Tags: Pessoas
10 nov

Que coisa mais cafona achar que as mulheres agora se mobilizaram.
As mulheres, queridos, sempre estiveram na luta.
“Agora” é marketing masculino para vender revista e papel higiênico.
E, mesmo mobilizadas, e ralando feito malucas, elas continuam neuróticas com a magreza, inseguras com os peitos, desesperadas para agradarem as amigas e para encontrarem um “homem”.
Sempre achei que o paraíso seria nascer de novo na versão 2.0: sapatão.
Tenho repensado: sapatão, não.
O paraíso é nascer do jeitinho que nascemos e surdas.
Surdinhas.
Porque o defeito é ouvir demais a opinião alheia.

Recentemente, não sem dor no coração, fiz uma limpa na minha timeline pessoal.
Tirei gente por quem tinha apreço.
Gente que saiu ferida. E cuspindo marimbondo.

Mas não dá para ter 40 anos e andar na gangue que praticava bullying com 12, né?
Não dá para maltratar todo aquele que não concorda com as suas asneiras…

Ai, 40, venham felizes grudar em mim.
Que delícia ver as veias saltarem na mão.
Ter um bração de Madonna sem bomba – pura natureza.
Perder os peitões – com tristeza – mas olhar os pernões ainda firmes.
Pensar que um botox pode valer a pena antes do fatídico bisturi.
Ralar a semana toda para compensar os biscoitinhos de chocolate do domingo.
Mas não deixar de lado o chopp na casa dos amigos.
A feijuca do sábado.

E saber que 3 kg num fim de semana não vão te deixar mais ou menos feia.
E que, infelizmente, são muita coisa.
E dão trabalho para perder.
Mas você topou o risco.
Agora sua, gata, para tirar os 3 danados de você… rala!

E la nave va.

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Escrito por anapessoa
25 set

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Sem álcool.
Sem trabalho fixo.
Sem compromisso.
Sem medo.
Sem maldade.
Sem sualizar.
Sem pre-pronta.

Com pacta.
Com vontade.
Com idéias.
Com amor.

Sem tirar nem com.

Escrito por anapessoa
20 set

Confúcio disse que a vida é simples, a gente é que complica.
Camus cravou que não há que se ter vergonha de preferir a felicidade.
Deleuze explicou que escreve-se sempre para dar a vida, para liberar a vida aí onde ela está aprisionada, para traçar linhas de fuga.

Linha de fuga.
Eu sei o que eu quero.
O mais difícil.
O complicado.
A minha criação.

Ao mesmo tempo, o que me faz rir.
O que me leva para o infinito.
O que me revela porque me dá medo.

Mas, sobretudo, o que eu quero é me encostar em você e te curar.
Como pode, num mundo deste tamanho, não se permitir desalinhar os cabelos?
Não sair do roteiro.
Pensar em dinheiro.
Quando ainda falta um caminho inteiro?

Eu puxei o freio de mão com o carro andando.
Resolvi suar a camisa.
Parar com o álcool por uns tempos.
Ficar em casa.
Escrever.

E dizer não para gentes, empresas, coisas.
Este negócio de dizer não é tão novo.
Eu me movo, comovo, eu estremeço.

O que eu quero?
Pode ser o que você quer.
Pode ser uma coisa qualquer.
Pode ser apenas um música.
Um abraço.
Um olá.

Eu quero isto e o intenso.
Denso.
Penso.
Penso demais.
Falo mais do que isto.

Eu quero a descoberta honesta.
A vida, enfim.

Escrito por anapessoa
Tags: Ensaio
19 set

Foto criada em 19-09-15 às 02.24 #2Quando, finalmente, tudo o que poderia ser consumido termina e a casa adormece.
Quando, finalmente.
Os querubins e arcanjos deixam que as asas repousem sobre eles.

Eu me sento com meu pequeno pote de tâmaras ouvindo os salmos do Mestre.
O AMOR SUPREMO.
Nesta noite de nuvens e poucas estrelas não existe nenhum ser humano entre as paredes além de mim.
Os bichos, inquietos, ficam a me rondar. Mas eu estou só.

Eu como as tâmaras com fome.
E ouço a obra mais fina da criação.
Coltrane.
O mensageiro.

A minha energia é exatamente quando ninguém consegue ver.
A luz amarela, cor de gema de ovo.
O corpo, marcado, másculo, mas ancudo, feminino de te fazer querer morder.
A chama reta, num pavio longo.
Eu mordisco folhas de alface.
E como carne.

Sinto o mantra.
Sinto meu corpo inteiro em comunhão.
Entendo que nunca existirão rédeas.
Jazz.

Eu sou tudo e nada.
Eu me acabo, me esgoto.
E começo sem fim.
E de novo e sem parar.

Escrito por anapessoa

Fale em voz altaAbro com a frase de um polêmico muito já desprezado por mim.

“They say: Think twice before you jump. I say: Jump first and then think as much as you want!”

Osho, Courage: The Joy of Living Dangerously

Em minha nova vida, tenho conhecido mais e mais gente.
A sensação que tenho é que virei (ou voltei a ser?) um grande ímã do universo.

Durante 16 anos eu tive a oportunidade de viver em devoção.
Não sou fácil e não foi sempre um mar de flores.
Mas foi uma história do ontem e do amanhã. Uma grande história de amor.
E gratidão é pouco para o que pude viver.

Agora, eu tenho a oportunidade de viver uma segunda vida em vida.
Eu grito para o Universo – e ele responde. Responde rápido – ele é dos meus.
Eu ganhei meus mantras pessoais.
Eu ganhei um corpo completamente diferente de tudo o que ele já foi.
É como se eu tivesse parido às avessas: pari a mim mesma, e, por isto, surgi mais esguia.

E sobre as pessoas: elas têm vindo mais e mais e mais.
De todos os jeitos: com problemas sérios para que eu as ajude.
Com projetos mirabolantes.
Com propostas indecentes.
Com amor. Amor demais. Um rio. Um mar.

E todo dia, em especial de manhã, quando estou fazendo os primeiros mantras com o nascer do sol, a sensação que eu tenho é de total comunhão com o universo.
E quanto mais alto eu falo, mais ele dá. E mais ele me pede para que  eu faça.
Ele me dá certeza de coisas que ainda nem se realizaram.
Ele me oferece o impensado.

E eu sinto o fluxo.
Eu me sinto Ana com tanta força.
Tudo ao mesmo tempo agora.
Yoga, bicicleta, trabalho.
Amigos fiéis.
Alegria.

Eu durmo pouco.
É muito pouco dia para tanta gratidão.

Namastê.

Para André Zilar e Gê Fujii

Escrito por anapessoa

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Egoísmo é amor exagerado aos próprios valores e interesses a despeito dos de outrem.
Não é de Kant (submissão do dever ao interesse particular, em detrimento da obediência à lei moral).
Não é de Nietzsche (sentimento cuja plenitude está restrita ao homem nobre e incomum, capaz de compreender o mundo do ponto de vista exclusivo de seu próprio interesse).
É um sentimentinho baixo mesmo.
Eu.
Eu.
Eu.
E a vida passa e você se concentra no eu.
No que pode ter.
No que pode te favorecer materialmente.
Numa falsa segurança material.

Egoísmo é um amor que te deixa sem o ser.
Ele é TER no estado puro.

Ser é algo imaterial.
É se doar.
É pensar no outro e, depois, em ti.
É se abrir no pensamento e na completude de que o mundo é grande e SOMOS todos um organismo vivo, somos únicos e somos um.
É saber que o material é bom, mas não vive sem o SER.

Querido egoísmo, primo da covardia, eu te dispenso.
Te coloco na geladeira.
Te desprezo.

Eu nasci para me doar.
Para me jogar em águas salgadas
Eu nasci para ir fundo.

E eu sou tinhosa.
Não mexa comigo.
Uma vez sacada a faca da bota, a história chega ao fim.
Que pena.
Lá no fundinho, eu sempre acredito.

Mas o meu melhor lado é o tal otimista.
Amanhã, primo Pessoa, já é outro dia.

Escrito por anapessoa

Na minha sexta, tudo cabe na cesta.
Meditação, yoga, trabalho, pagamento de conta, você.
Eu preciso fazer mil coisas ao mesmo tempo – e isto me completa.
Mas quando eu penso, eu sou objetiva, penso em um alvo.
E isto me revela.
Eu tenho muito energia, não, não sou hiperativa, deprimida, bipolar, nada.
Sou assim, mesmo, em voltagem acelerada.
Eu amo.
Abraço, afago, carinho.
Não erotize o texto.
Eu penso nos doentes.
Nos tristes.
Nos confusos.
E vou até eles.
E dou colo.
Ainda não inventaram trabalho bem remunerado para quem só faz o que eu faço – por isto faço tudo ao mesmo tempo.
Preciso de uns bicos para pagar a conta.
E de uma sexta-feira para lembrar que eu não sou santa.

Quando faz frio

Quando faz frio

Escrito por anapessoa
Tags: Pessoas
8 set

Je pense toujours que le verbe aimer en français est plus dense.
Je pense trop.
Viens avec moi à jouer dans mon abîme.
Profonde, sans fin, dangereux.
Venez rouler dans l’herbe.
Venez lâcher son âme. Votre pulsation cardiaque.
Permettez-moi de vous emmener.
Vous me faites glisser fermement.
Vous me attirent.
Et je suis impuissant.

Où avez-vous été tout ce temps?
Je ne sais toujours pas où je suis.

———–

Cheiro.
Olho.
Tudo dando certo e errado.
Fico me segurando.
E provoco sempre que posso.
Geladinho na barriga.
Nenhuma, nenhuma briga.
(Ainda?)
Tudo para dar errado.
Idade, filho, medo.
Posse.
Posso?
Cansaço.
História.
Memória.
Dúvida.
Certeza.
Fome.
Sede.
Telefone.
Ai, tecnologia, que saco.
Se fosse anos atrás iria ser mais ao vivo e menos na tela de cristal.
Seu número?
Tem certeza…
Eu sei que vai ser dureza.
Moleza.
Pela primeira vez na história, domada.
Saudade.

É muita coisa boa ao mesmo tempo.
Fico guardando os minutos na bolsa para durar mais.

Je ne sais toujours

Je ne sais toujours

Escrito por anapessoa

Quando eu cheguei, estava escrito que eu não iria me conformar.
Eu andava por aí com um caminhãozinho que tem nariz de palhaço.
No acampamento da escola, fui eleita Miss sei lá o quê.
Desfilei de fio dental e com flores de bougainville no cabelo.
No meio da “passarela”, saí correndo e me atirei de faixa e tudo na piscina.
A turma toda me acompanhou e ferramos com o evento.
Miss Take – here I am.

Larguei a natação e do alto de 1,62m (ou 1,64m dependendo da corcunda), resolvi jogar vôlei e basquete.
Adivinha quem fazia mais pontos no time?
Pulei a janela da escola em Curitiba. A mesma escola onde estudou o Leminski.
O diretor foi convencido a não contar para a minha mãe que eu havia me abrigado no internato masculino.
Haja lábia e cabeça aberta do Irmão Lino.

E veio o vestibular em Belo Horizonte.
Comunicação, “claro”.
Passei na melhor faculdade.
Tudo escrito.
E resolvi só usar roupa preta.
Comprei uma bateria com a grana da bolsa do CNPq.
Fui gentilmente convidada a não completar o período da bolsa.
Imagina que eu levava a minha baqueta para a biblioteca e tirava som de tudo – das mesas, livros, estantes, gaveteiros, ficheiros.
Tudo menos ralar para receber a grana da bolsa.
Eu fui representante da turma, presidente do CEC (D.A. para os íntimos).
E comprei uma briga do caramba: cortei a palhaçada de comprar maconha com o dinheiro público dado para a manutenção de nossa sala.
Não fui popular.
Foda-se.

Escrevi o discurso de formatura (que foi votado democraticamente – pois eu não seria a pessoa escolhida se fosse pelo rostinho bonito – e eu li vestida de Emília do Sítio do Pica-Pau).
Completamente fora de esquadro, iconoclasta, engraçada, mandona, mal-criada, amiga, perdida, avant garde.
Eu simplesmente não me encaixava – encaixo.
Então eu não grilo com a falta de peças, com o encaixe de cubo mágico – você precisa tentar mais de uma vez para acertar a seqüência.
Comigo, pelo menos.

Aí veio o mundo.
Escrevi na Veja.
Trabalhei na Globo.
Pesquisei livro do Jabor.
Conheci muita gente “famosa”.
E a música foi ficando para trás.
Larguei minha câmera fotográfica.
Dei o pé no fotógrafo, no designer.
O cabelo ruivo voltou ao natural.
Troquei as calças Vision por tailleurs.
Cuba por Paris.
Buenos Aires por Nova York.
Comprei casa, carro, fiz filho, descolei cachorro.
E virei gente grande.
Fiquei modesta, adorei um cartão de visitas, aprendi a me enfeiar para ser mais respeitada.
“She’s down on her knees, my friend”

Aí fiz 40.
E dizem que vem uma crise junto com esta idade.
Crise boa do caramba.
O passado veio voltando e cobrando a conta.
O presente foi se transformando.
Comecei a me redescobrir.
Rueira.
Sem vergonha.
Magra? Forte feito o Hulk.
Bonita sem pudor nenhum – não, não sou Giselão, mas sei te enfeitiçar feito nenhuma outra.
Yogini.
Destemida.
Descobri que creio em tudo, não sou atéia.
Descobri a fé.
Descobri que amo ajudar.
Não é dinheiro que me move.
Foda-se.

Descobri que sou um traveco mesmo.
Nasci torta, um hominho de saias.
E uma menininha escondida – às vezes.
Conheci uma penca de gente linda.
Falei tudo o que que me veio à cabeça.
E não parei mais.

Falo, abraço, beijo, ajudo, ajudo, ajudo.
Não durmo.
Não ligo.
Eu escrevo.
E eu descobri que ser feliz é isto.
Vim ao mundo para tomar todas as porradas e transformar.

Sou feliz de fato.

She’s gonna bawl and shout
She’s gonna work it
She’s gonna work it out, bye bye

Velvet Underground

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Escrito por anapessoa
6 set

Troco a noite pelo dia, encerro a farra no balcão da padaria.
Levanto depois das 17h e me arrasto.
Dou mais um passo.
Falta gente para entender o significado de Αμαζόνες.

Um ataque, um contra-ataque.
Pivô.
Um, dois, três.
Eu quero é fazer a virada, o repique.

Dia de caça é dia de encher a geladeira.
Comer, beber com vontade.
Mas eles querem muito e eu não quero nada.
Quando vejo, já foi. Nuca, ombro, pescoço.
Esta coisa de querer engolir tudo com gosto – eu quero só uma taça.
Não, não me abraça.

Existe dia de caça.
Mas gargáreos não entendem.
Uma vez por ano.
Não é toda hora.

Esta mania de ser livre me leva a mundos estranhos.
E você termina a noite procurando Hipólita.
Hipólita acorda cedo.

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Escrito por anapessoa