Arquivo de fevereiro de 2010

Chegando

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Depois de enfrentar a chuva, a neve, a madrugada, de receber a mala em forma de picolé (cremes e outros chegaram congelados – achei tudo muito engraçado embora desconfie que cosméticos anti-tudo não farão mais efeito); depois de, finalmente, chegar em casa com a sensação de ser a mulher maravilha… morre Walter Alfaiate, terremoto no Chile, alerta de tsunami. E a superheroína vira pipoca do dia seguinte: murchinha, murchinha e salgada.

Mau humor enquanto a neve cai e você não vê

A sacola de compras você não vê na foto

Aí é desfazer a mala e encontrar pasta de dentes inundando o plástico com comprinhas de farmácia.

Sabe aquelas coisas que só acontecem na terra do consumo? Comprei um laptop para meu irmão, aí resolvi levar um teclado wireless da Apple (recomendo – embora eu possa estar sob influência do uso de um PC  por uma semana). Passaram-se dois dias e resolvi comprar o novo mouse da maçãzinha. Os dois são acionados via bluetooth – o que significa que as entradas de USB do seu micro ficam desocupadas. Bom, a conversa está ficando muito técnica e não combina com o blog… Ah! Levei um MacBook de encomenda. Comprei cremes para a vovó (100 dólares e ela, surdinha, entendeu mil dólares e me pediu para pagar parcelado, pode? E como se eu fosse cobrar), esmaltes para a Nilza que transforma unhas quebradiças em maravilhas cor de morango silvestre. Aí, na lojinha do MET, presentinhos para as meninas da revista, para a mama, para mim (um par de brincos art déco de tirar o fôlego de Louise Brooks), porta-cartões com magnólias de Louis Comfort Tiffany (feitas para um vitral em 1885), outro de Frank Lloyd Wright para dar de presente…magnolia

Por aí, uma farra: pomada da Tiger Balm, pílulas para dormir – ideais para dois dias sem dormir e esperando o avião decolar -, coisinhas de cabelo, etc, etc, etc. E um anelzinho básico escolhido literalmente a dedo no terceiro andar da joalheria mais famosa da 5 av. by Elsa Peretti+ uma pulseira – sabe aquela que eu tanto procurava para colocar badulaques que ganho por aí na vida cigana? Sei… Que exagero!

E, claro, já inebriada pelo tilintar do cartão de crédito, parei em frente a uma vitrine no Rockefeller Center. Uma oferta imperdível – entrei e não pensei uma vez. Comprei um Wii com pad para fazer yoga. Eu estava completamente drogada. Comprar videogame foi demais. 199 dólares… E ontem joguei Mario Bros. e ainda não ousei experimentar a yoga teleguiada. Onde eu estava com a cabeça?

O curioso é que desta vez não tive coragem de entrar na Barnes & Nobles – onde eu veria livros irresistíveis por preços inacreditáveis e aumentaria mais e mais os quilos da minha bagagem. Confesso que um dia, no frio da noite, com a mão aquecida por um chai latte parei na frente da livraria e fiquei babando. E me autocensurando – não compre, não compre, não compre…

Deu no que deu – não comprei livro e comprei uma lojinha de eletrônicos Made in China.

Ainda bem que estou de volta. E aguardo em preces pela correspondência da Visa e do Mastercard.

Ascensão

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Saí assim

Saí assim...

Pois é… Escrevi com “ç”…
Isso é que acontece quando vc pensa numa língua e trabalha com outras duas. Você erra nas três! Risos e mais risos.
E não tem desculpa! Obrigada pela correção – porque escrever errado até dói.

O fato é que não consegui voltar. Foi uma corrida maluca. Cheguei 3 horas antes no JKF e a American cancelou o vôo. Consegui comprar passagem na Continental e corri muito – uma hora de neve e estrada congestionada para chegar em Newark.  Fiz check in!

Corri para um wine bar, pedi 3 (!) taças tipo degustação, uma cumbuca de macaroni & cheese (blergh) e fiquei lá, feliz, meio bêbada, pensando: falta pouco.

Um cara de Bermuda pegou muito no meu pé até a hora do embarque e me deu uma camiseta do país dele. Eu fugia e o moço puxava papo. Pediu meu creme, perguntou se eu fazia yoga, etc, etc, etc.
Na hora de entrar no avião, sumi!
Por volta de duas e meia da manhã, ainda dentro do avião, tivemos que descer com tudo.
Alguns foram procurar comida e nada – só o Mac Donalds é 24h. A cia aérea não ofereceu nem água.
Aí resolvi voltar para meu hotel. Os meus companheiros de viagem ficaram por lá – e tiveram a notícia do cancelamento às 7h da manhã. Coitados. Fiquei mesmo chateada por eles. Mas eu sabia que isso não iria acabar bem…

A volta foi típica: não havia táxis (óbvio) e um albanês fez o bonde na neve. Levou a mim e mais dois pela bagatela de 75 dólares cada! Bom demais (mas eu tinha 15 dólares no bolso e uma bola de neve daquelas com prédios da cidade que comprei para meu agente de viagem – que me “salvou” com a passagem da Continental). Depois de patinar no asfalto, um caixa eletrônico da ATM me salvou e saquei dinheiro para pagar meu novo amigo da Albânia.

Minha gente, o bom de ser pobre excêntrico é isso: você encara a maior roubada com uma certa elegância e ainda angaria sócios para o clube. Já temos um albanês no time! Motorista particular para as horas difíceis.

Agora, detalhe importante, a empresa aérea não devolveu nossas malas e o governo não devolveu o tíquete de entrada no país. Resultado: estou com a documentação ilegal, com a roupa do corpo, dois computadores, uma bolsinha de maquiagem e um pacote com 6 tipos de vitaminas. Ah! E escova de dente e pasta e fio dental.
Digamos que não fiz uma mala de mão muito inteligente.
Mas isso é parte do show do “pobre excêntrico”.

O meu ex-avião camuflado na neve
Culpa dele: “meu” ex-avião camuflado na neve

Vou ter que sair para comprar roupa de baixo + bota de neve + creme de rosto. Tudo o que um pobre excêntrico pode querer. Imagina o sucesso que minha bota de neve vai fazer no verão de 40 graus do Brasil. Imagina ter que patinar na neve para chegar na Saks, a loja mais próxima daqui. Turista bocó fratura nariz de meio centímetro no asfalto molhado – vai sair no blog do estudante de inglês. Risos e mais risos.

Olha, darei notícias da nevasca (a pior desde 1986). Ontem, por exemplo, um local morreu no Central Park. Tomou uma galhada na cabeça. E uma turma teve que ser resgatada nos trens – mais árvores caíram sobre os trilhos.
Eu, como excêntrica total, prometo visitar o local do crime com Louboutins para neve ou similares – porque UGG Boots não dá! Ugly! E vou tirar fotos do mico para postar. Agora, só o chá de menta em formato de pirâmide me salva.

Se eu pudesse, comprava um relaxante muscular e só acordava amanhã…

Neve da infância

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Janela aberta e mão gelada

Janela aberta e mão gelada

Foi assim que ela chegou… Batendo na minha janela. E eu não resisto. A neve caindo é uma das coisas mais lindas que há. Os floquinhos brancos que derretem na nossa mão… É mágico.
Abri minha janela completamente (embora seja proibido) e deixei a neve entrar.
Tá certo que a cidade fica imunda, que a gente passa um frio do cão… Mas é imperdível.
E é uma bela despedida de Nova York (espero conseguir embarcar – risos).
Vou sentir muita saudade do Jim e da Vicky, do nosso escritório local – chiquérrima localização: 5av com 44th.

Ontem fomos a um restaurante-club no roof do museu para lá de moderno na Columbus Square. Super hip!
Robert é o nome. Os drinks – deliciosos – vinham com orquídeas. A minha está num copinho de plástico no banheiro.
A vista é alucinante. Manhattan e o Central Park. A sobremesa… SOCORRO! Bolinho de abóbora com creme, sorvete de gengibre, caramelo… Isso porque almocei no Daniel Boulud! Aliás, como fundadora de uma classe em ascen”S”ão no Brasil, a dos pobres excêntricos, eu tenho o dever de difundir nossos usos e costumes.
Nada de comer em diner e em café da esquina. É DB Bistrot Moderne, é Roberto… Hotel W. Esse negócio de pobre esforçado, que viaja num aperto e mostra para todo mundo que não está podendo é horrível.

Ficar na janela é para quem pode

Ficar na janela é para quem pode

O bom é ser pobre e entrar na Tiffany & Co e perguntar pelo departamento de jóias de autor. O correto é entrar na Saks e ir direto para o andar dos “great designers” e pedir para sua personal style consultant (sim, a minha é a russona de metro e noventa, Svitlana Nikolayeva) se as peças da Vionnet são numeradas… RÁRÁRÁ.

Legal mesmo foi ter conhecido a Nadine Johnson. PR das grandes maisons, ex-mulher de Richard Johnson, colunista do Page Six no Post, ela conhece Deus, o Mundo e mais alguma coisa. Passamos uma tarde ótima e ela se mostrou esperta como uma raposa, elegante como uma francesa e chic até não poder mais. O bolsão Chanel, o casaco très chic… Adorei tudo e acho que vamos fazer negócio.
Eu queria seguir escrevendo, mas a neve, a diária que vence em duas horas, e a cidade estão me chamando. E como diz vovó, “muitos proveitos não cabem num saco só”…

Essas rainhas egípcias

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Cléo que se cuide

Cléo que se cuide

Olha, a chuva atrapalha as caminhadas, mas acelera a cidade. E como eu sou/ando em ritmo de maratona, fico muito confortável com esse  movimento. É uma coisa “corrida maluca” ao som de polca com um copão de café aguado na mão e o blackberry na outra. No meu caso, o copão de café perde lugar para o tchai-latte.
Sei que essa terça foi um tanto mística.
Depois de um imbroglio com Apple Store, Fedex, concierge… Um dizia que meu pacote estava na Florida, outro dizia que iria me ajudar, mas por email, outro dizia que o pacote estava comigo – roteiro ótimo para Os Três Patetas… saí correndo para o escritório. Nao era para trabalhar, era para fugir da bagunça. Da confusão.
Almocei – sem fome – mais para fazer uma gentileza para um colega. E dá-lhe a maravilhosa sopa francesa de cebola. Hey, conterrâneos, quando é que a moda da sopa vai parar no copinho aí no Brasil?

Escritório e voltinha pelo Rockefeller Center.
Essa cidade é da tríade SP-Bsas-NYC: velhas conhecidas e muito queridas.
Aqui ando com uma segurança de protagonista de novela das oito… 

E, como sempre, bati meu ponto na loja do Metropolitan Museum. Decidi ser sócia-contribuinte do museu. 50 dólares e desconto em tudo durante um ano. Ai, ai, petite bourgeois qui sait très bien que la célébration se terminera… Comprei lembrancinhas para as meninas do trabalho. Para os queridos.
Flanando pela ala de jóias (acho o máximo o fato de o museu reproduzir peças históricas e colocar a venda), experimentando pulseiras de design egípcio (uma de cobra que faria Cleópatra querer me envenenar), logo fiquei amicíssima do vendedor gay chic de meia idade. Com ele, viajei para mil mundos. Coloquei peças art-deco, braceletes do Afeganistão, brincos persas, pingentes russos, etc. E uma vendedora veio louca atrás do meu brinco indiano de dez reais. Tirei para que ela visse, ele caiu no chão e se partiu. Tudo certo, acontece. Aí outra vendedora pediu informações sobre as fitas que eu usava para prender o cabelo. Fitas com miçangas de madrepérola nas pontas (que uso para fazer yoga). Quer saber o que aconteceu… Cheguei no hotel e tinha perdido uma delas… Foi-se uma, ficou outra.

Cheguei no hotel com minhas sacolinhas cheias de objetos com reproduções de obras de Klimt, Matisse, Chagall… Ia sair na chuva e pensei… melhor ficar quietinha.

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Para nao parecer que sou uma louca alienada, dois comentários.

1) Cuba: o país onde preso político morre em greve de fome e fica preso sem motivo aparente.

2) Estados Unidos: o país onde patinação artística tem uma baiaca sem a menor delicadeza que roda como enceradeira da vovó.

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Mais um dia e ciao.

Pocket show

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Moedas seguras no tomatorosato
Moedas seguras no tomatorosato

O merchandising do dia: assegurei meu rico dinheirinho no porta-níqueis super fashion com muitos cupcakes. De Portugal para o Brasil. Do Brasil para a América! By Tomatorosato.blogspot.com

E hoje descobri que passei os últimos dias vivendo na hora errada – vivendo uma hora atrasada. E sabe que foi uma boa experiência… Fui mais tarde para o trabalho, e cheguei na hora certa.

Entrei na loja achando que tinha duas horas para que ela fechasse, comprei as encomendas com calma e, na verdade, eu só tinha uma hora – o que teria me deixado aflitíssima se eu soubesse…

Descobri agora, quando trouxeram meu café da manha e  eu – intrigada com a entrega tao cedo – perguntei que horas eram… E perdi uma senhora hora interessante.

Ontem de noite começou uma fina chuvinha. Hoje a chuva gelada continua. Saindo de um jantar que foi até meia noite, entrei num táxi pilotado por um elegante indiano com barba branca e vestido com túnica e turbante brancos. Um sikh.

Ele ficou muito intrigado porque eu já conhecia a religião e alguns preceitos. E viramos amigos de infância. Falou que este ano ele vai para a cidade dele, no norte do país e que eu sou convidada. Enquanto lá estiver, só pagarei pela passagem aérea. E falou muito sério. Vindo de um sikh, acreditei. Ah! Esse mundão sem porteiras. É simplesmente impossível ficar dentro de meu cubículo de 10 milhões de habitantes. O mundo é muito mais divertido. Com turbantes, sotaques, gente estranha, gente engraçada. Histórias de todos os tipos.

Sobre os sikhs (palavra vem de shishya que significa “discípulo”), o que me parece mais interessante é assumir que estamos distante de Deus por conta de nosso ego. Esse egocentrismo (haumai) faz com que fiquemos presos no samsara (ciclo de renascimentos). Os sikhs acreditam no karma –  ações “do bem” geram frutos positivos e permitem alcançar o progresso espiritual. Por isso, penso que ele me convidou de verdade para ficar com sua família na Índia. Agora, com minha flor de lótus estampada na carcaça… acho que vou, hein!

 Vou é acabar de tomar meu chá milagroso e vou tomar chuva geladinha na Grande Maça… Fui!

Ham’n eggs

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
tabasco em festa

tabasco em festa

Eu nao gosto de cachorro quente (18 anos de vegetarianismo), acho pretzel um horror… e nao sou fa de cafe (perceba que nao consegui resolver a questao dos acentos no teclado). Cafe gringo entao… Blergh!
Apesar do preco abusivo cobrado pelo cafe da manha neste hotel, tive que me render. Acordar, trocar de roupa, e enfrentar um vento gelado, a possibilidade de uma chuva com sensacao termica de 3 Celsius soh para economizar no cafe da manha…
Eu prefiro economizar no jantar – com uma daquelas maravilhosas sopas de copinho. A-do-ro!

Ontem, (imagino que) minha cara de estrangeira perdida e com frio comoveu o pessoal do Metro Cafe. Turcos, arabes e vizinhos me deram paozinho, ralharam com a caixa que me tratou com certo desdem, transformaram a pessoa Ana numa rainha da Lexington. E tudo por cinco dolares sem tip. Cheguei no hotel e fique me sentindo a ultima pipoca do saquinho.
Viu como eh facil me agradar?

Depois de um fim de semana intenso, percebi algumas coisas.
Uma frase ouvida na infancia me influencia profundamente. “Faca o que for mais dificil primeiro”.
Eu chego nos hoteis e jah desfaco a mala, jah dou um certo ar de lar para a assepsia dos quartos brancos com tudo branco. Tiro tudo, arrumo, peco mais cabides, mando roupa para a lavanderia, espalho Ana Pessoa.
O quarto de Miami, tenho certeza, eh maior do que minha casa – incluindo a garagem. Sala, cozinha modernete (o maximo que usei foi a geladeira que prepara sorbet e faz cheese cake sozinha – coloquei a garrafa d’agua para gelar), banheiro gigante, closet… Exagero totalmente a la Miami.
O de Manhattan eh aquele aperto tipico. Eh do tamanho do closet do de Miami – mas cheio de macetes para guardar as coisas. E tudo se acomoda bem. Fica fofo, charmoso. A minha amiga Mari veio aqui tomar uns free drinks comigo e logo falou: seu quarto tem astral de casa. Culpa de um mini-Mickey que comprei para a irma pequena.
Enfim, essa reflexao pula a primeira: como nos adaptamos em ambientes tao diferentes. Eu, pelo menos, tenho essa caracteristica… Faco da minha caverna uma Casa Vogue para ninguem botar defeito.
A segunda reflexao, sobre as coisas dificeis, diz respeito a tudo. Eu primeiro faco o que nao me da prazer (compras de eletronicos para os irmaos, creme para a vovo, etc, etc, etc) e, depois, relaxo.
A semana hoje comecou bem mais light depois que cumpri essas obrigacoes todas (jah a conta bancaria conta com a solida ajuda do bonus anual).

E a terceira coisa que ficou martelando em minha cabeca foi a vontade de escrever + timing ou time to market (esses estrangeirismos sao otimos algumas vezes). Escrever eh mesmo um touro indomavel.

Hitchcock
Hitchcock

Eu passo o dia pensando em “pautas” para o blog. Nao raras vezes eu vou construindo a historia na cabeca. Mas se nao escrevo logo, a ideia perde a forca. Quem me acompanha sabe que tudo eh sempre uma bobagem danada com molho de piada, mas sao bobagens necessarias para mim. Terapia de graca. E um narcisismo estranho – afinal eh uma leitura publica.
Escrevo e olho para a janela. Meu vizinho esta de frente para o vidro, consultando revistas, papeis, falando ao telefone. Provavelmente eh hospede (o predio do outro lado da rua eh um misto de hotel com residencial). Eu aqui, de camisola, postura ereta, sem a menor cerimonia. Ele la, brigando com alguem, rodando de um lado para outro – de camisa e gravata.

Duas coisas intrigantes.

Por que americano chama rico de “saudavel”. Saude e riqueza, miseria e doenca?  Geralmente o rico nao tem muito de saudavel… E o pobre tambem nao… Acho muito feio esse sinonimo inventado – alem de preconceituoso.

Por que americano compra tanto? Sera que falta alma? Ontem foi o ultimo dia de liquidacao na Saks e na Bloomingdales. Eu so vi sacolinha preto e branca e sacolao de papel pardo rodando pela cidade. Coisa de louco.

kit de sobrevivencia

kit de sobrevivencia na selva

Ah! E para fechar com uma ideia que esqueci de desenvolver. O cha! Adoro os chas que tomo aqui. Todos naturais, saborosos, alimentos para o corpo e a alma. Vc coloca agua quente e a vida muda completamente. Estou achando o cha do hotel tao gostoso e tao lindo que deixei de tomar os da tarde para guardar os saquinhos e levar para casa (eu sei, eu poderia comprar uma caixinha, mas a graca e outra). 

Guardo os saquinhos para tomar quando o furacao tiver passado e Manhattan ficar distante demais das minhas posses. Como a cena que vi ontem: um mendigo com dois sacos de plastico repletos de quinquilharias, sentado com modos muito finos em frente de um predio muito moderno comendo com muita elegancia um saquinho de M&Ms. (O cha da foto ao lado eh de menta com laranja)

Em tempo: como eh otimo acordar as 5 da matina!

Sem esperar pela neve

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Demorou, mas finalmente me instalei. Estou escrevendo do computador que comprei para meus irmaos – como um PC eh ruim e com forca… Nao consegui achar o teclado para mexer na configuracao, a camera… Enfim – o post hoje sai curto, com acentuacao capenga porque estou quebrando a cabeca para entender esse micro.
Por aqui, na Grande Maca (“maca” ficou bem engracado), friozinho toleravel.
Dizem que esta semana vai nevar. Aproveito a vida antes que isso aconteca. Afinal, neve na cidade soh eh bonita em cartao postal.

Essa semana – que pena eu nao estar com computador – foi de grandes acontecimentos.
Tatuagem, fim de uma historia profissional, caminhadas e reflexoes sozinha, auto-indulgencia (devo confessar que Audrey Hepburn ficaria corada em me ver na loja preferida da Bonequinha de Luxo)…
E a semana que comecou hoje promete mais movimento. Principalmente no trabalho.
Talvez eu demore par ver NY de novo.

Acho que meu 2010 comeca a aparecer no horizonte. E o seu?

Abaixo, algumas imagens dos ultimos 4 dias.

Amanha volto com forca!

Ate!

De Miami, rapida e rasteira

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cheguei quatro da manha.

Como eh delicioso ser latino/a. Na imigracao, cantada de leve do guarda e do amigo do guarda. Era responder com sorrisinho ou ir para a salinha (como falou o proprio guarda). Optei pelo sorrizinho besta e pela cara de “ok, vc venceu, batata frita”.

No taxi, sonolento, tudo certo, aceitamos cartao de credito.

No hotel, chave errada para o quarto certo. Tudo resolvido em spanglish. Seis da manha, cama. 9h e meia da manha, pensando em yoga, tomei banho e fui trabalhar.

No taxi, mais rolo e riso. Paramos em local proibido.

Depois de visitar 3 bancos, consegui sacar 500 dolares. Como eh louco ter dinheiro e nao poder ter acesso. Como a vida ficou complicada desde que saimos das cavernas e repicamos a cabeleira.

Ate agora nao almocei. Sao 3h da tarde aqui, 6h do Brasil. Tudo certo. Tem cafe do Havai. Da Jamaica, de Cuba, Guatemala. Estou de pe porque misturei com leite e chocolate.

Seis horas, podem se divertir. Tenho encontro com os caras do Miami Ink. Ana Pessoa, a Latina em Miami.

O ceu azul de inverno. O friozinho de 17 graus.

Eu com um vestido marroquino (meu preferido), calca jeans e jaqueta de couro. Uma mistura de culturas e de estilos. Um ventinho frio no nariz de rena que nao usou bloqueador solar. Rena eh mesmo um animal irracional.

Tao diferente entrar nos EUA por Miami. Sentir que tem gente que entende a nossa piadinha, nosso riso frouxo, nossa cadencia nos quadris. Mesmo sendo branca e europeia do Paraguai. E pesando mais pesada que nunca.

No aviao, This is It. Realmente Michael Jackson faria seu melhor show. Muito bom o documentario – sem ser pretencioso ou choroso. O menino Michael trabalhava para burro. E tinha talento. A entourage sentia isso. E ele era gentil. Gentileza, como o artigo anda em falta no mundo moderno. Ser bacana sem troco.

Aqui, friozinho na barriga. Por isso nao tem foto.

ohmmmmmm

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

4 dias num ashram.

Yoga, meditação, comida natural, caminhadas, papos com monges que não podem ser tocados. Estou parecendo a rena do nariz vermelho (resultado de um creme protetor vagabundo). Estou com os músculos vivos.

Saí mais confusa do que entrei, caí na vida mundana (celular deu tilt, encomenda de computador vai atrasar, não fizeram meu depósito para a viagem, tomei um litro de açaí – enfim…) e estou aqui, fazendo exercício mental para manter o equilíbrio. Carnaval… só em 2011.

Cai o mundo lá fora com a chuva, aqui dentro um calor infernal, e eu correndo para Guarulhos. Até – pelo menos – segunda que vem estarei sem computador. O blog vai ficar meio de pé quebrado.

Não me abandonem. Esse desapego eu não sei praticar.

Abaixo, algumas fotos “roubadas” do ashram.

Maratona em curso

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

86b32ec31889cb19c73b7670e7bc8eaf8059af58_mEstou no escritório – choveu e o trânsito provavelmente está um caos com biquíni de bolinha amarelinha.
Amanhã parto para meu retiro num ashram – yoga e meditação. Dormir cedo, acordar cedo. Vou só.
Na quarta de cinzas, SP-Miami.
Depois NYC.
Talvez Buenos Aires. Trabalho, trabalho, trabalho.

Hoje foi um dia daqueles.
Por isso deixo uma palavra inimiga.
BUROCRACIA.
Todo mundo reclama, todo mundo fala.
Mas não precisa ir muito longe para revelar, debaixo da papelada, um bando de gente incompetente.
São como pulgas: entram nas frestas, ficam escondidas.
E, quando vc, está cheio de picadinhas.
Não matam, mas incomodam.

Devo dizer: tenho uma regra em minha vida.
“Se é para fazer, faça bem feito”.
Se errar, assuma. Isso desarma os outros. Sempre. (opa – viraram duas regras! Ou uma regra com parágrafo)
O que Freud não me explicou é por que só encontro contrários.
Fazendo mal feito. Não assumindo.
Ô Freud, diz aí.

E a fome quando não encontra alimento…
Ao voltar para casa (o post começou no “serviço” e terminou na pizza fria)
Ouvi uma atriz brasileira.
Segundo ela, a minha geração é apática, careta, reacionária.
Lúcia Veríssimo foi musa e virou as costas para a fama.
Agora está fazendo uma peça que estrelou pela primeira vez em 1985.
Tem uma cena de sexo. Todo mundo comenta.
E ela explica que 24 anos atrás não deu o menor buzz. Saiu numa revista de fofoca e só.

Engraçado – mas é verdade.destruatudo
Antes não se podia nada.
Hoje, não queremos nada.

E nos horrorizamos com os que querem.

Bom, vamos por etapas.
Recarregar energias, conhecer algo novo.
Pensar.
Caminhar.
Sentir aquele gosto de estar só e em movimento.

Inspirem-se também na fotógrafa Autumn Sonnichsen que deixa o entrevistador virar palhaço e a gente se diverte! Ah! E no comentário do meu primo no post da caipirinha. Genial!