Arquivo de novembro de 2009

Yarang

domingo, 29 de novembro de 2009
baloes

Domingo em algum lugar do planeta

Yarang quer dizer formiga em língua camaiurá, uma das 19 etnias do Xingu.

Depois de quase 5 horas de apagão na Vila Madalena, esse post começou um e foi virando outro… Você já parou para pensar para onde vai o bom e velho livro?
Eu não sou conservadora.
Acho o máximo a tal novidade do livro eletrônico – seja ele kindle, nook ou o que mais inventarem.
Do mesmo jeito que compro meus discos a hora que quero e em que país quero – pagando em dólar e para a turma do Steve Jobs -, penso que deve ser muito bom fazer o mesmo com os livros.
Escolher o livro que quero na língua que quero. Carregar minha biblioteca para cima e para baixo. E ter tudo numa caixinha compacta, movida a eletricidade.
(Coloco a eletricidade aqui para provocar)

Mas há duas questões. Uma é a do livro eletrônico e a outra é a da digitalização dos livros.
Quando leio sobre a turma do Google, sempre fico com minhas pulgas alinhadas atrás da orelha esquerda.
Larry Page e Sergey Brin não vieram ao mundo para fazer caridade… Muito menos para educar e difundir o conhecimento.
E ninguém pensou que um mecanismo de busca fosse se transformar num império digital. Se alguém pensou, não fui eu…

“Hoje” o professor Roger Chartier discute o assunto na Folha. A reportagem original saiu em outubro no Le Monde. Em ambos os jornais, o texto é para assinantes – mas acho que não será problema encontrar o texto no google sem respeito aos direitos autorais e (com meu apoio) aos meios que publicaram o texto.

Às idéias do professor, somo minhas dúvidas:

1) Quem detém a plataforma deterá o conteúdo?
2) O Google está preparado para catalogar os livros (até agora, só deram mancada – aparentemente, os gênios de TI não se ligaram na importância da biblioteconomia);
3) Se tudo for digitalizado, como farão os que vivem no mundo analógico? Serão guerrilheiros do papel?
5) Com o livro digital, é o fim da relação objetos-gêneros-usos. Viveremos num mundo de fragmentos sem contexto?
6) Ainda, como vamos construir o discurso, como vamos ver o que está a nossa volta?
7) Nesse mundo “novo” quem assegurará o direito autoral?

Sete perguntas que não têm resposta única.
E desconfio que, mais uma vez, estaremos à margem e, muito provavelmente, seremos os últimos a saber.

batman

Agora entra o blog que teria sido publicado se não fosse a Eletropaulo (esqueci de pagar a conta de setembro e, na sexta-feira, recebi uma carta do Serasa. Vou mandar uma reclamação de ter ficado sem luz para quem? E cobro de quem?)

Em que dia fizeram a luz?

Estou em casa. Apagão na Vila Madalena.
Sinto-me a mulher das cavernas.

Excesso

Alice comeu galeto no almoço. Muito chique.
Dia de calor com chuva.
Um chopp. Um caju amigo. Cassoulet.
Guardei paios e outras carnes para Alice.
Por falta de energia, comeu tudo frio no café da manhã hoje.
Muito chique.

Estou me recolhendo em casa para voltar a trabalhar.
E engraçado é como o corpo dá notícia.
Comi enlouquecidamente. Um pote inteiro de sorvete de doce de leite da Häagen-Dazs. Meia pizza média da Camelo.
O que eu não boto para fora, como.

fubatmanTrabalho

Recusei a segunda proposta de emprego em 2 meses.
A anterior pagava mais. Mas a vaga era em Porto Alegre.
Essa paga 11% a mais do que ganho.
Por outro lado, minha sociedade não fechou nenhum dos trabalhos com que contávamos. E estamos aflitos pois só temos caixa até janeiro. (Eu não estou aflita)

A vida é assim.
Trabalho, excesso, medo.
No meu caso, tem sempre algo de piadista.
Tenho personalidade de cigarra, mas atuo como formiga. Fazer o quê?

Amélia

Tem um lado insano meu que só quem é muito íntimo conhece.
Acordo cedo no fim de semana.
Dou comida para a bicharada.
Limpo a caixa de areia.
Escovo o sofá de design.
Troco a água das plantas. Faço a poda dos caules das flores.
Varro a casa, passo aspirador (o meu é robô – ele vai sozinho).
Só depois vou ler.

Enfim, o vírus de Amélia é uma bela porcaria. Odeio.

flamengo

Mulheres

Vocês já viram a jornalista Nina Lemos? (Nos meios, há quem a apelide de “Nina, não lemos”)
Procurem no Google Image porque eu não vou dar susto em ninguém.
Ela escreve hoje sua opinião sobre uma novela.
Conta da modelo que ficou tetraplégica.
Fala que, no orkut, fizeram um fórum sobre a história: a moça rica e linda e mimada merece ou não merece ficar tetraplégica?
“Merecer” ficar deficiente é muita culpa católica para mim.
Ela termina o texto com as seguintes frases: “ ‘Não sou tão bonita nem tão rica. Mas pelo menos não estou morrendo no hospital.’ Ou se não sou bonita, ninguém também pode ser.”

Que discussão de bêbado.
Que papo bobo.
Dar atenção para repercussão de novela.

Nada mais me assombra.

E por falar em novela e jornalista, para mim, o Noblat, do Globo, perdeu toda a credibilidade depois que começou a escrever sobre novela no twitter.
O cara é um verdadeiro bocó!

E volto para os enigmas/desejos universais:

–       Beleza
–       Grana
–       Ócio

Atualmente tenho usado a seguinte tática para solucionar o mistério:

–       Álcool
–       Açúcar
–       Cheque especial

Melhor jogar  cubo mágico. Tenho mais chances de acertar.
Bom domingo.
Vou enfiar a cabeça no microondas.

Cópia barata

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Foto criada em 2009-11-26 às 18.18

Eu sei, você não quer saber das minhas músicas.
Elas são bregas.
Algumas, cult.
Sabes que sou latina.
E tenho pele européia. (manchada)
Mas eu não consigo deixar de ouvir. Passei a madrugada a repetir faixa por faixa.
E não sei a que horas desmaiei.
Mas a música tocava.
A cabeça no norte, os ouvidos ao sul.

Agradeço aos novos cosméticos que, por 4 horas, preenchem as rugas e nos dão um aspecto mais publicitário.
Café da manhã com amigo e sócio e cachorra.
Saia de festa.
Camisa de dormir.
Coleira de brilhos.

Almoço com meus queridos do trabalho.
Eu tomei duas cervejas, eles uma cerva + uma Coca.
E a louca sou eu, não é tio Bernardo?

Noite passada, disse mais um não para um novo trabalho.
A culpa é de DubAI.
Não vamos complicar.

De tarde, as circunstâncias me fizeram abreviar as férias.
O dever, a preguiça? Não!
A vontade de ser do contra.
Segunda conto as novidades – que não têm nada de black friday.

Tenho lido os gritos da Yoani Sanchez, de Cuba.
O mérito dela é ter bons pulmões.

Ah, vim aqui só para te incomodar com a música do argentino do Alasca.
Vou traduzir e misturar tudo.
Você vai acreditar que é tudo meu.
Mas é puro plágio.
Tudo é sempre plágio.

De bar em bar, café em café
Você tem certeza que te observam.
Ninguém te vê.
E alguém te convenceu: você acha que é um poeta maldito

Amizade de bebedeira
Até o fim da ressaca serei sua amiga
Se te vejo sóbria, não vou te reconhecer

Não é bom ou ruim, ninguém deve ser sozinho
E eu acho que nestes dois minutos fizemos uma conexão
Eu também sinto uma ligação
Serás meu amigo até me empurrarem para o chuveiro

Que lindo é sonhar
E não custa nada.

Fui pentelha, inconsciente, e tantas outras coisas
Eu não estava “Ohm” ou era “Zen”
Eu nunca fui mestre em virtudes como a paciência.

No entanto, quero dizer o quanto eu posso dar…
Eu te dei minhas noites em claro, as escuras.
Eu te dei minhas tristezas, minhas alegrias.
Eu desisti de tudo que eu tinha.

Não me abandone, ainda.
Eu não te abandonaria pelo motivo que você vai deixar.

darkness

Não quero flores de plástico

quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Recém chegadas

Recém-chegadas

Se alguém disser que a reentrada na atmosfera é fácil, duvide.
Acredite nos astronautas.

A volta a São Paulo foi estranha.
No avião, estava desconfortável.
Mas o agito da chegada me levantou.

Ontem, volta à casa de verdade.
Arrumar mala, resolver as burocracias de quem passa algum tempo fora.
Banco, chaveiro, fábrica de luminárias, bichos, porteiro, Antônia.
Quase não comi. E passei mal.
De calor, de cidade, de vida.
Não sei.

Hoje acordei fraca. E fui à luta.
Alice me acompanhou.
Supermercado vip pela internet.
3 horas para ganhar cachos.
Unhas de cor bonina.
E flores, flores cor-de-rosa.
Não sei dizer o porquê. Na banca de flores, estas pareciam mais vivas.

Numa busca pelo google, uma curiosidade:
– os lírios significariam barreiras contra a inocência, ao mesmo tempo que paz, saudade, proteção, nobreza, majestade;
– as astromélias, amizade eterna e felicidade plena.
Meu buquê diz muito, não?
E sugere traduções várias.
(O que Jung não faria com esse arranjo de flores cor-de-rosa…)

Num poema sujo e pesado, Rimbaud fala de flores.
Ce qu’on dit ao poète à propos de fleurs (o que dizem ao poeta sobre as flores)
Escolhi uns versos que me hipnotizaram:

De tes noirs Poèmes, – Jongleur!
Blancs, verts, et rouges dioptriques,
Que s’évadent d’étranges fleurs
Et des papilllons életriques!

Voilà! C’est le Siècle d’enfer!
El les poteaux télégraphiques
Vont orner, – lyre aux chants de fer,
(…)

Não vou traduzir. Tem algo de muito sinistro.
No século do inferno, que saiam flores estranhas, borboletas elétricas.
O poema é de 1871.

Em outro post, em dias de efervescência, em outro site, quando o blog engatinhava, coloquei a letra de uma música que me encantou pela gaiatice. Pelo rir de si mesmo e saber que não tem remédio. E não vou escrever a letra. Tem que ouvir para crer.

Autor desconhecido. Para mim, a melhor versão é da Badi Assad.

E, depois disso, “descobri” Kevin Johansen.
Antes, só havia ouvido com Jorge Drexler. E não achei nada demais.
Mas essa música me pegou pelo pé.
E me derrubou.
Eu já havia gostado de outras coisas dele sem saber que eram dele.
Um caso típico de “negação”

Las cosas no andaban bien, nada me salía,
mi vida era un túnel sin salida, pero…
(…)
Desde que te perdí hago lo que me da la gana
Desde que te perdí ya no tengo ganas de nada…
(…)
Desde que te perdí, desde que me perdiste
desde que me perdí, desde que te perdiste…

E as férias continuam. Tenho muito a perder.

Descobrindo os velhos amigos

quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Foto criada em 2009-11-23 às 14.20 #4

Experimentando rolinhos no cabelo

Recebi um email da Carine Reis, antiga colega de UFMG. O marido, Carlos de Brito e Mello, outro colega de UFMG, está fazendo sua estréia na Companhia das Letras. O rebento chama-se “A Passagem Tensa dos Corpos”. E quem conta a história melhor do que eu é ninguém menos que Affonso Romano Sant’anna:

http://www.affonsoromano.com.br/blog/index.php?atual=3&min=0&max=4

Quem diria… Temos um escritor de verdade na “velha” turma de 96. E seu apelido é Trovão.
Um moço calmo, discreto como bom mineiro, e… ESCRITOR com livro publicado e resenha de gente grande. Eu pareço a mãe da noiva, sabe? Estou na maior alegria por ele. E penso até em ir ao pós-lançamento (dia 28 não consigo porque tenho um compromisso jurídico, pode!?). Afinal, estou de férias – e férias é para isso mesmo. Para sair de prumo, mexer no passado, pisar nas Minas Geraes e não para rever Nova York, que sempre tem uma festa, mas não tem história.

Quanto mais mexo no meu baú, menos purpurina encontro.
E mais me acho. Que coisa!
Nessa vida de cigana, estou ficando com a tendência inebriante e perigosa de não terminar nada que comecei.
Algumas coisas são faísca, outras passam de uma década. Tudo com começo e sem fim.
E devagar com o andor porque nem tudo tem que terminar. Mas o processo é que tem que ser vivido.
E quando os carimbos no passaporte fazem volume, os processos nunca são vividos.
Esse pular de galho em galho é pura covardia.
No meu caso, eu pulo feito saci porque é da minha natureza.
Mas sou séria com meus processos.
O que acontece é que, ultimamente, a vida tem sido mais rápida que eu.
Eu corro, a vida corre, e não dá tempo de fazer a reflexão.
Mas estou alerta. Positivo. Operante.

O que você fez em 1996?
Eu fiz uma fotonovela para CD-Rom (!!!).
Copiei textos da internet (que era horrível – e citei fontes) para minha monografia. (!!!)
Gente, CD-Rom era a coisa mais moderna do mundo e meu projeto era uma revista cultural para ser distribuída em cd-rom. Que equivocada! Que ridícula.
Tive meu primeiro emprego registrado em carteira como jornalista (ainda sem o registro profissional porque eu não tinha me formado ainda): no Caderno Feminino do Estado de Minas (!!!)
Eu tinha uma turma da pesada: 8 viraram sócios da minha primeira empresa, a “Natora”.
Dessa onda, saiu muita gente genial e que está fazendo filmes pelo mundo.

1996
Minha roupa preferida: um macacão verde-exército.
Fui oradora da turma (não pela simpatia, mas pelo texto – que foi o mais votado e, depois, descobriu-se que era meu).
Colação de grau: fui fantasiada de Emília (debaixo da beca, que tirei na hora de ler o discurso da turma)
E, num protesto contra a Igreja Católica, usei uma blusa com estampa de Jesus Cristo em lantejoulas e uma calça cru com estampa de coroa de espinhos na missa de formatura. (!!!)
Tenho certeza que Andy Warhol teria adorado.

1997
Eu peguei minha malinha, deixei meu namorado (dois anos mais novo, hippie-roqueiro e um tanto egocêntrico) e fui viajar.
Estou na estrada até hoje.

2009
Ainda procurando minha malinha de 1996.

Em tempo:
A Passagem Tensa dos Corpos, de Carlos de Brito e Mello
lançamento dia 28/11/209, 11h
Livraria Scriptum Rua Fernandes Tourinho, 99, Savassi
Belo Horizonte, MG

do gên. Micrurus, da fam. dos elapídeos

segunda-feira, 23 de novembro de 2009


Pavonice parece nome de caipira.
“Pavonice Santos e Silva”.

A pavonice sempre esteve em alta.
Desde os tempos de Platão (olha a minha exibição de fasianídeo).
As moças ainda hoje são criadas para exercê-la até encontrar a cara-metade.
Depois que têm casa, chuto um número: cerca de 40% deixam a vaidade de lado.
Pode ser um tipo de libertação.

No Brasil, temos um presidente-pavão.
O fato de não saber absolutamente do que está falando (e pior, fazendo) não o atrapalha em nada.
Aliás, os homens têm a pavonice em outro nível.
São pavo cristatus, aqueles que “erguem e abrem em leque a longa cauda com plumas de um verde iridescente e caprichosos ocelos”.
Ocelos (físicos e materiais), de conquistas várias e, quando dão azar, de narciso.

Os feios e feias sempre me encantaram.
Há que se ter talento desde que Vinícius condenou aquelas que não têm graça.
Ser feio – isso sim é uma verdadeira libertação.
Andar sem muletas.

Na sociedade do hiperconsumo, alimentos para fazer nutrir a pavonice se vendem em frascos.
Mas os laboratórios ainda não acertaram a fórmula.
Os efeitos colaterais são uma loucura.
Os peitos crescem até ficarem anti-naturais. O queixo, medo, ganha um furo.
Os dentes brancos de colgate bilham enquanto o nariz arrebita.
E todo mundo, claro, nasceu para aparecer na TV.

Quem me acompanha por aqui, sabe que tenho uma certa experiência. Risos.
Já prevendo o nariz (pontudinho) torcido, dou minha opinião.
Dois terços dos pavões da caixinha mágica são menos ilustrados do que o presidente brasileiro.
E que sucesso!
Ganham dinheiro com isso.
Há que se ter outros talentos… E uma cara de pau daquelas!

Hoje estou chovendo no molhado, eu sei.
Mas deu vontade.
Tudo porque completo uma semana de dolce far niente.
E, nessas condições, perco o prumo.

Esse post veio para dizer que a vida de pavão-do-mato nos condenou.
Estamos todos em busca de aprovação.
Pavão nenhum abre o leque em vão.

O blog é um meio do caminho.
Tem algo de privado e algo de público.
Quem disse que um blog diz verdades?
Ou será um experimento?
Ele tem alguma obrigação?
Este aqui, não.
Ele é um laboratório. E eu sempre quis ser cientista…

O fato é que não me sinto confortável num palco.
Mas gosto de provocar.
Então o blog tem um quê de autotortura e, ao mesmo tempo, de petulância.
Pavão às avessas.
Pavão sem plumas.
Com cara de peru de Ação de Graças.

A girafa yoísta

domingo, 22 de novembro de 2009

girafitaSair por aí na chuva… Só para mostrar o que está acontecendo do lado de cá.

Minha vizinha. Decidi tirar uma foto com ela. Na chuva, ninguém pára para olhar você tirando foto com uma girafa. (a não ser quem tira a foto)

Tentei assistir a uma produção cinematográfica local. Cancelaram e não avisaram… Tomei chuva e nada.

Fui conhecer a livraria Gandhi. Não sei quantas vezes passei em frente e nunca entrei. Bacana. 3 CDs de jazz de gente da terra.

Comprei caramelos da Lion d’Or. Devorei uma caixa (e paguei mico mais tarde…)

Chuva, chuva quente.

Tudo a ver com empanadas quentinhas.

Táxi, direto para a Recoleta.

2 empanadas Sanjuanino. El patrón (que pena) não estava. 1 Quilmes gelada. Eu queria clericó. Eles não fazem E quando vi fazerem a sangria com Crush de laranja… Aaaaarght! O excesso de brasileiros não me incomoda. Um ex-colega de Cuba entra. Fiquei escondida. Cabeça baixa. Não gosto de surpresas. Não quero falar de amenidades. O que você tem feito nos últimos 8 anos?

Um pedaço de tamales. Prefiro empanada de humitas.

De lá, caminhada até o shopping mais próximo. E, claro, não passavam um filme que me interessasse.

Táxi de novo. De volta para a Corrientes.

16H40 – Cine Premier. Um pulgueiro decadente. Uma tela pequena no terceiro andar. Um calor de matar baratas.

“Los Abrazos Rotos” de Almodóvar.

Pimenta com chimichurri

Pimenta com chimichurri

Deu um caldo. Saí inspirada. O gay, filho de pai rico e dominador. O diretor cego.

Eu gosto de Truffaut. Gosto muito de Costa-Gravas. Fellini. De Sica. Tomás Gutiérrez Alea. Woody Allen me surpreende de tempos em tempos – mas, vendo o conjunto da obra, ele é repetitivo demais e perdeu aquela graça boba. Não critica judeus, tem um quê que falta. O fato é que, desde que tropecei no espanhol em Nova York, e ouvi seu discurso de viva-voz, Costa-Gravas ganhou um rival. PEDRO ALMODÓVAR.

Inteligente, louco, desassossegado, radical, violento. Pronto. Outra alma gêmea. Sem papas-na-língua. E sem modéstia. Se eu tivesse a cara de Almodóvar, talvez desse “certo” na vida. E o que ele diz sobre blogs?

EGOTRÍPTICO

Estamos en plena efervescencia de la literatura del Yo (Por supuesto estoy a favor, también estoy a favor de los libros inclasificables y de la demanda del Juez Garzón de hacer listas de todos los “vencidos” en la guerra, y de abrir todas las cunetas y paredones que haya que abrir para que sus familias puedan enterrarles como es debido).

No tengo más alternativa que la de estar a favor de la literatura del yo, no hay nada más “yoista” que la escritura de un blog. También es cierto que al ser esa su naturaleza, nadie te puede tachar de egotríptico.

http://www.pedroalmodovar.es/PAB_ES_09_T.asp

E entrei numa livraria dos sonhos. ZIVALS. Fica na av. Callao 395, esquina com Corrientes. Pirei completamente. Depois de horas e horas de puro deleite, levei a poesia completa de Arthut Rimbaud – edição bilíngue (tá certo, não resisti). Levei também Diários de Andy Warhol, edição de Pat Hackett. E um dicionários de gestual argentino. E outras bobagens. Deixei Verlaine me esperando para uma próxima.
E fui para o tal restaurante de comida molecular (que eles chamam de “techno-emocional”).
Drinque de entrada, comidas malucas (mas bem servidas), vinho… E claro – somados à caixa de Lion d’Or + empanadas… Deixei o tango para hoje… E dormi com a barriga estufada por conta do material abaixo… Aiiiiiii!

França, América, cigarros e algo mais

sábado, 21 de novembro de 2009
Auto retrato em momento abstrato

Autoretrato em momento abstrato

Paris, para mim, é a capital que mais fuma no mundo ocidental.
Mas, no metrô, cartaz com menção a fumo é proibido.
O cachimbo fumado por Monsieur Hulot (de Jacques Tati) foi substituído por um cata-vento.
O poster do filme “Coco antes de Chanel” foi retirado porque a protagonista segurava um cigarro.
Agora é a vez de “Gainsbourg, vie héroïque”. E olha que o cantor só aparece soltando fumaça vermelha pela boca.

Talvez Paris seja apenas a mais bela das capitais hipócritas do mundo ocidental.

Por aqui, uma coisa tem me deixado incomodada.
Buzinas. No trânsito, fazer barulho parece fazer parte das regras de etiqueta.
E outra coisa intrigante: poetas-pop mortos estão em alta.
Queen, Andy… Morreu? Tá vivo!

Eu fui ver (engraçado ver as mesmas obras em três museus diferentes, em três países distintos) uma exposição de Andy Warhol. Como tenho síndrome do coelho de Alice, perco alguns detalhes. E isso tem vantagens: a desculpa de sempre descobrir algo novo – mesmo vendo as mesmas coisas. Pois bem, além da fixação pelo prateado e (a declarada) por grana, Andy tinha boas sacadas – muito além dos quinze minutos de fama.
Uma é ideal para este espaço:

Fantasy love is much better than reality love. Never doing it is very exciting. The most exciting attractions are between two opposites that never meet.”

Num encontro que já começa a ficar tradicional (esta é minha quarta reunião) com aposentados da indústria cinematográfica local – na também tradicional pizzaria Güerrín (fundada em 1932), conversas de anos passados. Da “generosidade” e da “alegria” do Brasil. Da “empáfia” americana. Cervejas para uns, vinho para outros, e excesso de Genebra para os que estão dando passos largos. Comi meus dois pedaços, mas desta vez não fui até o Café Ouro Preto. Tradição em excesso.

CSC_0081Um bom lugar, com jazz, chás, calma e bolinhos. Magendie.
Uma merceraria perdida na Honduras. Quero passar algumas horas por lá. Ainda mais agora, com essa chuva quente na minha janela.

Na casa de luminárias (sim, nós “alumiamos” a leitura com acrílico transparente que imita linhas clássicas com muito humor), um argentino que morou em Minas, Rio, São Paulo e Fortaleza. Preferiu Fortaleza. Hoje fornece material para hotéis.
Por que assim é a vida.
Os pés aqui com a cabeça voando.
E um punhado de dinheiro para nos enforcar.

Mas esse post não tem álcool, não tem melancolia.
Ele está caminhando por aí.
Ele vê a vida dos outros.
E não atende telefone de manhã.

Eu queria fazer um poster com cara de classificados.

“Procura-se.
Não precisa tomar banho nem pagar contas.
Experiência em bipolaridade comprovada.
Falar línguas estrangeiras e escrever sem consultar dicionários será considerado um diferencial.
Comer pouco.
Ouvir muito.
Beber apenas o suficiente.
Não é necessária fidelidade.
Momentos sombrios, guarde-os para si. Ou publique o que for pior.
Recompensa-se bem”

DSC_0001

Sem pente. Em momento Thai.

Caça-palavras

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Comer uma cidade não é como sentar em um restaurante e pedir a entrada.
Mil coisas na cabeça.
Ritmo instável.
Umas faíscas.
Livrarias incríveis.
Sorvetes.
Um vinhozinho no almoço. E só.
Pegando leve.

Uma boa peça de teatro. Agosto .
Com a famosa Norma Aleandro.
Para quem é fã de Costa Gravas como eu, é fácil reconhecê-la em “A história oficial”.
Com esse filme, ela  levou Cannes e o Globo de Ouro.
Com outro, “Gaby”, concorreu ao Oscar.
Ela rouba toda a cena. 3 horas de peça.
Eu cortaria todo o primeiro ato.

Um musical. Piaf.
Com Elena Roger que, por esta peça, levou o Laurence Olivier de melhor atriz de comédia.
Argentina, trouxe toda a equipe técnica e montou na raça a versão para espanhol.
As canções são em francês, o ritmo e a montagem são todos ingleses.
E a moça tem uma voz e uma presença de palco.
Simplesmente excelente.

Livrarias. Uma ótima em P.Soho.
Achei Rimbaud no original.
Não comprei.
Preciso de coisas mais leves.
Ando fotografando palavras. Stencils.
Comida.

É bom ficar assim, sem destino.
Fazendo coisas que você jamais pensou em fazer.
Hoje comprei outro Peep Toe.
De crocodilo.

Existencialista

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

castle

Estou fazendo uma enquete: entrei para os bombeiros?
Alguém aí falou em solução?
Nessas alturas, perdida em terra estrangeira, só mesmo com um luminoso.
Rapunzel usa aplique, meu bem.
Cinderela prefere Louboutin e, por isso, “Mario” se confundiu ao encontrar meu peep toe preto 37.
Branca de Neve, ora, essa estrelou desenho pornô.
Errou de castelo!
Quer soluções?
Pergunta para a IBM.
Fui clara?

(se for bom entendedor, eu pago a próxima rodada)

Un amour, une carrière, une révolution : autant d’entreprises que l’on commence en ignorant leur issue.

Jean-Paul Sartre

Chuva e sol

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Onde cavalinhos correm e levam todo o seu dinheiro...

Descobri um estúdio de pilates distante dez quadras daqui.
Como meu hotel é muito, mas muito “boutique”, ele tem uma galeria de arte, mas não tem academia nem uma piscininha… Então dá-lhe caminhar e pagar para fazer uma aulinha que alivia a consciência pesada da cervejinha + vinho + fernet + jinebra+empanadas do dia-a-dia.
E como tudo nessa cidade… O estúdio me surpreendeu. Sexto andar de um edifício antigo na Córdoba.
Só gente nova dando aula. E uma máquina de ginástica da Madonna! Que te sacode todo! Fiquei com as pernocas doloridas…

Dali, Bar 6 – o único que não te deixa na mão depois das 16h.
Bem alimentada, fui dar uma voltinha pelo bairro mais trendy da cidade: Palermo Soho.
E fiquei pasma com a mudança. A moda se acanhou.
Muitas lojas fecharam.
Os preços baixaram incrivelmente.
Eu olha que venho para cá com regularidade desde 2003…
Como a cidade empobreceu.
Tem menos arte.
Tem menos ousadia.
Claro que o porteño não perde a pose. Mas que o bolso está furado… Está.
E me entristece ter hermanos ficando mais pobres.

De Palermo, fui para o bairro de Gardel, Abasto.
Cinema 3D.
Adoro.
Alice no País das Maravinhas promete!
O trailer é sensacional.

O dia começou agitado.
Terminou calmo.

Hoje tenho agenda apertada para férias.
Pilates em instantes.
Livrarias novas (ontem só fui nas velhas conhecidas).
Peça com atriz consagrada.
Restaurante de discípulo do Ferran Adrià.
É mais para agradar o convidado – porque acho essa cozinha “química” uma bela porcaria (além de cara).

Enquanto a vida acalma.
Como quando dá vontade – e como com mais vontade.
Durmo o suficiente para acordar mais “devagar”.
Leio menos. Mas leio.
E caminho, caminho, caminho.
E penso. (muito)

Ter 30 e algo é muito bom.
Saber que este é o momento.
E que você não vai ter tudo.
Saber que você é o que é.
E ousar ser um pouquinho menos.
E remar contra a maré só para dar com a cara na porta.
Sabendo que seria esse o provável resultado.
(…)

Sobre meu mais recente vício, encontrei uma tirinha genial. Vai abaixo, para fazer piada sem graça.

Slide03