Depois de três dias em Reims, tento fazer todas as coisas caberem nas malas.
Sobretudo as idéias novas.
As malas vão cheias – não poderia ser diferente.
A cabeça veio cheia e volta com mais coisas – é extraordinário o poder que todos temos de guardar coisas boas e deixar as ruins estocadas em alguma cave fria, escura, bolorenta.
Eu confesso que preferiria ter voltado há uma semana.
E já sabia que isso iria acontecer ao marcar a passagem.
Mas essa “semana extra” acaba sendo uma despedida lenta de um tempo em que passei suspensa no espaço.
Faz a “reentrada” acontecer mais suavemente.
Ah…
Viajar.
Depois de meses correndo como o coelho de Alice, viajar gastando o que tenho e não o que a companhia manda.
Ficar só e ter que descortinar a selva de pedra.
Novas pessoas, novos hábitos, tudo diferente. Até o tempo.
Tudo para sentir que casa é necessária.
Para querer voltar.
E deixar o mundo seguir seu rumo sem corridas ou pulos em lugares estranhos.
Essa violência da modernidade.
Que te atira com força e sem foco.
Você cai.
E ela te puxa de volta antes de você estar pronto.
Arranca.
Prometo fazer tudo igual mas pensar tudo diferente.
Casa.
Prometo ser mais atenta.
E não brincar de que posso fazer tudo ao mesmo tempo sem pagar o devido preço.
Prometo sempre voltar.
(E prometo continuar me rebelando sempre que a oportunidade pedir)
Casa, estou pronta.























