Arquivo de março de 2010

Digressões sobre a vida corporativa

quarta-feira, 17 de março de 2010

Siga as placas
O que seria dos escritórios, das empresas, das multinacionais, sem ter um mix de todo tipo de gente?
O covarde, o incompetente, o maluco, a dada, a fofoqueira, o trabalhador, o malandro, o que só diz não, o que diz sim? (Os gêneros aí foram escolhidos a dedo)

Eu acredito que toda empresa tem de tudo e mais um pouco, mas é o mix de perfis que determina que bicho que vai dar.
Sempre tem aquele cara mala que diz não para tudo.
Sempre tem aquele que desenrola os maiores nós e com uma cara boa demais.
Sempre tem o workaholic. O almofadinha – coxinha para alguns.
O problema está no lugar que eles ocupam na hierarquia… E a vaca vai para o brejo.

Nessa uma semana e dois dias, a minha novela é do Dias Gomes.
Do que passou, do que começou, no pain, no gain.
Como fui eu quem trocou, só posso achar que a balança está pendendo para o meu lado.
Porém, católica por obrigação, sempre tenho a certeza de que nem tudo é céu de brigadeiro…

Recebi dois dons ao nascer.
1) Ter ouvido absoluto (coisa mais linda: é uma nota fora do lugar para o show ir para o buraco do metrô)
2) Ter um sexto sentido apurado para pessoas (do sequestrador ao CEO, eu saco muita gente – e isso acaba com a magia de Pollyanna)

Nesta minha rápida reentrada na atmosfera, já tive ex-colega pisando no tomate de formas bizarras – pedindo favor e jogando verde ao mesmo tempo. Uma tática de “cuspir para cima” que eu não entendo…
Twittei mais do que devia e coloquei outro ex colega em risco – minha administração de crise no caso foi bem meia-boca. Como diria o Jô nos áureos tempos: “- Bocão!”
E já saquei um par de gente que não veio ao mundo para ser feliz. Aquele cara do TI que bota a responsabilidade nos outros. E não resolve.
O cara que tem síndrome de Romário – mas não joga essa bola toda.
E em tão pouco tempo… Eu, hein, Rosa!?

A viagem para o Rio amanhã foi desmarcada – e eu tinha encomendado minhas fotos 3X4 de 2007… Tenho que ligar para a loja avisando que vou mandar um portador… Foto de 27 reais vai de motoboy e avião – vamos acrescentar um zero nesse valor.
Minha academia pede 30 dias para me transferir de unidade. Tem duas semanas que nem consigo ligar para lá para avisar que preciso me transferir… Vai indo que, em 2010, eu só pago e não malho. E o pior que eu nem pude despedir das colegas de vestiário. Mas fica a lembrança… Cada fio de cabelo que vejo no piso ou no prato do restaurante é uma homenagem a essa turma tão equilibrada.
Os presentes de Natal que eu não troquei… Esses vão ficar na prateleira do escritório – enfeite conceitual.
Minha nutricionista – eu desmarquei a consulta antes de ir para os EUA e acho que essa também fica para 2011. Bom que ela terá mais trabalho na volta.
Meu auto-presente – tenho que passar na joalheria para pedir para diminuir o tamanho. Mas como não vou mais conseguir fazer o meu pilates, vou seguir a idéia da bruxa do conto “João e Maria”. Vou engordar, engordar e uma hora a pulseira fica ajustada. Muito mais prazeroso e prático!

Para quem deixou a vida Latam achando que a vida Brasil era sombra e água fresca… Paga a língua, paga a língua!

* E só para não passar batido, o que pensa um advogado quando orienta um menino rico e arrogante a mentir para tentar escapar de um julgamento como cúmplice de duplo homicídio? Tem $ que pague essa mentira?

Anota aí

terça-feira, 16 de março de 2010
Esporte Fino

Esporte Fino

Acorde cedo e faça rolinho no cabelo (não dura meia hora e demora duas horas para fazer)

Fique o dia inteiro reunido.

Happy Hour na segunda-feira trocada pela aula de francês. Quando saí do escritório, o DJ aumentava o volume.

Duas semanas sem pilates.

Nada de sol (sempre).

Varejo, varejo, varejo. Agora pintou um olá do Citi (é sempre assim – quando pinta uma mudança, pintam várias oportunidades)

Perna marcada de cadeira

Fim de semana reaprendendo a dormir

Anotou?

Agora apaga tudo e comece de novo.

Ana

PS: dois comentários bestas…

1 – Lula sabe ser grosso até em Israel
2 – Doida sou eu que trabalho para pagar as contas e não saio matando gente para aparecer na TV

PV à manger

domingo, 14 de março de 2010
Perpétuas

Perpétuas

Saiu na Folha e me pareceu interessantíssimo. Marina da Silva quer um liberalismo “sustentável”. Ela está cercada de gente com pedigree  – dono da Natura, professor Giannetti da Fonseca… E não há uma negação do governo FHC nem uma santificação do governo Lula.

Diz a matéria:

“Num eventual governo do PV não haveria cortes em programas sociais como o Bolsa Família, apenas maior atenção para a chamada porta de saída (capacitação dos beneficiários).
O compromisso com austeridade fiscal seria evidenciado com medidas de impacto simbólico, como a extinção de pelo menos metade dos cargos comissionados de livre provimento, hoje em cerca de 23 mil.
Não se considera o Estado inchado, e sim “pouco republicano”, nas palavras do empresário Guilherme Leal, da Natura, provável vice de Marina. Mas ele não quer nem ouvir falar em “Estado mínimo”. “A discussão tem de ser eficiência e transparência do Estado, não tamanho”, afirma Leal.”

(Folha de S.Paulo, ed.Brasil. 14/03/2010)

Em tempos de Serra e Dilma, é bom acompanhar a movimentação de Marina… Afinal, mais do mesmo – mensalão, excesso de gastos, movimentos estranhos – não é nada bacana.

Uau!

Foi escrever de política que uma chuva violenta começou – com granizo, redemoinho e o caramba. Acabei de escrever, o sol voltou.

Se São Pedro lê esse blog, não estou nem aí. Risos.

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Estou aqui fazendo “para casa” do francês e sofrendo antecipadamente. Esse semestre vai ser duro de participar das aulas se o ritmo das viagens seguir assim… Vamos tentar.

Palavrinhas & cia muito engraçadinhas da língua de La Fontaine (o que ira inspetor de águas) para quem ama comer fora:
– pouboire (a sempre dolorosa);
– nappes à carreaux (se fica no chão, é americana; sobre a mesa pode ser até de cantina italiana);
– chaleureux (nosso povo, nosso clima)
– Il demande comment ils vont payer… En liquide? Ils n’ont pas d’argent… allez laver la vaisselle … (hahaha)

O cadeado travado

sábado, 13 de março de 2010
2010

2010

Só mesmo uma mulher para jogar Oliver Stone na vala comum dos filmes de guerra. E derrotar um dos filmes mais caros e idiotas da história (que não por acaso foi dirigido pelo ex dela – que fez coisas embaraçosas como Titanic, Piranhas – alguém se lembra da cena dos peixes voando no ar?  – , Rambo II).

O filme é ferradíssimo. Você pode ter pena dos soldadinhos de chumbo americanos. Você pode ter pena do Iraque. Nada disso interessa.
Você sente a guerra como nenhum Platoon jamais conseguiu. E olha que Stone foi condecorado no Vietnã – uma medalhinha vagabunda para quem serve amigavelmente em território inimigo – e seja lá o que “amigável” queira dizer uma vez que você faz parte da nação mais armada do mundo.

A diretora Katryn Bigelow te coloca no meio do campo de guerra. Ela te coloca na linha de fogo. E você tem que escolher um lado. Eu, sinceramente, torcia pela morte. E não tive pena dos insurgentes iraquianos matando gente do lado deles para acertar o inimigo. Eu me vi no filme. E não era americana.

Dei pausa em vários momentos. Para tomar um ar. Pauleira.

Os extras são muito bons. Valem a pena.
(Sugiro ver o filme Dahmer…)
O cenário real é o deserto da Jordânia. Mal vejo a hora de sobrevoar os Emirados Árabes no fim da próxima semana.

E só um longa – e de um verdadeiro mestre – mexeu assim comigo. E a foto mostra que coincidências não existem.
Se você quiser mais: http://www.newsweek.com/id/202730

Um filme sobre vício. E vício “legal”. Acho que desse assunto entendo um pouco. Minha adrenalina talvez seja outra, mas é tão borderliner quanto.

2001

2001

Linha do tempo

sábado, 13 de março de 2010
Ponta da Fruta

Ponta da Fruta

Eu tenho certeza de que fui no Sílvio e minha porta da esperança tinha alguém esperando por mim… Só pode ser.
Acho que descobri um trabalho que é bem do meu número – mais louco que eu.
O dindim está chegando de tudo – do que estava parado, do inesperado, dos jobs…
E é tão legal não ter um menos na conta.
Tenho conhecido muita gente fofa.
Tudo está rodando como um reloginho.

Sem querer dar uma de “ó céus, ó azar”, uma coisa tem me preocupado. As distâncias.

Hoje por motivo alheios a minha vontade, entrei num avião com destino a Vitória.
Crematório de Ponta da Fruta.
Eu queria combinar que ninguém mais pode morrer este ano. Nenhum pai, nenhum cartunista, nenhum tio, nenhuma criança, ninguém.
O fato é que tive uma tia-avó que foi dona de vastas terras em Ponta da Fruta. E até os doze anos, passei parte das férias lá.
Era um deserto com praia delicioso.
Conta a lenda que uma prima chegou de noite pela primeira vez e às 5h da matina acordou a todos:
“-Mãe, vamos logo, já ligaram o mar!”
Ponta da Fruta (eu sempre imaginei um bicho de goiaba batizando a vila) hoje estava particularmente linda.
Cheguei 14h30, parti 19h.
E cá estou em Sampa.
Ontem, Rio.
Semana que vem, Rio de novo.
Na outra, mais viagens. Na outra, mais e mais.

Acho muito legal poder viajar e chegar em mundos diferentes em “um” minuto.
Mas fico pensando que esse negócio mexe com a gente.
Não é possível que o corpo viaje no espaço e a gente não mude por dentro.
Que bicho a gente vira no final?

Enquanto penso madrugada adentro, comida indiana, cerveja Gold.
Eu, 3 gatos, uma cachorra e vários pernilongos paulistas do Tietê.

Fico pensando no que acontece quando a gente perde o fio condutor.
Quando se desorganiza e não acha mais chão.
Será que tem volta?
E por que a gente quer tanto fio a nos segurar se a gravidade já basta?

Pauta ilustrada

sexta-feira, 12 de março de 2010

Dia corrido, no 2.220v e com coincidências louquíssimas.

vista do escritório

vista do escritório

1 -Apaguei o HD do meu cérebro a uma da manhã. Acordei 3h30 para avisar ao motorista que não era para me pegar às 5h30, mas às 5h…

Quando os santos conspiram, seu vôo sai na hora, seu café é gostosinho, a passagem é full, o piloto avisa que os passageiros não poderiam ter escolhido um dia mais bonito e mais bacana para voar.

2 – Reunião com toda a equipe que está coordenando o AirRace. Galera animada e agitada. Todo mundo cheio de projeto e muito a fim de fazer o evento ser um sucesso.

Denorex

Denorex

Uma das meninas é sobrinha de um amigo que é um cara fera no Yahoo em Miami. Gente boa atrai gente boa.

2 – Reunião até 14h e ninguém reclamou de fome. Equipe do Rio é totalmente plugada. O manager de cultura é alto astral. Amei.

3 – Almoço que adoro: delícias do Bibi (hamburguer de soja e açaí do Bibi) enquanto a reunião comia solta na B/Ferraz, vulgo Rede.

Ralamos, ralamos e corremos para o aeroporto. Chego lá e dou de cara com os tipos da construtora. Ô dia diferente…

200km por hora

quinta-feira, 11 de março de 2010
2001, uma odisséia no espaço

2001, uma odisséia no espaço

E foi assim que tudo começou. De saco cheio da vida de jornalista que rala, mas não leva crédito, parti rumo à ilha.

E abri minha caixa de surpresas.

Agora, 9 anos depois, fico relembrando as viagens da viagem. Em pleno Caribe, fugindo do carpete e das redações, curtindo andar com um pano na cabeça. Os óculos eu perdi num Skoll Beats, os brincos fiquei com um só na Ilha do Mel e mandei para o mar, o pano foi blusa, saia e vestido e, hoje, está guardado com toda pompa no meu gavetão de panos. No dia dessa foto, uma cubana me achou patrícia e perguntou se eu estava faturando o “gringo” que me acompanhava. Risos e mais risos. Fiquei me achando “a” cubanita de pano na cabeça.

Pois é…

Amanhã, Rio; dia 27, Abu Dhabi, dia 12 de abril, Salzburgo. Eu que estava pulando em comemorações ao meu momento ex-Latam pago a língua com estilo. Mas não posso reclamar – essa vida de communications é literalmente uma viagem. Só não pode ter amarras, filhos e se levar muito a sério.

Como diz a canção do Lô, “sou do mundo, sou Minas Gerais”.

E estou devendo, mas não nego. Vou contando em pílulas.

Sobre minha história no mundo da construção civil… Começou animada, no meio tinha um caixa dois, depois um processo e, hoje, acertei minhas contas. Tudo porque peitei a gigante e sem colete à prova de balas. Não foi fácil, tem que ter coragem, tem que ser meio doido. Em vários momentos, a vontade era de ir até a Receita Federal e vomitar as porcarias que testemunhei em números. Mas tive que adotar um meio termo. Porque ferro com bandido acaba em fogo.

Mas digo apenas uma coisa: no Brasil, as construtoras limpam a grana através de agências de publicidade e todo mundo sabe. Eu não sabia e fiquei horrorizada. Mancha negra total no meu CV. É chato se descobrir honesto num meio em que o modus operandi é comprar fiscal de prefeitura, prefeito, vereador, é limpar dinheiro achacando fornecedor ou transformando fornecedor em cúmplice. Cruzes, traficar deve ser mais limpo.

Fui.

Ferro & Fogo

terça-feira, 9 de março de 2010
Bang!

Somos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro

Eu adorei a derrota de Cameron para Bigelow. Porque Avatar é um filme micho, smurfs para adultos. Comprei nessa viagem, e em blue-ray, o filme da diretora premiada – que já havia saído de cartaz lá e, aqui, acho que nem entrou. Mas desconfio que não vou gostar (ainda não assisti). Segundo o Estadão, “a própria ideia do filme – a adrenalina que move os soldados de Kathryn, na Guerra do Iraque – estaria (está?) mais para afirmação do que contestação do establishment militar. Os militares são os vilões de Avatar e os heróis de Guerra ao Terror. Os heróis?”

E o jornal vai mais longe: “É esse o enigma Kathryn Bigelow. Desde o começo da carreira dela, Kathryn tem seguido vias tortuosas para expressar sua fascinação pelo mal.”

Mas que eu achei ótimo ver o diretor dançar, achei. A prepotência, o macho, o espetáculo pelo espetáculo contra um bom e velho argumento: a guerra de verdade – mesmo que na do filme vencedor do Oscar os soldados americanos vençam uma vez mais.

Dizem por aí que a diretora americana gosta de repetir uma citação de Freud: as pessoas gostam de olhar o que estão proibidas de ver. E, nisso, o pai da psicanálise estava muito certo. As filas na estrada quando há um acidente, as janelas indiscretas da cidade grande, o trocador de roupa do magazine… O político que coloca dinheiro na meia, a cirurgia plástica que virou seriado de TV a cabo, a babá que espanca velhos e crianças em horário nobre.

Eu, por meu lado, estou vivendo uma experiência nova. Você tem idéia do que seja chegar com email, computador, flores na mesa (dia da mulher – bah!), exame feito, documentos levantados, carro comprado (que só chega em 60 dias), placa do atual registrada na garagem, etc, etc, etc? Esses pequenos mimos me atraem – e muito. Tá certo que vivemos e trabalhamos sem precisar de nada disso, mas é essa a tal da diferença.

E imaginem minha cara ontem, quando ao entrar no consultório do médico do trabalho, o fofo sentou-se na cadeira e (nada de sala limpa, recepcionista simpática, gadgets que aferem pressão, que levantam colesterol e glicose)  mandou fechar a porta. Achei tão deselegante. Ele lá, cômodo, sentado e eu tendo que me deslocar até a porta para fechá-la. Pois foi com essa porta real que fechei a minha porta literal.

Claro que `as 16h30, quando desligaram meu email, senti um apertinho no peito (o fato do meu blackberry estar sem acesso a internet por uma semana ajudou). Perdi todos meus emails de despedida. Todos. Freud explica o fato de eu não ter guardado justamente esses emails. É a tal da porta que fica entreaberta.

Mas uma coisa é certa: estou curtindo já saber que tenho que ir para o Rio amanhã, para a Áustria na segunda semana de abril, que tenho um calendário gigante a me ajudar… Esse negócio de ir com fé e sem planejar me parece coisa de homem das cavernas. Eu não sou certinha e arrumadinha, mas curto saber onde vou estar amanhã. Nem que minimamente.

E para fechar o post com cinema, o tal do argentino que ganhou é um lixo. Eu vi em novembro em Buenos Aires. El secreto de sus ojos era uma febre por lá, eu achei tragicômico. Saca novela da Globo nos anos 80… Ciranda de Pedra? Tipo isso. Os atores canastríssimos – Ricardo Darín cada dia despenca mais uma ladeira – , o roteiro frouxo, pessimamente amarrado… Mas os caramelos que comprei e o fato de ser dia de semana, três da tarde… De qualquer modo esse é um filme que não representa a maestria dos portenhos nessa área. Uma pena.

Para curtir:

Matéria fresquinha da Time Magazine http://www.time.com/time/arts/article/0,8599,1970502,00.html (descubra por que Avatar e George Clooney viraram piada na noite do Oscar)

Indicação de blog de mulheres de trinta e de um post muito bom sobre separação, burocracia e humor: http://3xtrinta.blogspot.com/2010/03/cartorios-nao-gostam-de-divorciadas.html


Por aí

domingo, 7 de março de 2010
Triângulo

Triângulo

O dia que começa com chuva parece dia que não é inteiro.
Com minhas botas de borracha, consigo enfrentar a natureza.
Não a minha cabeça.

Alice, toda emperiquitada, com terceiro olho e gola vitoriana e creme rinse na pelaria.
Tomou chuva feliz. Sem bônus, sem ônus.

humores

humores

Revista, fechamento e uma garrafa de vinho.
Muito bom atravessar os limites do politicamente correto.

Acordar de péssimo humor.
Lavar as paredes.
Fotografar flores para espantar o cinza.

Tédio

Tédio

Misturar bichos.
Pedir arrego na internet.
Como sempre.
Não ler o jornal.
Trabalhar.
Lentamente.
Não encontrar o amigo.

Domingo de março.

Que Ney sou eu?

sábado, 6 de março de 2010
Trabalho e chuva

Trabalho e chuva

Se você é como eu e acorda cedo… Junte-se às sombrinhas e vamos fechar revista.

Adoro chuva.
(Quando não tenho que sair para nada)

Ontem tudo acabou.
Juntei meus poucos papéis, minha garrafa d’água e fui embora… para o show do Ney Matogrosso.
Antes, parada no restaurante que fica em frente à casa de shows para celebrar um novo começo. Taittinger e alguns snacks. Meu espírito se (re)encontrou nos comes e bebes. Há tempos que ele fervia em bebidinhas francesas. Mas eu tinha esquecido desse prazer da conta paga.
A saída foi suave. Deixo no Terra um monte de amigos. Fomos todos felizes nos últimos 15 meses. Recebi muitos abraços, muitos emails. Não chutei os cachorros – como já fiz em algumas ocasiões. Risos.
E Ney? Meu Deus, quem inventou esse cara?
A voz, a postura, a presença de palco. Ele manda calar e a platéia obedece. A platéia grita e ele provoca.
Lara Stone + Jack Nicholson + Kiss = Ney.
Engraçado foi que, só ontem, consegui realizar o que tentei há 15 anos.
Pobrinha e abusada, comprei – no cheque especial – 2 ingressos para um show do Ney no Palácio das Artes. Fui a primeira da fila, escolhi os melhores assentos. Passei um cheque sem fundos. Atenção para a híperinflação…

O show era muito disputado. Ney cantava de terno negro e ficava só com um fio dental no final. Ingressos esgotaram-se em 2 horas.
Mas passei num curso besta de jornalismo de Navarra e, justo no domingo do show, tive que ficar com uns espanhóis autoritários e tarados fechando jornal.
No meu lugar foi vovó, esperta e com 72 anos. Eu só chupei picolé.

Pois ontem foi espetacular. Que repertório. Tango, bolero, flamenco.

Dono do palco

Dono do palco

Os músicos se dissolvem no cenário limpo, com tons de azul, rosa, vermelho.
Em apenas uma música tudo vira um carnaval com acréscimo de verde e amarelo.
Ney magrinho num terno Panamá. Mulher que deixa as mulheres loucas.

O dia foi realmente lindo.
Brunch, almoço, fim de trabalho e balanço geral.
Champagne, Ney Matogrosso e brigadeiro de colher a uma da manhã. (Foi meu reveillon)

Agora, chove lá fora.
Eu tenho que ir trabalhar.

Alegria de pobre, diz o ditado, dura pouco.