Arquivo de abril de 2009

Pandemônio

quinta-feira, 30 de abril de 2009

fragmentos (Fragmentos de uma capa)

Ontem peguei um táxi e o motorista era hilário!

Entre várias ótimas, contou que estava imunizado contra a gripe do suíno. Tinha tomado a vacina há dois dias. “Afinal, gripe é gripe!” Depois, alongando o assunto, disse que tinha ouvido no rádio que a doença havia atingido o status de pandemônio. Eu me diverti! E olha que o moço não estava tão errado…

Segundo o Pasquale hoje, na Folha:

A “endemia” é definida pelo “Aurélio” como “doença que existe constantemente em determinado lugar e ataca número maior ou menor de indivíduos”. O “Houaiss” diz que a malária, por exemplo, é uma endemia em determinadas regiões do planeta. O mesmo dicionário “Houaiss” define “epidemia” como “doença geralmente infecciosa, de caráter transitório, que ataca simultaneamente grande número de indivíduos em uma determinada localidade”. Da epidemia para a pandemia…
Pois bem. Em “pandemia” encontra-se o elemento grego “pan-”, que significa “todos”, “tudo”, “cada um”, “a totalidade”. No caso da gripe suína, que já se alastra por algumas regiões, não é difícil entender por que a OMS já fala em “pandemia”. A esta altura, alguém talvez já esteja pensando se há relação entre “pandemia” e “pandemônio”. Será que há?
Não há, ou melhor, há, se pararmos no “pan-”, que é o mesmo que se vê em “pan-americano”, “panteão”, “panfobia” etc. Em “pan-americano”, por exemplo, temos a ideia de união das Américas (não é por acaso que os Jogos Pan-Americanos têm o nome que têm). Em “panfobia” (ou “pantofobia”), temos a ideia de “medo de tudo” (como se sabe, o elemento grego “-fobia” significa “medo”, “horror”).
E “pandemônio”? Temos aí mais um termo criado por um escritor inglês. Assim como fez Thomas Morus (1480-1535), que deu o nome “Utopia” a um país imaginário (que tinha um sistema sociopolítico ideal), o poeta inglês Milton criou a palavra “Pandemonium”, resultante de “pan-” e “daimon” (“demônio”). Em sua obra “Paraíso Perdido”, Milton deu ao Palácio de Satã o nome de “Pandemonium”, também definido como capital imaginária do inferno.

Talvez o pandemônio seja aqui. Risos.

E o vexame que passei: fui chamada para as entrevista de seleção para o curso 10000 women do Goldman Sachs.  (www.10000women.org) Lá fui eu, linda para uma entrevista de… EMPREGO! Overdressed!
Pensei (errado), sou uma das 100 finalistas entre 800, tenho que ir bacaninha.
Ao chegar, achei meus pares – duas ou três perigosas peruas. E um grupo de moças mais simples, vindas de cidades do interior, com um sapatinho gasto, uma bolsa velhinha do nosso lado.
Eu, com minhas pérolas, fui ficando extremamente constrangida.
É que o programa do curso não é claro: não fala se existe a opção de ser pago pelo aluno… E na realidade ele é totalmente free, bancado pelo banco americano.
Ainda, não explica que o target é apenas gente que não tem ou teve acesso a boas escolas. Ele deixa em aberto.
Resumo: entrei na sala de entrevista. Pedi perdão pelo vexame. Afinal, não vou tirar lugar de alguém que não tem nada. Tenho uma certa vergonha na cara.
O professor entendeu, riu, sugeriu outros cursos da FGV para mim e pediu para eu fazer uma matéria para ajudar na divulgação.
Toma distraída.
Risos e mais risos.

Adorei essa foto do editorial

Adorei essa foto do editorial

E, em tempos de fechamento, tenho visto pouco minha cama.
Aliás, esse negócio de dois empregos poderia ter sido um bom argumento na entrevista.
Hoje (!) voltei para casa às 5h30 da manhã.
Meu porteiro deve achar que eu sou uma party monster.
Todo dia o tiro o sono de beleza dele – quem disse que porteiro fica acordado de madrugada? – para me receber com o sol raiando.
Descabelada, maquiagem borrada, com mau humor…

Fechamos a revista do Iguatemi ontem e hoje (!) terminamos a Vogue Noiva.
A madrugada foi de texto atrás de texto. No final, eu já não tinha mais gramática…
Esta edição tem quase duzentas páginas.

Eu pensei que vida de editora-chefe de Vogue fosse mais Anne Wintour e menos plantão médico.
Ontem minha alimentação foi: pizza, carolina, pão de queijo e biscoito de povilho.
Hoje não aguentei tomar café da manhã. Foi tanta porcaria que acho que posso ficar sem me alimentar por uns três dias.
Isso me faz querer fazer piada com o Chiquinho Scarpa…
Mas é maldade. Deixa para lá.

Enfim, a Vogue Noiva está incrível nessa edição!
Piramos na batatinha completamente: fizemos uma festa num circo.
Está lindo: a noiva de bailarina, com tiara de brilhantes de 30 mil reais. Tem palhaço, malabarista, etc
Este é um casamento que eu gostaria de ir…
Ainda, para os que gostam de alta moda, temos um editorial feito na Espanha com noiva maquiada de vermelho e milhares de flores, vestidos incríveis – uma coisa chic!

No domingo, no lugar de ver a final do Flamengo no Maracanã (detalhe: ingresso comprado e na mão), tenho que voltar a São Paulo mais cedo.
Tenho um coquetel na casa de Vera Simão para lançamento da revista.
Gente, quero ir ao Leblon, quero minhas havaianas, açaí do Bibi.
Cabelo sem escova, areia por todo o corpo. Mate da lata.
Esse negócio de glamour girl é só fachada!
E a Vera que me perdoe… Mas ir a festa bacana em casa nos Jardins… Eu não sou target!
Goldman Sachs me salve! Eu sou classe média, mas também sou carente…

piada rápida

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Roubaram o cofre do Agnaldo Timóteo.
Ladrões furtaram de um conhecido da primeira-dama francesa, Carla Bruni, um notebook que continha fotos pessoais da mulher do presidente da França.

Nem imagino o que os dois objetos roubados continham.
Mas os ladrões devem estar se divertindo.

Agora momento triste:
Segundo a revista Exame que chega as bancas amanha a marca Unibanco vai desaparecer, todas as agências de varejo serao Itau. Na area financeira, a marca Fininvest (Unibanco) vai substituir a Taií (Itau). Nota hoje no Ancelmo, no Globo. 29/04 Blue Bus

Sempre odiei o Itaú e sou cliente do Unibanco desde 1997. Estou arrasada. Vou colocar meu dinheiro num banco de praça.

O que me faz feliz no trabalho

quarta-feira, 29 de abril de 2009

photo-133
As pessoas.
Não é salário – nunca fui boa nessa negociação.
Não é a tarefa em si.
Não é o cargo.
Não é a empresa – mas isso é importante.

Hoje tenho uma entrevista na FGV. É para um curso que está sendo ministrado em países em desenvolvimento. Foco só em mulheres.
Se eu ganhasse na loteria, minha vida seria essa: estudar, desenvolver projetos com gente amiga.
Não seria comprar nada.
Talvez fazer uma viagens longas – que adoro.

Desejem-me sorte.

Tantos assuntos

terça-feira, 28 de abril de 2009

porcosjudeus

Hoje começo com o mistério do dia!

A gripe do suíno chegou a Israel… Desde 1963, as fazendas de porcos foram banidas naquele país – afinal, o bicho com a pata bipartida é amigo do demo. Mas serve para estudos científicos. Sem contar que a turma adora soltar a franga no México…  Frango, se bem assassinado por eles, é kasher.

Sobre ontem, posso dizer que foi, no mínimo, divertido. Foi uma novela mexicana privê. Uma experiência antropológica.

Ponto alto. Usaram meus emails do trabalho como prova. Prova de que eu trabalhava sem parar! Adorei. E, depois de um ligeiro desconforto e susto, relaxei. E achei o máximo ter meus emails vasculhados, lidos, usados sem permissão. É isso o mundo hoje: blogs, twitters, emails. A informação está no ar para quem quiser. Portanto, se você não deve, não tema! E use seu email corporativo com fins voyeurísticos (ou exibicionistas).

Melhor momento: a gerente financeira mentindo descaradamente para a juíza (!). Se você não é ator, meu conselho: não tente mentir para um juiz. A moça começou bem, firme – falando barbaridades sem fraquejar. Quando notou que estava sendo observada não apenas pela excelentíssima, mas pelas pessoas que trabalharam com ela – e que, portanto, sabiam que ela estava mentindo –  tal qual o super homem ao se aproximar da cryptonita, ela enfraqueceu. E aí foi um festival de desmentidos. Ela dizia uma coisa, o advogado apontava documentos e ela voltava atrás na maior elegância, como se não tivesse falado nada demais. Foram vários gols-contra. Hilário.

Mudando mais ou menos de assunto, tenho mais um daqueles casos em que se prova que o mundo é pequeno.

Trabalhei para uma empresa que tinha uma agência daquelas porta-de-cadeia. Toda a galera envolvida com ela ganhava um pingadinho mensal. E TODO mundo na empresa suspeitava que a alta chefia fazia vista grossa para a bola correndo solta porque, com as notas fiscais da agência, como o judeuzinho esperto de ontem notou, a grana saía limpinha da lavanderia.

Não preciso dizer que não durei muito tempo na empresa.  E tenho que admitir: os caras tentaram de todas as maneiras me derrubar. Foram bem criativos – até depósito de pagamento tentaram manipular para que parecesse bola.

O interessante é que quando um sujeito se deixa corromper, ele contrai uma doença. Ele não consegue mais viver sem aquele troco sujo. Vira um vício – e ele fica meio cego. Acho que, quando isso rola, o cidadão deve ter um misto de mediocridade misturada com um falso ar de espertinho, e deve ter um puta complexo de inferioridade. Afinal, por que uma pessoa bacana, talentosa, trabalhadora iria se vender? Nem a Demi Moore – que levou 1 milhão para ficar com o Robert Redford – se deu bem… Tem que ser meio marmota para levar uma graninha por fora…

Hoje posso dizer que forneço o crack para os caras. Explico.  Estou na empresa que paga o BV da agência. Com o BV, a agência passa a bola.  Detalhe: doidões com a bola, os caras anunciam onde?

Gente, virei traficante! Que loucura.

 

Glossário: BV = Bônus por Volume

Bola = grana que agências dão de presente para alguns funcionários de empresas (propina, meu rei!)

Leiam o que escreveu Cláudio Weber Abramo.

Esse apelido de “BV” estende-se a remunerações fraudulentas, obtidas por propinas que são cobradas tanto de veículos (por inserir os anúncios) quanto de fornecedores (por serem escolhidos para prestar serviços), e incluídas nas faturas que os clientes pagam. Há ainda, às vezes, processos de faturamento fictício por parte de veículos, gerando comissões indevidas pagas às agências. E não são desconhecidos casos em que diretores dos clientes recebem propinas de agências em troca de aprovar campanhas e/ou veículos.

De toda forma, mesmo que este último mecanismo fraudulento seja ocasional, a cobrança de propinas é a praxe do setor publicitário, como completamente conhecido por qualquer pessoa que já tenha passado perto do tema. 

http://tinyurl.com/ckprmh

Minúsculos fragmentos de uma opinião ácida

segunda-feira, 27 de abril de 2009
 


26/04/2009           

As máximas em qualquer idade

AOS 4

“Por favor, Jesus, faça alguma coisa… Não fique aí parado feito um tonto!”

Dudu, ajoelhado, orando pelo pai, pela mãe, pela professora e por ele, que está “ficando maluco” de tanta arte que faz, segundo frase enviada pela tia Sandra

AOS 7
“Mamãe, mas por que não pode lavar dinheiro?”

Daniel, ao assistir a uma reportagem na TV sobre a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, segundo frase enviada pela mãe, Roberta Jovchelevich

 

Não pude resistir e copiei as frases da revista da Folha. A primeira, de um cristão novo, chamando Jesus de TONTO, mas pedindo para ele resolver o problema. A outra, de um judeuzinho, de olho na grana. Tão pequeno e já querendo abrir uma lavanderia.

O toque fino de ironia é que a tia, a mãe, a parentada manda a frase, achando a coisa mais linda. Linda para quem quer fazer teste de personalidade no circo.

 

MUNDO ANIMAL

Na Irlanda, um touro invadiu o supermercado.

No mundo latino, a gripe é do suíno.

Se você levar um pé na bunda, guarde esse nome: Sophie Calle. Ela pode te inspirar a fazer coisas do arco da velha com o ex. E ganhar grana com isso. E viajar o mundo!

 

Hoje terei mais um embate na justiça.

Sinto que virei gente grande. Afinal, é meu primeiro processo.

Momentos de medo. De ironia. De empáfia. De gentileza. De cobiça. De desejo de justiça. De vingança.

É interessante o  turbilhão de reações.

 

FAT LADY

O que é o cabelo-peruca de Fernanda Young?

Parece um playmobill com defeito de fabricação…

 

TOY ART

Jesus, o Luz, desfilou em NYC, faz campanha para Dolce & Gabana e deve ser partner de Madonna na segunda série de campanhas para Louis Vuitton.

Ivete está grávida de 4 meses. O pai é um estudante de nutrição. Piada pronta.

Essa moda de Toy Boys é mesmo engraçadinha.

 

O que acontece com a pele depois de um fim de semana de trabalho

O que acontece com a pele depois de um fim de semana de trabalho

Чорнобиль – 23 anos

domingo, 26 de abril de 2009

 

 

Foto: Dan McMillan, escola de Shipeliki - 1995

Foto: Dan McMillan, escola de Shipeliki - 1995

 

Chernobil, Chernobyl ou Chornobyl (em ucraniano Чорнобиль) é uma cidade no norte da Ucrânia, perto da fronteira com a Bielorrússia. O nome da localidade significa “história negra”.
Em meados da década de 70, foi construída pela União Soviética uma central nuclear a vinte quilômetros da cidade de Chernobyl. Em 26 de abril de 1986 ocorreu o acidente nuclear.
Em 26 de abril de 1986, explodiu um reator da central de Chernobyl que libertou uma imensa nuvem radioativa contaminando pessoas, animais e o meio ambiente de uma vasta extensão da Europa. Até hoje não há consenso sobre as causas do acidente. Ironicamente, o acidente se deu durante o teste de um mecanismo de segurança que garantiria produção de energia em caso de acidentes (pripyat.com 2008). A explosão ocorreu quando o sistema era testado em um dos blocos da usina, provavelmente devido à instabilidade do reator provocada por uma combinação de erros humanos na operação do reator e construção incompleta do reator.

Extraído da Wikipédia

Foto: Oded Balilty (AP) - Estudantes de Rudniya - 2006

Foto: Oded Balilty (AP) - Estudantes de Rudniya - 2006

 

 

Elena Filatova, uma ucraniana, viajou de moto pela Zona de Exclusão, área-fantasma  no entorno da usina. São 67 cidades fantasmas – segundo o GreenPeace. Ela fala em 180 cidades e vilas. As fotos acima foram tiradas de cidades que estão fora da zona – e veja o estrago de ontem e os de hoje.

Incrível é que há pessoas que ainda moram por lá. Velhinhos que preferiram ser contaminados à morrer de saudade da terra.

Ao todo, foram 100 mil mortos. Os primeiros bombeiros que correram para o reator simplesmente se desintegraram. A matéria com Elena é interessante: http://tinyurl.com/ck6d8g

O site dela tem boas histórias. http://www.elenafilatova.com/

E a gente conhece muito pouco da história… Ou faz questão de ignorar… Afinal, energia nuclear é super limpa. Só que a construção da usina, manutenção e armazenamento de refugos são caros. E o Lula-lelé quer validar uma licitação dos anos 80 para a construção de Angra 3. Mas a gente não fala nada… Afinal, é lá em Angra… Longe daqui… Pois é. Hiroshima foi longe. Chernobyl também. O acidente em Chernobyl afetou Finlândia, Suécia, França, Áustria…

Enfim… Segundo o que tenho acompanhado no google graphycs do meu blog, quando eu coloco histórias engraçadinhas, os acessos bombam. Quando coloco posts como esse, caem os acessos.

Enfim… O blog é a minha cara: engraçadinho, mas meio ordinário.

O fim de semana, enfim!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

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Essa semana passou arrastada…
Foi duro trabalhar depois de um fim de semana com feriado e dor de garganta.

Aliás, esses dias tenho pensado na dicotomia PRAZER – TRABALHO.

Foram curtos os meus períodos de puro tesão com o trabalho.
Eu sempre tive problemas com amarras.

Vamos começar pelo lar, doce lar.
Já morei em Belo Horizonte, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Cuba, Inglaterra, São Paulo, Rio de Janeiro…
De 2006 decidi que São Paulo era meu amor e, hoje, tenho pavor de mudança.
Quando houver a próxima – e ela há de haver – deixarei tudo no meu apartamento paulista.
E farei uma casa nova no novo lugar. Com novos lençóis, sem lembranças, com meus bichos, meu amor.
Porque a casa de verdade sempre estará em São Paulo.

Trabalho?
Antes de me formar, trabalhei numa rádio, numa empresa de engenharia vendendo aplicativo (pode?), como bolsista do CNPQ, e até montei uma empresa pirata (não registrada) de produção de eventos. Meu primeiro cliente? A rádio mais cool da cidade.
Depois de formada, passei por jornais, dirigi escritórios, pulei de galho em galho.
Não aguento essa coisa de bater ponto.
De trabalho burocrático.
De dia-a-dia.
Resultado: como freela, sou editora-chefe de 3 revistas. E esse trabalho me encanta. Vou quando preciso, faço o que é necessário. Não me envolvo no fofoquê da redação, estresso o mínimo possível.

Amigos?
Não tenho amigos de infância.
Da faculdade, tenho só um. Armandinho. Mas Armandinho é um irmão. O pai dele é meu contador. A mãe, uma amiga. A ex-mulher, uma querida. Os filhos, meus sobrinhos. A atual mulher… Bem, ela não vai com a minha cara. Normal.
De Cuba, trouxe uma amiga. Dei casa, comida. Quando precisei da casa dela, levei um pé na bunda. Virou ex-amiga.
Aliás, na faculdade também arrumei uma ex-amiga.
Ana Paula era um ser estranho, junkie, auto-destrutiva. Quando se tem 17, 18 anos, é bacana. Afinal, líamos Rimbaud, Bukowski, John Fant. E até fizemos uma banda: Pergunte ao Pó. Para quem gosta de literatura underground, esse é um título de um livro.
Da coca nunca fui fã. Nem da Coca-Cola.
Bom, num reveillon, Ana Paula passou o dia bebendo e deu aquele vexame no hotel que estávamos numa linda cidade perto de Diamantina. Foi constrangedor, quase fomos colocadas para fora.
Nunca mais falei com ela.
Recentemente dei força para uma pessoa do trabalho que sofreu bruto assédio moral.
Dei conselhos, levei para almoçar, para tomar chopp, em suma: dei meu colo e ofereci meu ouvido.
A pessoa foi contratada por indicação minha e não ligou nem para agradecer.
Deletei também.
Essa minha sina de Madre Tereza de Calcutá enche. E estou aprendendo a me preservar.

E agora?
Ando meio sem rumo.
Pensando em procurar trabalho, não emprego.
Em achar água para me completar.
Em ter um projeto.
Porque título nunca me interessou.
Não me ligo no tesão do poder, do crachá premiado.

Puro paradoxo.
Porque gosto de salário no fim do mês, de bônus, de viagem corporativa.
Mas não gosto de ser disciplinada.
Detesto folha de ponto e trabalho operacional.

Ando pensando em reiventar minha empresa e virar freela full time.
Ando pensando em ser dona de mim de novo.
Sei lá.
Quero prazer.
Grana também.

Produtos que eu não indico

quinta-feira, 23 de abril de 2009

mini
Depois que o Marcelo Tas resolveu dar uma de esperto e anunciar no Twitter os produtos da Telefonica, fiquei pensando no nosso público consumidor.

Você já viu o novo comercial do Fiat Stilo BlackMotion?
Um cara para no sinal com um carrão conversível. Ao lado dele, a namorada.
Ambos olham o novo Stilo que também parou no sinal.
O cara baba no carro e, de repente, a janela do carona do Stilo é aberta.
Dentro do carro?
Está a mulher do sujeito do conversível.

O vídeo de 30 segundos tem realização da Leo Burnett e foi criado por Renato Butori e Mario Cintra, com direção de Ruy Lindenberg. Segundo divulgado por aí, a idéia é mostrar o lado “dark” e atrevido do modelo esportivo da montadora.

Mas para quem esses caras estão vendendo essa propaganda sexista e de quinta?
Afinal, a moça largou o conversível para ir para o outro carro. É a famosa Maria Gasolina.
Um mulher que obviamente não trabalha e vive às custas de outrem.

De acordo com o presidente da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado do Paraná (Assovepar), Lidacir Antonio Rigon, as mulheres são consumidoras de 40% a 50% dos carros vendidos em todo o país. Além disso, na compra de um carro a palavra final cabe a mulher em mais de 80% dos casos.

Vamos usar o cérebro: quem no Brasil tem dinheiro para comprar o novo Stilo?
Certamente não é a garotada que achou o comercial bacana.
E a mulherada – eu super incluída – achou o comercial uma m*.
Ou seja: 80% do público que determina a compra de um carro rejeitou a propaganda boboca…

Acho que o gatinho do Stilo subiu no telhado…

Quer ver porcaria?
Clique aí: http://www.youtube.com/watch?v=2nkyYKH9pts

Quer outro produto que eu não indico?
O sabonete Dove.

ldovedentro“Compare e comprove”. Essa é a proposta da campanha Teste Facial de Dove que entrou no ar no dia 1° de março. Com investimento de aproximadamente R$ 12 milhões, a marca propõe teste comparativo com outros sabonetes por apenas sete dias para evidenciar seu poder de hidratação.
É simples: você lava metade do rosto com Dove e a outra metade com um sabonete qualquer.
Ora, Dove é sabão de corpo, e não é feito para usar no rosto…
Se eu usar o meu Shiseido Facial Cleaner numa bochecha e o Dove na outra, quem vai sair perdendo?
Troféu abacaxi para a gerente de marketing que aprovou essa campanha!
Se ela usa Dove no rosto, não me diga o que ela veste, com quem ela anda, o que ela come.

Ah! Não preciso dizer que não sigo o Marcelo Tas no Twitter e em nenhum lugar, né? Ele que ache os bobos que o acompanhem e que fature em cima deles…

Ah! Eu adoro as progandas do Mini!
Por isso que coloquei abrindo o post. Esse eu indico!

Fui!

(entre)vista

quarta-feira, 22 de abril de 2009
forçando uma cara boa

forçando uma cara boa

Gente, cara de entrevista – com dor de garganta e não acreditando na proposta.
Na verdade, eu gostaria de ir fantasiada para esses eventos.
Hoje, por exemplo, eu iria de repórter aquático. Com bóia e pé de pato para causar boa impressão.

Hoje foi um dia cão.
Recebi papelada do SAP para arrumar duas viagens.
Funciona assim: onde eu deveria ter colocado movilización, coloquei – seguindo orientações – parquímetro. Tudo isso para dizer táxi!
Por conta do erro, a moçada da contabilidade me manda de volta todas as minhas 200 notas fiscais, eu tenho que mudar as palavras no sistema, imprimir novo relatório em 4 páginas, rubricar, juntar todas as 200 notas e mandar de volta para Porto Alegre.
Gente, é por essas e por outras que tenho certeza que de Portugal viemos e para lá não voltaremos.
Eu que sou Pessoa e Alvarenga (para os incultos, alvarenga é um barquinho, termo inventado no nordeste em alusão a um português que inventou o barco). Não tenho nenhum parente gringo que se conheça desde os meus tataravós, sou filha do homem gentil do Sérgio Buarque de Holanda. Sou lusa e brazuca com a maior intensidade.
EU MEREÇO!
E dá-lhe nota fiscal para reembolso viajando de avião para cima e para baixo. Dos países latinos as notas vieram para SP e já foram e voltaram para Porto Alegre. Viação SAP!

Aliás, se a moda pega, a Câmara e o Senado logo implantarão um SAP em Brasília.

Ah! Depois da batalha do meu reembolso, a batalha para pagar a agência.
A grana tá liberada, agora tem que bater 24 notas atrasadas.
Eu queria ser um peixe!
E não trabalhar num cartório!

Sobre a entrevista, loucura, loucura, loucura.
Lugar: feio
Gente: esquisita
Salário: desconhecido
Trabalho: gerenciar uma crise que ainda não surgiu e fazer os polvos latinos se falarem.
Chefe: Americana
Presidente: uruguaio residente na França
É o mundo globalizado!
E eu com o bolso furado!

Agora eu queria estar vestida de Bozo.
Com essa cara, eu tenho tudo para dar certo.

Mim quer dinheiro

terça-feira, 21 de abril de 2009

dsc_01271

Quem é da minha faixa etária lembra dessa música hilária do Ultraje a Rigor.
É típica dos anos 80.

Mim quer tocar,
Mim gosta ganhar dinheiro (dinheiro)
Me want to play,
Me love to get the money (money)

Mim é brasileiro,
Mim gosta banana (banana)
Mas mim também quer votar
Mim também quer ser bacana (bacana)
Depois que até o Gabeira confessou que usou parte da cota a que tinha direito para compra de passagens para que familiares viajassem ao exterior… Realmente mim gosta de banana.
Os Camata – Rita e Gerson – que moram em apartamento próprio em Brasília admitiram que recebem auxílio-moradia do Senado e da Câmara no valor de R$6800,00 mensais. Gente, é mais do que o que eu ganho líquido para fazer uma revistinha (eu cobro por revista).
Realmente, mim também quer dinheiro.
Estou aqui ralando o bucho para pagar meu fim de semana tresloucado em NY. Para curtir uma sauninha, comer um sundae gigante, ir ao Blue Note e conferir uma peça off-Broadway, eu gastei o auxílio-moradia dos Camata. A passagem foi de milhagem que eu não estou podendo…
Mais umas comprinhas e pronto! Preciso ser parlamentar.
Um terço dos integrantes do Conselho de Ética da Câmara, órgão responsável por julgar eventual quebra de decoro dos deputados, emitiu pelo menos 35 passagens para o exterior em seus próprios nomes ou no de terceiros, incluindo parentes, amigos e funcionários. Todos os destinos são cidades que recebem grande fluxo de turistas anualmente: Londres, Paris, Milão, Miami e Buenos Aires. Os dados constam dos registros de companhias áreas. Todos usaram a verba a que tinham direito para pagar passagens – detalhe: tarifa cheia!  - para o exterior. E eu juntando milhas…
Olha a lista dos simpáticos que viajam com o nosso dinheiro enquanto a gente rala para bancar uma vida de classe média: Fernando Gabeira, Hélio Costa, Michel Temer (presidente da Câmara), andy-warhol-bananaBerzonini, Mário Negromonte, Fernando Coruja, Henrique Alves, José Sarney Filho, Ivan Valente, Sandro Mabel, Cléber Verde, José Aníbal, André de Paula, Daniel Almeida, Uldurico Pinto, etc, etc, etc. E tudo começou com o mané do Fábio Faria que quis impressionar a mané da Adriane Galisteu bancando passagens para ela, para a mãe dela, para os amigos dela… E tem ministro também – que usou a verba mesmo estando licenciado da Câmara -  José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), Reinhold Stephanes (Agricultura) usaram esse mecanismo 64 vezes após a posse. Além de cinco titulares do conselho de ÉTICA, os suplentes Marcelo Melo (PMDB-GO) e Fernando Coruja (PPS-SC), líder de seu partido na Câmara, financiaram mais 19 viagens para fora do país com dinheiro da Casa. Ou seja, foram no mínimo 54 bilhetes da cota aérea dos sete congressistas.
O preço da brincadeira – 80 milhões de reais!!!

E a gente votou nos caras. E não é a gente que está cobrando… É a mídia…
Mim gosta banana.

Ainda falando em dinheiro, ontem aproveitei minha gripe – que começa  a melhorar – e o day off para ir até uma empresa que está me sondando para trabalhar para eles. Multinacional francesa de energia nuclear. Não se assuste – mais de 70% da energia produzida na França vêm de usinas nucleares. E sobra energia para os caras venderem… Enfim: a promessa é de salário maior, carro, e uma chefe na França. Ou seja – pode ser bom pois terei mais liberdade na terra das bananas e pode ser ruim porque chefe francês em empresa francesa eu já vi quando fiz um job para a PSA-Peugeot-Citroen… É o cão. A gente é tudo macaquito… E o filé vai para eles.
Voltando ao assunto: a sede da empresa é horrível. Um prédio velho na tonga da mironga, longe para cacete… O que sigifica que vou perder mais tempo para ir e vir… Comer, provavelmente, em bandejão…
Eu já descartei de cara… Mas me comprometi a participar da entrevista.
No lugar do carro, prefiro um motorista.
E  a grana… Puts… Teria que ser – no mínimo – o dobro do que eu ganho…
Amanhã é a entrevista. Quem viver, verá…
Realmente caí numa cilada que está difícil de sair…
Vivendo e tomando na cabeça…
Like allways…
Outro tiro que andei dando – esse é daqueles que não conto para parentes e amigos – é um curso internacional (feito aqui) só para mulheres e bancando pero periclitante Goldman Sachs. Esse é legal. Pode ser uma boa válvula de escape.
É minha gente, para ficar milionário, o lance é ganhar em quiz indiano ou ser parlamentar.
Enquanto isso, vamos capinar… Porque nem a aposentadoria vamos ter direito.
Mas o cesto de banana está garantido…
Em tempo: vcs leram a história de um casal de ingleses que descobriu um caixa eletrônico que não registrava os saques? Gastaram felizes quase 200 mil reais e agora estão sendo processados pelo banco… Processa a empresa do caixa eletrônico…