Arquivo de junho de 2010

Minhoca listrada

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Com minha blusa que me dá vários quilos a mais, sinto-me a própria minhoca fashion. Adoro.

A estética da magreza não me impede de usar listras horizontais. Aliás, eu acho essa coisa modelo muito bonita, não tenho nada contra. Se pudesse, teria mais vinte centimentros e menos vinte quilos. Risos.

Num momento pré-jogo, nada como cinza e preto para esquentar. Risos.

Dizem que Mick, o grande pé frio, irá assistir nosso jogo. A-do-ro!
Um pé frio é a desculpa de que precisamos.

Hoje é minha última noite em São Paulo…
Estou aproveitando o dia desde as quatro da manhã quando um pesadelo digno de Jung me acordou aos gritos.
A-do-ro também.

Grite comigo: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

Carta ao ombudsman

domingo, 27 de junho de 2010

Cara Suzana Singer (Folha de S.Paulo),

não se pode ilustrar uma matéria sobre o lançamento de revistinhas pornográficas por que a dona Maria Inês, de 47 anos, ficou horrorizada?
E o pai de 50 anos (!) – o Julio Fiandi – que leu as revistinhas na adolescência, mas ficou indignado por que não sabe como explicar para os filhos o que significam as ilustrações…
“Um pouco de sutileza não faz mal a ninguém?”
Justo no sábado, “que é dia de Folhinha”?
Então o correto seria deixar um texto com uma ilustração bem “editada”, bem censurada?
Para não mostrar desenho de sexo?

Eu tenho 35 anos, cresci com a Xuxa seminua “animando minhas manhãs”, com Sinhozinho Malta e viúva Porcina sugerindo mil coisas antes de eu dormir. E estou aqui, crítica e sem traumas, para contar a história. E achando graça dessa discussão em pleno século XXI.

Talvez a “culpa” seja da “vontade juvenil de chocar” de quem faz a Ilustrada, um dos cadernos mais antenados da Folha.

Ora, o jornal não é para criança, é para adultos.
E faz todo sentido, num mundo de Tchãs, BBBs, novelas, etc, etc, etc ter uma matéria sobre uma coleção de revistinhas que já foram “escondidas” ganhar status de literatura.

Engraçado é que hoje, das 8 tirinhas dos quadrinhos, 4 têm personagens pelados e fazem alusão ao sexo.
E a do Fernando Gonsales, a Niquel Náusea, é uma tradução ilustrada do seu texto.
A diferença é que a dele é uma sátira.

Extraído da Folha de S.Paulo, 27/06/2010

“O jornal do futuro” pelo visto, tem ombudsman no passado.
E, por favor, avise: se a Folha virou jornal para criança ou se decidir adotar esse tom de falso moralismo, quem vai cancelar a assinatura sou eu.

Bom domingo,

Ana Pessoa

ESCÂNDALO NA PEQUENA MAÇÃ

A matéria “polêmica”:

O sexo como ele (não) é

Histórias em quadrinhos pornográficas, produzidas no Brasil entre os anos 1950e 1980 e que serviram de iniciação sexual para mais de uma geração, são reunidas em coleção comquatro livros

(por IVAN FINOTTI)

Texto na íntegra:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1906201006.htm

Texto integral da coroinha e ombudsman:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsma/om2706201001.htm

Aos amigos

sábado, 26 de junho de 2010

Tropicália

Ao que divide a última contigo.
Ao que te conhece nos defeitos.
Ao que briga, mas te quer perto.
Ao que se oferece deliberadamente.
Ao que quer sua roupa, sua cama, e te dá em dobro.
Ao que nunca, nunca mesmo tira proveito.
Amigo.

Meus queridos de tantos anos.
Tomo essa cerva por vocês.
Caminhamos juntos.
Criticamos e ouvimos a crítica.
Não ficamos na barra da saia.
Amigos queridos.
Aqui ou do outro lado do oceano.
Queridos.

Hoje acordei cedinho, deixei a casa pronta.
Casa que não será mais minha em 3 dias.
Passei a mão nos pelos dos gatos.
A cachorra Alice me acompanhando.

Peguei o carro.
Fui trabalhar – graças ao inferno não tenho medo de trabalhar e, se é sábado nove da manhã, é isso aí.
Ainda enfrentei duas liquidações – Ana Pessoa vai abalar Bangu no Marais.
Meu sábado e meus amigos.
Com muitas flores, sol e um frio de inverno delicioso.

Viva Saturno.

era o que é

sábado, 26 de junho de 2010

Hoje escrevi um texto particular, impublicável.

Mesmo com toda a coragem do mundo, não nasceu para ser compartilhado.
As letras fluíram, não havia nada além de intensidade.

Eu acho que fiquei parada no século passado.
Não sei dizer, só escrever.

E quando eu escrevo, eu volto a viver.
Não, não estou parafraseando Clarice.
Estou concordando.

Não é da minha natureza a solidão.
Por isso me sinto uma “dissolução em suspensão”.
E esse blog, talvez, seja um grito.

“Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.”
(Clarice Lispector)

São João

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Arraial

Alice teve o vestido junino vetado na prova de roupas. Eu deveria ter comprado – mas cachorro não é gente e não tem que usar saiote (me disseram).

Enquanto assisto aflita o duelo “colonizador-colonizado”, blogo.
Os portugueses, bigodudos, toscos, tentam acabar com a ginga brasilis. Batem, chutam, socam – como fizeram com nossos índios. Mas nossos índios se misturaram a negros e portugueses e aprenderam as regras.
Não é uma botinada que nos derruba.

Fernando Pessoa, Saramago, Rosa Mota – portugueses de quem gosto. Dos exploradores, navegadores, prefiro os apenas “descobridores”. Que me deixaram sangue quente nas veias.

Hoje eu penso em pé de moleque, em bandeirinhas de Volpi – uuuuuuh, Luiz Fabiano perde um gol.
Ontem foi um dia tenso e de muito trabalho. Por que somos tão competitivos, neuróticos e complicados em ambiente de trabalho? Quem erra, ouve o dia inteiro que errou.
Por que dificultamos tanto?
Será nosso instinto animal que aflora com dentes e baba raivosa?
Como não podemos matar, resmungamos?
Eu sempre desconfio daqueles com vozinha mansa e lindinha – esses em ambiente correto e estimulados pela raiva necessária seriam os maiores sanguinários.

Nem conto que às oito da manhã estava no banco ligando do meu celular para colocar o gerente em contato com minha ex-empresa que não sabe preencher uma guia oficial e, por isso, não recebo o que me é devido. Tudo certo, eu trabalho pelo banco, pela empresa incompetente e por meu interesse. Sem estresse.
Tenho que pegar o carro, passar na empresa, fazer arrumarem o papel e chego faltando dez minutos para a partida. Primeiro tempo da pesada.
Ufa!

Alfredo Volpi nasceu na Itália e veio para o Brasil com um ano de idade, em 1897. Desde pequeno gostava de misturar tintas e criar novas cores. Esse talento o levou a trabalhar como pintor de frisos, florões e painéis nas paredes das mansões paulistanas.
Ele trabalhou também como marceneiro, entalhador e encadernador, decorador de interiores. Aos 16, ele pintou a primeira aquarela. Aos 18 anos de idade, pintou a primeira obra de arte sobre a tampa de uma caixa de charutos.

Assim vejo o Brasil

Em 1925 iniciou sua participação em mostras coletivas. Nos anos 40, tornou-se membro do Grupo Santa Helena que era formado por artistas que se reuniam num palacete para desenvolver pinturas que retratavam cenas da vida e da paisagem dos arredores de São Paulo. A fase das bandeirinhas foi sua maior contribuição para a arte brasileira moderna.
Bandeirinhas de São João.
Pelas ruas ricas e pobres, nas quermesses – que acontecem o ano inteiro.

Pé de moleque. Rapadura, o ouro da cana. Só os povos de terras quentes e úmidas conseguem a perfeição na produção. Amendoim. E pronto. Festa junina.

24 de junho. Dia de São João, o eremita que vivia de comer mel e gafanhotos e que batizou Jesus.
Aniversário de 65 anos do meu velho.
Época de ser naïf. De não ter vergonha de ser mais um em meio à multidão.

Em tempo: na disputa entre colonizados e colônia, só mesmo um zero a zero – como o tom desse post.

Era do espetáculo

quinta-feira, 24 de junho de 2010


espetáculo

Dizem que a TV vai acabar.
Não vai – ela já se fundiu com a internet.
E nós confundimos tudo.

Ontem no Discovery Channel, vimos como é uma morte ao vivo. O capítulo começa com a câmera procurando e não encontrando o capitão do barco dos pescadores de caranguejo.
Ele está caído no chão da cabine.
A história termina com filhos e marinheiros vendo os paramédicos não conseguindo salvá-lo.
Hoje, claro, o programa acompanha o velório.

Já vimos partos, pancadaria, tatuagens, família de roqueiros, roqueiro-farofa que procura namorada, quase famosos presos numa casa, lutadores de boxe, competições que te levam ao extremo, mecânicos de motocicleta, cozinheiros que viajam o mundo para comer, bobos que viajam o mundo numa gincana, milionários que mostram o patrimônio, patricinhas estúpidas numa fazenda, donas de casa americanas, a modelo que criou uma grife, estilistas em disputa, cabelereiros.

Vemos tudo. Nada.

Há dois anos fui a uma exposição numa petshop em Chelsea. Numa das instalações um boneco de chimpanzé animado assistia filme pornô enquanto comia pizza e tomava uma cerveja.
Fina ironia.

Lançado na França em 1967, “A Sociedade do Espetáculo” tornou-se uma espécie de bíblia para a ala mais extremista do Maio de 68, em Paris. O “espetáculo” de que fala Guy Debord vai muito além da onipresença dos meios de comunicação de massa que representam somente o seu aspecto mais visível e mais superficial.
Debord explica que o espetáculo é uma forma de sociedade em que a vida real é pobre e fragmentária, e os indivíduos são obrigados a contemplar e a consumir passivamente as imagens de tudo o que lhes falta em sua existência real.
Têm de olhar para outros que vivem em seu lugar.
A realidade torna-se uma imagem, e as imagens tornam-se realidade; a unidade que falta à vida recupera-se no plano da imagem.
Enquanto a primeira fase do domínio da economia sobre a vida caracterizava-se pela notória degradação do SER em TER, no espetáculo chegou-se ao reinado soberano do APARECER.

As relações entre os homens já não são mediadas apenas pelas coisas, mas pelas imagens.
Para Debord, a imagem não obedece a uma lógica própria, como pensam, ao contrário, os “a la Baudrillard”.
A imagem é uma abstração do real, e o seu predomínio, isto é, o espetáculo, significaum “TORNAR-SE ABSTRATO” do mundo.

Blogs, eu, você?
As marcas otárias que correm atrás da TV?
A doença foi diagnosticada em 1968.

Eu ainda estou ligada às máquinas.
Matrix?

http://gawker.com/5571008/the-deadliest-catch-shows-us-what-a-televised-death-looks-like?skyline=true&s=i

Comprando Wall St. quebrada

Acorde comigo

terça-feira, 22 de junho de 2010

Time eclético em Cuba 2001: destaque para os diretores Luiz Fernando Carvalho e Laís Bodanzky

A sedução da foto, do texto. Todo blog é como uma menina nova, fresca, louca para te conquistar. Certo?
Errado, esse aqui é algo estranho. E contente-se com o que não te ofereço.
Explico: adolescente, eu tinha uma dúvida: psiquiatria ou jornalismo? Mamãe queria Direito, como ela.
Depois de tocar cadáveres cheios de formol, uma chatice, escolhi o jornalismo – a ponte possível para a literatura.
A caminho da prova de vestibular, carro cheio de colegas, meu pai disse que era a ponte mais fácil para a prostituição.

Primeiro ano de faculdade, mundo novo maravilhoso e resolvi fazer letras ao mesmo tempo. Entre festas, bebedeiras, aulas de filosofia, ciência política e muito rock’n roll, o tempo ia passando.
A brincadeira das letras não durou um ano. Desisti depois que uma professora disse “encicloplégica“.

P

1998: primeira sociedade - com Abud e Armandinho

Um ano antes de formar, contratada pelo maior jornal da cidade.
Eu não sabia nada, mas queria escrever. Não havia blogs nem internet. E escrever era entregar um pedaço de papel para ninguém.
Logo vi que bater ponto na redação era terrível.
Escrever deixara de ser algo seu – pautas, reuniões, assuntos do dia, o que “vende”.
Vim para São Paulo, madrugadas insones esperando a maldita aprovação do texto.
Bar do Estadão – whiskies sem fim, cheiro podre do Rio Tietê. Almoço no Frangó – aquela prateleira de cervejas do mundo todo e eu comendo arroz com feijão, vestida de gente grande.
O jornalismo não me convenceu – mas a $ me animava (e olha que era tão pouquinho).
Pule uma década e meia. TV na veia, alguns cursos abandonados pelo caminho: mestrado em Antropologia (completo), relações internacionais (ano e meio), direito (1 ano)… E a mesma insatisfação. Nem mais, nem menos.
Eu não quis ser atriz, continuei escrevendo o texto do dia, a grana aumentou, eu fiquei mais bonita. Sim, eu tenho certeza de que a velhice nos faz mais belos – mais boca-suja, mais loucos, mais kamikaze, muito mais interessantes.

Minutos atrás

Aí a catarse: não dê comida aos bulímicos.
Eu descobri que não era nada disso.
Não descobri ainda o que é. Mas sei o que não é.

E continuo escrevendo.

Não ter público pagante.
Instigante.
Eu gosto.
Pode me demitir por isso.
Eu realmente não estou nem aí.

Boa terça-feira de chuva e frio em Sampa.

Preto no branco no preto no branco

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Elza Maria dá uma piscadinha para os fãs

Não sei quanto a vocês, mas o assunto aqui é Copa do Mundo – de manhã, de tarde, a hora que for.

Minha professora de francês não entende o que acontece. Segundo ela, na França ninguém para por conta de uma Copa.
Bom, a França não pára, mas o time deles está parado… Então talvez não seja esse o melhor exemplo.

Hoje, o tema na padoca, na rua, no YouTube, no almoço, na portaria foi a grosseria de Dunga (que, segundo dizem, errou de nome de anão, pois deveria ser “Zangado”). O alvo? O jornalista bonzinho, Alex Escobar.
E o “Cala Boca, Tadeu Schmidt” ecoou com força no twitter. Seria uma campanha para salvar um macaco?

Eu – sempre avessa às unanimidades – fui obrigada a inaugurar a vuvuzela. Cala boca, Tadeu…

O técnico está numa coletiva depois de um jogo nervosíssimo e o jornalista está ao telefone? E ainda ri do/para o técnico?
Ora, solta os cachorros mesmo. A hora da catarse é essa! É PQP para baixo!

Aí a TV vem dar de fina falando que está apoiando o futebol nacional?
A TV está interessada em comercializar os jogos. Quando mais o Brasil ganha, mais comerciais. E ponto.
Eu queria só saber quem é que escreveu o texto do Tadeu e estou esperando ansiosa pelo novo vídeo da Fundação “Cala Boca, Galvão”. Risos. Aliás, essa fundação é chapa branca, vamos esperar a nova. Cala Boca, Schmidt!

Patriotada fazemos nós com a cerveja na mão e o vazio no peito.

Comemorar o quê?
A ascensão da classe C? A melhora da economia? A Dilma? A queda do Euro?
Esse blog é melancólico, mas não é baixo astral.

Ainda não apresentei: a modelo da foto acima atende pelo nome lindo de Elza Maria. Homenagem à cantora que é contemporânea de Platini – aquele que levou nossa Copa em 1986 (e levou com garbo).
Da Elza cantora recomendo “O choro do Passarinho” e a marchinha ótima “O canguru perneta”.
Da Elza acima recomendo uma volta pela praça Raphael Sapienza. Elza é mais ou menos amiga da Alice (ela é meio mineira, desconfiada) e arrumou um namorado novo: Zeca, um vira-lata ajeitado, grande, pelo brilhante de cor branca e doce de leite. O “pai-dono” permitiu os encontros. E a corrida com rabinho abanando é a festa no céu.

Joana Fomm, Paulo José e Grande Otelo em Macunaíma, filme de Joaquim Pedro de Andrade (1969)

Para os gringos, “canguru perneta” é uma metáfora para sexo com uma certa bossa brasileira.
E dá-lhe bossa.
O que mais admiro em ser brasileira é nossa capacidade de auto-deboche.

É, somos todos macunaímas.
Nascemos adultos e já fugindo do trabalho.
Não vem com Benjamin Button, não.

Macunaíma, “herói de nossa gente” nasceu à margem do Uraricoera, em plena floresta amazônica. Desde a primeira infância, revelava-se um “preguiçoso”. Ainda menino, busca prazeres amorosos com Sofará, mulher de seu irmão Jiguê. Nas várias transas (“brincadeiras”) com Sofará, Macunaíma transforma-se num príncipe lindo, iniciando um processo constante de metamorfoses que irão ocorrer ao longo da narrativa: índio negro, vira branco, inseto, peixe e até mesmo um pato, dependendo das circunstâncias.

E quem guardou a história? Um louro – currupaco-paco-paco – que se mandou para Lisboa. O papagaio contou para Mario de Andrade que é personagem do próprio livro…

“Tudo ele contou pro homem e depois abriu asa rumo de Lisboa. E o homem sou eu, minha gente, e eu fiquei pra vos contar a história. Por isso que vim aqui. Me acocorei em riba destas folhas, catei meus carrapatos, ponteei na violinha e em toques rasgado botei a boca no mundo cantando na fala impura as frases e os casos de Macunaíma, herói da nossa gente”. Era o próprio Mário de Andrade. “Tem mais não””

Pois por isso digo, a gente quando perde, debocha. E perdemos muitas. Em posts passados comentei: foram dezenas de crises econômicas que forçam nosso DNA a pegar qualquer rico dinheirinho acumulado e gastar tudo em picolé de uva.

Assim pensamos e assim agimos.

Quando ganhamos, distribuímos os picolés para todo mundo.

Meu pai, quando separou, pagava uísque para todo mundo em qualquer bar.
Era festa. Festa da fossa.

Eu, sem querer saber de emprego, vou para Paris.
Alice ficará com o pai dela, com o tratador, com o passeador. Vai tomar banho no veterinário toda sexta-feira.
E eu vou viralatear até decidir se sigo a vida de Macunaíma.
Ou se finjo ser Benjamin Button dos trópicos.

Recebi um email há pouco que fica bom para finalizar o post.

Twenty years from now you will be more disappointed by the things that you didn’t do than by the ones you did do. So throw off the bowlines. Sail away from the safe harbor. Catch the trade winds in your sails. Explore. Dream. Discover. – Mark Twain, written in a letter to Ana Pessoa, which he failed to send, and which I have just found behind my sofa.

Para terminar bem, uma homenagem à profissão que abandonei e à gata cearense, Mafalda.

Um “time”

domingo, 20 de junho de 2010

Desconstruindo Eiffel

Nicolas Anelka foi dispensado da Copa por insultar o treinador Raymond Domenech.
O zagueiro Willian Gallas fez gestos obscenos para os jornalistas.
O chefe da delegação e da CBF deles (FFF), Jean-Louis Valentin, pediu demissão. “Estou aborrecido. Os jogadores não querem treinar. É uma vergonha. Nestas circunstâncias, decidi voltar a Paris e me demitir“, disse Valentin
O lateral Evra e o preparador Duverne foram contidos antes de trocarem agressões.
Os jogadores fizeram uma reunião neste domingo e decidiram cancelar o treino da tarde.

Para nós brasileiros, que os bleus se ferrem. Certo?
Eu, como socióloga sem função, fico pensando, o que rola? ¿Que pasa?
Quando um jogador parte para cima do técnico, algo anda errado…
Quando o treinador quer se pegar com outro jogador…
Quando a galera decide que não vai trabalhar…

Mundo moderno. Muita estrela para pouca constelação.
Todo mundo sendo criado para ser chefe, ninguém quer ser soldado.
Egos flamejantes.

Eu, sinceramente, quero zuzum de abelha.
Passarinho na grama.
Sol da tarde.
Não quero chefe, soldado, nada.
Eu gosto de trabalhar – não tenho saco para gente que acha que deveria ser chefe. Deveria estar em algum pódio porque acha que é o cara.
Eu entendo que o cara que se autoproclama “o” cara, desculpe a palavra, tem que usar microscópio para se achar.
Quero um canto sem tanto ego e sem tanta chatice.

Adoro futebol. Mas essa Copa está de lascar.
Vá ver o jogo do Brasil que eu tenho mais o que ler.

Saramago

sábado, 19 de junho de 2010

Morrer com 87 anos deve ser estranho.
Sentir todas as impossibilidades do corpo. E ter a mente ainda sã.
São para saber que tudo é uma grande piada.

Eu nunca consegui ler Saramago até o fim. Acho difícil e um pouco chato.
O livro que virou filme, achei um horror.
O do elefante deve ser interessante.

Admiro a contribuição dele para além dos livros. Admiro muito.
Ser blogueiro com mais de 80 anos.
Escrever em Caim que a Bíblia é “o maior livro dos maus costumes, o catálogo da crueldade”.
Ousar apoiar a Ilha de Fidel, o monstro.
Se enterrado com um cravo.
Morrer na Espanha porque Portugal impediu que um de seus livros fosse inscrito num prêmio.
Dizer que Israel fazia da Palestina uma Auschwitz.

Na defensiva com os chatos. No ataque, sempre.

Viva o morto Saramago.