Arquivo da Categoria ‘Pessoas’

Paris e seus tipos

domingo, 22 de agosto de 2010

Gordinho em ação

Cabelo de Barbie depois do incêndio na liquidação

Amanhã é minha prova final.
SORTE!
Por que estudar…
Não peguei no livro.

:-(

Não sei…

Estudei durante a semana – livro, cadernos, anotações.
Então me entreguei, quis aproveitar os dias, o fim de semana.

Falta pouco para ir embora, já tirei notas com as quais posso contar para passar.
O francês pode ir caminhando, a vida não espera.

Últimas andanças, já naquela fase em que conheço todos os lados.
A rua, as estações, o mercadinho bacana, o bistrô que tem algo mais.
Quero mais ver pessoas do que coisas.
E tomar minha champanhotinha sem amolação.
Um pouquinho só.
Porque o “demais” cansa.

Penso:
será que a rebeldia me ataca?

Fofoca pegando fogo

Peito aberto

Se atacar, pode vir serena porque eu já te conheço, danada.

Hoje fui a uma chapelaria. Eu fico bem enchapelada.
Pareço alguém que parou no século passado.
Saí feliz com minha sacolinha de panamás do Equador, Deneuve do agreste, um ideal para uma anti-cabeça-molhada-de-chuva, uma boina de linho.

Passado.
Talvez e justamente seja por isso que eu ame Paris – mesmo que a primeira vez tenha deixado apenas um álbum de fotos tiradas do alto da Tour Eiffel.
Torre que desta vez vi só lá de baixo, como se eu fosse um bicho-de -pé preguiçoso e um tanto indiferente ao que todos querem ver de cima.

Achei essa citação do Camus em português – em francês, não achei a “tal frase” original.
Mesmo assim, gostei.

Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado.
(Albert Camus)

E estas eu sei que são dele mesmo:

“Il est vrai peut-être que les mots nous cachent davantage les choses invisibles qu’ils ne nous révèlent les visibles.”

Le grand courage, c’est encore de tenir les yeux ouverts sur la lumière comme sur la mort

Yves, mon amour

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Petit Palais

Tive um sonho interessante para levar para a análise.
Uma pessoa muito próxima havia morrido de repente. E eu sofria, sofria muito porque não pude conviver com ela e não pude concretizar todos os planos que dividimos em vida.
Eu acordava, dormia e o sonho continuava.

Acordei, joguei água fria na cara me mandei para o Quartier Latin e, como quem tem amigos não enfrenta a fila, fui furar a horda que queria ver, comer, lamber Yves Saint Laurent no Petit Palais. (A foto da fila postei no twitter porque esse blog não é baixo astral)
Não, não adianta você falar que é exposição de menininha.
São 407 roupas completas – vestidos, smokings, ternos, capas, calças e a obra do maior artista da alta costura.
O maior e o último.
Todas as musas que ele vestiu.
A quantidade de estilos que criou.
As regras que rompeu.
As que inventou.
As cores (do Marrocos, sempre de lá).
Ele mesmo – um lindo Cristo magrelo nu na propaganda do próprio perfume.

Yves.
40 anos de carreira. O cara que inventou o safári (saharienne em francês porque é bem mais charmoso), que colocou calça nas moças e reinventou o smoking. O que trouxe a moda do pós-guerra na passarela e foi criticado por Deus e o mundo. O que viajou o mundo (África, China, Rússia, Índia) sem sair de Paris.
Madonna com os peitos pontiagudos? Com um enorme laço cor de rosa nas costas?
O visual cargo?
O all black?
A fila que se forma há seis meses para ver tudo.
É tudo Yves.

A incrível paleta de cores.
O perfeccionismo a toda prova.
E a última coleção em 2002. Parece que ele já via as portas do céu.
Sem contar que foi quem transformou a namoradinha da França, Catherine Deneuve, em mito da elegância.
Vestiu todas as lindas do mundo em 4 décadas – brasileiras inclusive.
E o que amo mais: ele não é francês. É de Oran, na Algéria.
Conheceu seu grande amor em 1958 e com ele partilhou a vida e o trabalho durante 50 anos.
Quantos de nós vão dividir meio século de vida com alguém?

E eu achei tão interessante o fato de ele não encarar as lentes de frente.
De olhar de lado…

Eu entendo.

“J’ai toujours placé au-dessus” de tout le respect de ce métier, qui n’est pas tout à fait un art mais qui a besoin d’un artiste pour exister.”
Algo como “Eu tenho colocado acima de tudo o respeito por esta profissão, que não é completamente uma arte, mas que precisa de um artista para existir. “

Courage

domingo, 15 de agosto de 2010

“You know, beloved, as the whole world knows, how much I have lost in you, how at one wretched stroke of fortune that supreme act of flagrant treachery robbed me of my very self in robbing me of you; and how my sorrow for my loss is nothing compared with what I feel for the manner in which I lost you.” Heloise

Muito tempo atrás em Colônia

Não é nada fácil ser você mesmo.
Não é, também, muito simples seguir um estilo de vida que abomine a mentira, o jogo, as pequenas sacanagens que acontecem no cotidiano e que vão minando nossa força, nossas convicções.
Desde muito pequenos, vamos aprendendo a separar o “certo” do errado.
Mas ninguém conta que vamos conviver mais com o errado do que qualquer outra coisa.

Não falo dos óbvios.
Do chefe desonesto, do amigo infiel, do sujeito que rouba no troco, rouba na divisão da conta de bar.
Do cara que ficou rico “de repente”.
Do que casou para se dar bem, mas dá suas fugidinhas porque ninguém é de ferro.

Eu falo das coisas mais simples.
De topar trabalhar 10, 12 horas por dia e se matar numa função que não é a sua para garantir um aluguel num lugar mais bonitinho.
De passar por cima de um tempo que é tão precioso: com amigos, família, com você mesmo; talvez, com ninguém.
De um tempo que te permita respirar.
E que é o único que o torna amável com os desconhecidos.
Equilibrado quando os problemas aparecem.
Calmo quando o calo aperta.
Engraçado quando tudo é dor.

A tal sociedade do espetáculo, o capitalismo selvagem…
Bobagens.
Nossa sociedade é da histeria.
De gente que hoje aperta o gatilho porque o carro te deu uma fechada.
E ontem berrava por qualquer sinal aberto e o carro à frente, parado.
Hoje o amor fica lá atrás, junto com a conta do veterinário.
Primeiro, o trabalho, a carreira, a vida bonita num cartão de apresentação.
Depois o resto.
A vida em si.

Mesmo que o custo seja engolir todo santo dia um sapo tamanho XXXL.
Ou virar cúmplice e testemunha de gente que ganha a vida espalhando a incompetência, a intolerância, e até a desonestidade.

É como água em pedra.
Pinga, pinga, até que não tem mais pedra.

Pois é…
Eu estrou aqui maquinando um jeito de salvar a pedra.
Uma maneira de visitar mais uma vez o túmulo de Abelardo e Heloísa e acreditar que, sim, deve existir algo que sobreviva à vida.

(para F.C.)

Escrever

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Uma brasileira, duas americas e uma inglesa - coisa boa não é

Eu fico pensando no menino morto.
E no menino que atropelou.
Em um segundo, nada mais.

Aqui, como diz meu amigo Ely, só se fala em outra coisa.
Cheguei há 22 dias e todo dia a capa dos jornais é o chamado “affaire Bettencourt”
A imprensa joga forte as fichas dizendo que Sarkozy não escapará dessa.
Tudo começa com um francês safado que apoiou os nazistas.
Dono de uma fábrica de cosméticos, ele sacou que Hitler iria para o beleléu e mudou de lado.
Deu a sorte de combater ao lado de Mitterrand.
Um virou presidente, o outro, dono da L’Oréal. Amigos do peito.
A filha do empresário tinha malandragem para negócios e fez a empresa crescer mais ainda.
Virou a maior fortuna da França, uma das maiores da Europa.
E, velhinha, resolveu dar ilhas e um bilhão de Euros para o amigo fotógrafo gay e deixou a filha danada.
A filha resolveu entrar na justiça e surgiram revelações de riqueza não declarada da mãe – contas na suíça, o de sempre – e envelopes com 150 mil Euros para Sarkozy e amiguitos.
O atual ministro do Trabalho e ex-ministro do Planejamento é o tesoureiro do partido do presidente (UMP) desde 2003. Woerth, cuja mulher trabalhava na empresa que administra o dinheiro da bilionária, teria fechado os olhos para a evasão fiscal praticada em larga escala pelos administradores da fortuna pessoal da dona da L’Oréal. Além do mais, teria recebido dinheiro vivo para a campanha presidencial e teria empregado a mulher, graças a sua influência. De quebra, agraciou com uma das mais prestigiosas condecorações da République o big boss da empresa que administra a fortuna de Madame Bettencourt, Patrice De Maistre.

Resumo da história: desconfie sempre.
Dinheiro demais é vendaval.

Escrever.
É algo insano. As coisas saem de você e ganham vida, interpretações.
E você não consegue parar. Nem as coisas.
Aqui, perambulando por aí, tenho feito rascunhos, colocado no “papel” idéias.
Ódios. Amores, besteiras, tudo.
Nem 1/3 do que sai no blog.
E tudo sempre ao mesmo tempo.

Aos amigos

sábado, 26 de junho de 2010

Tropicália

Ao que divide a última contigo.
Ao que te conhece nos defeitos.
Ao que briga, mas te quer perto.
Ao que se oferece deliberadamente.
Ao que quer sua roupa, sua cama, e te dá em dobro.
Ao que nunca, nunca mesmo tira proveito.
Amigo.

Meus queridos de tantos anos.
Tomo essa cerva por vocês.
Caminhamos juntos.
Criticamos e ouvimos a crítica.
Não ficamos na barra da saia.
Amigos queridos.
Aqui ou do outro lado do oceano.
Queridos.

Hoje acordei cedinho, deixei a casa pronta.
Casa que não será mais minha em 3 dias.
Passei a mão nos pelos dos gatos.
A cachorra Alice me acompanhando.

Peguei o carro.
Fui trabalhar – graças ao inferno não tenho medo de trabalhar e, se é sábado nove da manhã, é isso aí.
Ainda enfrentei duas liquidações – Ana Pessoa vai abalar Bangu no Marais.
Meu sábado e meus amigos.
Com muitas flores, sol e um frio de inverno delicioso.

Viva Saturno.

Saramago

sábado, 19 de junho de 2010

Morrer com 87 anos deve ser estranho.
Sentir todas as impossibilidades do corpo. E ter a mente ainda sã.
São para saber que tudo é uma grande piada.

Eu nunca consegui ler Saramago até o fim. Acho difícil e um pouco chato.
O livro que virou filme, achei um horror.
O do elefante deve ser interessante.

Admiro a contribuição dele para além dos livros. Admiro muito.
Ser blogueiro com mais de 80 anos.
Escrever em Caim que a Bíblia é “o maior livro dos maus costumes, o catálogo da crueldade”.
Ousar apoiar a Ilha de Fidel, o monstro.
Se enterrado com um cravo.
Morrer na Espanha porque Portugal impediu que um de seus livros fosse inscrito num prêmio.
Dizer que Israel fazia da Palestina uma Auschwitz.

Na defensiva com os chatos. No ataque, sempre.

Viva o morto Saramago.

Dia de festa

domingo, 9 de maio de 2010


Chuva no Rio.
Eu passo em frente ao Othon Olinda.
Othon Lancaster.
O tempo cinza e eu lembro das compras modernas que fizemos com meu pai.
Rock in Rio II.
Richards.
Roupas coloridas para ele se misturar às tribos.
E ele ficou parecendo um gringo – daqueles com blusa florida.
E vinha gente falar em inglês com ele.
E ele usava todo o vasto vocabulário – yes, no, ok.

“Enfrentou” um dia inteiro.

No dia seguinte, não quis ir. Preferiu perambular pelo Rio.

Eu fui sozinha – com um taxista horrorizado por estar com uma menina “jogada na multidão”.
Foi me buscar na volta e não quis receber a corrida.
Pensou no tipo de gente que me criava.

Meu pai ficava muito bem com roupas coloridas.

Ensaio sobre a vaidade

sexta-feira, 26 de março de 2010

céu dourado para quem sabe abstrair

Eu vou ficando mais cascudinha e vou aprendendo tanta coisa.
Se tem algo que bebemos com fé,  sai da fonte da vaidade.
Quem tem blog é vaidoso. E quem não é?
Eu tenho uma vaidade com limites bem marcados.
Eu adoro aprender com os outros. Eu adoro dar espaço para ver onde pode chegar a história.
Eu sou difícil com quem chega muito perto. Aí não é vaidade, é intimidade.

Aqui em Abu Dhabi, não há muito o que descobrir.
5% da população é da terra. 95% é de forasteiros. E em terra de estrangeiro…Manda o sheikh, obedece quem tem juízo.

Hoje foi um daqueles dias de volta às aulas.
Quando as pessoas se fecham para o abraço, para receber ajuda, um ombro, um conselho… Elas mostram sua face verdadeira. E eu aprendi a contar até cem. Depois do cem, risos e ai ai ai.
No meio do caos organizado – vocês não queiram imaginar o que é uma corrida de avião – três moças (uma escocesa, uma alemã e uma autríaca) tiveram cinco minutos para me oferecer, dizer olá e bater um papo. E eram as donas da festa.
Por outro lado, hoje a professora marcou falta para alguns alunos na aula de elegância e astúcia.
Eu respondi: ” – Presente!”

Pocket show

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Moedas seguras no tomatorosato
Moedas seguras no tomatorosato

O merchandising do dia: assegurei meu rico dinheirinho no porta-níqueis super fashion com muitos cupcakes. De Portugal para o Brasil. Do Brasil para a América! By Tomatorosato.blogspot.com

E hoje descobri que passei os últimos dias vivendo na hora errada – vivendo uma hora atrasada. E sabe que foi uma boa experiência… Fui mais tarde para o trabalho, e cheguei na hora certa.

Entrei na loja achando que tinha duas horas para que ela fechasse, comprei as encomendas com calma e, na verdade, eu só tinha uma hora – o que teria me deixado aflitíssima se eu soubesse…

Descobri agora, quando trouxeram meu café da manha e  eu - intrigada com a entrega tao cedo - perguntei que horas eram… E perdi uma senhora hora interessante.

Ontem de noite começou uma fina chuvinha. Hoje a chuva gelada continua. Saindo de um jantar que foi até meia noite, entrei num táxi pilotado por um elegante indiano com barba branca e vestido com túnica e turbante brancos. Um sikh.

Ele ficou muito intrigado porque eu já conhecia a religião e alguns preceitos. E viramos amigos de infância. Falou que este ano ele vai para a cidade dele, no norte do país e que eu sou convidada. Enquanto lá estiver, só pagarei pela passagem aérea. E falou muito sério. Vindo de um sikh, acreditei. Ah! Esse mundão sem porteiras. É simplesmente impossível ficar dentro de meu cubículo de 10 milhões de habitantes. O mundo é muito mais divertido. Com turbantes, sotaques, gente estranha, gente engraçada. Histórias de todos os tipos.

Sobre os sikhs (palavra vem de shishya que significa “discípulo”), o que me parece mais interessante é assumir que estamos distante de Deus por conta de nosso ego. Esse egocentrismo (haumai) faz com que fiquemos presos no samsara (ciclo de renascimentos). Os sikhs acreditam no karma -  ações “do bem” geram frutos positivos e permitem alcançar o progresso espiritual. Por isso, penso que ele me convidou de verdade para ficar com sua família na Índia. Agora, com minha flor de lótus estampada na carcaça… acho que vou, hein!

 Vou é acabar de tomar meu chá milagroso e vou tomar chuva geladinha na Grande Maça… Fui!

Ela era incrível e ponto

domingo, 7 de fevereiro de 2010
Isso é que é capa!

Isso é que é capa!

Paula Yates foi uma riott girl.
Filha de uma atriz com um apresentador, ficou conhecida como mulher de Sir Bob Geldof.
Mas foi na companhia de Jools Holland que ela mostrou a que veio. No papel de  co-presentadora e rainha no flerte no programa cult The Tube (Channel 4). E foi na cama que ela fez as melhores entrevistas. Coisas de inglês: o novo programa chamava-se The Big Breakfast.

Paula largou o chato do Geldof para ficar com Michael Hutchence do INXS.
Michael, como todo mundo sabe, morreu enforcado num quarto de hotel em Sidney. Morte acidental, suicídio…

Paula cresceu acreditando que o pai dela era o Faustão inglês, Jess Yates,  que foi demitido da TV depois que uma série de escândalos sobre a vida privada dele tornarem-se públicos.
Um ano antes da morte de Paula, um teste de DNA revelou que outro apresentador, Hughie Green, era o pai biológico dela.

Yates teve três filhos com Geldof – Fifi Trixibelle, Peaches e Pixie.
Os problemas com drogas pioram depois da morte de Hutchence com quem teve a filha Tiger Lily.
Geldof ganhou a guarda das filhas, e a família de Hutchence brigou para ficar com Tiger Lily.
Dura e muito ferrada, ela teve que vender as jóias para pagar as contas e foi morar numa casinha de 2 cômodos.

Um juiz determinou que a morte de Paula por overdose acidental de heroína em 2.000 foi resultado de um comportamento “tolo e imprudente”.

Abaixo, uma pérola do jornalismo inglês.