Arquivo de agosto de 2010

Frio?!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Descabelada, jogada na mala!

Ana Pessoa acordou e tomou um banho de duas horas.
Saiu para ir ao correio – despachar a panelinha companheira, 4 copos e uns talheres. Coisas de mulher que gosta de cozinha.
Tudo já embaladinho e dentro de uma caixa…
A moça do correio disse que não tinha fita adesiva.
2,40 Euros pelo durex e caixa fechadíssima, a segunda fila do dia…
A fofa passa o preço: 140 euros!
“Melhor você comprar uma caixa como aquela dali – sai por 35 euros. Ah! Você comprou fita adesiva para nada…”
Respira fundo, perua, força na peruca.
Desfaz a caixa, faz outra caixa, espera a simpática resolver tudo e tchau.
O dia estava só começando.
Saiu de manguinha de fora porque o sol brilhava lá fora.
E o vento assobiava…
Frio para dedéu!
Do correio para a terapia.
Salão de beleza para dar uma ajeitada nas unhas quebradas e carcomidas pelo exercício dos últimos 3 dias: fazer malas.
Almoço rápido, entrevista com a filha de Annick Goutal e a perfumista/nariz que está na maison há 30 anos.
Não dá para ir com unha toda avacalhada…

A entrevista deixa o dia com cheiro de figo verde e laranjas maduras.
Cheiro que muda o astral.

prêmio por fazer 3 malas!

Por que não abrir aquela caixa de chocolates?
Um…

Mala 1, fechada.
Mala 2… pula em cima, puxa o zíper, cuidado com a unha, aiaiaiai, tem que caber.
Mala 2, fechada.
Mala 3, pronta para partir.
Coisas ainda se espalham pela casa.
Mochila, salve o que resta.

Ânimo!

E vamos embora pra Champagne.
Vamos com saudades de doce de figo e laranjada espremida na hora.
Quer chocolate?

Reentrada na atmosfera. Houston, comece a contagem.

sábado, 28 de agosto de 2010

Esse caso dos mineiros no Chile…
Presos num buraco escuro, quente, úmido. 33 homens.
Metáfora da vida.

Todo mundo sem janela.
Sem conseguir respirar direito.
E alguém, lá de cima, vestido de terno e cheio de razão, dando as ordens.
Exercícios e jogos para passar o tempo.
Luz de manhã, escuridão de noite para “viver” o dia.
Vídeo para acalmar a imprensa.
Cartas da família para não deprimir.

Cientistas da Nasa vêm ajudar.
No Natal, quem sabe, vocês saem dessa lama.
No fundo no fundo, os homens de lá de cima têm medo.
Se os mineiros morrem, prejuízo, escândalo.
Se eles saem e falam, prejuízo, escândalo.
Temos até dezembro para cooptar os bobos jornalistas, as famílias, calar quem se dispuser a.

Eu, também, de Minas.
Verdade, quem tem coragem?

http://noticias.uol.com.br/bbc/2010/08/28/furadeira-para-resgate-de-mineiros-comeca-a-ser-montada.jhtm

Ainda é cedo

sábado, 28 de agosto de 2010

É nozes e café

Eita!
O último post recebeu vários comentários, meu programa travou e o seu lindo texto sumiu…
O maravilhoso mundo eletrônico!
Dia desses vi um Mac todo arrebentado no metrô. Primeiro, achei que fosse uma televisão de tela plana. Depois, vi que era um Mac de 17 polegadas… Morto e chutado.
É amor puro… risos
Por isso, a quem me escreveu, meu agradecimento sem violência.

Ainda não fui.
Mas já começou a despedida.
Ontem, festa na casa de Rodrigo e Nico, os dois mais queridos de Paris.
Eles também estão de mudança e peguei carona!
Como é da minha natureza, uma da manhã saí de soslaio e virei abóbora.
Ninguém soube, ninguém viu.

Chego em casa, desmaio na cama.
Meu jantar foi chips e bala de ursinho. 😛
Para rebater, 4 cosmopolitans tamanho pequeno e uma taça de champagne.
Hoje de manhã, nem o anti-ácido me salvou.
E fui a luta.
Uma mala está pronta.
Dentro dela, pequenas maravilhas.
Um vidro de sal e outro de foie gras – ambos com trufas (uma fortuna da Maison de la Truffe, na Place Madeleine)
Chocolatinhos, caramelos, pastas de mil coisas exóticas, cinco tipos de mel, cogumelos selvagens e venenosos – Fauchon.
Da Hediard, uma semente brasileira que nunca vi e que serve para preparar peixes e doces.
Pimenta caiena, baunilha de Madagascar, sal de Guérande, um molho agridoce de pimenta.
Um maçarico para queimar sequestradores e o açúcar do crème brûlée…
Perfume para a vovó.
Aquele creme incrível para a noite que só é vendido com receita médica, mas somos brasileiros e sempre conseguimos tudo com um papo sobre samba, praia, carnaval e, quem sabe, até futebol. Por via das dúvidas, comprei logo dois.

Já para casa!

Um leque.
Meus caderninhos. Alguns livros que não foram pelo correio.
O meu certificado nada suado e que vou guardar para lembrar que a vida pode ser muito mais leve e muito menos séria do que queremos.
Para colocar na mala… Ainda falta coisa.
Imagino que vou ter um problema e já começo a pensar naquela maleta incrível que jamais comprei porque sempre trabalhei feito moura e não tinha grana para levar.
Ha! Quanta bobagem.

Terça-feira, deixo a beira do Rio.
Quarta, parto para Champagne.
Sexta, Brasil.

Que saudades do Brasil.
Toda vez que me perguntam onde eu gostaria de morar.
Em São Paulo mesmo.
Eu sou cigana e São Paulo tem tudo o que o mundo todo tem.
E tem porteiro que é jardineiro.
Aqui não tem o Dênis da Padoca.
O japonês que costura tudo o que estrago.

Onça pintada volta da festa

A sapateira nordestina.
Sampa.
Rio, Minas, também – mas São Paulo é meu amor.
Com todo mundo correndo.
E esquecendo que existe a hora do recreio.

Brasil.
Palavra mágica.
Conto algumas.
Terça-feira, Louvre.
Eu e minha amiga velhinha decidimos tomar algo no café mais bacana do museu.
Não pode não.
Só se for jantar.
Jantamos então.
Ah, mas não tem lugar.
Mas ela é brasileira… Nunca comeu aqui.
E a melhor mesa, um papo sobre cinema novo, um pão diferente para provar.
Na estação, onde eu pego a porcaria do trem para Versailles? E o atendente, em português: eu amo o Brasil, a praia, Florianópolis.
Peraí que vou te mostrar a plataforma.
E o creme de rosto?
Depois de dar uma incerta em 5 farmácias.
Ah, o Brasil.
Lá não compramos nada com receita, o rei é sapo barbudo, a próxima rainha será a bruxa guerrilheira.
Compra, compra seu creme, eu anoto aqui que você já faz uso contínuo.
Camélias para a professora.
Passo o endereço de onde encontrei o chapéu de chuva.
Esse sapato? Ah, foi ali no 2oème…
Conheço sim. Tomei o drink.
Como você descobriu?
Perguntei, ué!

Eu não quero morar em Paris, em Nova York, em Tókio.
Quero voltar para casa.

A toute à l’heure!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Momento pós-diploma

Diploma na mão. 15,4 – eu queria mais.
Chá com bolo para celebrar.
Filmes franceses, Maria Calas.
Ontem foi dia de vinho da Algéria, de Versailles. Foi dia de comida doce.
Foi dia de não dormir.
Hoje foi dia de fechar a porta.
Pegar o certificado, despedir do amigo inglês que chegou ontem e parte hoje.
Foi dia de gastar sola do sapato.
Almoço na Hediard.
Musée D’Orsay.
Eu falo francês. O povo é gentil.
Tenho tanto a dizer.
A internet não funciona.
Tenho tanto…
E o tempo é curto.

Prometo voltar amanhã com força total.
Prometo porque tenho saudades.
Se eu pudesse, comprava a Concorde.
Colocava todo mundo dentro.
E a gente escreveria um livro de bricolagens.
Um pedacinho de vida.
Uma foto de um dia.
Um abraço apertado.
Um pedaço de doce.
E um queijo.

Prova, zero; pós-prova, 10!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Momento: mergulhe no colesterol e levante o astral

Pois é…

Todo mundo achou a prova tão difícil quanto encontrar um cachorro verde com bolinhas cor-de-rosa.
Três (um checo e duas chinesas) nem foram fazer – perderam por W.O.
(ainda bem que não morri de estudar  – vagabundice por vagabundice, a minha é controlada -?)

Vamos receber o resultado da tragédia amanhã. E recomendo: na próxima vez, estude bem a conjugação do maldito verbo envoyer e não coloque “y” onde é “i” e vice-versa.

Saída da Sorbonne, cai um pé d’água daqueles de levar velhinho pela calçada e de tirar a canoa da garagem.
Manhã dramática.

Parada no “nosso” bistrot para jogar calorias para dentro e reclamar da vida, da Sorbonne, da nossa falta de vergonha na cara. Vagabundice.

A chuva deu trégua.
Saí com uma missão.

Mandar 5kg (!) de livros pelo correio.

Melhor fazer ratatouille e assistir filme em casa…
Amanhã é outro dia.
Courage, à tout à l’heure!

(Em tempo: recomendo muito o filme, parece minha vida em Paris – as andanças são pelos mesmos lugares: Ensemble, c’est tout 2007, com a Audrey Tatou)

E para ouvir agora: À bicyclette

Paris e seus tipos

domingo, 22 de agosto de 2010

Gordinho em ação

Cabelo de Barbie depois do incêndio na liquidação

Amanhã é minha prova final.
SORTE!
Por que estudar…
Não peguei no livro.

:-(

Não sei…

Estudei durante a semana – livro, cadernos, anotações.
Então me entreguei, quis aproveitar os dias, o fim de semana.

Falta pouco para ir embora, já tirei notas com as quais posso contar para passar.
O francês pode ir caminhando, a vida não espera.

Últimas andanças, já naquela fase em que conheço todos os lados.
A rua, as estações, o mercadinho bacana, o bistrô que tem algo mais.
Quero mais ver pessoas do que coisas.
E tomar minha champanhotinha sem amolação.
Um pouquinho só.
Porque o “demais” cansa.

Penso:
será que a rebeldia me ataca?

Fofoca pegando fogo

Peito aberto

Se atacar, pode vir serena porque eu já te conheço, danada.

Hoje fui a uma chapelaria. Eu fico bem enchapelada.
Pareço alguém que parou no século passado.
Saí feliz com minha sacolinha de panamás do Equador, Deneuve do agreste, um ideal para uma anti-cabeça-molhada-de-chuva, uma boina de linho.

Passado.
Talvez e justamente seja por isso que eu ame Paris – mesmo que a primeira vez tenha deixado apenas um álbum de fotos tiradas do alto da Tour Eiffel.
Torre que desta vez vi só lá de baixo, como se eu fosse um bicho-de -pé preguiçoso e um tanto indiferente ao que todos querem ver de cima.

Achei essa citação do Camus em português – em francês, não achei a “tal frase” original.
Mesmo assim, gostei.

Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado.
(Albert Camus)

E estas eu sei que são dele mesmo:

“Il est vrai peut-être que les mots nous cachent davantage les choses invisibles qu’ils ne nous révèlent les visibles.”

Le grand courage, c’est encore de tenir les yeux ouverts sur la lumière comme sur la mort

Ela arrasta, eu sei!

sábado, 21 de agosto de 2010

Subprefeitura do 19ème

Eu tenho andado com a impressão que Paris arrasta uma asa para o meu lado.
Os lugares mais bacanas, as pessoas que se tornam todos os dias mais queridas.
Comprinhas de culto, passeios inesquecíveis.
O que é para dar errado e acaba dando muito certo…

Ontem, por exemplo, depois de gastar sola do sapato procurando encomendas, pausa para lavar os pés (sujos, jamais!) e corrida para o Parc des Buttes Chaumont.
A história: dentro do parque existe um bar badalado.
Até a hora de fecharem os portões, quem entrar, entrou.
Você passa a noite com drinks e o parque só para você.
Chegamos 21h30, fila, tudo lotado.

Onde houve um dia ciganos, tem Ana Pessoa!

Eu logo torci a cara.
De-tes-to pagar para esperar.
Resolvemos enfrentar a mata!
Atravessamos um morro de grama, passamos por uma cachoeirinha, uma ponte pênsil (pulamos, pulamos) e voilá!

Restaurante novo no pedaço!
Inauguramos os serviços (lentos, mas honestos) e tomamos mojitos, vinho, comemos felizes.

Saída pela mairie em direção a uma linha de metrô diferente da que nos trouxe ali e eu não acredito.
O parque fica do lado da minha casa: 4 quarteirões.
Eu sempre passo por lá a caminho da manicure, penso em entrar e deixo para outro dia.
Ah, Paris, você é bem danada!

Não vou nem dizer que recebi um convite para passar duas noites num Relais & Châteaux em Champagne porque vai ter gente dizendo que estou pagando uma por fora para o destino.
Também não vou dizer que estou pronta para voltar para casa.
Que os dois meses cumpriram seu papel com nota 10.
Que, agora, eu me viro em francês.
Que talvez já tenha emprego novo pintando.
Que vai fazer sol no dia da volta.
E que deve dar praia no posto 9.

Não vou dizer nada.

Mas que eu vi um passarinho verde, ah, isso eu vi.

Férias coletivas

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Esse negócio de férias quando você “quer” significa nunca – porque você tem que querer quando ninguém mais quer.
Caso contrário, não pode.
E, quando um tira, todos ralam dobrado.
Como sempre tem um tirando, você sempre está ralando por você e mais alguém.

Sábios são os franceses.
Saem, mandam tudo para o espaço.
E o mundo que se exploda!

Na volta, a gente decide o que fazer.
Amei.

Yves, mon amour

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Petit Palais

Tive um sonho interessante para levar para a análise.
Uma pessoa muito próxima havia morrido de repente. E eu sofria, sofria muito porque não pude conviver com ela e não pude concretizar todos os planos que dividimos em vida.
Eu acordava, dormia e o sonho continuava.

Acordei, joguei água fria na cara me mandei para o Quartier Latin e, como quem tem amigos não enfrenta a fila, fui furar a horda que queria ver, comer, lamber Yves Saint Laurent no Petit Palais. (A foto da fila postei no twitter porque esse blog não é baixo astral)
Não, não adianta você falar que é exposição de menininha.
São 407 roupas completas – vestidos, smokings, ternos, capas, calças e a obra do maior artista da alta costura.
O maior e o último.
Todas as musas que ele vestiu.
A quantidade de estilos que criou.
As regras que rompeu.
As que inventou.
As cores (do Marrocos, sempre de lá).
Ele mesmo – um lindo Cristo magrelo nu na propaganda do próprio perfume.

Yves.
40 anos de carreira. O cara que inventou o safári (saharienne em francês porque é bem mais charmoso), que colocou calça nas moças e reinventou o smoking. O que trouxe a moda do pós-guerra na passarela e foi criticado por Deus e o mundo. O que viajou o mundo (África, China, Rússia, Índia) sem sair de Paris.
Madonna com os peitos pontiagudos? Com um enorme laço cor de rosa nas costas?
O visual cargo?
O all black?
A fila que se forma há seis meses para ver tudo.
É tudo Yves.

A incrível paleta de cores.
O perfeccionismo a toda prova.
E a última coleção em 2002. Parece que ele já via as portas do céu.
Sem contar que foi quem transformou a namoradinha da França, Catherine Deneuve, em mito da elegância.
Vestiu todas as lindas do mundo em 4 décadas – brasileiras inclusive.
E o que amo mais: ele não é francês. É de Oran, na Algéria.
Conheceu seu grande amor em 1958 e com ele partilhou a vida e o trabalho durante 50 anos.
Quantos de nós vão dividir meio século de vida com alguém?

E eu achei tão interessante o fato de ele não encarar as lentes de frente.
De olhar de lado…

Eu entendo.

“J’ai toujours placé au-dessus” de tout le respect de ce métier, qui n’est pas tout à fait un art mais qui a besoin d’un artiste pour exister.”
Algo como “Eu tenho colocado acima de tudo o respeito por esta profissão, que não é completamente uma arte, mas que precisa de um artista para existir. “

Takeshi e os outros Kitanos

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Dicas da semana: Exposição do Takeshi Kitano na Fondation CARTIER (3 visitas para ele X 1 para a Monalisa)
A musiquete chiclete que não paro de ouvir. Si l’on s’aimait, si do Les Enfoirés!
Uma coisa anos oitenta. Ai, Minha calça de lycra rosa shock com preto. Meu cabelo espetado. Meu cinto de borracha.
Esqueça a onda retrô tipo Balão Mágico e coloque uma Nina Hagen pop-brega com sotaque de pastis na sua vida.

Para baixar:

Si l’on s’aimait, si

Para ver e ouvir antes que tirem do ar

Logo mais um cineminha. Vou de biquini de bolinha.