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O Brasil pelos brasileiros gaiatos. E a França… deixa para lá.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Aqui são umas das minhas observações, as vezes um pouco exageradas, sobre os franceses e outros estrangeiros no Brasil.
Nada sério.
E um adendo: todo o meu amor e respeito aos gays do mundo.

1 – Aqui no Brasil, tudo se organiza em fila: fila para pagar, fila para pedir, fila para entrar, fila para sair e fila para esperar a próxima fila. E duas pessoas ja bastam para constituir uma fila.
Na França a fila também não falha: é a juventude desesperada para tomar café gelado no Starbucks (americano sempre fatura com francês) ou então fila de gente no último trem do metrô. Porque taxi, fio, ninguém está podendo. Já vi até fila de rato na entrada do metrô Sèvres-Babylone, aquele que sai na porta do Le Bon Marché.

2 – Aqui no Brasil, o ano começa “depois do Carnaval”.
Lá na França começa sempre depois dos protestos dos jovens que não querem trabalhar mais do que 4 horas por semana. Imagina o absurdo.

3 – Aqui no Brasil, não se pode tocar a comida com as mãos. No MacDonalds, hamburger se come dentro de um guardanapo. Toda mesa de bar, restaurante ou lanchonete tem um distribuidor de guardanapos e de palitos. Mas esses guardanapos são quase de plastico, nada de suave ou agradável. O objetivo não é de limpar suas mãos ou sua boca mas é de pegar a comida com as mãos sem deixar papel nem na comida nem nas mãos.
Lá na França, confirmando a lenda, o povo acha uma loucura lavar qualquer coisa. Prato, bumbum, pé. Experimente dar uma volta pelo Bassin de la Villete numa noite quente e você verá a maior concentração por metro quadrado de sandálias finérrimas tipo Roger Vivier em pés absolutamente imundos. É uma coisa tão impressionante que, só de lembrar, perco o sono e corro para um dos meus 5 banheiros para lavar os minhas patinhas de tupi-guarany.

4 – Aqui no Brasil todo é gay (ou ‘viado’). Beber chá: e gay. Pedir um coca zero: é gay. Jogar vólei: é gay. Beber vinho: é gay. Não gostar de futebol: é gay. Ser francês: é gay, ser gaúcho: gay, ser mineiro: gay. Prestar atenção em como se vestir: é gay. Não falar que algo e gay : também é gay.
Na França, todo mundo é gay mesmo. Gay de pé sujo.
Fazer o que? O mundo é dos gays e adoro todos eles.

5- Aqui no Brasil, os homens não sabem fazer nada das tarefas do dia a dia: não sabem faxinar, nem usar uma maquina de lavar. Não sabem cozinhar, nem a nível de sobrevivência: fazer arroz ou massa. Não podem concertar um botão de camisa. Também não sabem coisas que estão consideradas fora como extremamente masculinas como trocar uma roda de carro. Fui realmente criado em outro mundo…
Eu também, talvez tenha sido criada em Marte.
Aí a francesada chega no Brasil, contrata uma babá e empregada e esquece rapidinho tudo o que aprendeu.

6 – Aqui no Brasil, sinais exterior de riqueza são muito comuns: carros importados, restaurantes caríssimos em bairros chiques, clubes seletivos cujos cotas atingem valores estratosféricas.
Ué, minha gente, lá é até mais fácil de achar a riqueza. Pegue o mapa dos bairros e siga a renda média anual das famílias abastadas.
75007 – 380.959 euros
75006 – 341.639 euros
75008 – 307.710 euros
75004 – 280.526 euros
Em primeiro lugar no 7ème arrondissement, o bairro da Torre Eiffel. Morar em apartamentos situados ao longo dos jardins da Torre Eiffel, ao longo da Esplanada des Invalides, ou nas belas avenidas no interior deste bairro é um privilégio. Ele é considerado como o bairro mais elitista da capital.
Em seguida vem o 6ème, cortado pelo boulevard Saint Germain, região onde se encontra o Jardin du Luxembourg, o boulevard Raspail e o Hotel des Monnaies.
O 8ème arrondissement é a região da Avenue Champs Elysées, do Parc Monceau, da avenue Montaigne e da Place de la Madeleine.
Para ser bandido em Paris nem precisa conhecer o mapa da cidade. É só seguir a pé pelo caracol parisiense.
Mas, é claro, pobre de lá anda de metrô, mas não esquece sua bolsinha Céline made in China.

7 – Aqui no Brasil, os casais sentam um do lado do outro nos bares e restaurantes como se eles estivessem dentro de um carro.
Em Paris, nego entra num copo sujo e pede um “Cosmo”. Bicha fina é outra coisa. Opa: gay fina francesa.

8 – Aqui no Brasil, os homens se vestem mal em geral ou seja não ligam. Sapatos para correr se usam no dia a dia, sair de short, chinelos e camiseta qualquer e comum. Comum também é sair de roupas de esportes mas sem a intenção de praticar esporte. Se vestir bem também é meio gay.
Na França, a juventude dourada faz fila nas Galeries Lafayette para comprar Havaianas.
Vai entender o conceito de vestir bem.

9 – Aqui no Brasil, o cliente não pede cerveja pro garção, o garção traz a cerveja de qualquer jeito.
Na França você pede e o garçon não traz. Você gasta horrores o o garçon continua fazendo carão.
Penso que deve ser bacana entrar num bar e já ser servido logo de cara. Ah, os trópicos!

10 – Aqui no Brasil, todo mundo torce para um time, de perto ou de longe.
Lá na França todo mundo torce o nariz. Pas Mal é o que mais se ouve. No lugar de: bacana, genial, fantástico – pas mal.

11 – Aqui no Brasil, sempre tem um padre falando na televisão ou na radio.
Em Paris, vejam só: programa de TV de sucesso tem bingo e jogatina no ar.
Cada qual com seu cada qual – gay ou não.

12 – Aqui no Brasil, a vida vai devagar. E normal estar preso no transito o dia todo. Mas não durma no semáforo não. Ai tem que ser rápido e sair ate antes do semáforo passar no verde. Não depende se tiver muitas pessoas atrás, nem se estiverem atrasados. Também é normal ficar 10 minutos na fila do supermercado embora que tenha só uma pessoa na sua frente. Ai demora para passar os artigos, e muitas vezes a pessoa da caixa tem que digitar os códigos de barra na mão ou pedir ajuda para outro funcionário para achar o preço de um artigo. Mas, na hora de retirar o cartão de credito, ai tem que ser rápido. Não é brincadeira, se não retirar o cartão na hora, a mesma moça da caixa que tomou 10 minutos para 10 artigos vai falar agressivamente para você agilizar: “pode retirar o cartão!”.
Quanto a isto, tenho minhas dúvidas. Penso que na França é igualzinho e um pouco mais mal educado. Nunca se viu num país tantos caixas relaxados e confusos. Nas tenebrosas liquidações de verão – soldes d’ete – as fia do caixa ficam loucas. Fora que têm que trabalhar mais de 4 horas por semana. Aí já sentiu o humor francês das bichas. Oooops – dos gays e atendentes em geral.

13 – Aqui no Brasil, os chineses são japoneses.
Bom, aqui no Brasil a gente têm um curso muito bom de história geral – e em qualquer escola pública de fundo de quintal. E rapidamente descobrimos que, no Brasil, está situada a maior colônia japonesa do mundo.
Talvez por isto, os chineses de lá – maltratados feito o cão e morando longe, nos banlieues, junto com os africanos, turcos e muçulmanos que são franceses de pai e mãe, mas continuam sendo chamados de estrangeiros – talvez por isto a gente não confunda chinês com japonês. E viado, bicha, gay e outros tipos comuns e bem aceitos em nossa fauna tropical.

14 – Aqui no Brasil, a música faz parte da vida. Qualquer lugar tem musica ao vivo. Muitos brasileiros sabem tocar violão embora “que” (sic) não consideram que toquem se perguntar pra eles. Tem músicos talentosos, mas não tantos tocam as musicas deles. Bares estão cheios de bandas de cover.
Sorte a nossa que, no Brasil, não tem ninguém fazendo cover de Non, je ne regrette rien da Edith Piaf, ou Douce France do Charles Trenet nos ônibus ou estações de metrô. No primeiro acorde de Le moribond do Jacques Brel iria ter gay e neguinho rindo alto…

15 – Aqui no Brasil, a política não funciona só na dimensão esquerda – direita. Brasil é um pais de esquerda em vários aspectos e de direita em outros. Por exemplo, se pode perder seu emprego de um dia pra outro quase sem aviso. Tem uma diferencia enorme entre os pobres e os ricos. Ganhar vinte vezes o salario minimo é bastante comum, e ganhar o salario minimo ainda mais. As crianças de classe media ou alta estudam quase todos em escolas particulares, as igrejas tem um impacto muito importante sobre decisões politicas. E de outro lado, existe um sistema de saúde publico, o estado tem muitas empresas, tem muitos funcionários públicos, tem bastante ajuda para erradicar a pobreza em regiões menos desenvolvidas do país. O mesmo governo é uma mistura de política conservadora, liberal e socialista.
Lá na França a coisa é bem mais simples: tem a Liliane Bettencourt e os políticos que ela compra para ter isenção fiscal. O Gérard Depardieu, que deixou seu país natal para escapar do aumento de impostos para os ricos, tem todo o nosso apoio – sendo ele gay ou não. Viado também.

16 – Aqui no Brasil, é comum de conhecer alguem, bater um papo, falar “a gente se vê, vamos combinar, ta?”, e nem trocar telefone.
Em Paris, se alguém falar com você, pode saber que não é francês.

17 – Aqui no Brasil, a palavra “aparecer” em geral significa, “não aparecer”. Exemplo: “Vou aparecer mais tarde” significa na pratica “não vou não”.
Lá na França quem aparece mesmo é o Karl Lagerfeld que é alemão. O resto tenta.

18 – Aqui no Brasil, o clima é muito bom. Tem bastante sol, não esta frio, todas as condicões estão reunidas para poder curtir atividades fora. Porem, os domingos, se quiser encontrar uma alma viva no meio da tarde, tem que ir pro shopping. As ruas estão as moscas, mas os shopping estão lotados. Shopping é a coisa mais sem graça do Brasil.
Lá em Paris, o povo também enlouquece no shopping. Adora um tricó no Le Bon Marché, ou nas Galleries Lafayette.
Agora, calor humano mesmo é no metrô em julho. O povo francês adora um bodum coladinho no cavaco.

19 – Aqui no Brasil, novela é mais importante do que cinema. Mas o cinema nacional é bom.
Em Paris, cinema americano arrasa. Filme francês, como eles dizem, é coisa de viado.

20 – Aqui no Brasil, não falta espaço. Falam que o pais tem dimensões continentais. E é verdade, daria para caber a humanidade inteira no Brasil. Mas então se tiver tanto espaço, por que é que as garagens dos prédios são tão estreitos? Porque existe até o conceito de vaga presa?
Em Paris não tem garagem. Ficam aqueles carros parados, todos batidos e amassados enfeiando o Quartier Latin. Não dava para fazer um estacionamento no Jardin du Luxembourg e jogar um tapete do século XV por cima?

21 – Aqui no Brasil, comida salgada é muito salgada e comida dolce é muito doce. Ate comida é muita comida.
Na França come-se pouco porque toda refeição é para levantar bandeira. O povo não tem pena nem do ganso. O coitado vive doente e entalado para garantir o foie gras da população.

22 – Aqui no Brasil, se produz o melhor café do mundo e em grandes quantidades. Uma pena que em geral se prepare muito mal e cheio de açúcar.
Você veja bem que gosto é algo que não se discute. Fazer fila no Starbucks é para os ousados.

23 – Aqui no Brasil, praias bonitas não faltam. Porem, a maioria dos brasileiros viajam todos para as mesmas praias, Búzios, Porto de Galinhas, Jericoacoara, etc.
Engraçado é ver que Saint Tropez, Marseille estão sempre lotadas – deve ser a brasileirada que enricou e adora fazer farofa na praia com seus amigos gays.
Agora, meu amigo gay ou não, praia na beira do Sena, é que é churrasco na laje. O resto é brincadeira de pagodeiro.

24 – Aqui no Brasil, futebol é quase religião e cada time uma capela.
Tem que fazer doutorado em Antropologia para explicar esta frase. Como parei no mestrado, não ouso questionar tanta sabedoria estrangeira.

25 – Aqui no Brasil, as pessoas acham que dirigir mal, ter transito, obras com atraso, corrupção, burocracia, falta de educação, são conceitos especificamente brasileiros. Mas nunca fui num pais onde as pessoas dirigem bem, onde nunca tem transito, onde as obras terminam na data prevista, onde corrupção é só uma teoria, onde não tem papelada para tudo e onde tudo mundo é bem educado!
Você é gay ou francês?! Ou todas as anteriores?

26 – Aqui no Brasil, esporte é ou academia ou futebol. Uma pena que só o futebol seja olímpico.
Na França esporte é fazer xixi na piscina pública.

27 – Aqui no Brasil, existe (sic) três padrões de tomadas. Vai entender porque…
Um provérbio francês diz que há um tipo diferente de queijo francês para cada um dos dias do ano, e Charles de Gaulle uma vez perguntou: “como você pode governar um país no qual existem 246 tipos de queijo?” Vai entender…

28 – Aqui no Brasil, não se assuste se estiver convidado para uma festa de aniversário de dois anos de uma criança. Vai ter mais adultos do que crianças, e mais cerveja do que suco de laranja. Também não se assuste se parece mais com a coroação de um imperador romano do que como o aniversário de dois anos. E ‘normal’.
A festa de debutantes, uma tradição que parece tão ultrapassada, ainda faz muitas meninas sonharem na França. As garotas bem nascidas, entre 16 e 20 anos, participam do tradicional baile de debutantes do Hotel Crillon, em Paris.
Festa de criança no Brasil perde para tanta bobagem.

29 – Aqui no Brasil, não tem o conceito de refeição com entrada, prato principal, queijo, e sobremesa separados. Em geral se faz um prato com tudo: verdura, carne, queijo, arroz e feijão. Dai sempre acaba comer uma mistura de todo.
E desde quando o conceito de entrada, prato principal, queijo e sobremesa é um conceito?
Oiê?

30 – Aqui no Brasil, o Deus esta muito presente… pelo menos na linguagem: ‘vai com o Deus’, ‘se Deus quiser’, ‘Deus me livre’, ‘ai meu Deus’, ‘graças a Deus’, ‘pelo amor de Deus’. Ainda bem que ele é Brasileiro.
Je suis désolée, les affaires sont les affaires. E um francês sabe bem o que isto significa.

31 – Aqui no Brasil, cada vez que ouço a palavra ‘Blitz’, tenho a impressão que a Alemanha vai invadir de novo. Reminiscência da consciência coletiva francesa…
Fique tranquilo, a Alemanha, com sua economia em velocidade de cruzeiro, não iria jamais invadir um endividado e na rabeira. Dá azar… No máximo, os alemães podem comprar umas vinícolas e trocar La Grande Dame por  “Glückliche kaiser”!

32 – Aqui no Brasil, pais com muita ascendência italiana, tem uma lei que se chama ‘lei do silencio’. Que mau gosto! Parece que esqueceram que la na Itália, a lei do silencio (também chamada de “omerta”) se refere a uma pratica da mafia que se vinga das pessoas que denunciam suas atividades criminais.
Fica um ditado francês: Plus le singe monte haut, plus on voit son derrière. (Lit. Quanto mais o macaco sobe, mais enxergamos sua bunda.)

33 – Aqui no Brasil, se acha tudo (sic) tipo de nomes, e muitos nomes americanos abrasileirados: Gilson, Rickson, Denilson, Maicon, etc.
Frontin, Garret, Haydée, Aimée, Arkell. Oiê?

34 – Aqui no Brasil, quando comprar tem que negociar.
Na França, você paga caro logo de cara. Vai entender a lógica…

35 – Aqui no Brasil, os homens se abraçam muito. Mas não é só um abraço: se abraça, se toca os ombros, a barriga ou as costas. Mas nunca se beija. Isso também é gay.
36 – Aqui no Brasil, o polegar erguido é sinal pra tudo : “Ta bom?”, “obrigado”, “desculpa”.
Sem noção, sem comentários.

37 – Aqui no Brasil, quando um filme passa na televisão, não passa uma vez só. Se perder pode ficar tranquilo que vai passar mais umas dez outras vezes nos próximos dias. Assim já vi “Hitch” umas quatro vezes sem querer assistir nenhuma.
Você deve ser francês ou americano para ficar tanto tempo na frente da TV. Tanta coisa para fazer lá fora…

38 – Aqui no Brasil, tem um jeito estranho de falar coisas muito comuns. Por exemplo, quando encontrar uma pessoa, pode falar “bom dia”, mas também se fala “e ai?”. E ai o que? Parece uma frase abortada. Uma resposta correta e comum a “obrigado” e “imagina”. Imagina o que? Talvez eu quem falte de imaginação.
A expressão mor francesa e nenhum comentário:
“Pas Mal.”
E, claro, salve simpatia.

39 – Aqui no Brasil, todo mundo gosta de pipoca e de cachorro quente. Não entendo.
Oiê? Queria que todo mundo gostasse de cassoulé e ratatouille?

40 – Aqui no Brasil, quando você tem algo pra falar, é bom avisar que vai falar antes de falar. Assim, se ouvi muito: “vou te falar uma coisa”, “deixa te falar uma coisa”, “é o seguinte”, e até o meu preferido: “olha só pra você ver”. Obrigado por me avisar, já tinha esquecido para que tinha olhos.
Sem comentários. A educação não me permite nem fazer graça com isto.

41 – Aqui no Brasil, as lojas, o negócios e os lugares sempre acham um jeito de se vender como o melhor. Já comi em em vários ‘melhor bufe da cidade’ na mesma cidade. Outro superativo de cara de pau é ‘o maior da América latina’. Não costa nada e ninguém vai ir conferir.
Queria que o povo desse um tiro na cabeça por que perdeu uma estrela do Guia Michelin? A gente tem chopp para beber…

42 – Aqui no Brasil, tem uma relação ambígua e assimétrica com a América latina. A cultura do resto da América latina não entra no Brasil, mas a cultura brasileira se exporta la. Poucos são os brasileiros que conhecem artistas argentinos ou colombianos, poucos são os brasileiros que vão de ferias na América latina (a não ser Buenos Aires ou o Machu Pichu), mas eles em geral visitaram mais países europeus do que eu. O Brasil as vezes parece uma ilha gigante na América latina, embora que tenha uma fronteira com quase todos os outros países do continente.
Será que é porque falamos português e eles espanhol?
Ou será que é porque temos geografia e história em todas as escolas – mesmo as piores do Enem?

43 – Aqui no Brasil, relacionamentos são codificados e cada etapa tem um rótulo: peguete, ficante, namorada, noiva, esposa, (ex-mulher…). Amor com rótulos.
Já leu Jorge Amado ou quer que a gente desenhe? Pede ajuda ao Caribé…

44 – Aqui no Brasil, a comida é: arroz, feijão e mais alguma coisa.
Na Franças, comida é boa e a gente gosta. Aqui, especialmente em Minas, também.

45 – Aqui no Brasil, o povo é muito receptivo. E natural acolher alguem novo no seu grupo de amigos. Isso faz a maior diferencia do mundo. Obrigado brasileiros.
E o Francês ainda cospe no prato…

46 – Aqui no Brasil, o brasileiros acreditam pouco no Brasil. As coisas não podem funcionar totalmente ou dar certo, porque aqui, é assim, é Brasil. Tem um sentimento geral de inferioridade que é gritante. Principalmente a respeito dos Estados Unidos. To esperando o dia quando o Brasil vai abrir seus olhos.
Neste dia vocês estará na fila do Starbucks num calor de 40oC. E usando óculos escuros chineses.

47 – Aqui no Brasil, de vez em quando no vocabulário aparece uma palavra francesa. Por exemplo ‘petit gâteau’. Mas para ser entendido, tem que falar essas palavras com o sotaque local. Faz sentido mas não deixa de ser esquisito.
Releia seu próprio texto que você vai entender melhor de sotaque esquisito. Você bateu a cabeça no bidê quando era pequeno?

48 – Aqui no Brasil, tem um organismo chamado o DETRAN. Nem quero falar disso não, não saberia por onde começar…
Mal chegou e já foi comprar um carro. Louco para largar o metrô e le vélo!

49 – Aqui no Brasil, dentro dos carros, sempre tem uma sacola de tecido no alavanca de mudança pra colocar o lixo.
E os franceses fazem o quê? Jogam o lixo no chão do veículo? Oh! Ah! Que horror!

50 – Aqui no Brasil, os brasileiros se escovam os dentes no escritório depois do almoço.
Na França não?
Désolée. E compra um chiclé, pelo menos.

51 – Aqui no Brasil, se limpa o chão com esse tipo de álcool que parece uma geleia.
Na França não se limpa, e disto sou prova. Nem com gel nem com líquido.

52 – Aqui no Brasil, a versão digital de ‘fazer fila’ e ‘digitar codigos’. No banco, pra tirar dinheiro tem dois códigos. No supermercado, o leitor de código de barra estando funcionando mal tem que digitar os códigos dos produtos. Mas os melhores são os boletos pra pagar na internet: uns 50 dígitos. Sempre tem que errar um pelo menos. Demora. Aqui no Brasil, o sistema sempre ta “fora do ar”. Qualquer sistema, principalmente os terminais de pagamento de cartão de credito.
O TI é francês – é por isto.

53- Aqui no Brasil, tem um lugar chamado cartório. Grande invenção para ser roubado direito e perder seu tempo durante horas para tarefas como certificar uma copia (que o funcionário nem vai olhar), o conferir que sua firma é sua firma.
Casar na prefeitura do bairro é que é ser fino.
Experimenta ir aos correios na França…

54 – Aqui no Brasil, parece que a profissão onde as pessoas são mais felizes é coletor de lixo. Eles estão sempre empolgados, correndo atrás do caminhão como se fosse um trilho do carnaval. Eles também são atletas. Tens a energia de correr, jogar as sacolas, gritar, e ainda falar com as mulheres passando na rua.
55 – Aqui no Brasil, pode pedir a metade da pizza de um sabor e a metade de outro. Ideia simples e genial.
Que observações de gênio. Realmente, não vale o comentário. Chama o Pierre Verger!

56 – Aqui no Brasil, nao tem agua quente nas casas. Dai tem aquele sistema muito esperto que é o chuveiro que aquece a agua. Só tem um porem. Ou tem agua quente ou tem um débito bom. Tem que escolher porque não da para ter os dois.
Lá vem desculpa para não tomar banho…

57 – Aqui no Brasil, as pessoas saem da casa dos pais quando casam. Assim tem bastante pessoas de 30 anos ou mais morando com os pais.
Três meses após a entrada em vigor da lei que autorizou o casamento homossexual na França, um primeiro balanço indicou que quase 600 casamentos entre pessoas do mesmo sexo foram celebrados nas 50 maiores cidades do país. O número corresponde a apenas 1% das cerimônias no período.O jornal Le Monde acha que os homossexuais franceses estão esperando passar a polêmica criada pelas grandes manifestações contra o casamento gay para poder realizar as cerimônias com simplicidade e discrição.
Protesto por casamento gay? Tsc tsc tsc.

58 – Aqui no Brasil, tem três palavras para mandioca: mandioca, aipim e macaxeira. La na franca nem existe mandioca.
Désolée.

59 – Aqui no Brasil, tem o numero de telefone tem um DDD e também um numero de operadora. Uma complicação a mais que pode virar a maior confusão.
Ah! Oh! Que confusão!

60 – Aqui no Brasil, quando encontrar com uma pessoa, se fala: “Beleza?” e a resposta pode ser “Jóia”. Traduzindo numa outra língua, parece que faz pouco sentido, ou parece um dialogo entre o Dalai-Lama e um discípulo dele. Por exemplo em inglês: “The beauty? – The joy”. Como se fosse um duelo filosófico de conceitos abstratos.
Aqui no Brasil, a torneira sempre pinga. Aqui no Brasil, no taxi, nunca se paga o que esta escrito. Ou se aproxima pra cima ou pra baixo. Aqui no Brasil, marcar um encontro as 20:00 significa as 21:00 ou depois. Principalmente se tiver muitas pessoas envolvidas.
Gente, o fofo veio trabalhar e até agora não se situou? Ele morava onde na França? Em Rennes? Manda o moço para o escritório do Google em Barão de Cocais.

61 – Aqui em Belo Horizonte, e a menor cidade grande do mundo. 5 milhões de habitantes, mas todo mundo conhece todo mundo. Por isso que se fala que BH é um ovo. Eu diria que é um ovo frito. Assim fica mais mineiro.
Frito ficou o francês que falou bobagem.
Frito e queimado.

 

(Este texto é uma resposta às bobagens que li em: sou francês e não fiz o dever de casa.)

Procurando referências

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Então numa madrugada mais uma vez você perde o sono.
Procura poemas que expliquem os buracos.
No peito, no piso.
Que acalmem as dúvidas.
Ou, pelo menos, que diluam tantas certezas.
Dogmas.

Mas sabe que nenhum poeta morto ou vivo um dia conseguiu explicar.
A força de não se deixar deitar.
De rir mesmo quando arrebentado.
Da pieguice de não ser nada.
Da coragem diante do presente.

(In)certo.

De repente, você briga com o destino, com a fé, com o certo e o errado.
De repente, você decide que não dá para dormir tão pouco.
Que é preciso flanar mais, ser menos sério.

E que o repouso, a calma e a fé são benvindos.

De repente um poeta russo sussurra…
“Estamos quites
Inútil o apanhado da mútua dor mútua quota de dano.”

Armando

sábado, 13 de abril de 2013

Em seus braços eu parecia uma dramática do Tango.
Em toda e qualquer gafieira.

Fui para dar um bote no filho, colega de faculdade, pedindo uma fita cassete dos Mutantes.
E ele roubou meu coração.
Veio com Lígia, uma carioca incrível, fora de qualquer padrão mineiro de montanha que consome.
Lígia carioca, mãe aos 40, prima do Ezequiel Neves – o cara que descobriu Cazuza.
Quantas vezes fiz um DDI só para ouvir a mensagem louca e escrachada do Ezequiel na secretária eletrônica…

As melhores festas.
Os melhores pós-Natal.
Tudo o que era ilicitamente de família.
Os namorados.
As fotos.
Os papos-cabeça de quem tem vinte.
As bebedeiras intermináveis.
Em casa de Armando nunca faltou bom uísque e um tiragosto para deixar qualquer boteco com inveja.

Armandinho nunca foi um namorado.
Um comparsa no crime.
Uisques enxugados.
Vodkas sem fim.
Armandão dando força para toda e qualquer maluquice.

Passaram-se 20 anos.
Vieram filhos, novos namorados, casamentos, separações.
Armando sempre com uma cabeleira bonita.
Um sorriso enorme.
Um novo boteco.
Causos.

Armando que foi a minha formatura, com quem dancei a noite toda.
Armando em meu casamento.
Em minha festa de despedida.
Armando em batizado.
Armando em separação.
Armando e meu Imposto de Renda.

Armando.
Só agora que me dói fundo a falta é que me dei conta.
Eu não sei dançar.

1996

Capítulo 4

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Obstruct

Chegando de mais uma viagem. Fugindo de um vulcão, correndo em sentido anti-horário para mais uma reunião de trabalho em dia de feriado nacional.
Gerúndios em looping, sem tempo para descansar.
Custa caro manter um cartão de visitas lustroso.

Exausta depois de 28 horas no ar, preparou a apresentação madrugada adentro.
O CEO da turma infantil batia ponto de Geração Y.
O diretor falido e colecionador de fracassos na vida pessoal.
Despidos, acovardados. No bolso dos paletós, estoques de máscaras para as mais diferentes ocasiões.

Olhou em volta.
Um gaúcho calvo, medíocre e cujo segredo para tanto fel era ter sido rejeitado pelo Itamaraty.
Dois cariocas bobos-alegres e sem nenhum brilho.
A marca era realmente boa no quesito manipulação de curto prazo.
Palmas.

Olhando em dois celulares, emails que chegavam com pedidos, exigências, discussões, acusações, trabalhos-extras, perguntas, questionários, relatórios, pedidos de assinatura, reembolsos que não foram depositados.
As reuniões iam se acumulando.
Números.
Imagens com edição rápida e música pesada.
Como dominar o mercado.
Como cooptar os jovens.
Felizes, um a um, funcionários mostravam suas habilidades.

Teve saudade da caixa de papelão.
Aquele sequestro mudara tudo.
As conversas sem rodeio com seus captores.
Um entendimento do que é ser marginal.
Eles, pobres diabos, querendo um salário-bandido.
Ela, pensando, que sua sina era pior que a deles.

Levantou-se.
Sua vez.
Botou tudo a perder.

Enquanto olhavam incrédulos para ela, mais um email apitou em seu blackberry.
E-ticket para Paris confirmado.

Que rei sou eu?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

mutatis

Fui convidada para participar de um blog fechado, coisa tipo sociedade secreta.
Na largada, um texto: “quem é você”.
Sem limite de conteúdo, tamanho ou forma.
Depois de um dia difícil, fica impossível ser engraçadinha, brincar de poetinha, ser leniente comigo mesma.
Quem sou eu?
Eu não sou uma pessoa solta.
Sou alguém que veio das montanhas.
Que foi obrigada – com prazer e desde cedo – a ter opinião.
Que tomou várias e tomará outras mais justamente por conta desse nariz arrebitado.
Responsável, irresponsável, doida, cheia de graças.
Quase nasci Josefina.
Acabei num palíndromo: Ana.
O que faz todo sentido: eu vou quente, volto fervendo.
Vou calma, volto mansinha.
Aprendendo errando muito.
E erro com muita convicção.
Porque acredito.
Vou fundo.
Sou amiga daquelas que oferecem a cama e deitam, confortáveis, no chão.
Sou inimiga do tipo que faz muita yoga e meditação para não pedir o fígado de alguém no almoço.
Não me chame para a briga. Meu casaco de general é Lanvin.
No fundo, sou redondinha, mas acho o máximo ser reta.
Sou honesta e respeito os que falham em todos os quesitos.
Deixei de exigir dos outros que vissem o mundo com as minhas lentes.
Não sou perfeccionista.
Sou organizada – direta.
E não saí ao primo Pessoa: minha alma é pequena.
Guarda poucas e boas.

Simples assim. Você acredita?

Cesaria e Goran

domingo, 16 de janeiro de 2011

ausencia

si asa um tivesse
pa voa na esse distancia
si um gazela um fosse
pa corre sem nem um cansera

anton ja na bo seio
um tava ba manche
e nunca mas ausencia
ta ser nos lema

ma so na pensamento
um ta viaja sem medo
nha liberdade um te’l
e so na nha sonho

na nha sonho mieforte
um tem bo protecao
um te so bo carinho
e bo sorriso

ai solidao to’me
sima sol sozim na ceu
so ta brilha ma ta cega
na se clarao
sem sabe pa onde lumia
pa onde bai
ai solidao e un sina…

Ainda sobre léxico.
Quem disse que as palavras são realmente necessárias?
Nesta vida, depois dos 20, aprende-se que nem tudo é falado.
E que, por isso mesmo, deves tomar muito cuidado com que falas e não fazes.
Por que, com verbo no futuro do pretérito, que ironia, quando falares, não haverá certeza de que um dia se conjugará a vida no presente.

Ausência.

Raiz

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Eita que segunda-feira é dia de desatar nós.
Choveu logo cedo.
E o mundo acordou de mansinho.

Concentrar no que é urgente.
O tempo voa, mas o mistério é saber que tudo (ainda) é.

Procuro alguém que queira me reensinar ashtanga.
A tarefa é para ser desenrolada sem pressa.
Começa com a mão que não encosta no pé.
E avança quando sua cabeça perde o controle.

Mexendo em meus arquivos, uma série de autoretratos.
E uma frase.

The foot feels the foot when it feels the ground.
Buddha


E aí brotou do nada, como que para provar que certas coisas não vão embora:

Vande gurunam charanaravinde sandarshita svatma sukhava bodhe
Nih shreyase jangalikayamane samsara halahala mohasantyai
Abahu purusharakam sankhachakrasi dharinam
Sahasra shirsam svetam pranamami patanjalim

talvez seja a hora

sábado, 25 de setembro de 2010

Blog é teatro e terapia barata.
Blog tem começo, meio e fim.
Talvez seja a hora de voltar a ter vida privada.
Mas hoje ainda é sexta.

A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
Fernando Pessoa

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho…o de mais nada fazer.
Clarice Lispector

Anota aí

terça-feira, 16 de março de 2010
Esporte Fino

Esporte Fino

Acorde cedo e faça rolinho no cabelo (não dura meia hora e demora duas horas para fazer)

Fique o dia inteiro reunido.

Happy Hour na segunda-feira trocada pela aula de francês. Quando saí do escritório, o DJ aumentava o volume.

Duas semanas sem pilates.

Nada de sol (sempre).

Varejo, varejo, varejo. Agora pintou um olá do Citi (é sempre assim – quando pinta uma mudança, pintam várias oportunidades)

Perna marcada de cadeira

Fim de semana reaprendendo a dormir

Anotou?

Agora apaga tudo e comece de novo.

Ana

PS: dois comentários bestas…

1 – Lula sabe ser grosso até em Israel
2 – Doida sou eu que trabalho para pagar as contas e não saio matando gente para aparecer na TV

Não quero flores de plástico

quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Recém chegadas

Recém-chegadas

Se alguém disser que a reentrada na atmosfera é fácil, duvide.
Acredite nos astronautas.

A volta a São Paulo foi estranha.
No avião, estava desconfortável.
Mas o agito da chegada me levantou.

Ontem, volta à casa de verdade.
Arrumar mala, resolver as burocracias de quem passa algum tempo fora.
Banco, chaveiro, fábrica de luminárias, bichos, porteiro, Antônia.
Quase não comi. E passei mal.
De calor, de cidade, de vida.
Não sei.

Hoje acordei fraca. E fui à luta.
Alice me acompanhou.
Supermercado vip pela internet.
3 horas para ganhar cachos.
Unhas de cor bonina.
E flores, flores cor-de-rosa.
Não sei dizer o porquê. Na banca de flores, estas pareciam mais vivas.

Numa busca pelo google, uma curiosidade:
– os lírios significariam barreiras contra a inocência, ao mesmo tempo que paz, saudade, proteção, nobreza, majestade;
– as astromélias, amizade eterna e felicidade plena.
Meu buquê diz muito, não?
E sugere traduções várias.
(O que Jung não faria com esse arranjo de flores cor-de-rosa…)

Num poema sujo e pesado, Rimbaud fala de flores.
Ce qu’on dit ao poète à propos de fleurs (o que dizem ao poeta sobre as flores)
Escolhi uns versos que me hipnotizaram:

De tes noirs Poèmes, – Jongleur!
Blancs, verts, et rouges dioptriques,
Que s’évadent d’étranges fleurs
Et des papilllons életriques!

Voilà! C’est le Siècle d’enfer!
El les poteaux télégraphiques
Vont orner, – lyre aux chants de fer,
(…)

Não vou traduzir. Tem algo de muito sinistro.
No século do inferno, que saiam flores estranhas, borboletas elétricas.
O poema é de 1871.

Em outro post, em dias de efervescência, em outro site, quando o blog engatinhava, coloquei a letra de uma música que me encantou pela gaiatice. Pelo rir de si mesmo e saber que não tem remédio. E não vou escrever a letra. Tem que ouvir para crer.

Autor desconhecido. Para mim, a melhor versão é da Badi Assad.

E, depois disso, “descobri” Kevin Johansen.
Antes, só havia ouvido com Jorge Drexler. E não achei nada demais.
Mas essa música me pegou pelo pé.
E me derrubou.
Eu já havia gostado de outras coisas dele sem saber que eram dele.
Um caso típico de “negação”

Las cosas no andaban bien, nada me salía,
mi vida era un túnel sin salida, pero…
(…)
Desde que te perdí hago lo que me da la gana
Desde que te perdí ya no tengo ganas de nada…
(…)
Desde que te perdí, desde que me perdiste
desde que me perdí, desde que te perdiste…

E as férias continuam. Tenho muito a perder.