Arquivo da Categoria ‘Elucubrações’

Navalha

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

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Sem álcool.
Sem trabalho fixo.
Sem compromisso.
Sem medo.
Sem maldade.
Sem sualizar.
Sem pre-pronta.

Com pacta.
Com vontade.
Com idéias.
Com amor.

Sem tirar nem com.

Domingo de sol

domingo, 20 de setembro de 2015

Confúcio disse que a vida é simples, a gente é que complica.
Camus cravou que não há que se ter vergonha de preferir a felicidade.
Deleuze explicou que escreve-se sempre para dar a vida, para liberar a vida aí onde ela está aprisionada, para traçar linhas de fuga.

Linha de fuga.
Eu sei o que eu quero.
O mais difícil.
O complicado.
A minha criação.

Ao mesmo tempo, o que me faz rir.
O que me leva para o infinito.
O que me revela porque me dá medo.

Mas, sobretudo, o que eu quero é me encostar em você e te curar.
Como pode, num mundo deste tamanho, não se permitir desalinhar os cabelos?
Não sair do roteiro.
Pensar em dinheiro.
Quando ainda falta um caminho inteiro?

Eu puxei o freio de mão com o carro andando.
Resolvi suar a camisa.
Parar com o álcool por uns tempos.
Ficar em casa.
Escrever.

E dizer não para gentes, empresas, coisas.
Este negócio de dizer não é tão novo.
Eu me movo, comovo, eu estremeço.

O que eu quero?
Pode ser o que você quer.
Pode ser uma coisa qualquer.
Pode ser apenas um música.
Um abraço.
Um olá.

Eu quero isto e o intenso.
Denso.
Penso.
Penso demais.
Falo mais do que isto.

Eu quero a descoberta honesta.
A vida, enfim.

Pula, meu povo, pula

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Fale em voz altaAbro com a frase de um polêmico muito já desprezado por mim.

“They say: Think twice before you jump. I say: Jump first and then think as much as you want!”

Osho, Courage: The Joy of Living Dangerously

Em minha nova vida, tenho conhecido mais e mais gente.
A sensação que tenho é que virei (ou voltei a ser?) um grande ímã do universo.

Durante 16 anos eu tive a oportunidade de viver em devoção.
Não sou fácil e não foi sempre um mar de flores.
Mas foi uma história do ontem e do amanhã. Uma grande história de amor.
E gratidão é pouco para o que pude viver.

Agora, eu tenho a oportunidade de viver uma segunda vida em vida.
Eu grito para o Universo – e ele responde. Responde rápido – ele é dos meus.
Eu ganhei meus mantras pessoais.
Eu ganhei um corpo completamente diferente de tudo o que ele já foi.
É como se eu tivesse parido às avessas: pari a mim mesma, e, por isto, surgi mais esguia.

E sobre as pessoas: elas têm vindo mais e mais e mais.
De todos os jeitos: com problemas sérios para que eu as ajude.
Com projetos mirabolantes.
Com propostas indecentes.
Com amor. Amor demais. Um rio. Um mar.

E todo dia, em especial de manhã, quando estou fazendo os primeiros mantras com o nascer do sol, a sensação que eu tenho é de total comunhão com o universo.
E quanto mais alto eu falo, mais ele dá. E mais ele me pede para que  eu faça.
Ele me dá certeza de coisas que ainda nem se realizaram.
Ele me oferece o impensado.

E eu sinto o fluxo.
Eu me sinto Ana com tanta força.
Tudo ao mesmo tempo agora.
Yoga, bicicleta, trabalho.
Amigos fiéis.
Alegria.

Eu durmo pouco.
É muito pouco dia para tanta gratidão.

Namastê.

Para André Zilar e Gê Fujii

Carta aberta à monarquia

sábado, 12 de setembro de 2015

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Egoísmo é amor exagerado aos próprios valores e interesses a despeito dos de outrem.
Não é de Kant (submissão do dever ao interesse particular, em detrimento da obediência à lei moral).
Não é de Nietzsche (sentimento cuja plenitude está restrita ao homem nobre e incomum, capaz de compreender o mundo do ponto de vista exclusivo de seu próprio interesse).
É um sentimentinho baixo mesmo.
Eu.
Eu.
Eu.
E a vida passa e você se concentra no eu.
No que pode ter.
No que pode te favorecer materialmente.
Numa falsa segurança material.

Egoísmo é um amor que te deixa sem o ser.
Ele é TER no estado puro.

Ser é algo imaterial.
É se doar.
É pensar no outro e, depois, em ti.
É se abrir no pensamento e na completude de que o mundo é grande e SOMOS todos um organismo vivo, somos únicos e somos um.
É saber que o material é bom, mas não vive sem o SER.

Querido egoísmo, primo da covardia, eu te dispenso.
Te coloco na geladeira.
Te desprezo.

Eu nasci para me doar.
Para me jogar em águas salgadas
Eu nasci para ir fundo.

E eu sou tinhosa.
Não mexa comigo.
Uma vez sacada a faca da bota, a história chega ao fim.
Que pena.
Lá no fundinho, eu sempre acredito.

Mas o meu melhor lado é o tal otimista.
Amanhã, primo Pessoa, já é outro dia.

Hipólita

domingo, 6 de setembro de 2015

Troco a noite pelo dia, encerro a farra no balcão da padaria.
Levanto depois das 17h e me arrasto.
Dou mais um passo.
Falta gente para entender o significado de Αμαζόνες.

Um ataque, um contra-ataque.
Pivô.
Um, dois, três.
Eu quero é fazer a virada, o repique.

Dia de caça é dia de encher a geladeira.
Comer, beber com vontade.
Mas eles querem muito e eu não quero nada.
Quando vejo, já foi. Nuca, ombro, pescoço.
Esta coisa de querer engolir tudo com gosto – eu quero só uma taça.
Não, não me abraça.

Existe dia de caça.
Mas gargáreos não entendem.
Uma vez por ano.
Não é toda hora.

Esta mania de ser livre me leva a mundos estranhos.
E você termina a noite procurando Hipólita.
Hipólita acorda cedo.

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Cannolis

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

 

doce açúcar café

doce açúcar café

Siciliano, puro açúcar.
Doce com ricota, limão, chocolate ou baunilha…
A Itália tem sotaque bem mais doce no Bixiga.

Tomo café turco a seco.
Muitos projetos interessantes para quebrar paredes e derrubar muros.
Direto, sem rodeios.
O cacife é sempre alto e restritivo.
Como eu gosto do perigo.

Dias de pouco sono, muitas idéias e um turbilhão de coisas.
De Converse verde, salto ou tênis para praticar esportes.
Meias, malhas, vestidos justos ou de pernas nuas.
O calor deixa o frio em São Paulo.

E eu sinto a primavera chegando.
Com todas as flores num ramalhete único.
Uma delas deve durar mais que as outras.

Eu sou verbo

sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Chō

Chō

Eu sempre fui uma fera.
Tem gente que me acompanha aqui há 6 anos e que já viu.
O lado B.
A saída as 3h da matina para um lugar estranho.
A casa de shows mais iconoclasta de NYc com senha para entrar.
E eu entro.
E eu sou convidada para o segundo andar – onde as coisas estranhas acontecem.
O moço amarrado no banheiro da festa no apartamento gigante em Copacabana, quando duvidou que eu faria bondage. (e eu nunca fiz – mas dei uns nós bem dados – risos. Não fiquei para ver quem soltou o bobo).

Mas o terreno aqui é borderliner.
Tem realidade e mentira.
Ficção.

Na cabeça e no texto, muito mais do que no sexo e no trabalho, vale tudo.
A questão de ser acelerada é o preço.
Então estou descendo a ladeira com mais cuidado.
E muito mais perigosa. Mas doce como nunca.

Meu lado B está virando A.
Finalmente. Que venha a pessoa de verdade.

蝶は私の体に侵入しました。

Quando sou Joan e Debbie ao mesmo tempo

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Autorretrato em branco e preto

Digamos que passei uns 6 anos adormecida numa cápsula de Propofol.
Nego, o soninho era bom demais.
Eu era uma dona de casa meio gordinha, que fazia o café nespresso, a torrada integral e o queijo da Canastra.
Bolo de carne, bobó de camarão, muffins recheados e pão de banana com amêndoas.
Mas Michael exagerou na dose e achei melhor dar um tempo no agente anestésico intravenoso de curta ação.

Quando acordei, eu era eu de novo.
Que loucura!

Com os cabelos pintados, mais curtos.
Com a mesma piração randômica na cabeça.
O mesmo peso dos 23 anos.
A fada da dor me deixou assim.
Mas com 17 anos de experiência nas costas.
Eu era praticamente a mulher maravilha de patins.

O toque do meu celular ainda é “I Love Rock ‘n Roll”
E “I’m a natural ma’am
Doin’ all I can”
Você sabe.

Mas você não sabe que Debbie tem Ana no nome, gato.
Eu e ela temos uma história em comum.
“Once I had a love and it was gas
Soon turned out, it was a pain in the ass
Seemed like the real thing, only to find
Mucho mistrust, love’s gone behind”

Em meio a passeatas e muito cartão de visita, eu continuo tocando minha batera.
E tingindo o cabelo de branco, cada vez mais branco.
Com meu batom vermelho.
E minha cara de pau infernal.
Fingindo que eu não sei o problema que eu vou te causar.

Eu ainda falo: “cuidado comigo”.
Ah, mas vocês são mesmo todos iguais.
E eu acordei.
Fazer o que?

Propofol nunca mais.

Manual de sobrevivência

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Jazz, guayabera e um silêncio

Meia vida se encerra em nove folhas de papel.
Quem paga o jornal?
O banho da cachorra?
IPTU, Condomínio?
A vida, o dinheiro, os bens, as coisas?

Quem fica com o espremedor de laranja?
O toca-discos?
A máquina de waffle. A panela.

Dois meses de jogo duro.
De viradas dignas de Nina Simone.
Do ceticismo se fez luz.
Das certezas se fez a solidão.
Das dúvidas se fez de tudo e mais um pouco.
E eu comecei a recitar vários mantras.

Um dia na estrada, um banho de mar.
Discussões, como sempre, sal no carro.
Um impresso.
Rubricas em 8 páginas.

E assim começa a nova vida.
Passando em branco todas as coisas.
Mas deveria conter coisas este papel?

Aqui jaz Parati numa noite de amor vendo os telhados.
A varanda com rede do Jardim Botânico.
Os exus no jardim.
O carro novo amassado em uma escada de qualquer ladeira em Santa Tereza.

Aqui jaz Cuba.
O carnaval de Olinda.
Jamaica de red or white wine, champagne?
Aqui jaz o prédio da Bela Vista com bela vista para Masp.
Aqui jaz o fantasma de dona Bibiana.
Jaz o apartamento da João Lira.
Bibi, Leleco, Mafalda, Marmelo, Bo Ba (de Lina).
A praia do Leblon.
O posto 9.
A banda de Ipanema e as Carmelitas.

Um ou outro forró mal-dançado.
Uma festa de arromba no Humaitá.
Alguns festivais de cinema.
Um carro novo, importado.
Nova York.
Punta Del Leste.
Um reveillon em Itatiaia.

Aqui termina a festa de arromba para 400 pessoas.
Com muito espumante brasileiro e uísque estrangeiro.
Os amigos de todas as partes.
Aqui jaz meu vegetarianismo.
Meus quilos a mais – contados e recontados e perdidos como que para mostrar que a vida pode nascer das cinzas.
E eu estou de novo como eu era quando tinha 23 anos.
E nao me pareço em nada com aquela menina.

Aqui jazz.
Ali samba.
Aqui fidelidade eterna.
Ali confusão que custou caro.

Algumas raves.
Gafieiras.
Mochilões.
E, que engraçado, nunca fomos juntos para a Europa.
Paris, Praga, Amsterdã.
Cada um a seu tempo.
E por sua conta.

Em nove páginas, não existe nem um capítulo de histórias.
Só coisas.
E coisas são mudas.
Inanimadas.

Que o juiz faça uma graça, cite Oscar Wilde.
Ou, ao menos, Vinícius.
Se ele nada fizer, prometo queimar todas as nove páginas ao som de John Coltrane.

Aí, sim, tudo o que jazz.
E segunda-feira eu sairei pela calçada, com cara e alma lavada.
Pronta para qualquer parada.
Ou andada.

Porque eu sou Pessoa.
E amo tudo o que já não é.

 

Palavras

sábado, 8 de agosto de 2015

Eu sou como eu sou porque eu vim de onde eu vim.

Ya esta en el aire

Do minério que gruda na pele e não sai.
Da crueza ferina.
Das feridas praticamente incuráveis porque a faca tem veneno.
Para esta raiz não volto mais, para este caule de flor de lótus solto na água.
Que se desfaz em fibras grossas e gosma sem cheiro.

Faz parte do desenvolvimento entender os porquês.
Faz parte se perdoar também.
E é sempre tempo de olhar para frente.

Meus olhos são verdes e castanhos.
Eles sempre enxergam mais do que deveriam.