Arquivo de setembro de 2010

Meditação Transcendental

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Hoje mentalizei positivo.
Pensei que vivemos na Fantástica Fábrica de Chocolate.
Que lula é um molusco.
Que Dilma é apenas um nome assim como José.
Marina é aquela cantora que perdeu a voz.
Marta, uma antiga colega de Curitiba.
Cansei de ter cabelo de Sílvio Santos e fui ao salão.
Com as unhas escarlates, recusei-me a fazer parte do povo que fica achando lindo o Google Street View.
Comi demais na ZDeli.
Foi aflição de ver tanta gente embotocada e gritando ao Nextel.
Vesti meu pijama sexy de flanela e meditei.

Ohhhhhhhhm.

De repente tive alucinações.
Maluf finalmente era punido pelo poder público (recebia uma multa de trânsito).
Dado Dolabela ia para terapia.
Weslian Roriz era apenas uma dona de casa.
Heid Klum não era mais um anjo.
Ohmmmmmmmm.
Quando é que começa a liquidaçãããããããããããããããããããããão?

Osho no lance!

Você não soube me amar

terça-feira, 28 de setembro de 2010

perdi meu campo magnético

Sim, ela escolheu a vida torta.
(isso é o que pensam e não dizem quando
conto onde trabalhei e porque decidi mudar)

Coitada, vai ficar para titia
(isso é o que têm certeza, mas não verbalizam
quando digo que não quero ter filhos)

Dá um caldo
(isso sugerem alguns peludos
e até umas barbudas)


*****


Mundinho-fetiche, não?
Todo mundo pensando uma coisa e dizendo outra.
E você sabe o que está perdendo?

Eu sei que a coisa está preta e pode ficar preta-azul.
E minha opinião agora virou tendência.
Leia o artigo da New Yorker e corra para explicar para vovó que você resolveu ficar para titia antes de ser mais uma stressed mother ou um (pleonasmo) stupid father.
(e analise por que filho virou uma angústia para a sociedade contemporânea)

http://tinyurl.com/2ubdf9c

E hoje, com minha amiga Mariana, descobri que não sacamos nada de arte contemporânea.
Andamos, andamos, andamos.
Pacientes, buscamos.
Persistentes, fomos até o fim.
E achamos tudo…vergonhoso.

Até mudei de lado: tirem os urubus de lá!
Eles não merecem estar cercados de nulidades ao som mal amplificado do bolero de Ravel de uma outra obra.

O conceito de arte é algo controverso.
Consultei várias fontes…
E o dicionário de filosofia de Stanford é o que melhor diz que arte pode ser tudo… ou nada.
(Confira lá porque não vou ficar fazendo tradução: http://plato.stanford.edu/entries/art-definition/)

De todas maneiras, devo dizer que:

Projeto da escolinha fundamental

1) Nada nos emocionou;
2) Nada nos surpreendeu;
3) Nada nos fez ver o mundo de outra maneira;
4) Nada vezes nada.

Uma ou outra crítica ao status quo, à política e NADA mais…
Arroz com feijão?
Nem a arte do amigo que foi a Londres para jogar óleo no chão.
E foi triste ver consagrados de outros carnavais misturados aos wanna be.
Rebentos de Hélio Oitica, Nan Goldin, Rosângela Rennó, Mira Schendel mereciam melhor companhia.
E, para termos uma conclusão muito pessoal desta bienal, descobri que a arte hoje é NADA.

Escolha um agente, um marchand e vire artista.

Melhor voltar à literatura que é algo radical dentro de um formato tão mais sutil.

All that we see or seem Is but a dream within a dream.

2,3,4

terça-feira, 28 de setembro de 2010

paint it black

Ontem, acordei.
Leituras, chacoalhada geral.
Entreguei um texto que estava atravessado na garganta, fiquei livre.
A casa se arrumou.

Essa história da Bienal em São Paulo.
Eu gostei da “invervenção” do urubu. Tem humor, nao estragou a original, até complementou.
E achei a segunda pichação de quinta categoria.
Invejosa, maldosa.
E assim é a vida.
Muita gente insiste na máxima de que o bem do outro é o seu mal.
Hello, periferia, vamos torcer para que todo mundo se dê bem (disse a fada Sininho).

A previsão hoje é de chuva o dia todo.
Ana Pessoa não sabe se vai de Hunter boot verde ou preta.
Programaço: Bienal, almocinho por aí, cineminha.
Casa.
Férias compulsórias – curtindo da melhor maneira possível depois de pagar a última conta européia no cartão de crédito.

Perguntas feitas para a esfinge:
– Por que os processos de contratação demoram tanto?
– Você já se sentiu como carne no açougue?

Ao que ela respondeu: –  Não chega muito perto que eu mordo!

(Para o James Bond tupiniquim)

Transparência

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Começo a semana com uma frase divertidíssima de Ibraim Sued: “Os cães ladram e a caravana passa”.
E é com ela que me levanto depois de uma semana com espírito de poodle histérico…
Engraçado como as palavras voam e tomam direções inesperadas.
Há quem tenha tido a impressão de que estivesse perdida.
Estou mais é achada.
E isso é um processo caro, leitor.

Enquanto pulo de head hunter em head hunter (semana passada, três a zero para eles), resolvi fazer o que faria se tivesse ganhado na loteria.
Ler!

E estou relendo coisas de que gosto…
Minha pequena biblioteca é bem organizada e variada.
Para quem se procura, por que não Raízes do Brasil?

Sérgio Buarque de Holanda, fazendo alusão ao conflito de Antígona e Creonte (e a crise de adaptação dos indivíduos ao mecanismo social), chega ao homem cordial.
Segundo Sérgio, “nossa forma ordinária de convívio social é, no fundo, justamente o contrário da polidez”.
Nosso personalismo que sobrepõe-se ao coletivo e passa por cima de leis e convicções faz uma boa figura, pois queremos logo ser íntimos. Nada de sobrenomes ou processos naturais, burocráticos e hierarquizados.
Nós, brasileiros, vamos logo “ficando da família” e dando opinião onde não somos chamados.
Nós nos atropelamos enquanto povo para fazer valer o “eu”.

Talvez hoje, depois de mestrado, especialização e muito trabalho suado, eu entenda melhor esse “ser brasileiro”.
Essa vontade vã de nos satisfazer acima de tudo.
Acima do próprio trabalho, acima do Estado.
Ter prazer pelo prazer.
Pela sensação doce de estar aqui, agora, e dane-se o amanhã.

Talvez você entenda o meu ar às vezes sombrio porque, justamente, eu decidi saborear a caminhada.
Eu abdiquei do falso brilhante.
Eu sei que meus sobrenomes Globo, Cyrela, RedBull e tantos outros me “aproximaram” de muita gente interessante.
Mas o caminho que estou buscando é mais longo e de passos curtos.
Das boas maneiras que nos tornam íntimos e, ao mesmo tempo, senhores e escravos ao trabalho suado que contribua para algo que vá além de mim, de Paris, de Nova York e de minhas viagens incríveis.
Uma construção de algo que envolva os outros e que se sustente por si.
Um trabalho bem feito e só.
Não falo de trabalho social.
Falo de ter um apego diferente ao trabalho do dia a dia que nos dá o pão.

Enfim, fez-se a luz. 
Contrariando o Gênesis, não foi no primeiro dia. Demorei 35 anos

Julia

domingo, 26 de setembro de 2010


A Bienal de São Paulo.
É proibido politizar.
Hoje chove e tem Zubin Mehta.
Melhor ir durante a semana quando quem pode trabalha.

Meu computador está de volta.
Perdi todos os arquivos de Paris.
Fotos, textos, idéias.
Dois meses – dois dos mais divertidos – da minha vida.
Meu celular foi para o espaço.
Não sei o que dizer.

Ontem revi dois filmes que adorei ter visto dentro de um avião a caminho de algum trabalho que tem esse nome por alguma razão.
Estranho ver depois que a poeira baixou.
E pensar que o prazer também tem hora.

E as feiras de Paris?
Ganhar um pedaço de queijo.
Morango desidratado e açucarado.
Comer um pedaço carnudo de manga.
Aqui na vida “real”, tirando o álcool, a festa e o trabalho, não dá tempo… Dá?

Um homem de 84 anos e uma mulher de 91 se casaram.
A mãe do noivo, de 104 anos, conduziu o filho até o altar.
Eu não sou louca.
Sou destemida.

Para quem tem domingo, bom dia.
Liberte “os urubu” que existem em você.

Riobaldo

sábado, 25 de setembro de 2010

Ceará, 1998

Não existe monge que não caia em tentação.
Atrair a atenção dos outros. Sair do meio da multidão.
Eu, você, todos nós sofremos desse mal.
Da sociedade do espetáculo para a sociedade digital, todos nós queremos um pouquinho de atenção.
Ainda que seja barata, falsa ou efêmera.

E a solidão?
É algo exótico, quase um defeito.

Essa semana foi diferente.
Tive muita dificuldade.
Quase não saí de casa.
Desmarquei tudo o que pude.
Ainda estou procurando – o quê, não sei.

Li alguns textos, pedaços de livros.
A televisão falando sozinha.
Li alguns recados tortos pela internet. Coisas com laços e nós.
Tão piegas, tão pequenas.
Pura vaidade.

Pensei no motor da nossa vida.
Estar cercado de gente.
Sobressair-se no meio de uma onda como carpas.
Migalhinhas de pão e oxigênio.
Pensei no amigo que anda triste.
Pensei na minha covardia para mil coisas.
E nas pessoas que se dizem queridas, mas não conseguem ter coragem.

Aí reli os posts.
Foi difícil escrever.
Falta de assunto, falta de graça, sei lá.
Parei nos malditos.
Pensar sozinho é destino.
Escrever com método, rebeldia.
Abdicar de quase tudo que está em volta, necessidade.

Às vezes eu penso: seria o caso de pessoas de fé e posição se reunirem, em algum apropriado lugar, no meio dos gerais, para se viver só em altas rezas, fortíssimas, louvando a Deus e pedindo glória do perdão do mundo. Todos vinham comparecendo, lá se levantava enorme Igreja, não havia mais crimes, nem ambição, e todo sofrimento se espraiava em Deus, dado logo, até à hora de cada uma morte chegar. Raciocinei isso com compadre meu Quelemém, e ele duvidou com a cabeça – «Riobaldo, a colheita é comum, mas o capinar é sozinho…» – ciente me respondeu.

(Grande Sertão: veredas, 19a. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 74)

talvez seja a hora

sábado, 25 de setembro de 2010

Blog é teatro e terapia barata.
Blog tem começo, meio e fim.
Talvez seja a hora de voltar a ter vida privada.
Mas hoje ainda é sexta.

A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
Fernando Pessoa

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho…o de mais nada fazer.
Clarice Lispector

Abobrinhas

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Em campo

O mundo volta a seu rumo depois que o Santos de Neymar foi derrotado.
Futebol, um mistério quando se fala em brasileiros.
Ontem foi dia da plebe (eu incluída) crucificar o jovem e arrogante jogador que tantas fez que levou à demissão do técnico.
Para mim, o mais engraçado e deprimente foi ler o colunista Xico Sá dizendo-se rebelde e radical por defender o bad boy.
Não dá para levar a sério um cara que vangloria-se de ser feio e entender de mulheres.

O céu caiu

Depois que pedras gigantes de gelo destruíram um bairro em Guarulhos, na Grande São Paulo, a primavera chegou.
O tempo anda tão louco.
Engraçado é dizermos que temos primavera.
Não temos.

Boa ação

O bad boy do Facebook fez uma doação de U$100,000.00
O que um filme sobre o rapaz não causa em sua vã consciência?

Horário político

Gabeira encanta militares
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/09/23/precisamos-ficar-atentos-isso-326802.asp

Febre

Eu dancei muito em 1984, 7 anos depois da estréia do filme.
E olha que o filme não era pra o meu bico…
Nada como ter mães de amigas que se amarravam em caipirinha!
Nos anos 80, meu objeto de desejo era um piso iluminado.
Como um jogo Genius gigante.

Arrastando a sandália com veneno entre os dentes

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

I feel sorry for people who don’t drink. When they wake up in the morning, that’s as good as they’re going to feel all day. (Frank Sinatra)

Bananada em liquidação

Ter que conviver com as indefinições dos outros é um aprendizado e tanto.
Eu enchi minha semana com pequenas reuniões só para mudar de ares.
Estou esperando pelo próximo lance do jogo de xadrez.
Há quem diga que é ótimo.
Ótimo até chegar a primeira conta. Só para fazer back up de 1/3 do meu Mac morto, 900 reais.
(…)

Enquanto sossego, fico lendo o que se passa por aí…
* O bad-bobo-boy Neymar derrubou o técnico.
Ele deve estar comemorando sem saber que é o próximo da lista.
* O vexame na Stock Car.
E a carona que uns pegam nas decisões de outros para justificarem um investimento ruim.
* O governo argentino apresentou nesta terça-feira denúncia contra o Clarín e o La Nación por homicídio e cumplicidade em crimes de sequestro e tortura cometidos durante o governo militar (1976-83).
A ditadura é uma caixa de respostas para a corrupção que herdamos, não é?
* Barraram a Paris em Toquio. Ela ficou “desapontada”.
* A “jornalista” que estréia coluna para falar do Copom e nao conta que o importante mesmo foi quando ela garfou o sócio do Armínio Fraga e se aposentou…
* O brasileiro que foi o primeiro investidor no então desconhecido Facebook e que tomou um tombo do CEO Mark Zuckerberg.

Interessante a sociedade em que vivemos.
A das aparências em detrimento da coerência.

É um exercício interessante andar na contramão.
Sem perder a ternura.

Temo a tua natureza; ela está demasiado cheia do leite da ternura humana para que seja capaz de seguir o caminho mais curto. (William Shakespeare)

poète maudit

terça-feira, 21 de setembro de 2010

François Villon, dizem, foi o primeiro. Preenchia três quesitos necessários: ladrão, boêmio e ébrio.
O termo ganhou o mundo depois de uma série de artigos dos anos de 1884-1888 assinados por Paul Verlaine intitulados “Les poètes maudits”, no “Boletim Lutèce”, com citações de Tristan Corbière, Rimbaud e Mallarmé.
Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Lautréamont.
Verlaine abandonou mulher e filho em 1872 para ficar com Rimbaud.
Foram para Londres.
Em julho, Verlaine disparou dois tiros contra Rimbaud, atingindo o pulso do jovem poeta.
Os últimos anos de Verlaine foram marcados pela dependência de drogas, alcoolismo (muito absinto em Paris) e pobreza.
Paulo Leminski escreveu que, “se vivesse hoje, Rimbaud seria músico de rock”.
Morto há 21 anos, Leminski era tradutor de japonês, inglês, francês, latim, espanhol, judoca faixa-preta, monge iniciante, compositor popular, biógrafo, professor de história e de redação, publicitário, contista e trotskista.
Meus queridos Truffaut e Gainsbourg.
John Fante, William Seward Burroughs, Jack Kerouac. Henry Charles Bukowski Jr.
Tutti bona gente!
No Brasil, um grupo. Escolha o seu.
Francisco Alvim, Carlos Saldanha, Antonio Carlos de Brito, Roberto Piva, Torquato Neto, José Carlos Capinan, Roberto Schwarz, Zulmira Ribeiro Tavares, Afonso Henriques Neto, Vera Pedrosa, Antonio Carlos Secchin, Flávio Aguiar, Ana Cristina Cesar, Geraldo Carneiro, João Carlos Pádua, Luiz Olavo Fontes, Eudoro Augusto, Waly Salomão, Ricardo G. Ramos, Leomar Fróes, Isabel Câmara, Chacal, Charles, Bernardo Vilhena, Leila Miccolis, Adauto de Souza Santos. Incluo Cazuza, Cássia Eller e até Renato Russo entre os populares. E Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta.

Engraçado mesmo é que quem expressa opiniões costuma ser maldito.
Do latim, “maledíctus” é aquele ‘que diz ou pronuncia palavras de mau augúrio’.
Poesia.
Opinião.
Tudo se resume em uma palavra: confusão.

E aí é inevitável.
O que pode ter causado na minha cabeça um filme que vi (escondida) aos dez anos de idade?
Era a estréia da Sessão Coruja.
Peter Fonda joga o relógio de ouro no acostamento…
E o destino quis que fosse assim.

(A melhor versão está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=nIfUD70yvz8)