Arquivo de janeiro de 2010

Fados e fatos

domingo, 31 de janeiro de 2010
Acessórios para Débora Rodrigues

Acessórios para Dulce Pontes

Eu sei, vão me criticar.
Mas o retrato que fizeram da Renata na Serafina… que belo romance.
Dos horários à construção da persona… Renata é mesmo linda e um pouco melancólica. O resto é marketing porque a gente tem que sobreviver, não?

Inspirada pelo belo retrato noir, fui ouvir a Dulce Pontes a “cantaire” Lágrima. Que chatice sem fim. Acho que Roberto Leal acabou com qualquer chance de eu gostar de fado. Maldito louro com jeito de chacrete.

“Cheia de penas
Cheia de penas me deito
E com mais penas
E com mais penas me levanto”

Minha amiga Sarah Ezequiel não fique com raiva. Mas a Dulce dorme num galinheiro? Tem uma criação de avestruzes?

Mas se o fado perde, os queijos vencem. O “Monte da Vinha” então… U-la-lá!
Olha, acho que Lisboa é a pedida da Semana Santa. Também, confesso a choraire recostada em meu travesseiro de pêêêêêêênax de ganso: NYC é uma Miami mais sujinha e apaulistanada. E a terrinha eu não conheço! Como pode? Até lá terei mais caixa porque as costuras para fora já começaram.

E para não perder o bonde, vamos analisar a construção das manchetes e tílulos da F”a”lha de S.Paulo:

A advogada portuguesa que largou a Justiça para fazer queijos com as próprias mãos

por ELIANE TRINDADE, de Vimieiro (Portugal)

O MELHOR QUEIJO DO MUNDO


queijo_entradaEssa é para guardar e contar numa mesa com muito vinho. Se a advogada largou a justiça, certamente é uma fora-da-lei… Deve sonegar impostos ou, no mínimo, cospe no prato em que comeu. E isso a Vigilância Sanitária não permite. E fazer queijo com as próprias mãos? Ora, ora…
Mesmo que o processo seja industrial, em algum momento tem uma mãozinha (adoro cacófatos) na receita. Eu mesma já fiz muita trança (de mussarela) na fazenda do meu avô e sem garantia de condições mínimas de higiene. Mas ficaram uma delícia cremosa!

Ora, o moderno jornalismo quando quer fazer graça acaba virando piada…Tsc, tsc…

Ai, essa conversa me deu fome e tenho um queijo curado me esperando na cozinha… Depois das dez já pode tomar vinho?

Literatura

domingo, 31 de janeiro de 2010

Deus nos dá pessoas e coisas,vidaroda
para aprendermos a alegria…
Depois, retoma coisas e pessoas
para ver se já somos capazes da alegria
sozinhos…”

João Guimarães Rosa

João criou Riobaldo e colocou as palavras na boca dele. Riobaldo falou e as palavras ganharam vida, vida que Riobaldo não teve.

Eu não acredito em coincidências, só em brujas. Mas o fato é que gostei de ver a frase usada por mais gentes que encerraram hoje seu 2009. Muitas vezes a religião não consegue trazer conforto. E daí que a literatura é tiro e queda. É que nem pedir um copinho lagoinha com uma branquinha. Ninguém tem nada a ver com isso… E você sai zerado do bar*.

Guimarães para mim tem três passagens (entre várias, porque Diadorim, o burrinho pedrês, o vau da sarapalha e tantos outros vêm e vão o tempo todo, enchem a casa de mato). A primeira foi Buriti. O livro de 1961 foi meu predileto do vestibular. Não teve para Machado nem Ana Cristina César. Muito menos para o próprio Guimarães em obras passadas. E ver recentemente o Palácio do Buriti em Brasília, com o Buriti solitário no espelho d’água… Isso sim é arte… A segunda é dupla. A descoberta de Grande Sertão, Veredas. Ler devagar, de trás para frente, frente para trás. Acelerar quando o sono aperta. Voltar a ler para pegar tudo de novo. Ler com dificuldade, passar o que não entende como quando estudo francês.

E aí, cara dura que sou, ao conversar com uma colega da Veja que tinha acabado de fechar uma página sobre Poty, pedi o telefone do artista. Liguei para ele em Curitiba. Expliquei que meu avô era fazendeiro de Minas. E que admirava muito o trabalho dele. Perguntei se uma gravura saía muito caro. Ele cobrou 240 reais (uma passagem SP-BH). Mandei (por malote) o cheque. Ele devolveu um envelopão. Não era gravura, era um desenho feito com caneta hidrocor em papel cartão neutro. Desenho mesmo. Era o cavaleiro tocando os bois que Poty fez para ilustrar Sagarana. Fiquei até com dó de dar de Natal para meu avô… Mas dei. Hoje é um quadro emoldurado na fazenda predileta dele. Toda vez que penso no futuro, disputo esse quadro com os herdeiros. Esse quadro é dele, mas volta para mim – nem que eu mate quem tentar levar.

A terceira passagem foi agora com a perda do meu João. Ai, esses Joões. Mineiros, interioranos e cardíacos.

Como não piso mais lá, Drummond me acode:

“Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
no peito?”

Agora vamos às coincidências.
Trabalhei com a neta de João. Neta bastarda (diziam em voz baixa e maliciosa – só porque o avô era famoso e ela, chata). O fato de ela ser neta da amante não a deixava muito relaxada para falar do avô… Ah se fosse MEU avô…

Mas a vida é assim. As pessoas criam casa de caramujo e de lá não saem. São cheias de certo e errado, cheias de não-me-toques.

Precisam de mais literatura e de um jogo completo de copos lagoinha. E do telefone do Poty no céu.

“Se você escolheu o caminho, não pode recusar a travessia.”

* Sobre o bar, o post é outro

62 anos da morte de Gandhi

sábado, 30 de janeiro de 2010

Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.”

Mahatma Gandhi

Depois do corpo de Gandhi ter sido cremado, as cinzas foram dadas a amigos, família e seguidores. Agora, 62 anos depois, algumas dessas cinzas foram devolvidas à família e serão espalhadas sobre o litoral da África do Sul, país onde o mahatma morou por 21 anos. Foi marcada uma cerimônia em Durban.

Tirando o Leonardo, única pessoa sabe ler devanágari, vai uma tradução livre para mahatma: a grande alma…

O que me impressiona em Gandhi é a força da não violência ou ahimsa (em sânscrito, अहीमर ahimsâ).
Ele criou uma espécie de escola, a Satyagraha (सत्याग्रह) = satya (verdade) + agraha (firmeza, constância). Força da verdade.

Gandhi empregou o satyagraha na campanha de independência da Índia e também durante os anos que passou na África do Sul. A teoria influenciou Martin Luther King na campanha pelos direitos civis nos Estados Unidos.

A não-agressão, uma forma não-violenta de protesto, não tem nada a ver com passividade e pode até implicar em desobediência civil.

Segundo o próprio Gandhi,

“Tenho também a chamado de força do amor ou força da alma. Eu descobri o satyagraha pela primeira vez no início da minha busca pela verdade que não admitia o uso da violência contra um adversário, pois o mesmo deve ser desarmado dos próprios erros com paciência e compaixão. E o que parece ser verdade para um pode ser um erro para o outro. E paciência significa auto-sofrimento. Assim, a doutrina passou a significar reivindicação de verdade, e não pela inflição de sofrimento sobre o adversário, mas sobre si mesmo.”

povaoGandhi propôs uma série de regras para satyagrahis em campanha de resistência (que é o nosso caso, pois estamos lutando para respirar…):

1 – Trabalhar sem ira
2 – Sofrer pela ira do adversário
3 – Nunca retaliar a agressões ou punições; mas não submeter-se, sem medo de punição ou agressão, a uma ordem dada com fúria
4 – Apresentar-se voluntariamente à prisão ou ao confisco de seus próprios bens
5 – Se você é responsável por uma propriedade, defenda-a (de forma não-violenta) com a sua vida
6 – Não amaldiçoar ou praguejar
7 – Não insultar o adversário
8 – Nem saudar, nem insultar a bandeira do seu oponente ou dos líderes do seu adversário.
9 – Se alguém tenta insultar ou agredir o seu adversário, defenda-o (sem violência) com a sua vida
10 – Enquanto prisioneiro, se comportar com cortesia e obedecer os regulamentos da prisão (exceto aqueles que são contrários ao auto-respeito)
11 – Como um prisioneiro, não peça tratamento especial ou mais favorável
12 – Como um prisioneiro, não seja rápido na tentativa de ganhar conveniências cuja privação não implicam qualquer prejuízo para a sua auto-estima
13 – Alegremente obedeça as ordens dos líderes da ação de desobediência civil
14 – Não selecionar ou escolher quais as ordens que deve obedecer. Se você achar que a ação tenha algo de impróprio ou imoral, corte sua ligação com a ação totalmente.
15 – Não fazer a sua participação condicionada à companheiros que cuidem dos seus dependentes enquanto você estiver participando da campanha
16 – Não se tornar sua causa, não virar um querelas de coisas banais
17 – Não tomar partido em disputas, mas só auxiliar aquele partido que está comprovadamente certo
18 – Evitar ações que podem dar origem a conflitos banais
19 – Não tomar parte nas procissões que a firam a sensibilidades religiosas de qualquer comunidade

Eu não cumpro nenhuma completamente (!), pelo contrário, descumpro várias… Fiz o cálculo, só 6 salvam (e mais ou menos) no meu currículo…
Para ajudar a gente como eu, ele criou um programa de 5 pontos ou atitudes:

1 – igualdade;
2 – nenhum uso de álcool ou droga;
3 – unidade hindu-muçulmano;
4 – amizade;
5 – igualdade para as mulheres.

Nesse daí, eu tenho que dar uma garibada no 1 e adotar o 2 (aliás, check up nota dez – nem o álcool me derruba!).

Igualdade, amizade – parece tão fácil…
Quem sabe? Você topa tentar?

Ohmmmmmmm

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Detalhe da minha saída do Fleury...

Detalhe da minha saída do Fleury...

Realmente, o mundo nasceu virado. E eu fiz a cambalhota de entrada na hora errada.
Recomendo o meu post “Existencialista” de 19/11 para quem quer maiores explicações.

São Paulo virou mar. É chuva, chuva, chuva, chuva, chuva. Ontem eu decidi: NYC no carnaval. 7 dias, frio, alguns lugares para tomar café, para não fazer nada… Hotel do De Niro em Tribeca. Mas… a 500 dólares a diária – tinha que ter De Niro com shape do Cabo do Medo ou Táxi Driver e atendendo de concièrge… Resultado: mudei para um modernete (leia-se: bem localizado, barato e metido a besta) no SoHo. Procurei passagem e bang! O Brasil está rico – todo mundo vai para NYC. Não tem mais passagem – só se for antes e voltar depois e pagando mais caro… Como não me chamo Lula, não tenho esse “poder”!

Aí, superconformada, topei voltar a Visconde de Mauá – cachoeira, comidinha natural, livro, cachorro, galinha, chuva, mato, bicicleta, lama, sauna…
Hoje, fiz as contas e confirmei o que já desconfiava: não tenho grana nem para um eskibon na Padoca.
Rárárárárá.
É, caro amigo, se você é como eu: trabalha de doméstica e ainda costura para fora… Janeiro não entrou dindim. Só depois do carnaval é que dá para ser chique por conta própria ou com milhagem…
E tome chuva em São Paulo com a fantasia de carnavais passados. Já tirei tudo da caixa: tutu preto, meia arrastão, plumas, paetês, meu new wave de 1985 e… controle o remoto universal.
Carnaval paulista é na frente da TV. Risos e mais risos.

Mudando de assunto, hoje foi dia de check up. De noite, tive insônia e achei até interessante fazer meu teste ergométrico nessas condições… O problema foi que erraram nas orientações para os meus exames de sangue (pediram 3 horas de jejum e eu tinha que ter ficado 12 horas em jejum). Negocia daqui, negocia dali, consegui autorização para fazer o teste de esforço em jejum para dar as horas necessárias para o exame de sangue. Mas exame de glicemia não pode ser feito depois de praticar exercícios…
Então começa mais uma novela de Manoel Carlos.
Esqueça o Leblon, esqueça o José Mayer travestido de garanhão, mas lembre-se de… Helena! A enfermeira do barulho.
Sem a menor cerimônia ela enfiou uma agulha calibre 4 (dedos) no meu braço esquerdo.
Com o braçoilo dolorido e sem poder dobrar, nossa heroína de novela me enviou para a enfermeira do teste ergométrico. A fofa deu bom dia, mandou tirar a blusa e pegou uma lixa. Sabe lixa de madeira? Essa mesmo! Sem perguntar, já raspou minha barriga! Segundo ela, os eletrodos do teste ergométrico têm melhor fixação depois que você é ralado feito um queijo parmesão. Como não tomo sol, tenho a pele fina e branca, imagina a cor de parmesão com salmão que eu fiquei.
E que imagem glamurosa: sem comer, com um braços sugado por um Nosferatu de laboratório, semi-nua, lixada, com 20 eletrodos na pança e no peito e subindo uma ladeira de Lisboa (toda de pedrinha) a 10 km/h. O cardiologista, muito engraçadinho, não parava de contar os casos dos pacientes que saíram dessa mesma esteira direto para uma mesa de operação. Todos enfartados – alguns mais novos que eu. Pensando na minha aposentadoria precoce da yoga, eu fixei um ponto na parede branca e me concentrei. Meu mantra era matemático: depois de calcular a velocidade do vento (de ar-condicionado), chutei a distância e o esforço necessário para cuspir no nariz do cardiologista.
20 minutos depois, com o braço furado em pandarecos, a pele raspada na cor de carmim, descabeladérrima e bufando, recebi os cumprimentos e fui enviada para o ultrassom.
Foram quatro horas e meia sem café da manhã, dois furos (um em cada braço), banho de álcool e lixada a seco, várias apertadas no gogó (para avaliar minha tiróide) – mas o esforço valeu a pena.
No final, ganhei um pacote com dois biscoitos de polvilho e queijo (que esquentaram no microondas) e uma banana.
Helena, a enfermeira bizarra, estava numa alegria só.

E eu rezei por Jane Fonda.
Que saco é ser mulher com mais de trinta.

Post curto

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

lulamara

Se você tivesse passado 30 anos sem trabalhar e só no blablablá.
Se seu filho, enorme feito um rinoceronte e avesso ao trabalho, de repente virasse um milionário do ramo do entretenimento.
Se você tivesse chegado ao “mundo” num pau-de-arara.
Se você tivesse virado filme.
Se você tivesse sido eleito “o cara” no Brasil, em Davos, na Espanha, na França.
Se você tivesse poder para atropelar uma licitação de caças aéreos.
Se seus amigos estivessem respondendo a processos por corrupção, por prevaricação e outras ações nada lisongeiras.
Se você fosse o responsável por mandar 22 brasileiros para a morte – o maior número de mortes de militares da história da nação.
Se mesmo assim você tivesse alto índice de aprovação.

Aí vem minha pergunta: você teria um ataque de hipertensão por “estresse” e passaria a noite com a Dilma?

Torcendo os fatos

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Encontrado na internet:

Um estudo conduzido na Califórnia com 156 mulheres avaliou quão atraentes elas julgavam ser e como elas lidavam com os problemas cotidianos. O resultado apontou que as moças que se achavam mais bonitas eram mais propensas a reagir de maneira agressiva e a se meter em conflitos se comparadas às que se achavam menos atraentes. As loiras apareceram como as mais estressadas, talvez pelo fato de chamarem mais atenção (?), e as moças de cabelo claro se consideravam mais bonitas. A ambição dessas mulheres também era mais elevada.

Não sei se serve para os homens, mas vai o conselho: quer ficar uma tetéia ambiciosa? Pinte o cabelo de louro e crie conflito. Ah… essas pesquisas que não levam a lugar nenhum…

Em se falando em conflito e estresse, conto da minha manhã de hoje – que não é tão novidade para que os que seguem o blog…
Depois da ginástica obrigatória, banho. Abro a porta do vestiário da academia e sou transportada para um mudo mais medonho do que o dos smurfs de Avatar.
Na largada, uma senhora seminua (com as calçolas nos joelhos) bate papo tranquilamente. Fecho os olhos, mas a imagem não desaparece.
Entro correndo no chuveiro e recuo: antes é necessário fazer uma depilação a base de água nas paredes e piso. Nem o Chewbaca deixaria um rastro de cabelos como o que encontro por lá.
Enquanto me arrumo, um odor excessivamente doce de algum creme vagabundo da Victoria´s Secret contamina o ambiente. Começo a espirrar e estou com uma alergia irritante nos olhos. Tento fugir, mas sou atacada pelos esguichos de desodorante spray.
Já cega e sem ar, visto a roupa e saio aos trancos e barrancos.
Sobrevivi a mais um dia a uma das academias mais caras de São Paulo.

Prefiro as manchetes de 1966!

Prefiro as manchetes de 1966!

Estaciono o carro no quinto subsolo. No elevador, 5 ou 6 pessoas e um estalo forte. Caímos um andar. Ninguém fala com ninguém. Todos sacam os celulares e, como uma orquestra, começam a contar o que houve e a reclamar de tudo: do edifício (onde trabalham 7 mil pessoas), passando pelo pobre do segurança que interfonou para avisar que os técnicos já estavam a caminho. Fico calada observando.
Minutos depois, o elevador volta a funcionar. As mulheres saem correndo feito loucas. Os homens fingem calma. E rumo ao segundo elevador – 36 andares para subir. Uma colega de acidente de trabalho continua reclamando de tudo ao celular. Eu só ouço.

Round 3 – trabalho. Não sei porque me deram um pen drive cheio de informações confidenciais (do tipo: os top salários da empresa). Não li, apaguei tudo e reutilizei o pen drive. Penso comigo: acidente no elevador da empresa mesmo que sem vítimas dá direito de não trabalhar hoje?

Mudando totalmente de assunto, o que leio hoje nos sites mostra que somos mesmo uma sociedade bizarra. A repórter que morreu na lipo foi vítima de erro médico afirma o Ministério Público; uma professora que se formou “oficialmente” aos 100 anos morreu depois de receber o diploma; “feras ensinam como passar em concurso público”; Toyota suspende a venda de 8 modelos de carro; após duas semanas ainda encontram gente viva sob os escombros no Haiti; Lurian quebra pau com o NYT que afirmou que ela e a mãe foram abandonadas pelo Lula; ‘Viver a Vida’: Marcos e Dora transam no quarto de Helena (?); Brasil premia carro velho com isenção de IPVA; promotoria pede exame de sanidade para Zina, do “Pânico na TV”…

Tantos assuntos relevantes, tanta informação de primeira…
Vou mandar fazer um adesivo: “Sou feliz por ser humana”. Hahahahahaha.

Com escreve o macaco, “vai que eu não vou”.

Detalhes da casa

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

branco e verde

As flores que eu queria vermelhas, brancas e verdes ficaram sem vermelho.
No meu aparador, pedaços da minha personalidade: Paulinho da Viola e Cristóvão Bastos na casa do flautista Copinha no bairro de Queimados no ano de 1974 – fotografados por Walter Firmo e com paspatou de chita (isso é a minha cara); a capa da revista Time com os americanos de classe média muito loucos de cocaína (1981 – essa é original, a do arquivo digital da Time teve o subtítulo alterado: http://tinyurl.com/ybx9ake), um quadro que herdei de Bianca, minha ex-amiga e filha do ilustre (?) Ruy Castro (a mãe dela é que é um estouro) e um casamento matuto – totalmente atemporal. Atenção: não quer dizer que eu ame samba, cocaína e Severino Borges. Por favor, não seja literal ao entrar neste blog.

Fim de semana esticadoe a quebra da rotina. Flores que compro pela internet porque a preguiiiiiiça é grande. Chegam menores, mais tímidas, mas têm carinha de feriado.

Quadros que já deveriam estar expostos, mas que esperaram alguns móveis e um novo lar – e mais de um ano para sair do plástico-bolha.

E uma certa paciência + força de vontade  para colocar na casa uma personalidade  (irônica). Nada muito certo, tudo muito arrumado. E uma(s) mensagem(ns) subliminar(es). Você vai captar – com certeza.

Semana que começa na terça tem correria e a casa vira meu receptáculo de calma. (Se eu deixar – coisa rara)

As flores mudam com o fim de semana – e deixam o sábado com jeito de dia novo, com astral diferente. As cores, os formatos, com ou sem cheiro, de várias espécies. Eu gosto.

E a chuva que tem caído sem trégua. Não sei, mas é uma coisa diferente. Antes, janeiro era mês do sol infernal. Agora virou da chuva. Chuva para limpar a poluição da cidade, para levar os barracos e as pessoas, para derrubar árvores. Muda tudo. São Paulo é camaleônica. E a gente enfrenta as mudanças com todas as armas. Quem sobrevive, está pronto para essa e outras guerras.

Boa semana.

DSC_0029

PS: em tempo: as fotos granuladas foram de propósito.

Crítica sem frescura

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

crimes Ontem foi dia de um uisquinho do cinema antes de ver “o” documentário do ano.

Fui ao cinema dos “intelectuetes”, o Reserva Cultural, na Av.Paulista. Na fila, duas senhoras distintas e insuportáveis reclamavam da novidade: agora o assento é com lugar marcado. Eu, animada com a chegada ao mundo civilizado, e as duas descascando o pobre do atendente. Segundo as digníssimas, elas são baixinhas e têm alergia a perfume e “imagina se no assento da frente fica uma pessoa muito alta” ou com uma escolha de fragrância que não lhes agrada… Elas ameaçaram armar um barraco.

Eu, com meu indefectível casaco de couro, e na minha delicadeza que não combina com o rostinho de moça boa, fui logo mandando a dupla passar na locadora e alugar um DVD. Na melhor das hipóteses, elas poderiam raspar a aposentadoria e comprar uma sala privê de cinema em Quixeramobim, uma daquelas que fecharam nos anos 80.

Com essa entré agitada, restou-me passar no restaurante e pedir um scotch com club soda. O estoque era fraco e fui de água com gás. Só depois de pensar em maldições terríveis  – como o emprego de vendedora de O Boticário para as duas velhinhas – é que meu espírito acalmou. E nem me dei conta da homenagem antecipada a Paulo Francis.

“Caro Francis”. Ouso afirmar que Nelson Hoineff fez uma obra-prima.  Meu último post sobre o Francis foi há um ano. E ontem, devidamente enervada e com uma destilada, cheguei pronta para este post. Os 95 minutos de filme me fizeram rir, mais do que chorar. Francis e sua porra-louquice. Francis com erros e acertos. A morte da gata Alzira. A crítica que não existe mais. Imperdível.

Francis em ação: “Hitler nos provou que política dá sempre errado. Tudo o que ele mais queria era acabar com o comunismo e com os judeus. No final da Guerra, a União Soviética virou superpotência e os judeus conseguiram fundar Israel

Depois desse êxtase total, animada e com a mão cheia de chocolate, ducha de água fria em francês. Filminho mixo com Chiara Mastroianni. “Não, minha filha, você não irá dançar”. Fuja como se o ladrão, além de armado, usasse palito de dentes… Porque você pode dançar.

E uma do Francis que vem sendo a minha…

“Bebo para tornar as outras pessoas mais interessantes”



“2” 1/2

domingo, 24 de janeiro de 2010

“- É uma festa a vida! Vamos vivê-la juntos”

Nas cenas finais de 81/2, Guido (Marcelo Mastroianni), um cineasta em crise , descobre que a vida pode ser muito simples e convoca a mulher, Luisa Anselmi (Anouk Aimée). A trupe do circo (da vida), traz para o picadeiro todos que, de alguma forma, foram importantes na vida de Guido.
Para os apressadinhos, a frase é no 3’35”

Filme nada fácil para quem chegou depois de Matrix e da MTV.
Um Fellini com “F” maiúsculo e um Mastroianni nadando de braçada. Lindo.
Se alguém aí pensar em Woody Allen, pode ter certeza: o judeu americano desconjuntado bebeu (para não dizer copiou mesmo) na fonte de Fellini.

As melhores frases de Guido:

“E se eu sou um impostor, sem inspiração sem talento?
E se isso for permanente? ”

“Você pode começar tudo de novo?
Você pode escolher algo e ser fiel a ele? ”

Apesar de ter passado um bom tempo pelas barbas cinematográficas de Garcia Marquez, foi numa viagem louca, insólita a Roma que meu coração bateu enlouquecido. De noite, em comemoração ao centenário do cinema (quase vinte anos atrás) passei por cenários de grandes produções em Roma. De tarde, depois de um porre e muito sono de manhã, eu fui a Cinecittà, nos arredores da cidade. Vários estúdios usados por Fellinni estavam sendo demolidos. E foi por um buraco no muro que “cheirei” E La Nave Va, 8 1/2, La Dolce Vita… Passei uma tarde no muro – literalmente. Com minha câmera russa (vagabunda) em punho e meu filme preto e branco 1600 Asa, não fiz uma foto sequer. Para quê? E não tive coragem de “invadir” Cinecittà – medo besta. Eu deveria ter entrado.

As perguntas de Guido são uma espécie de check list que todo mundo se faz em algum momento (ou alguns).
São a essas perguntas que eu respondo em alguns títulos de posts. Sim, sim, sim, não. Se você pensou em outra coisa, você é pós-MTV. Risos.

Em São Paulo, ontem foi dia de rally. 3 chuvas de dez minutos transformaram parte da cidade em corredeiras. O carro anfíbio fez sua parte com galhardia (viva a tração reduzida). E o funcionário do Valet Park pegou o carro para fazer pega na Oscar Freire – isso dedurou um coroa motoqueiro. Deixa o Valet se divertir com o motor igual ao do Porsche. Contando que não mate ninguém, pode testar a máquina porque é bom demais acelerar quando não é possível. E isso sim tem duplo sentido.

Hoje o sol se superou… Chuva só uma vez até agora.
E para confirmar que sou do contra, nada de sair por aí.
Leituras atrasadas, 3 filmes para ver.
Delícia é ficar em casa Felliniando. A cabeça até dói.

Da lama ao caos

sábado, 23 de janeiro de 2010

Foto criada em 2010-01-22 às 20.35 #3 Eu e meu zoológico estamos animados. A água batizada com remédio homeopático virou hit aqui em casa. Era tanta alegria que ninguém ficou vendo artista requentado cantar para o Haiti na MTV.

E o dia que começou ensolarado para celebrar o encantamento de não ter que ir trabalhar.  Agora os céus ameaçam chover. Tudo certo. Contando que eu não tenha que vestir meu tailleur e meu salto sete, pode cair dólar lá fora.

Fofa é a Alice. Tomou seu banho de espuma na sexta e hoje chafurdou na lama da pracinha. Até o focinho preto ficou totalmente marrom. Nas bochechas, muita lama fashion. Correndo atrás de uma bola de tênis roubada, Alice dava cambalhotas de prazer. E se atirava no mato alto cheio de mosquitos. E dizem que cachorro não sabe das coisas. Cachorro sabe mais do que muito presidente do Brasil. Alice está avisando que um pouco  de loucura é terapêutico.

Então vou me jogar – porque eu a-do-ro!

Hoje tem liquidação de móveis na cidade. Estou precisando de idéias para colocar minha nova TV de Led – não recomendo assinar a TV digital (além dos canais abertos, só um da HBO), a não ser que você queira ver o Pânico em cores vibrantes – em destaque. Roteiro vai ter Dpot, Fernando Jaeger e alguns novos designers. Também vou dar uma passada na Perigot (procura na web).

Ai, sensação boa de não ter dinheiro, ter um IPTU 30% mais caro e querer gastar mais e mais. É melhor que bolinha de homeopatia para bicho… O post fica menos cabeça, mas fazer o quê?

Deixei minha vodka no freezer e pretendo me atirar nas bancas do Araçá. A vontade hoje é de buquês brancos e vermelhos. Com algo de verde claro. Vou colocar minhas botas 7 Léguas escocesas (fina) no carro – porque hoje eu só volto amanhã.

Conto tudo assim que der. Fui.

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