Arquivo de julho de 2010

Mots

sábado, 31 de julho de 2010

Poesia concreta

Os americanos reclamam…
E eu entendo.
Privacidade tem um conceito diferente aqui.
Fazemos as provas e nós mesmos corrigimos os erros dos colegas. Fica meio sem graça, sabe?
Em meu residencial, todo mundo desce com o computador para ficar nas mesas no hall que tem janelões que ficam sobre as águas do Sena.
Todos usam skype sem fone de ouvido e sem cerimônia.
É uma torre de Babel ou um confessionário público? Um espiacionário de culpas, um varal com detalhes de vida escancarados.
Agora mesmo estão fumando feito chaminés… Farofada geral!
Tive que sair com meu micro em protesto.
Risos.

Hoje foi um dia de papelarias no Marais.
Lá é assim: várias e tão charmosas.
Com papéis de Florença – lindos, lindos.
Papéis artesanais. Tem papel de arroz japonês… Só de encostar, rasga. E até os grandes magazines não fazem feio.
Não resisti: levei algumas coisinhas… Duas folhas de papel com ilustrações art deco, uma lata com postais antigos…
Essa história de estar longe de casa sem correr e sem um trabalho chato para atrapalhar…
É ótimo para escrever.
E aí mando postais, escrevo o que dá na telha e olha só o que encontro no chão.
Uma declaração feita com giz.
Tão bacana.
Tenho certeza que se eu estivesse vivendo meus dias (a)normais, eu não teria olhos para o amor fugaz que alguém deixou.
E não teria me sentado calmamente no sofá que estava a venda por 2500 euros para escrever para os queridos que não curtem o mundo eletrônico.
Aqui, as caixas de correio estão espalhadas pela cidade.
Eu, prevenida que sou, tinha em meu porta-moedas alguns selos. E já mandei 3 postais novinhos e cheios de conversa fiada direto para o Brasil.

Ah! Hoje choveu fininho. Depois de caminhar com a chuva quente na cabeça, comprei uma sombrinha. Não deu outra: saí da loja e sol brilhou forte.

E os pés? Estão pretos! A palmilha da sandália solta tinta… E não tem banho, sabão de Marseille ou escova que tirem o preto da sola do meu pé. Estou parecendo o Michael Jackson. Risos.

Agora, depois de uma sexta agitada, resolvi inventar um prato, tomar o resto da champagne, escrever e dormir cedinho. Afinal, esse blog não tem mais vinte anos. E o prato novo, anote aí porque vale a pena: quinoa, cebolas caramelizadas, pistaches. Uma delícia.

Sexta-feira na Bahia

sábado, 31 de julho de 2010

Muro das maluquices

Eu varro, varro, varro o quarto e parece que fui à praia… Um pó cinza entra na casa e é difícil de tirar.
O que de história não existe nesse pó… Reis, Marias Antonietas, poetas, escritores, físicos, bibliotecários, matemáticos, inventores, ratos rotos e baratas, pé de aranha, pele de turista… Ui.
Tudo para fora.
Como fez nossa “rainha” louca, ao sair, deixarei as havaianas. Daqui não levarei nem o pó.
Mas devagar com o andor porque o motivo é outro.
É o desapego.
Porque a vida é esta, é agora e é uma só.

Mais uma semana acaba. Eu fico vendo muito de longe as notícias do Brasil.
Filho de atriz ganha evento para comemorar nossa polícia corrupta, nossa juventude “transgressora”, que anda de carro e de skate onde não deve.
Todo mundo tem algo a dizer.
Afinal, quem vive de imagem, tem que faturar em qualquer momento.

Pequeno Príncipe

Minhas aulas de fonética terminaram e terei uma semana para curtir museus.

Comprei um passe caprichado que dá direito a furar a fila e vou mergulhar nos meus prediletos.
Pompidou, Louvre, Quai D’Orsay, vou subir no Arco do Triunfo e desistir de jantar na Torre Eiffel – 200 euros nem pensar. Vou é pagar o ingresso de 11 Euros e levo meu pão com queijo!
Pobre excêntrica, mas sem fazer besteira.

Ontem foi mais um daqueles dias em que tudo sai do planejado e é maravilhoso.
Pé e mão no salão francês – você ganha um bife de presente, mas se diverte.

Acho que o coiffeur é o lugar mais interessante do mundo para um sociólogo.
Conversas de toucador, revelações. Eu lá, sendo comida viva, e rindo a milhão.

Nous sommes tous cosmopolite!

Depois, Parc Clichy-Batignolli Martin Luther King. Nome, sobrenome, e um pacote de chips de brinde.
Muito interessante, muita gente se atirando na grama e rolando…
Como cachorro com pulga em dia de sol.
Pombas, franceses de biquíni, crianças, e pó.
Tirei meu saltinho e me joguei nas havaianas.

Sexta-feira na Bahia.
Dali, caminhamos muito. Nico, meu amigo, é sensacional.
Quer mudar para o Brasil.
Espero que o Brasil seja com ele o que Paris é comigo.

Aí, drinks tamanho “Itu para viagem”.
Eu chamo dois amigos brasileiros que também estão perdidos no asfalto.

Uma vem, outro, não.
Saímos andando a esmo.
Nico dá o rumo.
Teminamos no “Café qui parle” numa noite sensacional.

No metrô, sempre arriscando o último trem, volto com dois Argelinos – gêmeos e completamente diferentes.
De espírito.
Um tem alma de Rimbaud. Fino, inteligente e aventureiro.
Outro é só um bobo com vinte anos.

Um indiano puxa assunto – aí sou eu quem agradece.
Cheguei em minha estação.
Hora de ir para casa.
Lavar o rosto e os pés.
Tirar todo o pó e dormir tranquilamente.

Blablablá e a poção que Obelix não bebe

quinta-feira, 29 de julho de 2010

picnic das crianças

Esta manhã, um bêbado asiático abalou Bangu.

Ele andava dentro do metrô sem parar.
De um lado para outro.
De repente, gritinho.
Pausa.

Um grito de mulher.
Pausa longa, um berro.

Ele queria por que queria deitar no colo de todas as mulheres.
Foi uma corrida maluca para trocar de vagão.

Em Paris, como as parisienses.
Também me empirulitei.
Eu vou lá ficar esperando o doido deitar no meu colo?

Ontem, recusei uma festa.
Minha professora fofa e intempestiva marcou uma prova com verbos dificílimos.
Uma coisa assim: 20 verbos para amanhã.

Coloca no papel a conjugação de ACCUEILLIR que eu quero ver!
Hoje cedo… Decidiu adiar para amanhã!

Danada!

das arábias

No Jardin du Luxembourg, dois bebuns de terno e segurando as respectivas garrafas. Pareciam ser do leste europeu.

Não deu outra, senti-me excluida da festa do álcool e tomei uma providência. (…)

Meus colegas – agora sou só eu e uma chinesa – caprichando na fonética.
E pimba!
Alarme de incêndio…

O chinês maluco da minha sala de gramática deu um tempo.
Chega de pergunta de criança:
– Você acredita em Deus?
– Os ocidentais rezam quando erram?
– O que é psicanálise?
No começo, era exótico, agora eu prefiro abraçar o pilecão do metrô do que ouvir tanto disparate.

Enfim… Dias que vão ficando mais calmos.
Cabeça que vai pensando sem estresse.
Vida que vai chegando em algum lugar que não tenha gente estranha, ética questionável.

Humor dizendo “olá”.

Fiz um almocinho caprichado e maravilhoso.
Salada de folhas, cenouras e taboule (o daqui é algo que precisa de um post inteiro para explicar – tem cardamomo, tem menta, tem um pepino diferente, tem pimentão vermelho, tem óleos com outras sementes); queijo de cabra especial para salada…
Eu curtindo comigo.
E champagne.
Demoiselle!

Minha homenagem a mim mesma e a Santos Dumont.
Dois dândis em Paris.
Cada um na sua aeronave.

Destrava língua!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Roda-mundo

À Paris, tous le jours j’ai un bon moment.
De bon matin, quand le métro a atteint la station Place Monge, j’ai regarde les personnes somnolentes qui montent l’escalier.
La sortie de la rue est un cadre qui se réveille une peinture fait avec des feuilles d’arbres. Dans la rue Lacépède, les rayons du soleil illuminent les pavés où Diderot, Sigmund Freud, James Joyce marchaient.
Moi?
Je marce sans hâte.
J’ai besoin de sentir l’energie de cette ville qui détient de nombreuses histoires.
Un autre bon moment?
L’odeur du pain chaud…
C’est amusant de voir des gens qui marchent avec une baguette sous le bras.
Un morceau de papier protège le pain qui sera le plat principal du petit-déjeuner.
Entre deux cours, un chemin plein de bons moments.
Je marche à travers le Jardin du Luxembourg. La contruibuition des Médicis.
Les baux arts, la patisserie…
Sur le trottoir le fleuriste offre un cadeau aux yeux des piétons: un bouquet de povoines.
Elles florissent un mois par an.
Un mois.
Le temps qui me reste à Paris…

Sobre queijos e pombos

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cartaz da prefeitura

Alguém me explica por que o teclado europeu é completamente diferente do americano (vulgo nosso)?
Os poucos minutos que consigo ter acesso a um computador na Sorbonne, eu fico catando milho nesse teclado europeu…
O mundo conspira para eu me desconectar mais vezes…

o0o0o0o0o0o

Hoje foi pancadão…
Depois de dormir cinco horas – gastei boa parte do meu domingo comendo verbos, advérbios, pronomes…
Essa manhã-tarde foi prova na veia.
A hora de ver se a grana que investi em mim mesma vai ter retorno.
Eu sei que alguns mais íntimos vão torcer o nariz, mas tenho que me elogiar.
Sexta-feira fiz prova de fonética. Não pense que é baba…
É difícil pacas…
Você sabia que existem sílabas orais, ligações consonantais, ligações obrigatórias… e por aí vai?
Pois tirei 8 em 10 com direito a elogio da professora.
Segundo ela, minha pronúncia é (quase) fluente e (algo) elegante.
Devo agradecer à champagne de champagne, bien sûr, e ao vinho de Cassis (fica entre Marseille e Toulon) – eu recomendo o rosé La Ferme Blanche geladinho. Somente o álcool destrava a língua com tanta eficiência e graça!

Viva o álcool francês engarrafado na própria vinícola. Viva o solo estrangeiro!

0O0O0O0

Esta manhã, prova de gramática.
Não foi fácil… Confesso que ainda não estou à vontade, mas começo a entender o uso das danadas das flexões.
E fiz a prova com segurança de quem “deu de si”: sou o próprio jogador da segunda divisão rezando para alguém da primeira dar sopa do tipo quebrar a perna.

0O0O0O0

Depois de tanta ralação, culinária francesa e causos.

Na estação, atrasada, com calor e aflita… Quase chuto uma pomba!
Detalhe: a estação Vavin tem dois andares de subsolo…
Manca como um palhaço de desenho animado.
Levando susto com os trens que chegavam e os que partiam, mas não deixando de procurar uma migalhinha de qualquer coisa.
Uma pomba.

Ao sair da estação, calculei: foram 3 minutos de túnel… como a pomba entrou?
Na certa ela tem Carte Navigo e pega o metrô sempre naquela hora.
Acabei me lembrando do cara que mora na estação Place Monge.

Todo dia, eu chego às 8h da matina e ele está lá, dormindo na mesma cadeira.
Tem uma mochilinha bem vazia e mais nada.
Algumas vezes, quando meu trem chega, ele sai do sono e sorri para os passantes.

Sorrir é um alimento tão poderoso quanto o pão.

Sorrir quebra muita gente.
E dizem que faz chorar.

0O0O0O0

Compradas num estabelecimento de 1825

Queijo. Acabo de comer uma maravilha de outro planeta!
Anote, compre e viaje comigo.
Tomme Noire des Pyrénées. Que queijo incrível, que loucura!
Parece um queijo minas mais caprichado.
Com um pedaço de pão. E o banquete está pronto.
Ai, o chèvre do almoço…

E flores – cravos e flores do campo frescas para amigos que aqui moraram, moram e para o Brasil voltarão.
Um dia.
Esse mundo muito grande que faz a gente andar para lá e para cá como bois de Poty numa página de Guimarães Rosa.

Eu sou aquele da ponta esquerda. Mete a cara e esconde o corpo atrás da boiada.

o0o0o0o0o0o

A outra pomba…
Estava morta no chão, ao lado de uma poça d’água.
Pobre pomba morta numa calçada.

o0o0o0o0o0o

E mais tarde… a pomba intelectual vou sobre os livros na Fnac…
Subsolo do shopping na Place Italie. Foram atrás dela.
Ela levantou a poeira – ou você acha que limpam o alto das prateleiras?
Voou pelos caixas e sumiu.
Espero que não tenham matado.
Uma pomba dessas merece respeito.

Paris em um shot!

sábado, 24 de julho de 2010

O charme do Le Brebant

Vou ser rápida no post porque o sábado é uma criança.

Ontem, depois de despachar as americanas que sempre querem fazer algo fantástico, sensacional, mas não conhecem um francês… unha, banho e corrida para encontrar os amigos franceses.

Primeiro, um drink – sim, tudo começa com um trago – e cineminha.

Inception em algumas palavras:
– roteiro infantil;
– atores de novela das seis;
– tiros, muitos tiros;
– tudo de cabeça para baixo;
– uma francesa anã que não fala e só faz caras e bocas (ela foi Piaf num passado que deveria ser esquecido);
– Leonardo de Caprio fingindo que é gente grande.

O pior foi ver a platéia aplaudindo no final…
Peguei meu Dries, passei no McDonalds para usar o banheiro e voltei para casa.

Risos e mais risos.

Marrocos?

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Tubaína

Paris é um mix de africanos, árabes de todas as religiões e um pouco de franceses.
E um lixão com arquitetura de luxo a céu aberto.
Ontem sai com uma trinca de francesas sensacionais e típicas:
uma é francesa de pai e mãe, a outra afegã e a outra, brasileira.
Risos!

Andy Wahloo, 69 rue des Gravilliers – anote e não deixe de ir.
Aparentemente Andy Wahloo é um artista plástico e as palavras querem dizer, “não tenho grana” ou algo assim, mas eu desconfio que seja uma grande piada.

O club tem tudo o que você imaginar do Marrocos: tubaínas, chás, molhos, comidas, música. (Com um mix francês bem apimentado)
Conheci o cronista do Le Liberation,
a nova pintora do momento,
a afegã cineasta, a produtora de moda,
a estilista alternativa,
a anoréxica festeira,
a alemã com complexo de chinesa…
Muita gente bacana, muita bizarrice e muito gagagagagaga em francês – puts, eu estou entendendo tudo, mas ainda gaguejo para falar.
Maldita conjugação de verbo. Maldito álcool.

Paris em um shot!

Antes, explico como começa a noite aqui…
Cinco da tarde, parada para uns drinks no Charlot Bistrot (esquece a cafonice do Charlot em Sampa).
Eu provei o “limousine” e devo dizer: os melhores drinks são os de Paris!
(E os mais caros também).
Depois de ficar 3 horas no bar e não consumir mais do que 10 euros per capta, club!

Antes, um adendo: bom foi ver o pai gringo coroa e o filho babão.
O pai se achando o selvagem da motocicleta tomando litros de cerveja.
O filho, fazendo uma novela particular.
Briga e volta com a namorada, corrida pela rua, volta… uma loucura.
E eu aplaudindo do camarote.

Por falar em briga de namorado, é engraçado como aqui reclama-se muito de solidão.
Não aquela solidão de telejornal, de velhinho morrendo sozinho no apartamento porque a família não quer saber…
Solidão de uma turma que, como eu, tem mais de 30.

me sentindo em casa

Todo mundo cai na night, todo mundo trabalha, todo mundo viaja… Mas ninguém quer saber de história com ninguém. E quem quer, não consegue achar alguém disposto. Personne, aucun… Palavras, de mots.
Crise de sociedade de consumo… A gente sempre quer o impossível…
Ou o que não existe.
Ou que não está disponível.
Eu, sinceramente, não fujo do estereótipo.
O que estaria Ana fazendo em Paris?

Enfim, vamos falar dos outros porque é muito mais fácil.
Os que não acham a cara-metade.
Será que rola um medo? Ou um complexo de Peter Pan?
Acho que ninguém quer dureza nessa vida. E tem muita gente idealizando a relação.
É fácil acreditar na novela… No cara rico (e que não trabalha – em novela, ninguém tem tempo para trabalhar) e na moça linda e incrível.
Mas de perto, ninguém é normal… Eu, pelo menos, contento-me com a minha loucura. E você?

Sabe o quê?
Ontem fiquei pensando…
Eu vou abrir uma agência de “encontre sua francesa”.
Porque elas são – até o que vi – muito mais interessantes e incríveis do que eles.

Eles?
Pfffff!

Escrever

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Uma brasileira, duas americas e uma inglesa - coisa boa não é

Eu fico pensando no menino morto.
E no menino que atropelou.
Em um segundo, nada mais.

Aqui, como diz meu amigo Ely, só se fala em outra coisa.
Cheguei há 22 dias e todo dia a capa dos jornais é o chamado “affaire Bettencourt”
A imprensa joga forte as fichas dizendo que Sarkozy não escapará dessa.
Tudo começa com um francês safado que apoiou os nazistas.
Dono de uma fábrica de cosméticos, ele sacou que Hitler iria para o beleléu e mudou de lado.
Deu a sorte de combater ao lado de Mitterrand.
Um virou presidente, o outro, dono da L’Oréal. Amigos do peito.
A filha do empresário tinha malandragem para negócios e fez a empresa crescer mais ainda.
Virou a maior fortuna da França, uma das maiores da Europa.
E, velhinha, resolveu dar ilhas e um bilhão de Euros para o amigo fotógrafo gay e deixou a filha danada.
A filha resolveu entrar na justiça e surgiram revelações de riqueza não declarada da mãe – contas na suíça, o de sempre – e envelopes com 150 mil Euros para Sarkozy e amiguitos.
O atual ministro do Trabalho e ex-ministro do Planejamento é o tesoureiro do partido do presidente (UMP) desde 2003. Woerth, cuja mulher trabalhava na empresa que administra o dinheiro da bilionária, teria fechado os olhos para a evasão fiscal praticada em larga escala pelos administradores da fortuna pessoal da dona da L’Oréal. Além do mais, teria recebido dinheiro vivo para a campanha presidencial e teria empregado a mulher, graças a sua influência. De quebra, agraciou com uma das mais prestigiosas condecorações da République o big boss da empresa que administra a fortuna de Madame Bettencourt, Patrice De Maistre.

Resumo da história: desconfie sempre.
Dinheiro demais é vendaval.

Escrever.
É algo insano. As coisas saem de você e ganham vida, interpretações.
E você não consegue parar. Nem as coisas.
Aqui, perambulando por aí, tenho feito rascunhos, colocado no “papel” idéias.
Ódios. Amores, besteiras, tudo.
Nem 1/3 do que sai no blog.
E tudo sempre ao mesmo tempo.

Reveillon

terça-feira, 20 de julho de 2010

Pivoines: florescem um mês por ano, custam 25 euros e executivo rico não leva

Ei, vocês, chatos que infernizaram minhas escolhas, que empataram minhas decisões e que hoje estão nos seus escritórios.
De um lado, uns arrancam cabelos para resolver as dívidas insolúveis.
De outro, uns não têm cabelos porque a grana sobrou e a família, os amigos, todo mundo se mandou.
Ou você é aquela que apenas encalhou e vive perdida numa série de reuniões.
Viajem muito.
Trabalhem duro.
Como se não houvesse amanhã.
Não há!

Para mim o ano começou hoje.
O ano? Acho que nasci ontem.
Papo de blog?
Papo de mais de 35.

Não dormi.
Passei a madrugada escrevendo.
O começo de uma história.

Não, não quero essa vida chata de corporação.
De gente pequena, gorda, careca, sem graça,
que não bebe de segunda à sexta, que se esconde atrás do cartão (de visita e de crédito).
Que arruma filho para segurar algo que já acabou.
Que acha que ser gente está relacionado a “onde” ou “ter”.

É tarde, é tarde, é tarde

Ei, você aí!
Topa tomar um drink de menina comigo hoje às 19h?
Ei, o que faz bem não engorda.
Só engorda quando é para trocar alho por bugalho.
E se você chegar atrasado amanhã, tudo bem.
Mate os colegas de inveja.
Chegue bem tarde e um pouco descabelado.
(Com cara de quem fez o que não devia, mas que valia)

Hoje saí por aí com uma amiga.
Esbarrei num ator da Globo.
Feliz e anônimo com dois filhinhos.
Fazia um sol do cão.
Depois de andar uma hora com a gringa para trocar dinheiro, ela cansou.
Encheu meu saco.
Tem casa há 20 anos em Paris e confundiu o Louvre com o Quai d’Orsay.
Entramos no metrô.
Esperei a porta abrir e…
Quando o trem já ia partir, pulei!
Deixei a moça falando sozinha e chupando pirulito dentro da estação.
Simplesmente e literalmente pulei fora.
Sai de mim, gente chata.
Gente que adora falar de si, dos seus problemas, de suas conquistas, de si, de si e só.
Eu só quero céu azul, sola gasta, poesia de manhã e de noite.
Dinheiro também, mas sem muito foco.
Quero gastar em flor de 25 Euros.
Em molho de Marseille.
Na Capadócia.

Ei, vem beber comigo hoje?
Acabei de completar minhas primeiras horas.
E não vou perder tempo.

Macunaíma prontíssima!

Montanhas

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Eu já corri de vento em popa, mas agora com que roupa?

Eu não sei como é para quem não vem das montanhas.
Subir.
Aos poucos, sem pressa, pois o caminho é árduo.
E, de cima, ver como se é pequeno.
Depois, descer e se misturar a todo o resto.

Dia delicioso.

Por aí.
Primeiro, Pigalle.
Puteiros, casas de massagem, saunas, sexshops.
Eu acho tudo ótimo.
Não tenho vergonha de ver os porta”coisas” bleu blanc rouge.
As moças fazendo o trottoir.
Os caras com cara de malandro.

Aí subir Montmartre.
Passar pelo café que já era famoso antes de Amelie Poulain.
É impossível não pensar em Santa Tereza.

Piuííí


poeira de estrela


mar

mar


Zenus, o pretendente

Bonde ou trenzinho?
Talvez
o Pão de Açúcar.

Tem um quê de Urca.
Calma.
Suspensa no ar.

Ver as casas,
passear com Zenus.
Alice tem que conhecer.

Tomar Cosmopolitan.
Sair altinha pelas ruelas.
Acabar em vinho branco num japonês da moda.
E comemorar minha alforria de uma ex-vida chata e de gente que não quer ser feliz.

Ai, Noel, vem me buscar…
“Agora vou mudar minha conduta.
Eu vou para a luta pois eu quero me aprumar.
(…)
Pois essa vida não está sopa.
E eu pergunto: com que roupa
eu vou
para o samba que você me convidou?
(…)
Eu hoje estou pulando como sapo
para ver se escapo dessa praga de urubu!”

Uma para o santo!