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Havaianas soltam as tiras

segunda-feira, 18 de março de 2019

Pense, amigo brasileiro, reflita amigo português, sobre como é viver em seu país.

No Brasil, presidente é vizinho de assassino de vereadora. Filho de presidente recebe milhões em depósitos no banco e não explica de onde o dinheiro saiu. Nós, dia pós dia, desviamos da bandidagem, pagamos toneladas de impostos e entendemos que a vida é uma selva, um salve-se quem puder.

Em Portugal, colonizador e fornecedor de muitos trejeitos do Brasil, eu deixaria de presente para avaliação a série da Netflix sobre o desaparecimento da inglesinha Madeleine McCann. Ali aprende-se muito sobre política pública e treinamento policial.

Mas falemos do tigre asiático que tem a educação número 1 do mundo.

 “Rigorous teaching methods and excellent teachers keep the island-state top of the class” – The Economist

Rigor que permite que professores batam em alunos. Segue o texto publicado por uma mãe no principal jornal local (tradução livre):

” Segundo ele (filho da autora), ele foi atingido pela primeira vez e repetidamente no antebraço com uma régua de madeira porque ele errou a resposta a uma tarefa de educação em saúde.

Então, quando ele voltou para mostrar sua correção, a professora bateu nele várias vezes porque ele havia escrito algo que ela queria acima, em vez da primeira resposta.”

E a mãe ainda justifica:

“Nem todos nós podemos ser abençoados com professores gentis e atenciosos o tempo todo, e até mesmo o professor mais paciente pode perder a cabeça algumas vezes.”

E tem dúvidas se deveria questionar a escola:

“Na verdade, eu me perguntei se deveria enviar o e-mail por medo de ser rotulada como uma mãe monstruosa.”

A-hã.

Se ser o primeiro lugar no mundo tem seu preço, o que tenho notado em pouco mais de um ano por aqui é que o preço é anular o indivíduo em nome da coletividade. E as consequências, muitas vezes, saem do controle.

De um lado, a ingenuidade de quem tem medo de perguntar, de questionar, ou seja: de quem abdicou do famoso senso crítico.

De outro lado, as válvulas de escape de quem tem um cotidiano de ser continuamente colocado dentro de uma “caixa” para que fique “formado” tal como esperam seus governantes.

Jogaram pedra na Maria e vão para o xilindró

Jogaram pedra na Maria e vão para o xilindró (Fonte: StraitsTimes, foto Kevin Lim)

Hoje, um casal foi condenado por espancar a empregada doméstica. A condenação veio depois de uma primeira condenação, anos atrás, pelo menos motivo, referente a abusos com outra empregada.  Segundo a sentença, a patroa, mãe de três filhos, batia na empregada e não lhe dava comida suficiente – tendo a moça, faminta, comido cascas de banana jogadas no lixo. Na verdade, a empregada era alimentada com arroz e água – nada diferente do que faziam os carcereiros japoneses na segunda guerra mundial com seus prisioneiros de guerra (fossem eles americanos, ingleses ou chineses).

Se você está achando meu texto pesado, pare por aqui. Ou assuma o risco.

“Quando a empregada disse à patroa que não recebera comida suficiente, sua empregadora colocou um funil na boca e alimentou-a até vomitar. A criada recebeu a ordem de comer seu vômito e ela obedeceu.”

Este não é o primeiro caso acontecido na ilha. Seis em cada dez trabalhadores domésticos estrangeiros em Singapura são explorados por seus empregadores, de acordo com uma pesquisa recente, com as empregadas citando más condições de vida, excesso de horas de trabalho, dedução de salário e violência. Se você quiser ver a pesquisa completa, clique aqui.

E uma consequência das mais esperadas dessa pressão educacional e social é desastrosa para uma nação que  precisa conceder de 15 a 25 mil vistos de residentes permanentes para estrangeiros, por ano, para equilibrar seu próprio sistema de aposentadoria (sim, é preciso importar estrangeiros para garantir que o sistema de previdência de Singapura não quebre). Ah! E não pense que este mesmo “green card” te dará de direito de usufruir do sistema de aposentadoria que você estará ajudando a custear. Nope. Seu imposto banca os locais e você que se vire para bancar uma previdência privada.

O suicídio é a principal causa de morte entre pessoas entre 10 e 29 anos na ilha. Há 2,4 vezes mais mortes por suicídio do que acidentes de transporte. Alguém aí se lembra da velha máxima que o Brasil mata em acidentes de trânsito por ano o que se matou em toda a guerra do Vietnã?  Os homens respondem por mais de 66,6% de todos os suicídios em Singapura. E, para cada suicídio, há pelo menos 6 sobreviventes de uma tentativa frustrada.

Resumindo, companheiros: moro num país tropical, moro em apartamento trocentas vezes melhor do que o da média  dos locais, tenho carro – o que a maioria não tem -, pago menos impostos do que pagava no Brasil e tenho mais verde e mais segurança, meu filho estuda em escola privada enquanto os locais, em públicas (isto não é opcional para locais). Eu optei por não ter empregada, e, quando tive, nunca encostei o dedo em uma. No meu país tropical subdesenvolvido, meu pai sentiu a dor de experimentar uma palmatória, eu não. Aqui, estudasse meu filho numa das disputadíssimas escolas locais, com certeza, por sua origem e comportamento, tomaria algumas reguadas para se enquadrar no sistema.

Se quero voltar? Não.

Se me tornei uma pessoa mais conformada? Também não. Corro sério risco de nunca ter um visto permanente só por ter escrito este post.

Singapura é o paraíso sob diversos aspectos, mas o preço, ah… Não existe perfeição no mundo capitalista. Existe o lobo e o cordeiro. E umas ovelhas negras que, como eu, perambulam sem rumo por aí.

 

 

 

Dois mundos

segunda-feira, 11 de março de 2019

Estou em Singapura desde 26 de dezembro de 2017.

440 dias.

Muitas viagens, uma volta ao Brasil. Ondas gigantes de sentimentos indo e vindo com a maré. Marolas de águas quentes me fazendo afundar o pé na areia sem medo.

Nesse período, passei um dia em Amsterdã, alguns em Ho Chi Minh (eterna Saigon), visitei a parte pútrida do delta do Mekong no Vietnã; visitei a parte linda, calma, marrom chocolate no Laos. Templos, feiras-livres. Comi sapos, provei gafanhotos, evitei baratas crocantes. Vi churrasco de cachorro. Entrei em casas cujas configurações jamais passariam pela minha cabeça.,Camboja, Tailândia das praias lindas do sul às montanhas mágicas do Norte. Incenso feito com terra, ervas e mãos grandes de anciãs carecas. Açúcar leve de palma. Pimentas. Dezenas de tipos de gengibre. Híbridos de limão com cidra. Leite de côco.

Quando atravesso oriente e ocidente, minha parada é sempre Istambul. Como manteiga caseira. Pretzel. Pão sem fermento. Dou um braço para não pisar nos Emirados Árabes, um enorme shopping cafona cravado no meio do deserto. Uma ode ao espírito vazio.

Agora, recém chegada de volta a Singapura, com o corpo cheio de sal e a cabeça inundada de tons de azul de Krabi, na Tailândia, procuro pelo meu porteiro.

Meu prédio – creia – não é um condomínio típico de Singapura. Com “apenas” 4 blocos, 2 apartamentos por andar, 42 andares cada, é considerado pequeno. Tem piscina olímpica. E uma meia quadra de de futebol feita de cimento e  habitada por pernilongos, esquilos, lagartixas, passarinhos. Tem jardim com flores. Tem um galo safado que insiste em voar pelo alto do muro. Tem gatos malandros,. Tem tucanos locais com dois bicos. Tem vida.

Os funcionários, finíssimos, sempre dão bom tarde, boa noite, tenha um lindo dia.

Mohammed foi o primeiro a puxar papo. Alto, moreno cor de chocolate meio amargo com um pouquinho de leite, um bigode indiano, alto. Figuraça. Cuida da porta principal – dos carros que entram e das pessoas que chegam à pé.

Adora mexer com as crianças. Leva cones – daqueles, feitos de jornal, ou de cartolina colorida que costumavam carregar amendoim torradinho nos nossos sinais de trânsito brasileiros. Nos cones do Mohammed, ração para as carpas. É que em frente da guarita dele, na entrada caprichada do prédio, há um lindo lago, com ponte, bambus, taboas, e dezenas de carpas. Minhas prediletas são as amarelas cor de gema de ovo. Preguiçosas e gordas, elas se enfileiram na beira do lago para pedir comida para quem quer que passe. As tartarugas e peixões ficam no laguinho do outro lado, vez ou outra os quelônio tomam sol fazendo malabarismo, uma em cima do outro.

Mohammed trocou fotos comigo para compararmos nossa decoração de Natal. Um dia me convidou para jantar. Eu aceitei. Ficamos de marcar. Ele impressionado que eu aceitei, eu abismada que ele convidou. Cheguei a falar disso num dos meus primeiros vídeos: o porteiro que ganha como gente, pode também se sentir cidadão e chamar a pessoa para quem ele presta serviço para dividir um prato de comida.

No meu predio em São Paulo, tínhamos três porteiros: José, Zezinho e Ednilton. O último, chegado numa cachaça, foi demitido depois que deixei o Brasil. Uma pena. Merecia mais atenção médica do que um pé na bunda. Zezinho, o de cabeça-dura e dedo verde, plantou feijões em todo o gramado feio, maltratado que por lá havia. No muro da piscina, colocou maracujazeiro. Ao lado da muda de cerejeira de flor, em plena calçada,  cismou de plantar abacaxi. Com Zezinho plantando, tudo dá.

Antes de eu ir-me embora, fizemos uma feijoada de Natal. Cada vizinho levou um prato de comida. Os feijões orgânicos, plantados por Zezinho, serviram quase 20 famílias. O maracujá virou caipirinha. O abacaxi foi colhido por esses dias. Demorou – e virou atração no Sumarezinho.

À festa de Natal da rua Aimberê, nenhum dos porteiros compareceu. Ficaram encabulados, sentindo-se sem lugar. Penso eu – porque ninguém disse nada, só não apareceram. Comemos o feijão que Zezinho comprou, plantou, cultivou, colheu, debulhou. Zezinho levou uma quentinha.

Hoje, voltando para casa, parei na guarita, deixei a fila de 6 carros ficar impaciente com minha estacionada. Onde anda Mohammed? Tirou férias? Casou? Mudou de emprego?

Mohammed andava sumido. Eu, ocupada. O tempo passou, Mohammed não voltou.

Lembrei da cara de espanto dele quando comecei a jogar cocô de cachorro num latão que fica na saída do prédio. Espanto que virou risada. Demorou meses para a chefe dos funcionários me explicar que o latão é uma fornalha ritual, que as pessoas usam para queimar oferendas, velas e outros objetos sagrados em memória de seus antepassados. Bom, andaram queimando cocô de cachorro por um bom tempo…

Mohammed não vai voltar.

Num domingo, 27 de janeiro, levou um tombo em casa. Bateu a cabeça, fraturou o crânio. Seus inquilinos, preocupados com o silêncio dele em dia de folga, chamaram a polícia.

Quando arrombaram a porta, não havia nada mais a fazer. Mohammed já não mora mais aqui.

E a poesia da minha Lua de Mel com Singapura deu hoje seu último suspiro. Casa nova, país estrangeiro, é tudo como namorado recém-chegado. O fogo dura um tempo bom que parece nunca acabar. Mas acaba. Depois é capinar.

Jasmin-Manga ou Frangipanni

Jasmin-Manga ou Frangipanni

 

Moral e bons costumes

quarta-feira, 6 de março de 2019

Durante uma pá de anos, eu usei esse espaço para falar tudo e qualquer coisa.

O mundo mudou, o menino Mark (que, por ofício, conheci pessoalmente) parecia besta (e é)… Enfim, foram-se os anos. Mas continuo falando de tudo e qualquer coisa. Em frases, em posts cifrados, para poucos – onde fica meu conforto e meu prazer. Não que não haja efeitos colaterais e uns bloqueados pelo caminho…

Aqui, pelo menos (e com um visual demodê), quem manda nessa bagaça sou eu (e o Word Press, e o desenvolvedor e o designer – alô, designers, estou procurando um para renovar essa casa velha)…

Chega de preâmbulo.

“Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde

Nunca antes, nesse país, uma conversa de bastidor definiu tanto. Ainda hoje, meus amigos economistas citam Ricupero como um grande pensador, elogiam a crítica do Henrique Meirelles à reforma da previdência, alguns, mais old school, se emocionam e tiram selfie com o Delfim.

Eu, que não tenho nada com isso (É a economia, sua boçal), não consigo, de verdade, separar o homem da obra. Tá certo: Woody Allen, Michael Jackson, Chico Buarque… Com esses sou mal resolvida. Decidi que não assistirei a nenhum filme novo do primeiro. Ainda vibro com as músicas do segundo – mas tenho sentimentos dúbios e penso no meu filho. O terceiro pagou em vida pelas escolhas políticas. Vou continuar ouvindo e vou continuar ignorando o que quer que ele tenha a dizer sobre o partido de estimação. Nossa “relação” está zerada, até por que

Seus filhos, erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais

Mas em se falando de economistas, não consigo processar. Não consigo passar um pano no passado do trio duralex e simplesmente me ater aos seus brilhantes pensamentos. Quando o sujo fala do mal lavado, em fevereiro é carnaval.

(EM – eternas – OBRAS)

Navalha

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

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Sem álcool.
Sem trabalho fixo.
Sem compromisso.
Sem medo.
Sem maldade.
Sem sualizar.
Sem pre-pronta.

Com pacta.
Com vontade.
Com idéias.
Com amor.

Sem tirar nem com.

Domingo de sol

domingo, 20 de setembro de 2015

Confúcio disse que a vida é simples, a gente é que complica.
Camus cravou que não há que se ter vergonha de preferir a felicidade.
Deleuze explicou que escreve-se sempre para dar a vida, para liberar a vida aí onde ela está aprisionada, para traçar linhas de fuga.

Linha de fuga.
Eu sei o que eu quero.
O mais difícil.
O complicado.
A minha criação.

Ao mesmo tempo, o que me faz rir.
O que me leva para o infinito.
O que me revela porque me dá medo.

Mas, sobretudo, o que eu quero é me encostar em você e te curar.
Como pode, num mundo deste tamanho, não se permitir desalinhar os cabelos?
Não sair do roteiro.
Pensar em dinheiro.
Quando ainda falta um caminho inteiro?

Eu puxei o freio de mão com o carro andando.
Resolvi suar a camisa.
Parar com o álcool por uns tempos.
Ficar em casa.
Escrever.

E dizer não para gentes, empresas, coisas.
Este negócio de dizer não é tão novo.
Eu me movo, comovo, eu estremeço.

O que eu quero?
Pode ser o que você quer.
Pode ser uma coisa qualquer.
Pode ser apenas um música.
Um abraço.
Um olá.

Eu quero isto e o intenso.
Denso.
Penso.
Penso demais.
Falo mais do que isto.

Eu quero a descoberta honesta.
A vida, enfim.

Pula, meu povo, pula

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Fale em voz altaAbro com a frase de um polêmico muito já desprezado por mim.

“They say: Think twice before you jump. I say: Jump first and then think as much as you want!”

Osho, Courage: The Joy of Living Dangerously

Em minha nova vida, tenho conhecido mais e mais gente.
A sensação que tenho é que virei (ou voltei a ser?) um grande ímã do universo.

Durante 16 anos eu tive a oportunidade de viver em devoção.
Não sou fácil e não foi sempre um mar de flores.
Mas foi uma história do ontem e do amanhã. Uma grande história de amor.
E gratidão é pouco para o que pude viver.

Agora, eu tenho a oportunidade de viver uma segunda vida em vida.
Eu grito para o Universo – e ele responde. Responde rápido – ele é dos meus.
Eu ganhei meus mantras pessoais.
Eu ganhei um corpo completamente diferente de tudo o que ele já foi.
É como se eu tivesse parido às avessas: pari a mim mesma, e, por isto, surgi mais esguia.

E sobre as pessoas: elas têm vindo mais e mais e mais.
De todos os jeitos: com problemas sérios para que eu as ajude.
Com projetos mirabolantes.
Com propostas indecentes.
Com amor. Amor demais. Um rio. Um mar.

E todo dia, em especial de manhã, quando estou fazendo os primeiros mantras com o nascer do sol, a sensação que eu tenho é de total comunhão com o universo.
E quanto mais alto eu falo, mais ele dá. E mais ele me pede para que  eu faça.
Ele me dá certeza de coisas que ainda nem se realizaram.
Ele me oferece o impensado.

E eu sinto o fluxo.
Eu me sinto Ana com tanta força.
Tudo ao mesmo tempo agora.
Yoga, bicicleta, trabalho.
Amigos fiéis.
Alegria.

Eu durmo pouco.
É muito pouco dia para tanta gratidão.

Namastê.

Para André Zilar e Gê Fujii

Carta aberta à monarquia

sábado, 12 de setembro de 2015

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Egoísmo é amor exagerado aos próprios valores e interesses a despeito dos de outrem.
Não é de Kant (submissão do dever ao interesse particular, em detrimento da obediência à lei moral).
Não é de Nietzsche (sentimento cuja plenitude está restrita ao homem nobre e incomum, capaz de compreender o mundo do ponto de vista exclusivo de seu próprio interesse).
É um sentimentinho baixo mesmo.
Eu.
Eu.
Eu.
E a vida passa e você se concentra no eu.
No que pode ter.
No que pode te favorecer materialmente.
Numa falsa segurança material.

Egoísmo é um amor que te deixa sem o ser.
Ele é TER no estado puro.

Ser é algo imaterial.
É se doar.
É pensar no outro e, depois, em ti.
É se abrir no pensamento e na completude de que o mundo é grande e SOMOS todos um organismo vivo, somos únicos e somos um.
É saber que o material é bom, mas não vive sem o SER.

Querido egoísmo, primo da covardia, eu te dispenso.
Te coloco na geladeira.
Te desprezo.

Eu nasci para me doar.
Para me jogar em águas salgadas
Eu nasci para ir fundo.

E eu sou tinhosa.
Não mexa comigo.
Uma vez sacada a faca da bota, a história chega ao fim.
Que pena.
Lá no fundinho, eu sempre acredito.

Mas o meu melhor lado é o tal otimista.
Amanhã, primo Pessoa, já é outro dia.

Hipólita

domingo, 6 de setembro de 2015

Troco a noite pelo dia, encerro a farra no balcão da padaria.
Levanto depois das 17h e me arrasto.
Dou mais um passo.
Falta gente para entender o significado de Αμαζόνες.

Um ataque, um contra-ataque.
Pivô.
Um, dois, três.
Eu quero é fazer a virada, o repique.

Dia de caça é dia de encher a geladeira.
Comer, beber com vontade.
Mas eles querem muito e eu não quero nada.
Quando vejo, já foi. Nuca, ombro, pescoço.
Esta coisa de querer engolir tudo com gosto – eu quero só uma taça.
Não, não me abraça.

Existe dia de caça.
Mas gargáreos não entendem.
Uma vez por ano.
Não é toda hora.

Esta mania de ser livre me leva a mundos estranhos.
E você termina a noite procurando Hipólita.
Hipólita acorda cedo.

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Cannolis

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

 

doce açúcar café

doce açúcar café

Siciliano, puro açúcar.
Doce com ricota, limão, chocolate ou baunilha…
A Itália tem sotaque bem mais doce no Bixiga.

Tomo café turco a seco.
Muitos projetos interessantes para quebrar paredes e derrubar muros.
Direto, sem rodeios.
O cacife é sempre alto e restritivo.
Como eu gosto do perigo.

Dias de pouco sono, muitas idéias e um turbilhão de coisas.
De Converse verde, salto ou tênis para praticar esportes.
Meias, malhas, vestidos justos ou de pernas nuas.
O calor deixa o frio em São Paulo.

E eu sinto a primavera chegando.
Com todas as flores num ramalhete único.
Uma delas deve durar mais que as outras.

Eu sou verbo

sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Chō

Chō

Eu sempre fui uma fera.
Tem gente que me acompanha aqui há 6 anos e que já viu.
O lado B.
A saída as 3h da matina para um lugar estranho.
A casa de shows mais iconoclasta de NYc com senha para entrar.
E eu entro.
E eu sou convidada para o segundo andar – onde as coisas estranhas acontecem.
O moço amarrado no banheiro da festa no apartamento gigante em Copacabana, quando duvidou que eu faria bondage. (e eu nunca fiz – mas dei uns nós bem dados – risos. Não fiquei para ver quem soltou o bobo).

Mas o terreno aqui é borderliner.
Tem realidade e mentira.
Ficção.

Na cabeça e no texto, muito mais do que no sexo e no trabalho, vale tudo.
A questão de ser acelerada é o preço.
Então estou descendo a ladeira com mais cuidado.
E muito mais perigosa. Mas doce como nunca.

Meu lado B está virando A.
Finalmente. Que venha a pessoa de verdade.

蝶は私の体に侵入しました。