Arquivo de março de 2010

Tempo e generosidade

quarta-feira, 31 de março de 2010

Flores de pedra

Depois de quinze horas num avião (viajar durante o dia não é nada divertido), seis filmes (A corporação, Coração Louco, By the people: the election of Barak Obama, The private lives of Pippa Lee, Where the wild things are e mais um com a Susan Sarandon – não me lembro do nome – indico todos), a volta para casa.
Dormi pouco, passei a manhã no escritório e fui para o Rio – reunião.
Nesse entra-e-sai de avião, uma idéia fixa: generosidade.

Por que as pessoas têm tanta dificuldade em compartilhar, em dividir, em doar?

Desde o começo do mês tenho destruído caixas e caixas de ovos de frango caipira. Eu acordo, saio da cama e crack! Um ovo. Faço uma reunião, crack, crack, crack. Ovos sendo pisados, calçadas de ovos, carpetes de ovos, ovos, ovos em todo lugar. Simplesmente porque me meto quando vejo que falta generosidade.

Generosidade para entender uma cultura que não é a sua – ou, no mínimo, respeitar. Generosidade para ouvir. Generosidade para sacrificar um minutinho do seu ego para ajudar alguém ou ser agradável. Generosidade para saber que não somos unos e absolutos.

Generosidade para doar sem querer receber. Para ser sem precisar ser apesar de. Ou simplesmente para assumir que errou. E dizer que a intenção era outra. Doar. Não esperar nada por isso.
Ser alguém muito maior do que um cargozinho, um sobrenome de empresa, uma opinião acima das outras, uma delicadeza de ser para os outros.

Eu acredito em branco e preto. Bom e ruim.
Ego e generosidade.

Dia escuro

sábado, 27 de março de 2010

Nesse caso todo dos Nardoni so tem uma coisa que eu não entendo.
Agora que foram julgados e condenados, a imprensa quer mais sangue.
A manchete é que o casal pode pegar regime semiaberto em 2018.
O problema aqui é que nao basta cumprir a pena, tem que transformar a vida num inferno.
Fico pensando nos dois filhos sobreviventes. Filhos de assassinos. Filhos de párias.
Não fizeram nada e vão carregar a cruz.

O cara mais simpatico!

Peter, o terceiro lugar mais comemorado

Por aqui, fim de corrida. O terceiro lugar foi o mais comemorado. O quarto nem voou na final.
Agora rolou um jogo de futebol – convite do técnico Abel Braga.
Eu confesso que preferia ter uma boa noite de sono. Mas valeu pela diversão. A única mulher gritando palavrão no meio de um tanto de homem de camisolão. Risos e mais risos.

Amanhã, um dia em Dubai.

Ensaio sobre a vaidade

sexta-feira, 26 de março de 2010

céu dourado para quem sabe abstrair

Eu vou ficando mais cascudinha e vou aprendendo tanta coisa.
Se tem algo que bebemos com fé,  sai da fonte da vaidade.
Quem tem blog é vaidoso. E quem não é?
Eu tenho uma vaidade com limites bem marcados.
Eu adoro aprender com os outros. Eu adoro dar espaço para ver onde pode chegar a história.
Eu sou difícil com quem chega muito perto. Aí não é vaidade, é intimidade.

Aqui em Abu Dhabi, não há muito o que descobrir.
5% da população é da terra. 95% é de forasteiros. E em terra de estrangeiro…Manda o sheikh, obedece quem tem juízo.

Hoje foi um daqueles dias de volta às aulas.
Quando as pessoas se fecham para o abraço, para receber ajuda, um ombro, um conselho… Elas mostram sua face verdadeira. E eu aprendi a contar até cem. Depois do cem, risos e ai ai ai.
No meio do caos organizado – vocês não queiram imaginar o que é uma corrida de avião – três moças (uma escocesa, uma alemã e uma autríaca) tiveram cinco minutos para me oferecer, dizer olá e bater um papo. E eram as donas da festa.
Por outro lado, hoje a professora marcou falta para alguns alunos na aula de elegância e astúcia.
Eu respondi: ” – Presente!”

Mosaico árabe ou paraíso artificial

quinta-feira, 25 de março de 2010

3816 dias ou 500 dias com ela?

quarta-feira, 24 de março de 2010
Aeroporto de Dubai

Aeropoto de Dubai

No avião elegante que tem espaço para as pernas e que, apesar de terem dito que estava lotado, foi reservada a surpresa de ter um assento ao lado de dois livres (não que eu tenha me esticado como gostaria porque na outra ponta estava um integrante de minha equipe). As cores dos estofados são simplesmente lindas. Verde, bege, rosa claro com temas de arte mourisca. A comida é mais farta do que o habitual, mas não menos insossa. Tudo bem, não estamos aqui pelo catering e, sim, pela possibilidade de viajar quinze horas sem parar e chegar direto ao destino.

Bêbada de sono, afinal, embarcamos a uma da manhã, tive fôlego para assistir ao  surpreendente 500 dias com ela.

O desenho me agradou

Quer que eu desenhe?

Eu já havia feito um perfil com Gordon-Lewitt, perfil que está na gaveta para uso futuro. O ator é uma graça, a atriz tenta ser uma beleza à La Elizabeth Taylor. Mas a história… Um filme bobo americano sobre o amor. Tudo para dar sono logo… O fato é que não consegui dormir. O filme é tão triste e tão real. Achar que o amor finalmente chegou e estar enganado. Morrer todos os dias e nascer de novo.

Da alegria de ver o passarinho verde (para os americanos, o passarinho é de desenho animado e azul), de rir sem  razão, de achar tudo lindo ao momento em que nada mais se encaixa. Em que nada mais faz rir – pelo menos por muito tempo – e em que os passarinhos coloridos estão todos presos em gaiolas. De ver seu amor partir… com outro. E de ter que sobreviver.

O filme te agarra – tem todos os macetes americanos – , mas ele vai mais fundo. Eu segurei lágrimas, riso frouxo, e minha vontade de, no meio da madrugada, pegar o computador (como agora, depois de nove horas de vôo) e escrever sem parar.

Mas  me freei. Afinal, com 15 horas ociosas pela frente, meu impulso para escrever poderia esperar por uma noite de sono numa posição desconfortável.

Eu sei, o assunto beira o piegas e é deveras feminino.

Mas tem tanto a ver com minha vida atual. O “para sempre”, o perene, o etéreo. O imponderável.

Por que estamos aqui? Qual o sentido de ser um “saco de ossos, gordura e músculos” que anda? Para onde vamos? E, de novo, por que vamos?
E essa química louca que nos atrai e/ou nos afasta? O que isso significa?
Vocês mesmo – como vieram parar aqui? Gostaria de ler os comentários com as histórias de como encontraram esse blog de perna quebrada.
Por que lêem as confissões “of an ordinary person”? É apenas pela publicidade? Voyeurismo talvez?
Quando penso do lado de cá, exibicionismo e auto-ironia são as duas palavras que ficam.

E, sem fugir do objetivo desse post, quem aí encontrou o amor?

O amor é algo palpável, ou são pequenos fragmentos de vida? Amamos nossos próprios pais todo o tempo? Ou quando se está aberto para?

Eu carrego uma aliança de ouro branco feita de pequenos pedaços quadrados de ouro. Um mosaico em ouro. O designer explicou que o amor é isso: pequenos fragmentos de sensações e eventos que, juntos, ganham um novo significado.

O que fazemos dele não é assunto para mortais.

PS: O post é longo porque, quando viajo, encontro tempo para pensar em tudo aquilo que passo a vida correndo de.

Equipe unida depois de 15 horas

Equipe pronta para ralar

O post vai longe como o vôo.
Nada como ver o filme sobre Churchill e Julie & Julia na sequência.
Minimalismo.
O mínimo necessário para brilhar. Para ser feliz.
Foco.
Rir de si mesmo.
A receita é tão fácil, mas nascemos para confundir e complicar.

Comida, comida – uma das melhores coisas do mundo.
Na chegada, flores. Explico: comida gostosa e em grande quantidade.
O que eu não sabia é que o café da manhã seria uma banana com uma taça de água. (!)
(Pausa: nada como uma bateria que dura 7 horas)
Horas de fome e um snack com suco de maçã.
E o almoço…
Vou encurtar a história.
Esqueceram de mim, deram minha comida vegetariana para outro.
E eu, apaixonada por Meryl Streep no filme, não fiquei de péssimo humor – que seria o meu estado absolutamente normal.
Devolvi a salada de camarão para ver se me viam entre os duzentos passageiros.
Depois de vários “não temos comida para você”, ganhei comida da equipe de comissários. Comida asiática. Antes eu do que eles. Risos.
Fechei os olhos, abri a marmitinha e… VOILÁ!
Arroz com curry, lentilhas, vegetais apimentados. Um manjar dos deuses. Comi depois de todo mundo. Aos poucos. Rindo com Julia.

Agora eu sei porque vôo tanto.
Porque é a única maneira de eu não inventar 20 coisas para fazer ao mesmo tempo.
Fico presa nesse gigante alado, passando sobre Alexandria, e faço apenas uma coisa: comer. E, quando faço uma coisa só, eu até que faço bem.
E fico feliz.

A metamorfose

terça-feira, 23 de março de 2010

Dias intensos no trabalho, na vida – confesso que rápidos demais até para mim. Ontem, algo indédito: cheguei às 22h30 do francês e caí na cama. Nem comi, nem nada. Dormi de soluçar (se é que você me entende).
(Hugo, recebi os livros, danke! Acho que um vai comigo para as arábias)
Hoje acordei totalmente quebrada, estavam faltando pedaços mesmo. Precisei dar uma autossacudida para me encontrar. A conexão não pegou ainda.
Viagem para a Áustria adiada para julho. Pintou Austrália no meio do caminho. Sidney, Perth, Pinnacles Desert…Prometo tirar uma 3×4 dos aborígenes tomando RedBull.
Sandra, obrigada pelas dicas de Salzburg – vou parar uns minutos nos Emirados para me divertir aos poucos com elas. Acho que vou poder parar nessa viagem. Tudo com minha bolsinha de cupcakes.
Das arábias, vou trazer caneca de milk “sheik” para o Clerc.
Sobre o anel, Elsa Peretti. Sempre – a musa.

Pois é, minha gente, isso é Brasil – antes, para ir para a Disney, o cidadão tinha que nascer rico de pai e mãe.
Hoje ele roda o globo com aquela carinha blasé.No cantinho da gerente
Hoje mesmo, vejam só: liguei para o estúdio de fotos no Rio, pedi cópias das minhas fotos do passaporte, paguei via bankline, fizeram e despacharam pelo correio.
Nada como viver num país subdesenvolvido.

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Por aqui, no país tropical, o assunto é crime.
Pai e madrasta vão a julgamento por assassinato de filha.
Jovem desocupado mata pai e filho e a culpa é do Santo Daime.

Eu fico sempre me perguntando de onde sai a brilhante idéia de matar alguém… Será que não deixamos as cavernas?

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Cavernas…
Eu fico elucubrando por que rodamos tanto, corremos, fizemos guerras – tudo para voltar para as catacumbas… Para puxar as fêmeas pelos cabelos, grunhir, comer carne crua.
É a involução humana.

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o gênioO que me anima é o matemático russo Grigory Perelman. Ontem ele declarou que não tem interesse em receber o prêmio de US$ 1 milhão a que tem direito por ter resolvido a chamada Conjectura de Poincaré.
Tá certo. Se fosse pelo dinheiro, ele deveria fazer outra coisa da vida…

Segundo a Folha:

A vizinha Vera Petrovna afirmou que já esteve no flat do matemático. “Ele tem apenas uma mesa, um banquinho e uma cama com um lençol sujo que foi deixado ali pelos antigos donos – uns bêbados que venderam o apartamento para ele”.

“Estamos tentando acabar com as baratas nesse quarteirão, mas elas se escondem na casa dele”, acrescentou.

Esse não é o primeiro prêmio esnobado por Perelman. Há quatro anos, ele não apareceu para receber a medalha Fields da União Internacional de Matemática.

Dizem por aí que, se uma bomba atômica atingisse todo do mundo, só as baratas sobreviveriam… Esse matemático é mesmo esperto. Fazendo contato com as únicas sobreviventes do caos…

Jogo dos 7 erros

domingo, 21 de março de 2010

Ache os erros na foto e ganhe um brinde exclusivo Dizem aí que essas fases do 7 são um problemão. Se apenas os anéis fossem embora, eu não me importaria. Mas no quinto ciclo do sete, os anéis temos de monte. As coisas são mais difíceis. O peso das coisas, maior. Voltar é quase impossível. E vamos ficando mais desconfiados, menos pacientes, intolerantes. Mais dentro de nós e de casa. No meu caso, a casa é um museu. Nesse entra e sai das aduanas, é onde mais me sinto. Porque a cada viagem, baixa um santo com nome, sobrenome, estilo e endereço. Nenhuma Ana. Uma nova amiga conta:

About Jupter in Piesces You are fortunate that Jupiter is in such fine shape. – you will have plenty of time with this superb planet of happiness, health, financial expansion, good fortune, and even miracles!

Olhando de baixo

Vendo de baixo

Pois ando pensando no “even miracles” – porque na grande lista de Júpiter em peixes não tem nada que eu queira no momento. No trabalho, arrisco loucuras… E acerto todas. Na vida… sai Júpiter e entra Saturno. E nem adianta perguntar porque não vou responder. Aí fico meio mística e peço ajuda ao Quiroga.

Lua quarto crescente em Câncer, 23 de março às 8h00, horário de Brasília. • Período de influência: De 19 a 26 de março de 2010. • Dica: Entre em contato e enfrente as dificuldades do caminho, observe-as desapegadamente, sem paixão alguma, como se fossem protagonistas de um filme chato que sua alma fosse obrigada a assistir. A melhor maneira de livrar-se dessas adversárias da sua felicidade é conhecê-las à fundo.

Pego Alice, a câmera… e esqueço do mundo que criei na minha cabeça.

Paro de ver meu umbigo e mergulho na cidade grande.
São Paulo – quando quer que você saiba disso – é linda

Portugal no Mercado

Portugal no Mercado

Surpresas

Surpresas do centro

Nova religião

sábado, 20 de março de 2010

Junte-se a mim e vamos formar uma seita.
A turma dos inconformados. Dos desbocados e dos de bom coração.
Dos que dizem o que não deve, mas é porque não defendem hipocrisia.
Dos que pensam e fazem o que pensam. Dos que brigam para sempre.
Dos que não querem dinheiro, só um chocolate da vida.
Dos que não vieram para nascer, crescer, procriar, morrer.
Viemos só para estar.
Eu tive a sorte de ser o que sou.
Doa a quem doer. Conforte a quem necessitar.
Mas como tudo tem seu preço, pago a minha mensalidade.
Não quero jóias nem sapatos. Quero viagens, risadas, um bom papo. Quero parceria.
Se você não é malabarista, sinto muito informar. Não há vagas no meu circo.
O picadeiro já está ocupado.

Desculpe o palavrão, mas…

sexta-feira, 19 de março de 2010

A idéia é essa mesma…

Cansada para caramba

quinta-feira, 18 de março de 2010

Pois é…

Amanhã recebo meu primo em casa. Acho que ele é uns 8 anos mais novo que eu. E vem para descobrir a vida em Sampa. Eu dou o maior apoio. Vem sem data para ir embora.

Nessa aterrissagem, espero ser uma boa co-pilota.

A casa vai ficar animada. Alice, a cachorra que agita mais que o rabo, vai amar.  Os gatos, rabugentar.

Ontem e hoje me correspondi com uma amiga que está numa viagem que era para ser bacanérrima, mas tem algo de pesadelo. Por que Sartre tem razão? E tem gente que acha que o inferno é um horror…

Enquanto escrevo, Bibi, o gato velho está esquelético e muito elegante de frente para mim – ao lado do computador. Eu desconfio que, em outra encarnação, esse gato foi um nobre inglês que morou na Índia. Agora que está velhusco, lembrou dos tempos de faquir. Leleco, por sua vez, está na primeira vida. Como se não houvesse amanhã. E não veio ao mundo para sofrer. Mafalda é só uma gata que ganhou na loteria.

Vovó hoje me disse que me enganaram. Falaram que era Brasil só para me mandar para lugares esquisitos com deserto. Vovó é mais danada que a Hebe e Ana Maria Braga.