Arquivo de maio de 2009

Un certain regard

domingo, 31 de maio de 2009

tati

Hoje foi o último dia de trabalho do Dênis, o garçon-faz tudo da padoca.
Desde que moro na vila – 2003 – Dênis é aquele personagem discreto, elegante e contente em ser coadjuvante.

Os artistas principais – famílias, velhinhas, casais, crianças – chegam e mandam.
Dênis, o moço gentil, atende a todos com um sorriso tímido e muita atenção. Sem anotar, faz pedidos de 4, 5 mesas. E não erra nada.

No sábado, ele fez questão de ir até nossa mesa. Ele estava na chapa, fazendo os sanduíches, mas foi até lá e me perguntou se eu não queria algo. Eu não queria, mas acabei pedindo um suco. E ele me prometeu fazer um suco especial.
Hoje, os outros garçons contaram que Dênis estava de mudança para o Ceará. Vai voltar para a terra e se casar.
Eu não sabia, mas foi o jeito fino dele se despedir. Com um último suco. Especial.

Ele trabalhou até 14h. Amanhã, vai passar para dar um abraço nos colegas e devolver os aventais. Ora, coisa de moço elegante. Fazer questão de devolver os aventais limpos.

Eu e Fred passamos o domingo pensando. Dinheiro, eletrodoméstico? O que dar a Dênis de presente de casamento. Teria que ser algo singelo e que não ocupasse espaço na mudança. Provavelmente ele voltará para o Ceará de ônibus. E são 3 dias de viagem.

Compramos um jogo de cama de casal de puro algodão. Algo simples, prático e para que ele se lembre de nós.
Dênis vai fazer falta.

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Tenho pensando em como criar mais tempo para as coisas de que gosto.
E em como gastar menos tempo para fazer dinheiro e comprar muitas coisas para esquecer que gasto a maior parte do tempo fazendo dinheiro. E não fazendo o de que gosto.

Polícia para quem precisa

sábado, 30 de maio de 2009

O vídeo não é novo, nem a polêmica.
Mas quem, como eu, é mineiro sabe das histórias que rondam o governador mineiro. Cocaína, malandragem, cerceamento à imprensa… Eu não quero esse cara na presidência.

Transparência e touch screen

sexta-feira, 29 de maio de 2009

no-apple-iphone
Tenho um iPhone há cerca de um ano. É meu celular particular. E tenho um blackberry corporativo.
Meu iPhone é um péssimo telefone. Sem querer, encosto na tela e deixo em mute. Ou ele desliga. E o aparelho tem vontade própria: eu desligo e, minutos depois, ele se liga sozinho. É ótimo quando vc está num avião… Super seguro.

Sobre o blackberry, é o feinho que satisfaz. Agora quero testar um Nokia N-series…
E aposentar de vez o meu iPhone.

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Ontem não escrevi porque fui “abduzida” por um seminário de comunicação corporativa.

Uma paletra, sobre redes sociais, foi vergonhosa. Uma agência mostrou claramente como o simples “blábláblá” sobre medias eletrônicas e redes sociais pode enganar os clientes mais desavisados. A moça não trouxe uma novidade, não falou coisa com coisa e as pessoas anotavam, anotavam, anotavam…
Eu fugi…
E caí numa palestra do responsável pela comunicação da Tam. Resumo da ópera: o cara é super lento. Percebe-se a lentidão, tendo em vista que, depois de uma turbulência num vôo Miami-SP, a companhia simplesmente tentou sair de fino da história… E depois de 3 acidentes em pouco mais de uma década, a Tam continua fingindo que não é com ela.
Depois, grand finale, palestra da TetraPak.
E uma consideração sobre transparência e adversidades.

tetrapak A moça – responsável pela comunicação – faz muitas gracinhas, parece simpática e mostrou um case… de Marketing!
A campanha da empresa para aumentar os índices de reciclagem no Brasil. Como eles transformam a vida de mendigos, drogados e moradores de rua. E ainda protegem o meio ambiente.
Assunto politicamente correto, do bem, certo?

Mais ou menos.
Se você dá um google na Tetra Pak, você encontra a história de sucesso da Secretaria de Meio Ambiente do Paraná.

Em 2007, o governo paranaense iniciou grande pressão sobre a Tetra Pak, argumentando que a empresa coloca no Estado uma imensa quantidade de embalagens longa vida, que depois vão parar no meio ambiente. A embalagem Tetra Pak é constituída de seis camadas: uma de papelão, uma de alumínio e quatro de plástico (polietileno de baixa densidade). Esses três elementos são prensados à quente formando um único produto. A reciclagem destas embalagens é complexa e depende de sistemas específicos de tratamento para a separação do papelão, do plástico e do alumínio.
A Secretaria do Meio Ambiente do Paraná ameaçou proibir a comercialização desse tipo de embalagem no Estado. Afirmou também que a Tetra Pak não teria um sistema eficaz para coletar as embalagens que coloca no mercado. A empresa tem uma fábrica em Ponta Grossa.
A Tetra Pak se defendeu da forma usual, dizendo que “não sofre nenhum tipo de restrição nos 165 países onde atua e que é referência global em sustentabilidade, por suas práticas em prol da preservação ambiental, tais como utilização de matéria-prima renovável, como a compra de papel de madeira certificada” .
Com essa resposta, a empresa provou desconhecer a gestão ambiental avançada, em que as ações estratégicas e pró-ativas são fundamentais. Hoje certificados ISO e políticas para fazer o “basicão” (destinação adequada de resíduos, usar materiais recicláveis, etc.) são apenas obrigação, não criam valor sustentável para as empresas.
Menos de uma semana após o Governo ter endurecido as ações, a Tetra Pak voltou atrás e assumiu compromisso de elaborar, em 60 dias, um projeto de logística de recolhimento e destinação de embalagens em todo o Estado. O vice-presidente da empresa para a América Latina, Nelson Findeiss, quando percebeu o dano à imagem corporativa, admitiu que as conversas foram mal conduzidas. “Tivemos um problema de comunicação, até porque em Ponta Grossa não temos área administrativa. O diretor responsável foi infeliz.”

Voltando à palestra. A menina cheia de graça tentou desconversar quando perguntei sobre esse caso. Disse que a atual campanha (eles têm budget de 10 milhões de reais) nada tem a ver com as pendengas com o Paraná. E que eles são do bem, assim, gratuitamente.
Se você tivesse uma empresa, gastaria 10 milhões de budget de marketing para ser bonzinho?
Vamos falar sério. A empresa tenta antecipar soluções para um problema que, ela sabe, é de responsabilidade dela mesma. E vai virar lei – isso é questão de tempo.

A moça, na apresentação, mostrou o merchandising que fizeram nas maiores redes de TV do Brasil. E achou lindo quando pode “editar” e “fechar” o texto de uma matéria da Record.
Eu quase tive um troço: cliente editando matéria de editorial… Que falta de ética. De ambos os lados. Ao ver o programa, vi que era “uma matéria-comercial”. Prática que eu condeno.

O esforço da Tetra Pak limita-se em parecer responsável ao indicar sistemas de reciclagem. Ora, isso por si só não é ruim. Mas não entendo por que a empresa não abre o jogo. Esse é um problema criado por ela, mas que pode ser resolvido por todos.
Mas não venha fazer pose de boazinha, de gente fina.
Assuma: isso não é lei, eles não têm obrigação, mas acham que têm que fazer um esforço pois é bem possível que, num futuro próximo, sejam responsáveis legalmenhte pelo Ciclo de Vida do produto. Não basta fazer a embalagem e entregar e deixar para o Estado e os cidadãos a tarefa de despoluir o meio ambiente.

Na palestra, a fofa falou que não entende por que o Paraná só se voltou contra eles e não contra outras empresas. Ora, só a Tetra Pak está no Paraná. As outras empresas de embalagens ou são gringas ou estão em São Paulo e outros Estados.
Mas, ao questionar o governo do Paraná, ela quis colocar uma pulga atrás da orelha da audiência… Ato que pode ser até considerado difamação (imputação ofensiva de fato(s) que atenta(m) contra a honra e a reputação de alguém, com a intenção de torná-lo passível de descrédito na opinião pública), passível de punição pela justiça.

Atualmente só 7 indústrias de reciclagem específica de Tetra Pak estão em operação no Brasil: em São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Pernambuco. Para um país de dimensões continentais, este número é insignificante. Isso quer dizer, portanto, que a grande maioria das embalagens acaba mesmo é de maneira inadequada, nos lixões. (infos técnicas pesquisadas em ongs e sites da internet)

Enfim, a moça é engraçadinha, mas fraca.
E – graças ao meu ceticismo atávico – não fui enganada por suas belas palavras.
E tenho uma opinião: se a empresa tivesse sido mais transparente (inclusive nessa palestra), eu e milhares de consumidores teríamos outro conceito dela.

Eu sou mais Messi

quarta-feira, 27 de maio de 2009
Flagrante dos executivos que deram um perdido para ver o jogo

Flagrante dos executivos do CENU / SP que deram um perdido para ver o jogo

 

Cristiano Ronaldo, menos Ferraris, menos “modelos”, mais futebol…  Nem um gol enquando o baixinho argentino fez de cabeça…

 Ano que vem você tenta de novo. Rárárá.

Toda hora é hora

terça-feira, 26 de maio de 2009

 

never 

Hoje foi um daqueles dias.

Uns ganham tempo. E tempo, para mim, é literalmente mais dinheiro. Isso é bom. E sou super paciente nesse quesito.

Saí de casa com 20 para 21 anos. São 13 anos “longe” da terrinha. E, justo por conta dessa história do tempo, eu e meu irmão estamos nos vendo mais. Ele tem vindo a São Paulo quase que mensalmente para resolver pepinos. E está sendo ótimo.

Impressionante como ficamos anos separados, vivendo vidas `a parte. O encontro muda tudo. Ver, dividir, rir, estar presente. Nunca pensei que uma coisa chata – o trabalho que ele está fazendo – pudesse se tornar em horas, dias de diversão. Hoje, depois de cumprir as obrigações,  até em casting ele foi. Sensacional. E causou frisson entre as moças. Ele sabe que está podendo…

No mais, nosso próximo encontro “de trabalho” agora só em novembro.

Mudando de assunto, vamos falar de desvalorização do Real.

Em 2005, o cachê para um anúncio de cosméticos com “pessoas reais” era R$8.000,00 para foto e R$12.000, 00 para TV. Hoje? R$3.000 / foto + R$3.000,00/ vídeo. A empresa que faz o anúncio e o produto são os mesmos.

O que será que rola?

A crise?

O creme?

La crème?

E o que são pessoas de verdade? Pessoas de verdade podem ser amigos da produtora, podem ser modelos, podem ser atrizes, gente que saber fazer mímica, surfar, e topa aparar a barba (!) para fazer o reclame.  Pessoas de verdade, segundo o meu dicionário para casting, são:  fotogênicas, aprovadas pelo marketing, que topam ganhar pouco para ter a imagem super explorada.

Você só tem uma salvação se virar modelo de “gente de verdade”: se você nunca tiver usado o produto. Aí tem um quê de ironia fina que supera o cachê.

E se a grana desvalorizou, o mosquito cresceu! Deu hoje nos jornais, na internet:

Má notícia para os paulistanos que vivem nas imediações do rio Pinheiros: o pernilongo Culex quinquefasciatus, acostumado a sugar o sangue dos moradores da região, está evoluindo rápido. Uma pesquisa do biólogo Lincoln Suesdek, da USP, mostrou que o bicho se tornou 20% maior em relação aos animais de outras regiões desde 2004. Aumentou também a resistência do pernilongo a inseticidas. Para o pesquisador, o excesso de poluentes no rio e a correnteza fraca favorecem a multiplicação do sugador de sangue. (G1)

Quem é da minha geração viu o filme A Mosca. O mosquito cresceu, o cachê diminui, o juiz adiou. O negócio é relaxar. Porque com ruga não rola nem casting.

E termino com uma frase que resume o meu modo de ser.

 

“Devem-se escolher os amigos pela beleza, os conhecidos pelo caráter e os inimigos pela inteligência.”

Oscar Wilde

Manual de sobrevivência na academia

segunda-feira, 25 de maio de 2009

peixeAcademia é aquela coisa: cumpra sua obrigação e se mande. Para quem tem menos de 20 anos… É para fazer tudo – inclusive malhar.

Para aqueles que, como eu, têm uns quilinhos a mais e aquele pneu do Tim Maia, depois de cumprida sua obrigação, você estará – com toda certeza – suado, pingando, com os cabelos dessarrumados e a roupa pronta para ir para a máquina de lavar (ou para o lixo).

Se você é homem, em meia hora já estará de banho tomado e no carro.

Se vc é mulher… Leia o meu manual – totalmente baseado em tentativa e erro. É um estudo antropológico de comportamento no vestiário da academia. Risos.

1) ARMÁRIO – Escolha um locker/armário em lugar com saída estratégica. Nada de ficar no fundão, ou no locker de frente para o espelho. Escolha um com fácil acesso para a saída, de preferência o da ponta.

Se vc não quer ficar presa entre a moça de 130 kg e a chata que acabou de chegar da natação (aquela que molhou o chão todo além de ter deixado um chumaço de cabelos pelo caminho), siga meu conselho. A fuga do espelho, é porque ele atrai as narcisistas. E você vai ficar no meio delas, sem conseguir se mexer… Elas precisam de mais espaço para fazer sua performance de pavão misterioso.

2) LINGERIE – Querida, abuse das monocromáticas. Preto com preto ou preto com preto. Preto também é muito bom. Porque as fofas olham tudo. Se vc quiser colocar aquela La Perla especial, ou um fio dental, prepare-se para ser medida dos pés à cabeça, e para ser criticada pelas costas, claro. Mesmo que vc tenha o corpinho da Gisele. E nem a Gisele tem corpinho de Gisele.

Até para pisar na grama, ela é útil.

Até para pisar na grama, ela é útil.

3) HAVAIANAS no pé, sempre – até para tomar banho.

Nem pense em colocar os pés naquele chão cheio de cabelos e água da piscina. Semana passada uma aluna mirim da Fórmula contava que estava com micose na unha, mas que estava usando um remédio “super legal” que a mãe mandou. Eu quase tive um troço! Passei álcool no pé e tudo. Imagina o caldo de micose que virou a piscina… Ainda bem que meu negócio é esteira, pilates, abdominal.

4) CHUVEIRO. Ao escolher o chuveiro, vale a tática do locker. Escolha o que tem só um vizinho – assim você evita ficar ao lado ou – pior – no meio de duas gralhas que batem papo enquanto tomam banho. E também leva menos água alheia… Porque tem gente que nasceu para pato.

5) CHUVEIRINHO – o salva-vidas. Ele serve para você dar uma geral no ambiente antes de entrar. Porque as fofas lavam o cabelo e deixam meia-peruca para trás. Nem tente entrar sem dar uma chuveiradinha aqui ou acolá.

6) TAMPÃO DE OUVIDO – Gente eu não sou obrigada a saber que a “Aninha está namorando um fulano que saía com outra fulana que tem um motorista manco…” O tampão de ouvido é a coisa mais prática do mundo. O dia que inventarem um iPod à prova d´água vai ser melhor ainda.

7) SECADOR – objeto útil para secar o pé e se livrar da cabelada pelo chão. Use-o sem moderação. Mas um só. Porque tem gente que precisa de dois, um para cada neurônio. Se alguma companheira jogar um jato quente em você, revide. A liberdade de uma  termina onde começa o jato quente na sua cara.

8) TOALHA – a toalha é fornecida gratuitamente para que você enxugue o corpo e não para jogá-la no chão cabeludo, certo?  E se alguém jogar a toalha perto de você, jogue-a dentro de um locker. A fofa vai demorar uma hora para achar a toalha e pegar de volta a carteirinha dela.

9) EQUIPAMENTOS – a centrífuga serve para vc fazer barulho e sair com a roupa ainda bem molhada. A balança serve para todo mundo espiar e espalhar o seu peso para todos os funcionários da academia.

E força na panturrilha!

jane

Atitude camicaze

domingo, 24 de maio de 2009

 

Foto: Helmut Newton

Foto: Helmut Newton

Se você é bom conhecedor do português, saiba que camicaze pode ser com s ou com z. 

E diz o meu braço esquerdo, o Houaiss, que a palavra é um adjetivo e substantivo de dois gêneros. Uma derivação por analogia a traduz como que ou aquele que se arrisca muito ao agir, especialmente ao buscar determinado objetivo. Ou então pode ser um  suicida em potencial; que ou quem ignora a própria segurança ou bem-estar.

Esse blog nasceu com esse espírito. Exatamente assim. A minha cara – de pau. Ainda mais numa época em que empresas demitem porque fulano escreveu mal do trabalho no facebook, o blog então é quase uma carta de demissão – ou alforria.

No meu trabalho atual, passei por uma montanha russa. Em exatos seis meses vi a cobra fumar, beber e até dar uma puladinha para fora da cerca. E olha que cobra pular é coisa complicada.

Hoje, num café da manhã festivo, trocando idéia com gente muito mais vivida que eu – que sempre fui meio errante -, cheguei à conclusão que não vivi nada de diferente do que todo mundo nessa jornada corporativa. Ser funcionário hoje é uma grande aventura. Vide Sadia e Perdigão, Lehman Brothers, AIG, Arapuã (que virou loja de roupas) e até o atacadão do Abdala (que vendia roupa na bacia em frente à rodoviária de Belo Horizonte).

Num dos meus trabalhos, para não fugir do estereótipo, temos uma tirana na cadeira central. Meu braço esquerdo me cutuca e manda logo a explicação: governo legítimo, mas injusto e cruel. Ingratidão, opressão, violência. Eu, depois de muita porrada, aprendi a lidar. Não ouço. Deixo a cobra fumar, pular, gritar e o escambau. Depois falo ok, batata frita. E mando minha nota fiscal cobrando pelos serviços.

confortMeu inglês macarrônico aprendi em anos de Cultura Inglesa e meses numa cidade com o singelo nome de Farnham. (Farnham is a town in SurreyEngland, within the Borough of Waverley. The town is situated some 42 miles (67 km) southwest of London in the extreme west of Surrey, adjacent to the border with Hampshire.E foi com esse inglês de padaria da esquina que me tornei editora de notícias internacionais na Globo. Tsunami, Guerra do Iraque, mundo bizarro, fofocas. Foi com ele que divulguei aqui o que rola fora daqui. Com ele, quanta audácia, virei tradutora num festival internacional de dança. E acompanhei um grupo austríaco até no workshop para bailarinos experientes. Imagina traduzir Slowly move the hips, make it under the calf, fall means a slight movement up and jump forward. Tudo isso por 150 pratas num longinquo 1996.

Todo dia treino meu inglês no Twitter. E erro um bocado. Mas acho legal, é como fazer exercícios depois de meses parada. É uma (fisio)terapia.

Mas, no mundo da moda, a porrada é mais embaixo. Escrevi um CONFORT assim, errado. A fralda Pumpers tem uma linha confort (também escrito errado). O famoso Bebê Conforto é produzido pela Confort Babe, uma marca vendida no Magazine Luiza. A Philco tem uma chapinha confort de cerâmica. E, na França, confort é a uva que ajudou a fazer a fama dos vinhos da Califórnia, a Chenin Blac. Pois dei o título Confort para um de meus textos – leia direito: meu texto, de minha autoria, um editorial. Meu e assinado por mim. O texto passou pelo checador. Passou batido e foi assim, singelo, publicado errado. Um editorial, na minha opinião desbocada, é um texto meio viado, cheio de achismos, muito afetado, para explicar o tom da publicação. É um frufru danado – que muita gente gosta de ler. Então, tendo em vista o tom, o confort no lugar do COMFORT passaria batido – afinal, vale tudo: de chapinha da Philco à uva para vinho branco. Mas não passou. Tomei um esporro daqueles. Afinal, escrevo muito repetitivo, erro o português, maltrato a velha papisa da moda (quando não faço bajulação e nem dou atendimento especial),  carrego nas tintas, sou o cocô do cavalo do ladrão que roubou uma soda limonada.

Na minha ficha policial de costumes, irritei muito três pessoas: 

Designer Valentino Garavani and Martha Stewart attend the premiere of "Valentino: The Last Emperor" at The Roy and Niuta Titus Theater at The Museum Of Modern Art on March 17, 2009 in New York City.

Bitoca na Martha Stewart

1) Carlos (Cacá) de Souza que, no blog engraçadíssimo, o do Márcio.G, é assim descrito:  

Cacá de Souza deu entrevista para Lilian Pace, no “GNT Fashion”, contando como conheceu Valentino. Ele, Cacá, tinha 18 anos. “E viramos grandes amigos”, diz. Conto mais, não foi simples assim: Cacá, à época, talvez estivesse no trono do homem mais bonito do Brasil. Era dono de um corpo de enlouquecer homens e mulheres. Sem dúvidas. E você sabe como é o comportamento de uma biba rica, trilionária, quando se depara com um bofiscândalo, principalmente brasileiro. A hoje tiona, que também era bem bonita, ficou louca, com razão, e ofereceu o mundo ao bofe, carregando-o para a Europa, abrindo todas as portas e passarelas. Fez do Cacá seu homem de confiança, administrador de sua agenda pessoal, assessor de imprensa e…marido!, claro, um assunto sobre o qual ninguém ousa dissertar, neste mundinho hipócrita da “alta” sociedade…

Feitas as apresentações, vamos aos fatos. Eu, menina de todo, com 22 anos, sugeri fazer páginas amarelas da Veja com Valentino. O mago do vermelho estava endividado e rumores davam conta de que venderia sua grife para um grupo de investimento francês. Foca e sem falar um A em francês, liguei para o 102. A Embratel me passou o telefone de uma loja do Valentino em Paris. Liguei para a loja e – com meu inglês confort – expliquei que queria falar com Valentino, o Garavani. Consegui o telefone do QG do estilista e para lá liguei. Aí falei com um tal de Cacá, brasileiro, que carregava no sotaque francês. Achei a maior afetação, mas fui no maior respeito. Eu queria era garantir mais uma assinatura na Veja. Cacá, muito arrogante, disse que Valentino não daria entrevista por telefone. Eu respirei aliviada, afinal, meu inglês era bom, mas eu só tinha 22. E meu francês só esse ano começou a fluir… A entrevista seria por… FAX! Gente, esquece internet, email e o escambau. Tudo isso ainda engatinhava no mundo corporativo. Fiz dezenas de perguntas e mandei – e expliquei que a intenção era fazer Páginas Amarelas, mas que tudo dependeria das respostas. O fax com as respostas chegou na data combinada. E não valia Amarelas. O estilista não falava nada sobre a venda da grife, dava respostas muito fracas e evasivas sobre tudo. Nem sobre o vermelho, que o tornou famoso, deu uma resposta de impacto. Tá certo que eu era jornalista recém-formada e não devo ter feito A entrevista por fax… Mas eu e minha editora, na época a Laura Capriglione, concordamos que valia uma página contando a história da venda da grife (naquela época todos os estilistas estavam quebrados e vendendo suas maisons). Assim foi feito. E eu tirei férias na sequência e fui para Minas.
Pois a revista foi publicada e ligaram para a casa da minha mãe em Belo Horizonte. Num português de Belford Roxo, Cacá de Souza me espinafrou. Disse que eu prometera Páginas Amarelas para o  mestre  e que fizera uma matéria contando inverdades. O cara berrava. E logo vi que jamais ganharia nem um lenço de papel vermelho Valentino.
E a grife foi vendida. E me orgulho da matéria. Vai ser cara dura: ligar para Paris e conseguir a entrevista. Pensei comigo: se irritou tanto, é porque falei a verdade.
2) Gilberto Dimenstein – Quando fui chefe do Canal Futura em São Paulo, o moço em questão era comentarista. O canal, pobre de marré de si, tinha uma equipe e duas repórteres. Os meninos que faziam câmera trabalhavam de 8 às 22h non stop. Quando tínhamos que gravar com os comentaristas, entre eles, Cristovam Buarque, na época, ex-governador do DF e ganhador de um prêmio Jabuti, os meninos montavam a mesma câmera num arremedo de estúdio e gravavam com os caras. Era uma loucura, porque tínhamos que gravar 2 matérias por dia + o comentário. Arrancava o couro geral.
Pois bem: Gilberto, a diva em pessoa, mandava a secretária ligar e avisava quando iria gravar. Era sempre assim: em cima da hora, e na hora que ele queria.
Cristovam, que vinha de Brasília, era completamente diferente: ligava pessoalmente para perguntar quando estaríamos disponíveis para gravar com ele.
Eu, já experiente e com 25 anos de idade (risos), liguei para os dois e marquei um dia e horário fixos.
Assim tiraríamos uma tarde para os comentaristas e a equipe não seria mais tão sacrificada.
Cristovam achou ótimo – afinal, teria um horário pré-agendado. Gilberto perdeu a linha. Não estava à disposição. A TV que esperasse por ele.
A partir desse dia e, enquanto fui chefe do Futura, não gravamos um A do Dimenstein. Na boa, o mundo tem muita gente bacana para falar com propriedade sobre educação. Aliás, educação não é a especialidade do moço.
3) Costanza Pascolato – foi nossa colaboradora por duas edições. Sempre a tratei muito bem e com carinho. Não bajulei. Ficou danada comigo. 
Trocamos por uma jovem em ascensão. Está sendo um estouro e uma delícia trabalhar com ela.

Tudo isso, para voltar ao meu título do post.

Eu sou camicaze mesmo. Sempre fui. Se cismo com um assunto, evito a briga a todo custo, mas se entro na briga… Ai ai ai… Chata mas com estilo!

photo-179

 

Fim de semana na veia

sexta-feira, 22 de maio de 2009

 

 

Ainda não me acostumei com o cabelo novo...

Ainda não me acostumei com o cabelo novo...

Nunca pensei que um cabelão fosse mais fácil de cuidar do que um cabelinho.

Eu demoro mil vezes mais no secador hoje do que antes.

E pareço uma louca no vestiário da academia: um rolão na franja, mil grampos no cabelo todo enrolado para ele ficar com aquele efeito THARÃN! Fara Fawcett do cerrado.

Tem dia que funciona, tem dia que eu pareço o Chitãozinho depois da chuva.

Mas não me arrependi. Chega de cabelão. Brasileira tem complexo de Madalena arrependida…

Mudando de assunto, um amigo querido fará seis pontes de safena no domingo. 6 horas de operação. A gente brinca, fala que ele vai sair novinho, com coração de 30, mas é punk. Meu pai fez 4 safenas, 2 mamárias, tem 3 stents, prótese óssea – é o próprio homem biônico. Detalhe: bonitão, olho azul. Resultado: tenho uma irmã de 7 anos e uma madrasta da minha idade! Enfim, maravilhas da medicina moderna. Bobagens da mulher contemporânea.

E um amigo perdeu o cachorro. Fiquei arrasada. Culpa desses petshops de m*.

Hojue rolou almocinho com amigas. Falei feito pobre na chuva. Eu quero é novidade.

E estou super acompanhando o festival de Cannes. Deve ser incrível. Cada freak. Taí uma coisa que falta fazer. Ir para um festival de Cannes. Preciso arrumar amigos indicáveis. Porque lá é só com convite. Super privé. Seria ótimo para treinar meu francês de primeiro período…
Você viu o vídeo com os famosos aplausos para o filme brasileiro “À deriva”, de Heitor Dhalia? Achei meio rasgação de seda… Mas que os caras plaudiram, aplaudiram muito.

E amigas lindas estão sendo chamadas para fazer o casting de uma propaganda da Natura. Do creme Chronos. Tomara que elas façam. Ia ser bem legal.

Luiza Brunet fazendo de tudo para tirar foto com Jesus, o Luz. Que mico. Deixa o garoto da Madonna, Luiza.

Sobre a história da menina Maísa, o Ministério da Justiça advertiu o “Programa Sílvio Santos”. Segundo o Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), o programa expôs a garota a situações constrangedoras e vexatórias e, caso isso se repita, será reclassificado para maiores de 12 anos e só poderá ser exibido após as 20h. Bem feito. Achei a maior sacanagem com nossa Chucky!

Para dar uma politizada no discurso: alguém acredita no Mantega?
E a uruca da Yeda Crusius? No ato de inauguração da RSC 480, em São Valentim (RS), tábuas do palco em que a governadora Yeda Crusius (PSDB) discursava cederam; ninguém se feriu, mas a governadora precisou ser retirada da estrutura por um policial militar, no colo, e continuou o discurso em terra firme.

E nossa candidata a presidente?
Dilma afirmou que, apesar do câncer ser uma doença “chatérrima”, não vai impedi-la de trabalhar. Santa arrogância.

Notinhas sobre o nada

quinta-feira, 21 de maio de 2009

photo-176

Finalmente o Dunga apareceu: Ronaldo(s) não serve(m) para a seleção. Desde a Copa da França que não serve (m). Mas a gente sabe que tem que ter peito para encarar a pressão e  não colocar os caras. Gostei.

E o cara que pagou 2 milhões de dólares para matar a namorada? Com esse dinheiro ele mandava fazer uma namorada nova… Agora vai para a forca… Humor negro. Piada Pronta.

No mundo da moda, reunião, bronca, site, blog e conversa de padaria.
Nada muda. Isso é moda. Aliás, toda edição busco frases sobre moda para a capa. E várias – apesar de ótimas – são impublicáveis. Leiam algumas:

“A moda é um ridículo que não teme objeções.” (Honoré de Balzac)
“A moda morre nova. É isso que torna grave a sua leviandade.” (Jean Cocteau)
“Sendo a moda a imitação de quem pretende dar nas vistas àqueles que não o desejam, resulta daqui que ela muda automaticamente. Mas os comerciantes acertam esse relógio.” (Paul Valéry)
“Em matéria de moda, são os loucos que ditam a lei aos sensatos, as cortesãs que a impõem às mulheres honestas, e o melhor que temos a fazer é respeitá-la.” (Denis Diderot)
“A moda é uma variação tão intolerável do horror que tem de ser mudada de seis em seis meses.” (Oscar Wilde)
“A moda, afinal, não passa de uma epidemia induzida.” (George Bernard Shaw)

Na Inglaterra, justiça decidiu que Pringles é batata. (!) O fabricante queria mudança de categoria ( para aperitivo) para fugir de imposto. Vou ligar agora para a Receita Federal. Também quero ser classificada de aperitivo! Rárárárá.

E a moça que foi hipnotizada e perdeu 25 kg? Marion Corns, de 35 anos, foi convencida de que havia sido instalado um anel que reduziu tamanho de seu estômago. Alguém tem o telefone do HIPNOTERAPEUTA? Quero perder 5 kg e quero ser convencida de que ganhei na loteria. AGORA!

Fui

Bichos

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Deu no Terra e não resisti:

tigre

“A cadela Bessi, da raça dachshund, adotou um filhote de tigre no parque Ismer, que preserva a vida selvagem em Stroehen, na Alemanha, segundo informações divulgadas pela agência AFP nesta quarta-feira. Nascido há apenas cinco dias, o pequeno felino já sofreu duas grandes perdas na vida. A primeira delas foi a rejeição da mãe após o nascimento. Depois, um outro cão da raça dachshund, que tinha adotado o animal antes de Bessi, morreu em acidente de carro na terça-feira. Bessi, de um ano, passou a agir como guardiã assim que encontrou o recém-nascido.”

http://tinyurl.com/recwmd