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Mundo vasto mundo

terça-feira, 17 de maio de 2011

 

A história mais terrível do mundo contemporâneo é o estupro.

O estereótipo da guerra de gêneros, a força que um homem tem de fato e exerce na esperança de não ser denunciado.
Strauss-Kahn é ele mesmo um estereótipo: francês arrogante, executivo internacional, adúltero casado com uma ricaça, e em vias de se tornar presidente de um país falido e que – em pleno século XXI – defende a xenofobia e desrespeita as religiões.
Na folha corrida do francês encarcerado em Nova York, 3 casos contra mulheres.
Dois de assédio e um romance extra-conjugal que não foi apenas flores.
No Brasil (ou escondido no Líbano), outro caso icônico: Roger Abdelmassih, o médico e monstro.
Além de assediar, estuprar e fazer o diabo com a clientela, ele criou centenas, milhares de frankensteins: crianças feitas de misturas de material genético. Duas mães, um pai diferente do que seria o biológico, a mãe que não a biológica…

Eu simplesmente não consigo entender aqueles que são guiados pelo poder sem limites.
Os que usam o falo como objeto de dominação.

E acho engraçado estar cercada de novos homens que são mais femininos do que mulheres.
Não, não falo de homossexualidade.
Falo dos homens do século XXI: cheios de medos, inseguranças, esperando ser conquistados, dominados até.

Tenho pensado seriamente se a revolução dos 70 não passou dos limites.
Foi uma experimentação, uma loucura tamanha que perdemos o eixo?
Se vale tudo,nós, provavelmente, pouco valemos.
Se não vale nada, tememos.

Eu defendo o homem forte. A mulher parceira.
A independência financeira.
O auxílio mútuo.
Porque não somos iguais e nunca seremos.

PS: O NYPost publicou uma matéria sugerindo que a vítima seria portadora de HIV. E 57% dos entrevistados por um jornal de Paris acreditam em complô. O pior cego… não é a Justiça.

As arestas da vida adulta

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Esta semana, meu radar fechou o foco nas notícias dos tablóides.
Não, nada de príncipes e duquesas, aqui em Pindorama nossos heróis são mulatinhos (com mais tempero do que os ingleses cara de cavalo) e louras de farmácia.
E é com elas que inicia-se meu assombro.
A apresentadora de um programa dominical divulgou e a notícia foi manchete em um dos nossos sites de maior audiência: ela está com o assoalho pélvico malhado.
É isso mesmo: bacurinha trabalhada com personal trainer.
É que a moça vai ser mãe e quis deixar avisado para o filho e o mundo: pode vir que estou pronta! Ah, bom!
Da loura aparecida para o tema da questão…
Em minha hidro geriátrica, o assunto recorrente é bexiga caída.
Não, não farei piadas infames sobre a salubridade da água da piscina.
Você sabia que existe um aparelhinho chamado epi-no que promete facilitar a aula de musculação para o baixo ventre e que, entre outras vantagens notáveis, faz com que novas e idosas fiquem com o assoalho pélvico em dia?
E nem precisa de personal trainer.
As minhas velhinhas são mais espertas do que a loura de farmácia – piada pronta, eu sei.
Agora, já que malhamos as Madalenas, vamos aos Judas.
Uma série de sucesso da HBO brasileira promete ter nova temporada: Filhos do Carnaval.
Disseram que, nesta edição, o nome sofrerá alteração: Filhos do Futebol.
Aqui como acolá, começou a aparecer nos gramados, é hora de ter um bastardinho – diria Maria Antonieta do cerrado.
Querem nomes?
Pelé, Ronaldo gorducho, Ronaldo Gaúcho, Robinho… Agora o craque da vez: Neymar.
Quando o mundo pensava que ele estava saindo com uma dessas halterofilistas que desfilam de biquíni na TV, o menino inova: avisa que engravidou uma menor de idade (17 anos), e que vai assumir sua parte. (?)
Para fazer uma ponta nesse novelão, o galã e boxeador Dado Dolabella também anunciou que está buchudo.
Será o terceiro filho – cada um com uma mulher diferente – em um ano e meio.
Como o garoto também é chegado num chute, tem grandes chances de ser escalado para a nova série.
E vamos fechando com a polêmica da vez: os ricos que habitam o bairro de Higienópolis (dos primeiros a ter infra-estrutura de esgoto na capital mais rica do país), não querem metrô nas redondezas.
Reclamam que o buraco quente vai atrair camelôs, ladrões e pobres – não nesta ordem.
Um ou outro blogueiro quis faturar em cima indo contra a maré – há outra estação muito próxima e o blablablá periférico.
O problema, mermão, é que não querer uma estação de metrô alegando que ela “atrai a população desfavorecida” é coisa de Pindorama alucinada.
Em alguns países, isso é mais conhecido como xenofobia.

E, sendo assim, bom dia.
Nos vemos amanhã.

Escrever, esquecer

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Aqui no Brasil, hora chove, hora faz calor.
Recebo notícias da casa materna.
Mãe filósofa dirigiu quase 600 km para conversar por meia hora com um doutor em Mircea Eliade.

Estradas.
Adoro as palavras correlatas.
Via, caminho, direção, rumo.
Destino.

Mamã que faz estrepolias só para falar sobre o que gosta e entende.
Eu e meus aviões.
E minha coibaice generalizada.

No teatro, é comum um exercício também usado por terapeutas.
Subir em um banco, fechar os olhos e se jogar de costas.
O grupo deve amparar a pessoa.
Dizem que, com crianças, é fácil e todos querem mais.
Com adultos, nem todos conseguem.
Há quem nem suba no banco.

O que aconteceu entre a época em que nos atirávamos e a que não subimos numa banqueta de 20cm?
Quem fomos, somos, seremos?
Quem escreve?
Quem lê?
Por quê?

Hoje vi dois corpinhos secos de sabiá.
Estavam num canto da rua, amassados pelos carros que passam apressados pelas vias paulistanas.
Pensei numa tragédia animal.
Um, gordinho e distraído.
Deu um pulinho, outro, mais um.
E acabou num pneu.
O outro, suicida.
Tomou coragem e foi também.

Doce morte a de passarinho de ficção.

Campanha e polêmica: meu nome é Ana

quarta-feira, 2 de março de 2011

Hoje chegaram os meus de cabeça…
E são homenagem ao defenestrado John Galliano e as loucuras que ele faz nas passarelas.

Em primeiro lugar, quero deixar claras algumas posições políticas.
Com relação a Israel, sou pró-Palestina e ponto.
Imagina se a onda pega e resolvem lotear a Amazônia para dar lugar a algum povo sem país? E a ONU ainda libera a reforma agrária?
Holocausto, Hitler, anti-semitismo: sou contra.

Sobre John, penso com meus botões.
Todo parisiense sabe:
1 – Que ele próprio, o nascido e criado em Paris, é um chato de galocha, bolsa e chapéu;
2 – Que bebe mais do que a média da população mundial.

Daí que um moço genial, cigano inglês, filho de espanhola, perde seu braço direito.
Em 2007, o amigo, assistente e conselheiro se matou.
E esse moço segue a vida meio zonzo, cheio de dinheiro e bajuladores.
A pressão é sempre enorme no trabalho.
Ele está ficando velho. Acaba de fazer 50 num mundo em que as protagonistas têm 15.
Ele começa a passar da conta.
Drogas? Álcool definitivamente.

O moço escolhe um boteco no bairro em que mora, que já foi comunicade judaica.
O Marais é uma afetação sem fim.
Depois de entornar todas… Elogia Hitler e xinga os vizinhos de copo.

Não estou defendendo nem justificando.
Patético, de mau gosto, idiota – no mínimo.
São adjetivos que caberiam também a outros mundos: ao da moda e, em certa medida, ao corporativo.
Atire a primeira pedra aquele que nunca soube da história da secretária com o CEO…
Das baixarias inconfessáveis das horrorosas festas de fim de ano.

Enfim, Galliano surtou e falou besteira.
E a Dior encontrou a deixa ideal para fazer o ex-enfant terrible picar a mula.
Afinal, ele já está velho e caro demais.

E o cisne do Oscar?
Essa continua embolsando a grana da campanha que fez com o fofo, mas resolveu condenar a atitude do moço publicamente.
Natalie Portman é a favor do exército de Israel e do dinheiro do bêbado anti-semita.

O que publicou o estilista:
Eu tenho de assumir a responsabilidade das circunstâncias em que me encontro e por ter permitido a mim próprio ser visto a ter os piores comportamentos possíveis.”

Quer saber?
Vamos comprar confete e beber uma cerveja – todas menos a Devassa.

PS: Ah, e quer saber por que estou torcendo por Charlie Sheen?
Não deixe de ler “como ser um roteirista maquiavélico e acabar com atores viciados“…

Malu de bicicleta?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A história do filme é boa.
Relacionamento em tempos modernos.
Abrir a guarda, gostar, conviver, sobreviver às expectativas, falhar, tentar seguir.
Os atores não seguram – mas o filme diverte.

Num sábado de calor, cinema de surpresa é sempre bom.
Mesmo que seja filme assim-assim.

Eu, em fase 2.0, não tenho andado de bicicleta, mas arrisco minhas manobras.

O admirável, para mim, é que este calor tem me dado sono.
E acordo em uma das seguintes versões:
1 – Melada e amassada;
2 – Refrigerada e gripada.

Hoje vou tentar a opção 1.

A mesma praça, o mesmo banco

domingo, 16 de janeiro de 2011

O ano começa numa grande expectativa e mostra que nem tudo é renovação.
2010 (lembra?) abriu os serviços com Angra dos Reis desabando sobre cabeça e membros de muita gente. Depois foi a vez do Rio e de Niterói.

Em dezembro passado, um amigo gringo superdesavisado anunciava, feliz, que iria passar o reveillon em alguma cidade do litoral fluminense.
Eu logo joguei um balde de água fria: todo cuidado é pouco!

Nem preciso contar que a virada dele foi debaixo d’água e ninguém imaginava que mais de seiscentas pessoas iriam partir desta para debaixo de lama, sem socorro e sem despedida.

Nossa língua – difícil e muitas vezes maltratada por esta que vos escreve – algumas vezes nos coloca em xeque.
Nascida há cerca de dois mil anos, filha dos povos pré-romanos que habitavam a região ocidental da Península Ibérica, a língua portuguesa virou hit nos séculos XV e XVI quando os reis das piadas de padaria estabeleceram um império que ia do Brasil, na América do Sul, até Goa, na Índia.

Vasta distância, muita gente colonizada, e a língua foi virando uma criolice doida que logo confundiu “x” com “ch”, “s” com “z”.
E é por isso que, hoje, os jornais insistem em culpar o Aquecimento Global pela tragédia.

AQUECIMENTO não, cara pálida, ESQUECIMENTO.

Esquecimento proposital e político porque tirar pobre de beira de rio e de encosta de morro dá um trabalho danado, gera manchetes e imagens de famílias desdentadas chorando e arrastando seus poucos pertences pela telinha superpovoada. Imagens que serão amplamente usadas pelos adversários de urna e que, certamente, inflacionarão o mercado de compra e venda de votos.
ESQUECIMENTO porque desapropriar mansões em área de risco é algo que não se viu na Colônia. Taí a história do ex-governador de Roraima para exemplificar uma questão tão nacional.

Lendo meu jornal paulistano fiquei sabendo que, em Brisbane, na Austrália, onde a enxurrada também mudou a geografia, 25 pessoas morreram e dezenas estão desaparecidas. Alguns tubarões apareceram asfixiados no asfalto. Koalas, cangurus e cobras sobreviventes agora correm risco por não encontrarem água e alimento.
Lá, tenho certeza, o aquecimento global será preso, julgado e condenado.
Aqui, quando não é culpa do povo, que constrói em área de risco, a culpa é de São Pedro.
Claro, ele deve ter alguma coisa com a história, afinal Pedro vem do grego Petrus que significa pedra, rocha. Os católicos aprendem cedo que Jesus, antes de se mandar, deu novo nome ao apóstolo Simão e disse:
-“Pedro, tu és pedra e, sobre esta pedra edificarei minha igreja”.
Pois a culpa não é da região pedregosa, onde a água da chuva não se infiltra e arranca a terra onde estão casas, pessoas, cachorros, cavalos e galinhas – todos irregulares e inconsequentes?
A culpa de São Pedro então está comprovada.

Eu, no meu domingo de sol, acordei revoltada com a irresponsabilidade política, impressionanda com gente que não teve a sorte de ser estilista nem sócio de banco e que perdeu pai, filho, mãe e continua com o pé na lama tirando corpos e salvando gente que há dois dias espera por socorro.
Gente que perdeu tudo e que está em estado de transe, tentando arrancar pedaços de gente da lama.
Gente que, de certa forma, teve alguma sorte de não ser classe alta e que, portanto, não foi amplamente fotografado, falado e comentado enquanto enterrava 2 filhos, a irmã, o cunhado, 4 sobrinhos, mãe e pai.

Este sentimento de impotência, esta vontade de sair gritando, louca, pela rua contra a bazófia, esta vontade de chutar pessoas e de beijar os cachorros, este grito que mora no peito.
Esta dita coragem que me faz seguir em frente mesmo assim.
Este confessionário em berros.
E eu penso: qual é a palavra para “blog” em português?

Carne, osso e yoga

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

sem photoshop

Há mais ou menos 7 anos comecei a fazer yoga.
Três motivos:
1 – Estava (e ainda está) na moda;
2 – Minha mãe praticava e ficou gatona;
3 – Havia um estúdio distante 3 quarteirões da minha casa.
Ou seja: funciona, é cult e dava para ir a pé.

Comecei com aquele jeito crítico que me é habitual, encarando os colegas como um bando de hippies de boutique, cheios de guéri-guéris yogísticos (tapetinho colorido, roupichas, prendedores de cabelo)… Ah! Todo mundo rico e planejando passar uma temporada na Índia!
Eu resolvi botar para quebrar.
Vou mostrar para essa mauriçada o que é uma hiperdistensão aguda!

Eu, que tenho um alongamento fora do comum, fui logo querendo a medalha de ouro.
Mas a yoga me deu um ippon.

A aula era de Astanga Yoga de Mysore.
Esse é um estilo de yoga que apresenta uma série de posturas / asanas que você vai, aos poucos, fazendo sozinho.
O seu “mestre” vai te mostrar que além da postura, você tem que trabalhar um número certo de Vinyasas, uma combinação de respiração e bandhas para fortalecer a energia (prana) e fluir com sincronia de asana para asana.
Não entendeu nada?
Vamos em frente.

Postura B

Um dia, minha professora me ajudou a fazer Marichyasana, quatro posturas de torção.
(Não fique achando que eu sei tudo não porque estou colando do meu livro).
Você tem que controlar a respiração.
O corpo fica quente.
Aos poucos, a coluna se alonga.
A mão segura o pé.
É chato porque a barriga pula para fora.
Não dá para disfarçar.
Dói. Incomoda.
Você cruza as mãos nas costas.
E quando está todo enrolado, torcido, dolorido, tem que ficar um tempo ali.

Simplesmente não dá para pensar na briga em casa.
Na conta do cartão de crédito.
Nas sacanagem da firma…
É respirar, concentrar, tentar.
E ganir por dentro.

Pavoa misteriosa que sou, fui com tudo.
Torci até onde conseguia.
Fingi que achava minha pança cool e joguei as banhas para o lado.
Respirei. Meu corpo virou uma caldeira.
Respirei.
Terminei… E meu intestino disse “olá”.
Sorte que o banheiro estava a poucos passos – passos que percorri para bater o recorde de 100m rasos.

Pode rir – foi engraçado mesmo.
E contrangedor…
Não menos do que a má alimentação que me deu uma bela pança; do que o amor que morreu porque não foi cultivado, a conta que é paga com o trabalho, trabalho aquele que não resolve tudo.

A minha cabeça dura não me deixou aprender que a yoga não é uma ginástica.
É uma forma oriental de tentar nos fazer conectar corpo e mente. Espírito. Você com você.

Todos temos limitações.
Entender que um dia é diferente do outro é difícil.
Seu corpo sabe.
Sua cabeça engana, finge esquecer.

Ontem eu fiz minha primeira aula de yoga depois de cinco anos diletante.
Cinco anos intensos, os mais vividos dos meus 35.

Esse 2010 tem sido danado de profundo para mim.
Da perda do meu pai em dezembro e tudo o que isso significa a dois dias do ano começar, à troca de emprego, passando por uma volta ao mundo, mais um pedido de demissão, uma terapia intensiva em Paris e uma nova volta ao mundo (ao meu mundo), fui largando pedaços, perdendo e ganhando histórias, jogando pérolas aos porcos, batendo e tomando – não nessa ordem.

Diletante.
Você sabe o que é?
Entre outros significados, diz-se daquele que mantém uma atitude imatura, de amador, em relação a normas de ordem intelectual ou espiritual.

houve num inverno um café chamado Borges

2010 veio com tudo.
Veio duro.
Veio para abrir caminhos no facão.
Já que não aprendi com a yoga…

E hoje numa entrevista de pré-emprego (não me faça pergunta difícil), a conversa desviou de caminho, saiu da pauta e eu comecei a ouvir o que eu estava falando e não mais aquele mantra me contrata.
Um balanço.
De quando eu resolvi tomar as rédeas e o cavalo desembestou.
Porque eu não sei tudo e a vida pode, sim, ser imprevisível.
Mesmo que você siga direitinho a série, respire no tempo certo, agradeça. Shanti.

Peguei o carro, voltei para casa, tomei um banho.
Li um recado esperado – daqueles que colocam os pingos nos is e tchau.
Chorei baixinho.

Eu queria só saber se um mestre de yoga fala palavrão de vez em quando.

nove

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Made direct amends to such people wherever possible, except when to do so would injure them or others.
(Fazer reparações diretas a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo signifique prejudicá-las ou a outrem.)

Eu acho esse passo realmente um ato de coragem. Voltar atrás e mudar o que é possível mudar.
Talvez o lado de lá não responda ao seu contato, ao seu ato.
Seria melhor ficar quieto?

Eu tenho pavor da covardia. O número um dos meus pesadelos é a mentira, o número dois é a covardia.
Aquele chefe que tem medo do que você fala com o superior dele.
Aquele colega que procura os “errados” dentro da equipe para se posicionar como “de fora”.
Aquele que tem vida dupla.
Aquele que empurra os outros para resolver toda e qualquer coisa para ele.

Mas esses são os típicos.

E aquele que não faz? Aquele que finge que não vê?

Atire a primeira pedra que não precisar voltar atrás.
Quem não pisou na bola, quem não errou. Quem não precisa melhorar nessa vida.

Eu preciso – e por isso estou mudando de rumo, agarrei no leme e não solto – , eu preciso fazer aquela reflexão dos que tem menos de 40.
Mesmo que isso signifique dar vários passos para trás.
Que eu perca grana, amigos, que eu feche portas.

Hoje foi punk para mim e faz parte dessa idéia.
Cancelar uma viagem e não poder estar com os que eu adoro.
E foi apenas um passo atrás para arrumar o hall, a entrada da casa.
Depois eu caminho de novo.

Tenho que admitir: esse programa dos doze passos começa a fazer um sentido.
Só não consigo misturar isso com “Deus”. Não dá para jogar para cima (ou para baixo) a sua responsabilidade.
Ter fé sim, nisso eu creio (!)

E uma frase que sim, vale um google translate:
Il n’y a pas de pas perdu.
(André Breton)

Os dois mundos

terça-feira, 27 de abril de 2010

A Geek (traduzida no Terra) hoje vem com uma pesquisa ótima: “Americanos ficam 60% do tempo na web móvel em redes sociais.” O que dizem:

O surpreendente é que apenas 14% do tempo é utilizado na visualização de portais, categoria tida como a segunda mais popular, segundo o Mashable. “Isso demonstra como as redes sociais acabam impactando o tráfego na internet móvel”, disse o vice-presidente de marketing da Groud Truth, que realizou a pesquisa. De acordo com os dados levantados pela Groud Truth, em algumas semanas o uso de mídias sociais a partir de dispositivos móveis chega a superar os acessos a partir de computadores pessoais em sites direcionados ao uso móvel em comparação a redes sociais criadas para o uso em computadores, como o Facebook ou MySpace, destaca o site PR-USA.

Para o site TechShout, essa pode ser a estatística que faltava para fazer com que as grandes redes sociais, como o Facebook ou o MySpace, e também empresas de publicidade passem a se interessar pelos usuários que navegam a partir de dispositivos móveis. (TERRA)


Vivendo num pais onde a população não tem dinheiro para comprar um computador (com CPU), tenho certeza que a onda já chegou por aqui. Pois  acompanhem os números:

– em 2001, 15% dos brasileiros tinham celular;

– em 2008, mais da metade dos brasileiros com de dez anos de idade ou mais, ou seja, cerca de 86 milhões de pessoas, tinham telefone celular para uso pessoal

Ser moderno X ter discurso modernoOs dados são da ‘minha’ consultadíssima Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad – IBGE), divulgada em dezembro do ano passado.

A coincidência é que hoje, ouvindo rádio no carro, ouvi o especialista em novas mídias contar que uma TV a cabo (Alô AC, é da sua empresa mesmo que estamos falando) quer investir 15 milhões de dólares para oferecer acesso, mas a nossa legislação não permite. A empresa não está fazendo nada por bondade, mas porque sabe que existe mercado.
Pois temos celular, mas o acesso à rede ainda é caro e com cobertura ruim.
O comentarista alfinetou o presidente, que defende a democratização digital para aumentar o acesso ao conhecimento… Mas nao muda as leis e finge que nao pode fazer nada. A discussão é grande e poderíamos passar horas aqui…

Para resumir, eu acho que a rede é algo que já existe. E tem uma força capaz de derrubar gigantes.
Já discuti aqui a história do Kindle e o direto à propriedade – que é um gigante travestido de Robin Hood.
Sobre esse tema do post, penso que é preciso quebrar preconceitos e entrar logo nessa onda.

Como a história prova, quem ficar de fora, vai pagar caro por isso. E quem entrar por entrar, vai se queimar. Mas para dar essa virada, é preciso coragem – pois como tudo na vida, a diferença entre o discurso e a ação muda a história.

ohmmmmmm

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

4 dias num ashram.

Yoga, meditação, comida natural, caminhadas, papos com monges que não podem ser tocados. Estou parecendo a rena do nariz vermelho (resultado de um creme protetor vagabundo). Estou com os músculos vivos.

Saí mais confusa do que entrei, caí na vida mundana (celular deu tilt, encomenda de computador vai atrasar, não fizeram meu depósito para a viagem, tomei um litro de açaí – enfim…) e estou aqui, fazendo exercício mental para manter o equilíbrio. Carnaval… só em 2011.

Cai o mundo lá fora com a chuva, aqui dentro um calor infernal, e eu correndo para Guarulhos. Até – pelo menos – segunda que vem estarei sem computador. O blog vai ficar meio de pé quebrado.

Não me abandonem. Esse desapego eu não sei praticar.

Abaixo, algumas fotos “roubadas” do ashram.