIANE TRINDADE, de Vimieiro (Portugal)
O MELHOR QUEIJO DO MUNDO
Essa é para guardar e contar numa mesa com muito vinho. Se a advogada largou a justiça, certamente é uma fora-da-lei… Deve sonegar impostos ou, no mínimo, cospe no prato em que comeu. E isso a Vigilância Sanitária não permite. E fazer queijo com as próprias mãos? Ora, ora…
Mesmo que o processo seja industrial, em algum momento tem uma mãozinha (adoro cacófatos) na receita. Eu mesma já fiz muita trança (de mussarela) na fazenda do meu avô e sem garantia de condições mínimas de higiene. Mas ficaram uma delícia cremosa!
Ora, o moderno jornalismo quando quer fazer graça acaba virando piada…Tsc, tsc…
Ai, essa conversa me deu fome e tenho um queijo curado me esperando na cozinha… Depois das dez já pode tomar vinho?
Deus nos dá pessoas e coisas,
para aprendermos a alegria…
Depois, retoma coisas e pessoas
para ver se já somos capazes da alegria
sozinhos…”
João Guimarães Rosa
João criou Riobaldo e colocou as palavras na boca dele. Riobaldo falou e as palavras ganharam vida, vida que Riobaldo não teve.
Eu não acredito em coincidências, só em brujas. Mas o fato é que gostei de ver a frase usada por mais gentes que encerraram hoje seu 2009. Muitas vezes a religião não consegue trazer conforto. E daí que a literatura é tiro e queda. É que nem pedir um copinho lagoinha com uma branquinha. Ninguém tem nada a ver com isso… E você sai zerado do bar*.
Guimarães para mim tem três passagens (entre várias, porque Diadorim, o burrinho pedrês, o vau da sarapalha e tantos outros vêm e vão o tempo todo, enchem a casa de mato). A primeira foi Buriti. O livro de 1961 foi meu predileto do vestibular. Não teve para Machado nem Ana Cristina César. Muito menos para o próprio Guimarães em obras passadas. E ver recentemente o Palácio do Buriti em Brasília, com o Buriti solitário no espelho d’água… Isso sim é arte… A segunda é dupla. A descoberta de Grande Sertão, Veredas. Ler devagar, de trás para frente, frente para trás. Acelerar quando o sono aperta. Voltar a ler para pegar tudo de novo. Ler com dificuldade, passar o que não entende como quando estudo francês.
E aí, cara dura que sou, ao conversar com uma colega da Veja que tinha acabado de fechar uma página sobre Poty, pedi o telefone do artista. Liguei para ele em Curitiba. Expliquei que meu avô era fazendeiro de Minas. E que admirava muito o trabalho dele. Perguntei se uma gravura saía muito caro. Ele cobrou 240 reais (uma passagem SP-BH). Mandei (por malote) o cheque. Ele devolveu um envelopão. Não era gravura, era um desenho feito com caneta hidrocor em papel cartão neutro. Desenho mesmo. Era o cavaleiro tocando os bois que Poty fez para ilustrar Sagarana. Fiquei até com dó de dar de Natal para meu avô… Mas dei. Hoje é um quadro emoldurado na fazenda predileta dele. Toda vez que penso no futuro, disputo esse quadro com os herdeiros. Esse quadro é dele, mas volta para mim – nem que eu mate quem tentar levar.
A terceira passagem foi agora com a perda do meu João. Ai, esses Joões. Mineiros, interioranos e cardíacos.
Como não piso mais lá, Drummond me acode:
“Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
no peito?”
Agora vamos às coincidências.
Trabalhei com a neta de João. Neta bastarda (diziam em voz baixa e maliciosa – só porque o avô era famoso e ela, chata). O fato de ela ser neta da amante não a deixava muito relaxada para falar do avô… Ah se fosse MEU avô…
Mas a vida é assim. As pessoas criam casa de caramujo e de lá não saem. São cheias de certo e errado, cheias de não-me-toques.
Precisam de mais literatura e de um jogo completo de copos lagoinha. E do telefone do Poty no céu.
“Se você escolheu o caminho, não pode recusar a travessia.”
* Sobre o bar, o post é outro



