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Mude tudo em 45 minutos

sexta-feira, 4 de março de 2011

Em resposta aos comentários. 😉

Tudors da era digital

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Fotografia digital


Para mim, a melhor aula de história sempre foi sobre a Inglaterra.
As personagens preferidas? A família Tudor.
Erros, traições, conspirações, infidelidades, indiscrições, complôs…
E um rei que sobreviveu a guerras, pestes, a Igreja Católica, a 6 esposas.
Ao longo de 55 anos de vida, cravou seu nome definitivamente na história mundial.

Além do poder, de ter recebido educação de primeira e especialíssima, Henrique VIII tinha sagacidade e talento.
Foi um regente controlador, duro, inteligente e cruel em vários momentos.
Ao longo de seu reinado, algumas cartas e manuscritos serviram de prova para que cabeças literalmente rolassem.
Duas delas de rainhas. Ana Bolena e Catarina.

Imagine se fosse na era do MacBook Pro.
O que seria dessas cartas e das histórias de bastidor?

Um rei nunca está sozinho.
Henrique VIII tinha um séquito de nobres que conviviam com ele em sua mais nua intimidade.
Gente que tinha como função abrir a porta de seus aposentos, de lavar seus pés, de escolher roupas, de trazer papel, de levar e trazer cartas. De trocar ataduras dos ferimentos do rei.
O rei era o Senhor, o Deus, o Poder.
Ele era mais e todos deveriam estar às suas ordens.
Esta posição fazia com que muitos aprendessem a segurar a língua e que temessem por desfrutar de tanta proximidade.

Quem já visitou um palácio – o de Versailles é um bom exemplo – muitas vezes fica admirado ao descobrir que o gabinete de entrevistas – onde o rei trabalhava e atendia pessoas – geralmente era a ante-sala do quarto real.
Num palácio tão grande, tudo ali, na mesma ala.
Cama e mesa.
Reis e rainhas não dividiam os mesmos aposentos e, em geral, o rei escolhia quando visitar a rainha e passar a noite com ela.
Tudo escancarado para um grupo de bem nascidos.

Mas reis eram/são criaturas especiais, não são como “nosotros”.
Ou, agora, são?

Hoje, temos nosso grupo de nobres amigos e conhecidos que privam de nossa intimidade nas redes sociais.
Circulam em nosso universo particular e a eles são dados todos os privilégios.
Muitos desse pequeno grupo são parentes, amigos de infância, colegas de trabalho.
Alguns são agregados – gente nova que por uma série de razões foi aceita na rede privada.
Como na corte, alguns guardam sua porta.
Uns trazem cartas, notícias de negócios, fotos de alguém que vive distante.
E outros, como não poderia deixar de ser, lavam as mãos. As próprias.

Assim como na corte, nos revelamos em nossa intimidade.
Fotos, vídeos, opiniões.
Respostas e conversas públicas.
Se você permitir, gente que não te conhece também consegue entrar em seu quarto.
São os amigos dos amigos, que acabam tendo acesso indiscreto e curioso a alguns de seus aposentos.
E, ainda, empresas, recrutadores, profissionais que estão ali para obter informação e fazer um julgamento.

Por que esse texto?
Porque, como o rei, um predestinado, a sociedade passou a ser obrigada a ter esta chamada vida semi-pública.
Não foi uma escolha. Quem nasce hoje, logo ganha nome, email e login no Facebook.
E, diferente do rei, não fomos educados e nem preparados para isso.
Fomos jogados com a choldra e aprendemos fazendo. Errando.
E pagamos cada centavo por isso.

E este blog?
Um blog geralmente é aberto, escancarado, uma cara a tapa.
Este é absolutamente autoral e nem sempre conta a verdade.
São palavras ao vento e você pode, sim, fazer com elas o que bem entender.

Mary Stuart, rainha da Escócia, preparou-se com pompa para o dia de sua decapitação, ordenada pela prima Elizabeth, rainha da Inglaterra, última da dinastia Tudor.
Consolou as damas de companhia, perdoou o carrasco.
E, antes de apoiar a cabeça, tirou sua capa negra.
Debaixo dela, um reluzente vestido vermelho cor-de-sangue, símbolo dos mártires.
O carrasco teve que dar três machadadas para finalizar o serviço.
Ao levantar a cabeça da rainha – fazia parte do protocolo -, gritos e desespero.
Ela se desprendeu da exuberante peruca ruiva e rolou entre os pés dos circunstantes.

à deriva

segunda-feira, 6 de setembro de 2010
saladinha na

salade, salada, sei nada

nada estranho o fato de eu ter alugado o filme na Apple gringa, ter deixado o danado dormindo no meu micro por 5 dias e ter assistido hoje – todo dublado em francês.
quem viu, viu. quem não viu é porque não chegou a hora.

adoro Sampa no feriado.
o sol escaldante, depois o vento, a quase-chuva.
tudo se entrega em casa.
a salada niçoise que eu preparei.
o champagne que comprei em Dubai. minha marca predileta.
de Reims trouxe 3 magnuns e dois “comuns” para celebrar muitos outros dias e entre amigos.
ainda tenho um rosé estocado.

a falta que o bonjour, bonne journée e outros detalhes simples fazem.
dei bom dia a todo mundo na rua enquanto a ventania levantava as saias e eriçava cabelos.
poucos me responderam. um resmungou de volta.

hoje foi cassoulet comprado no Freddy’s.
alguns amigos falam absurdos via twitter.
a vontade de aparecer com o falo na mão.
não resisto, mas melhor é não “falar”.

então, sendo assim, bonne soirée.

Um ano de blog

terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Abaixo a censura!
Escolha a arma!

Descobri Nelson Rodrigues com 17 anos. E que idade perfeita para ler um rebelde ousado, irônico, polêmico – um adulto com picardia adolescente.

Esse blog nasceu rodrigueano em vários pontos. Menos sexista que Nelson, porém borderliner e boca frouxa (intencional) como ele. Logo nos primeiros dias, ele teve uma visitação louca. Como era estréia, demorei a perceber: é que a firma estava lendo meu “diário”. A briga por uma cadeira, as fofocas de corredor. Foi tamanho o Ibope que o blog virou tema de discussão interna séria e parou quando o CEO mandou deixar para lá. Uma sorte de principiante que valeu mais que champagne quebrada em inauguração de transatlântico.

Ao longo do tempo, o blog foi adquirindo vida própria, parceiros de países estrangeiros (veja só!), publicou as palavras de quem está do outro lado do oceano, de quem vive no Rio, em Niterói, de quem traduz do alemão direto para o português. Ele ganhou uma espécie de redação informal – mais um pouco e vai ter que registrar, recolher INSS e FGTS.

Apesar das aventuras, ele se manteve pequeno na medida. Não virou estrela, não ganhou a plebe e, desta maneira, garantiu uma certa liberdade. E foi que foi: perdeu a melhor amiga. Expôs algumas bebedeiras. Arriscou contar os bastidores da Vênus Platinada. Levou o Bluebus para dentro de casa. É um blog muito autêntico e meia-boca como deve ser.

Quando o vejo ameaçado de censura, as personagens de Nelson saem das catacumbas e vêm correndo  acudir. Em tempos de Flamengo campeão nacional, a história: junto com o irmão, o jornalista Mário Filho (para quem não sabe, o verdadeiro nome do estádio Maracanã), Nelson foi fundamental para o sucesso e a fama de clássico do FlaFlu. Para isso, criou personagens fictícias como Gravatinha e Sobrenatural de Almeida. Sem contar a grã-fina das narinas de cadáver sempre a perguntar: “quem é a bola?”. Em outros casos, fora do futebol, evocava Palhares – o canalha -, ou  a freira de minissaia.

A cabra tem talento para arquitetura

A cabra tem talento para arquitetura

Hoje, quem me apareceu foi a cabra vadia. Segundo Nelson, as entrevistas com personalidades costumam ser todas vazias.  Somente numa entrevista imaginária, num terreno baldio, em presença de uma cabra vadia, a celebridade falaria o que realmente sente. Pois não é que a cabra veio, e, aqui, ao meu lado, come um pedaço do carpete novo? O terreno baldio fica na esquina. Em dia de chuva, a cabra não quer descer os mais de trinta andares de escada. Elevador nem pensar.  Ela come o carpete e quase ninguém nota.

Inspirada pela presença da cabra, tomei as decisões de fim de ano. E, por causa dela, digo e repito: aqui nesse blog, tudo o que se escreve tem um fundo de verdade. Cabe ao leitor – que, se garantir um QI de ameba, não precisa de auxílio técnico – separar o joio do trigo. E seja o que ele decifrar, desde que se dirija diretamente ao guichê do blog, assino embaixo. Explicitar o óbvio ululante é método.  É a lei da gravidade.

Para comemorar um ano de blog (completado em novembro), frases escolhidas de Nelson (ousam os brasileiros a compará-lo com Eça):

Acho a liberdade mais importante que o pão.

O cretino fundamental é aquele que tenta deturpar o óbvio ululante.

O Ser Humano, tal como imaginamos, não existe.

Não há mulher bonita feliz.

Só os imbecis têm medo do ridículo.

Não há normalidade que resista a um olhar do avesso.

Amar é ser fiel a quem te trai.

Há em qualquer brasileiro, uma alma de cachorro de batalhão. Passa o batalhão e o cachorro vai atrás. Do mesmo modo, o brasileiro adere a qualquer passeata. Aí está um traço do caráter nacional. (vale para outros povos latinos que o momento me impede de explicitar)

O brasileiro é um feriado.

Dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro.

Toda unanimidade é burra.

Não há nada que fazer pelo ser humano:o homem já fracassou.

Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.

Um povo que ri da própria desgraça pode ser miserável. Mas jamais derrotado.

…e, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas.

Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.

Qualquer indivíduo é mais importante que toda a Via Láctea.

O mundo é a casa errada do homem. Um simples resfriado que a gente tem, um golpe de ar, provam que o mundo é um péssimo anfitrião. O mundo não quer nada com o homem, daí as chuvas, o calor, as enchentes e toda sorte de problemas que o homem encontra para a sua acomodação, que aliás, nunca se verificou. O homem deveria ter nascido no Paraíso.

É preciso ir ao fundo do ser humano. Ele tem uma face linda e outra hedionda. O ser humano só se salvará se, ao passar a mão no rosto, reconhecer a própria hediondez.

O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente.

Yarang

domingo, 29 de novembro de 2009
baloes

Domingo em algum lugar do planeta

Yarang quer dizer formiga em língua camaiurá, uma das 19 etnias do Xingu.

Depois de quase 5 horas de apagão na Vila Madalena, esse post começou um e foi virando outro… Você já parou para pensar para onde vai o bom e velho livro?
Eu não sou conservadora.
Acho o máximo a tal novidade do livro eletrônico – seja ele kindle, nook ou o que mais inventarem.
Do mesmo jeito que compro meus discos a hora que quero e em que país quero – pagando em dólar e para a turma do Steve Jobs -, penso que deve ser muito bom fazer o mesmo com os livros.
Escolher o livro que quero na língua que quero. Carregar minha biblioteca para cima e para baixo. E ter tudo numa caixinha compacta, movida a eletricidade.
(Coloco a eletricidade aqui para provocar)

Mas há duas questões. Uma é a do livro eletrônico e a outra é a da digitalização dos livros.
Quando leio sobre a turma do Google, sempre fico com minhas pulgas alinhadas atrás da orelha esquerda.
Larry Page e Sergey Brin não vieram ao mundo para fazer caridade… Muito menos para educar e difundir o conhecimento.
E ninguém pensou que um mecanismo de busca fosse se transformar num império digital. Se alguém pensou, não fui eu…

“Hoje” o professor Roger Chartier discute o assunto na Folha. A reportagem original saiu em outubro no Le Monde. Em ambos os jornais, o texto é para assinantes – mas acho que não será problema encontrar o texto no google sem respeito aos direitos autorais e (com meu apoio) aos meios que publicaram o texto.

Às idéias do professor, somo minhas dúvidas:

1) Quem detém a plataforma deterá o conteúdo?
2) O Google está preparado para catalogar os livros (até agora, só deram mancada – aparentemente, os gênios de TI não se ligaram na importância da biblioteconomia);
3) Se tudo for digitalizado, como farão os que vivem no mundo analógico? Serão guerrilheiros do papel?
5) Com o livro digital, é o fim da relação objetos-gêneros-usos. Viveremos num mundo de fragmentos sem contexto?
6) Ainda, como vamos construir o discurso, como vamos ver o que está a nossa volta?
7) Nesse mundo “novo” quem assegurará o direito autoral?

Sete perguntas que não têm resposta única.
E desconfio que, mais uma vez, estaremos à margem e, muito provavelmente, seremos os últimos a saber.

batman

Agora entra o blog que teria sido publicado se não fosse a Eletropaulo (esqueci de pagar a conta de setembro e, na sexta-feira, recebi uma carta do Serasa. Vou mandar uma reclamação de ter ficado sem luz para quem? E cobro de quem?)

Em que dia fizeram a luz?

Estou em casa. Apagão na Vila Madalena.
Sinto-me a mulher das cavernas.

Excesso

Alice comeu galeto no almoço. Muito chique.
Dia de calor com chuva.
Um chopp. Um caju amigo. Cassoulet.
Guardei paios e outras carnes para Alice.
Por falta de energia, comeu tudo frio no café da manhã hoje.
Muito chique.

Estou me recolhendo em casa para voltar a trabalhar.
E engraçado é como o corpo dá notícia.
Comi enlouquecidamente. Um pote inteiro de sorvete de doce de leite da Häagen-Dazs. Meia pizza média da Camelo.
O que eu não boto para fora, como.

fubatmanTrabalho

Recusei a segunda proposta de emprego em 2 meses.
A anterior pagava mais. Mas a vaga era em Porto Alegre.
Essa paga 11% a mais do que ganho.
Por outro lado, minha sociedade não fechou nenhum dos trabalhos com que contávamos. E estamos aflitos pois só temos caixa até janeiro. (Eu não estou aflita)

A vida é assim.
Trabalho, excesso, medo.
No meu caso, tem sempre algo de piadista.
Tenho personalidade de cigarra, mas atuo como formiga. Fazer o quê?

Amélia

Tem um lado insano meu que só quem é muito íntimo conhece.
Acordo cedo no fim de semana.
Dou comida para a bicharada.
Limpo a caixa de areia.
Escovo o sofá de design.
Troco a água das plantas. Faço a poda dos caules das flores.
Varro a casa, passo aspirador (o meu é robô – ele vai sozinho).
Só depois vou ler.

Enfim, o vírus de Amélia é uma bela porcaria. Odeio.

flamengo

Mulheres

Vocês já viram a jornalista Nina Lemos? (Nos meios, há quem a apelide de “Nina, não lemos”)
Procurem no Google Image porque eu não vou dar susto em ninguém.
Ela escreve hoje sua opinião sobre uma novela.
Conta da modelo que ficou tetraplégica.
Fala que, no orkut, fizeram um fórum sobre a história: a moça rica e linda e mimada merece ou não merece ficar tetraplégica?
“Merecer” ficar deficiente é muita culpa católica para mim.
Ela termina o texto com as seguintes frases: “ ‘Não sou tão bonita nem tão rica. Mas pelo menos não estou morrendo no hospital.’ Ou se não sou bonita, ninguém também pode ser.”

Que discussão de bêbado.
Que papo bobo.
Dar atenção para repercussão de novela.

Nada mais me assombra.

E por falar em novela e jornalista, para mim, o Noblat, do Globo, perdeu toda a credibilidade depois que começou a escrever sobre novela no twitter.
O cara é um verdadeiro bocó!

E volto para os enigmas/desejos universais:

–       Beleza
–       Grana
–       Ócio

Atualmente tenho usado a seguinte tática para solucionar o mistério:

–       Álcool
–       Açúcar
–       Cheque especial

Melhor jogar  cubo mágico. Tenho mais chances de acertar.
Bom domingo.
Vou enfiar a cabeça no microondas.

Saldo geral

domingo, 8 de novembro de 2009
ANTES

ANTES

Depois

DEPOIS

Quatro seguidores no twitter desistiram de mim. Só?
Vários “retwittaram” as loucuras que andei falando e fazendo.

Detalhe Iggy: ele dança feito uma odalisca e sabe usar o corpo como ninguém.
Tem algo de sensual, engraçado, escrachado e sexy. Tudo em altas doses.

Os jornalistas gringos amaram tudo o que viram. E se jogaram.

Um fotógrafo brasileiro foi agredido no meio da confusão do show do Iggy (que, aos 62 anos, continua um radical – eu quero ficar velha e doida assim).

Um outro fotógrafo que estava com um amigo arruaceiro aproveitou a história para ver se troca a lente defeituosa (que não foi quebrada no show – e isso eu vi!).

Sao 9 da manhã e estou há 27 horas sem dormir.
Comi um pedaço de pizza que encontrei na geladeira – café da manhã com cebola fria.

E, apesar de ter ganhado um cabelo seco e detonado, estou me sentindo mais Ana Pessoa do que nunca.
Esqueça as fotos bonitinhas que eu vendo aqui. Eu sou ‘aquela’ do lado direito. Com olheira, olho castanho, cabelo cacheado e boca suja (na Vogue sempre me dizem que é proibido falar mais de 2 palavrões por frase – risos)

Alguém sabe onde encontro uma pasta de dente e fio dental? Dá para ir de camisola?
Lavo o pé, talvez?

Quem me conhece às seis da manhã sabe que é a hora em que estou ligada. Preciso ler, preciso falar, preciso correr 10km para torrar a energia extra que veio no meu pacote. Se a Apple descobrir minha fonte, ninguém mais vai precisar de tomada.

Como diria Iggy, “I’ve got a cock in my pocket” .
Se vc não entendeu a graça, fique mais por aqui, nesse blog.
Mas tem que ter culhões.
Afinal, eu não vim ao mundo para agradar. E uso meu “rostinho” como a serpente usou a maçã.

Quer maçã?

http://terratv.terra.com.br/Diversao/Musica/Planeta-Terra/Planeta-Terra-2009/Sonora-Main-Stage/4684-254289/Passenger-por-Iggy-e-The-Stooges.htm

PS: Sobre o caso da Uniban, só uma reflexão: isso é mesmo uma Universidade?

Tem fogo?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

panda-matches

Até agora a yoga é um projeto. Será que farei só uma vez por ano?
Eu tenho pensado muito sobre mudanças.

Qual é a mola propulsora dessas guinadas que nos viram do avesso?
Um gesto? Uma palavra? Uma situação? Um devaneio impensado?

Depois da minha amiga Guta, e da Dedé Sendyk, eu sou a pessoa que mais viaja nesse pedaço. Quer checar? Vá no mapa do lado direito do blog e clique. Estão ali as viagens que fiz de janeiro até agora.

Então, seguindo esta lógica, uma viagem não é desculpa para acionar uma mudança na vida.
Ainda mais uma viagem que é um repeteco constante.
Porém, minha última viagem transformou-se em algo que ainda não sei explicar. Só sinto que, ao atravessar o saguão do JFK e pegar o yellow cab, algo aconteceu.

Indo fundo – Mito de Pandora

* se vc já conhece a história, pule para o próximo tópico.

Segundo a mitologia, a Terra era sombria e sem vida. Os deuses começaram a dar vida e pôr cada coisa em seu lugar. Mas faltava um animal nobre que pudesse servir de recipiente para um espírito. A tarefa coube aos titãs Epimeteu (aquele que reflete tardiamente) e Prometeu (aquele que prevê).

Epimeteu criou os animais. Prometeu pegou terra e molhou com a água de um rio, obtendo argila. Com ela moldou um ser – ainda sem vida. Esse ser ganhou todas as boas características do animais, mas ainda faltava algo. Prometeu tinha amizade com uma deusa, Atená, que deu ao homem o espírito que lhe faltava.

Após ter destruído o próprio pai, Zeus voltou as atenções para a humanidade recém-criada e dela cobrava devoção, sacrifícios em troca de proteção. Em defesa do homem, Prometeu e Epimeteu foram a Mecone (na Grécia). Eles mataram um belo e imenso touro, partiram-no ao meio e pediram para que os deuses do Olimpo escolhessem uma das partes; a outra caberia aos humanos. O maior monte tinha apenas ossos e sebo. Com soberba, Zeus escolheu o monte maior e, ao descobrir que tinha sido enganado, decidiu vingar-se negando à humanidade o último dos dons que necessitavam para se manterem vivos: o fogo.

Com o objetivo de salvar sua criação, Prometeu roubou uma centelha de fogo celeste e entregou aos homens. Zeus decidiu se vingar. Aprisionou Prometeu na parede de um penhasco e suas vísceras eram comidas pelas aves de rapina. Como era imortal, a tortura se repetia todos os dias.
Antes de ser aprisionado, Prometeu deixou uma caixa com Epimeteu. E pediu que não deixasse ninguém se aproximar dela.

Para se vingar do homem, Zeus criou a mulher que recebeu qualidades de cada um dos deuses. Seu nome: Pandora. Zeus a enviou de presente para Epimeteu.

Ela o seduziu e Epimeteu caiu em um sono profundo. Pandora abriu a caixa e libertou quase todos os males que estavam lá. Amedrontada, Pandora fechou a caixa. Dentro dela ficou o último e mais importante mal: o que destrói a esperança.

Voltando ao universo particular

Nós mulheres somos amaldiçoadas pela mitologia, pelas religiões.
Por isso mesmo somos endemoniadas por natureza.
Não se aproxime. Risos.

Abrir a caixa de pandora, como se sabe, é liberar os demônios.
A psicanálise, a filosofia, a teologia têm explicações menos toscas do que as minhas.
Mas o fato é que havia uma caixinha de fósforos da marca Pandora em NYC.
E eu queimei vários fósforos.
(Acho que meus demônios de verdade foram libertados algum tempo atrás, quando decidi que iria fazer tudo errado e me jogar na atividade que me dá prazer: remar contra a maré e ainda ser establishment)
Eu entrei no avião cansada e cheia de pepinos para resolver e voltei muito plugada e com tuuuuudo resolvido.
E me atirei numa série de ondas agitadas sem medo.
Que sou meio shock and run, sou. Mas minha origem me segura. Sou das Geraes.

O fato é que tem muita coisa (boa) acontecendo.
Tô limpando a área. Tirando o(s) macaco(s) do ombro.
Dando um boot no HD.
Tirando os aplicativos que não uso.

E o processo – que tem leves baixos e muitos altos (!) – está bacana.
E eu estou me (re)encontrando. E descobrindo que não sou mais a mesma.

Uau.
Que demônios eu libertei?

Bilhete a Baudelaire

Foto criada em 2009-10-29 às 10.47 #2

Poeta, um pouco à tua maneira
E para distrair o spleen
Que estou sentindo vir a mim
Em sua ronda costumeira

Folheando-te, reencontro a rara
Delícia de me deparar
Com tua sordidez preclara
No velha foto de Carjat

Que não revia desde o tempo
Em que te lia e te relia
A ti, a Verlaine, a Rimbaud...

Como passou depressa o tempo
Como mudou a poesia
Como teu rosto não mudou!
(Vinícius de Moraes)

ACINTE

terça-feira, 27 de outubro de 2009

itiswhatitis

Estava demorando. Esse blog aprontou mais uma.
Depois de contar umas boas do nosso passado em post antigo, uma “amiga” ficou encrencada. Relacionamento abalado.
Os bastidores deram pano para a manga.
Confesso: não era a intenção, pelo contrário. Mas palavras ganham vida própria. Eu me responsabilizo. Eu aceito a culpa por contar o que aconteceu em dias incríveis.
E ela também blogou minha vida.
E errou em todas… Da minha suposta crise de relacionamento passando por outros temas espinhosos.
Eu confesso mais uma vez: adorei tudo o que ela escreveu. Mesmo tendo viajado.
Hoje recebo um email do tipo “não nego nada, mas vivemos mais coisas (?) do o que você contou. E isso abalou meu relacionamento e blablablá”.
E o namorido, uma flor de formosura portuguesa, ficou indignado com a mulher “exposta” no mundo digital.
Vem cá: a indignação foi com o blog ou que aprontamos no passado?
O meio ou a mensagem?

Olha, esse blog, como disse minha vó, é um Louvre.
Navalha na carne.

E como esse blog é assim.
Sem freio.
Sem vergonha.
Así somos.

Meu desenho do gambá persiste.
Meu melhor amigo da semana passada eu já esqueci.
E descobri um brother gringo-brasileiro: David Presas. Gente, eu sou o David de saias.
Alma gêmea total.
(embora ele tenha alguns anos de loucura a mais no cv)

E o dia pegou fogo. Cheguei minutos atrás do trabalho.
Tô devendo algumas coisas.
Mas minha mão estava coçando para vir aqui.
Cachaça.

Para quem ainda não sabe, Iggy Pop vai ensaiar pela primeira vez – depois de décadas separados – com os Stooges e aqui no Brasil.
Faz seu primeiro show com a antiga banda em Sampa e sai em tournè mundial.
Eu quero ir ao ensaio!
Quinta e sexta da semana que vem.

Iggy é um Baudelaire moderno.
Ambos meio tortos.

Ele continua um verdadeiro acinte.
Como eu.

1857 – publicação Les Fleurs du Mal. A obra rendeu a Baudelaire um processo pelo tribunal correcional do Sena; uma multa por atentar à moral e aos bons costumes, além de ser obrigado a retirar seis poemas (poesies damnées) do volume original, sendo publicado na íntegra apenas nas edições póstumas, em 1911. Baudelaire também foi alvo da hostilidade da imprensa, que o julgava um subproduto degenerado do romantismo.

Ô vierges, ô démons, ô monstres, ô martyres,
De la réalité grands esprits contempteurs,
Chercheuses d’infini, dévotes et satyres,
Tantôt pleines de cris, tantôt pleines de pleurs…

(Desconfio que a “amiga” eu perdi antes do blog. Bem antes.)

Baudelaire, espera que eu chego lá.

Foto criada em 2009-10-23 às 17.12

Poesia concreta quando não há mais palavras

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

pillowmeaning

happenscrazy

wildnow
sick

Descomprimindo

domingo, 18 de outubro de 2009

pontacabeça[vida e morte]

vida e morte
amor e dúvida
dor e sorte

quem for louco
que volte

Paulo Leminski