Arquivo de abril de 2010

ONU-LULU

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Anotei algumas coisas para escrever a manhã a caminho de Singapura.

Perguntas: quem engana mais – a imprensa ou a propaganda? Fazer passeio de Helicóptero na chuva é cool?

Gente que adora julgar os outros é insegura? Ou puxa o tapete?

Salzburg é a terra do Playmobill? Onde anda Mozart?

Você gosta de chocolate? Ou prefere marzipã?

Existe lugar ideal? Ou são as pessoas que estragam tudo?

Para registrar, nem a ONU reune tanta gente de tantos lugares: Irã, França, Turquia, Croácia, Alemanhã, Irlanda, Brasil, India, Nigéria, África do Sul, Holanda, Inglaterra… E tem mais – eu que estou esquecendo.

Abaixo, um dia de Penélope acabada.

fui buscar minha aeronave

Fui buscar minha aeronave perdida

Ida e volta

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Minha janela em Salzburg

Aquela fúria sem hora e sentido passou. As ondas serenaram.
O Rio, Niterói e eu não somos como fomos um dia.
Não posso dizer “ainda bem”. Pois o resgate é importante.

Estou aqui outra vez num avião apertado, sentindo um vazio estranho, não encontrando espaço.
Mas dessa vez é diferente.
Eu sei que posso mudar tudo. E até me seguro para esperar mais um pouco.

Ando tendo umas idéias bem loucas – como de costume.
Fazendo um pouco de tudo na hora em que dá.
Outro dia distante fui fazer teste para aquela marca que afirma acreditar em gente de verdade.
No primeiro teste, passei e não levei. Mudei de casa, de cidade, de trabalho, de ares. E a propaganda não iria me impedir.
No segundo, ganhei o terceiro.

A diretora foi diretora.

Frankfurt

Tira a franja, prende o cabelo.
Mais pó.
Solta um pouco o cabelo.
E eu rindo por dentro – e tem gente que quer ser Gisele.
Eu só quero a senha do banco dela.

Gravando. “Você tem ou teve um grande amor?”
Peraí! É propaganda de cosmético ou de margarina?
Eu pensando e gargalhando por dentro – o que a vaidade fez comigo.
Contar em vídeo publicitário coisas que nem no blog falo.

E o cachê não vale uma ida ao analista.

Só louco. É música dos tropicalistas.
Eu acredito.

Ela gostou do texto falso e nem editou.
E eu tive a certeza de que depois do que disse é que não vão me chamar.

Quem nasceu para burro e cangalha não amanhece com sapatinho de cristal.

Vamos juntos

domingo, 11 de abril de 2010

ana
São 9h. Tenho que embarcar às 15h.
3 matérias para entregar.
2 colunas.
2 cartões de crédito pra buscar no escritório.
Não fiz a mala.

Venha comigo.
SP- Alemanha-Áustria.
Singapura.
(Uma hora para correr e trocar de avião)
Perth, Austrália.
Dia seguinte: Pinnacles Desert.

Uma equipe vai pela Argentina.
A outra, África do Sul.

(…)

Dois dias.
Perth.

Dois dias. (Singapura. Alemanha)
Guarulhos.

A volta ao mundo em 5 países. Trancada.

Não fiz a mala.
Freud não explica nada.
Eu não sei mais o que quero que me expliquem.

O mundo não é aqui

sábado, 10 de abril de 2010

Vi e gostei:

Compradores de iPads nos EUA

O que você vê no gráfico? Eu vejo que, muitas e muitas vezes, o assunto “do momento” é centro de atenção de grandes minorias densamente concentradas. Apenas os grandes centros urbanos americanos (e não de todos Estados) compraram o iPhone de Itu. Ou seja: existem outras coisas mais importantes acontecendo enquanto você acha aque está na crista da onda…

Eu vou fazer um comparativo: o meu trabalho é a população que comprou iPad. A minha casa, não.
Portanto, este sábado não vai ser de iPad.

Energia cósmica

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pura realidadePreparando mente e espírito para atravessar o globo (e voltar) em cinco dias.

Ontem meu visto para a Austrália saiu. Vou pular de continente em continente, parar nos alpes europeus para quatro dias de imersão na cultura da indústria. Da neve para um deserto no extremo leste da Austrália e volto para casa.

Simples assim – você sai, roda, roda, roda, percorre milhares de quilômetros em míseras horas e acha que é tudo muito normal. Que é tudo força, deslocamento de vento e trabalho.

Para mim, e já disse em outros posts, a maior invenção que ainda não foi feita é a do teletransporte. Tanto faríamos com esse aparelho… Até salvaríamos vidas. Ninguém morreria soterrado se tivesse o super Teletransportador da GE…

Ontem, num almoço corrido com amigas, uma contou que havia ido ao consultório de um badalado médico chinês.

Na recepção, gente bonita e nenhuma revistinha. Momento ideal para pensar na vida ou fazer novos amigos – o médico é famoso e a recepção fica cheia. Ela conta que o lugar é clean, muito bonito. O médico manda chamá-la. Pega nas duas mãos dela e começam a conversar. Ela está com uma tosse que vai e vem.

Ele dá uns petelecos nos dedos da mão. Manda ela parar de se preocupar com um mundo, de ser dominadora, de mandar em tudo e querer controlar o tempo, as coisas, as pessoas.

Depois, na sala ao lado, agulhas gigantes. Ela fica espetada e sem poder mexer. Na mão direita, um controle remoto. Se passar algo, aperte o botão vermelho.

Depois de um tempo, um assistente aparece e tira as agulhas. Ela tem que tomar chás, vitaminas naturais e tem que voltar lá hoje.

Essa sim é a grande viagem. De ver o que queremos esconder. De abrir portas que sabemos ter, mas esquecemos as chaves.

Humor negróide

quarta-feira, 7 de abril de 2010
pedaço de matéria

torre

Ao lado, pedacinho do nosso editorial com dicas de produtos para casa. O que me impressiona nessa revista é o tanto que se faz com tão pouco. O cuidado é tamanho e a criatividade e bom gosto… Não estou puxando a brasa para a minha sardinha não porque sou vegetariana e edito, não produzo essas fotos incríveis.

Aqui no Brasil varonil, chuva matando gente. Algo me diz que Darwin estava errado. A teoria certa é a da involução das espécies. Ninguém vai me convencer de que:
– pisar na Lua,
– descobrir cura para as doenças mais agressivas,
– fazer crème brûlée,
– usar supercomputadores
São resultados de uma evolução se o homem ainda morre na chuva.

Podemos pensar numa teoria dos paradoxos seguida pela teoria da involução da espécie. Quem descobrir o mistério, ganha uma família de baratinhas para dividir no descampado de Blade Runner…

Tem um lado meu involuído que não resiste. A manchete global hoje “Rio recomenda evitar grandes deslocamentos”.
Rárárá… Fala isso para a terra. Para o morro. Porque eles são os “grandes deslocadores e deslocados”.

E o Jornal Nacional? “Geografia é fator de vulnerabilidade para o Rio”…

chumbinho

chumbinho

É por essas e por outras que resolvi deixar as redações e ganhar uns cobres mundo afora… A culpa é da montanha e todos estão proibidos de fugir do caos. Isso tem ou não tem cara de um flash mob? Estátua!!!

E, para ser democrática, vamos falar da imprensa paulista. O bicampeão olímpico Torben Grael salvou um bebê e a mãe. Na madrugada, um carro foi arrastado pela lama e parou no jardim do atleta. Ele e a família conseguiram tirar as duas criaturas de dentro do carro. Mas o repórter, diligente, achou uma boa frase para terminar a matéria. “Um dos carros de Grael, uma caravan, xodó do velejador, também foi atingida pelo deslizamento e está em cima de uma árvore.”
Acho que deveríamos iniciar imediatamente uma corrente de orações para o carro. Se os bombeiros resgatam gatinhos presos em árvore, eles devem resgatar caravans também. Faça como nos States, liguem 190 ou 191, 1406 ou 0800… Salvem a caravan!!!

E, claro, a manchete paulista do dia: “Leptospirose, hepatite A e dengue são as doenças que mais devem ameaçar a saúde pública nas próximas semanas”.
Eu, do alto da edição, faria uma alteração no texto: “Corrupção, apatia e autoironia são as mazelas que mais devem ameaçar a saúde pública no atual século”.

Se o site Gawker tivesse uma versão em português, juro que seria candidata a uma vaga…

A falta que o tempo me faz

terça-feira, 6 de abril de 2010

Visão difusa

Tenho visto o mundo da janela. E tiro muitas fotos para tentar entender…
No Rio morreram três. Chuva.
No México, quatro. Tremor.
Eu acho que a natureza grita. Mas estamos na janela.
Tirando fotos.

Ontem fui ao médico. Consulta de rotina.
Descobri que estou mais gordinha.
E ficamos rindo.
Como eu consigo engordar se não tenho tempo nem para comer?
A culpa é da janela. Drive Thru.

Nesse fim de semana, dormi menos do que queria, mas descansei.
Tive dias “família”.
Recebi meus irmãos.
Em Campos do Jordão, esperamos duas horas por uma truta que não veio.
Culpa do Gato Gordo – ele come, a gente não.
De manhã, milkshake de morango e pão de queijo. Ninguém cansa.
No museu da ciência, arrepiamos os cabelos, fizemos bolha de sabão, brincamos de eco.
Tomamos uma chuva danada.
Chegamos em casa e tivemos que fazer fila para o banho.
Coisa rara no Brasil: usamos a máquina de secar roupas – e elas ficaram úmidas.
Comemos pasta a luz de velas. Eles acharam coisa de novela.
Ontem Antônia arrebentou o varal.
Botou fogo no ferro a vapor.

Eu cheguei em casa cansada.
Esquentei a sopa congelada.
E não consegui escrever.

Mas eu tento.

Pausa boa

sexta-feira, 2 de abril de 2010

cores inventadas

Eu  sei que não existe sono acumulado… Mas que eu creio, eu creio.
Ontem acordei às cinco da manhã tentando trabalhar.
Hoje, feriado, melhorei a marca: 7h.
Amanhã, se tudo der certo, 8h!

Existe um ditado em português que acho que é realmente místico.

“Quem desdenha quer comprar”.

Na febre pascal, com ovos de chocolate despencando do teto a preços iniciais de 20 pratas, eu nunca espero o meu.
Eu sou fã de caramelo – chocolate não é minha praia.
Pois já ganhei 3 ovões que, sem ajuda de consumo, vão sobreviver até a próxima páscoa.
Está certo! Meu exemplo não é dos melhores – mas acredito que aquela máxima de que quando vc deseja muito uma coisa, alcança não funciona.
Para mim, não desejar muito nada, é que dá certo. Só que esse não desejar é que não é bem contado… Você quer, mas não dá muita bola. Caso contrário…
Com dinheiro é batata! Quanto mais você quer, menos tem.
(A não ser que papai seja ex-ministro e tenha mapeado todas as minas de ouro, minério, diamantes e você, como Eike Batista, tenha informação privilegiada e pose de empresário de sucesso)

Um caso universal: nesta minha última viagem, uma turma de ricos do Brasil estava feliz na classe executiva. A cantora Daniela Mercury. Hortência, nossa ex-basqueteira de ouro. Herdeiros de famílias estreladas como os Diniz… E havia um único ocupante da primeira classe – que bancou uma ida e volta por míseros 10 mil euros. Nosso magnífico senador Heráclito Fortes.Representante do brejo
Representante de um dos Estados mais pobres do Brasil, o Piauí, o batráquio, tenho certeza, pagou do próprio bolso pois a viagem era de turismo. Não consiguirei te explicar o que nosso ilustre parlamentar estaria fazendo nos distantes Emirados.
Areia e falta de água são temas comuns do Piauí e dos Emirados. Mas Petróleo e desenvolvimento não.
Enfim, fui patriota o suficiente para ligar para todos meus amigos jornalistas e espalhar a notícia. Espero que pipoquem notícias sobre a primeira classe do senador.

Sobre minha profissão: tenho certeza de que estou participando como cobaia de um estudo científico. É um daqueles estudos proibidos que são feitos ilegalmente em países subdesenvolvidos.
O objetivo é avaliar como se comporta um ser humano ao dar a volta ao mundo em classe econômica. Serão avaliados quesitos importantes tais como: rombo no cartão de crédito, acúmulo de peso, excesso de quinquilharia na bagagem (como esmalte chanel laranja) e resistência às bactérias cultivadas em marmitinhas de catering. Eu sou uma das cobaias que está se destacando. Me colocaram atá numa placa de Petri mais espaçosa.

Em 8 dias, parto para a Áustria. Se o visto sair, da Áustria para a Austrália. Depois faço o trajeto Austrália-Áustria-Brasil para voltar amassada como um bandoneón argentino.