Arquivo de setembro de 2010

Ouvidos

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

neblina

Fim de semana de cama!
Nada melhor do que uma dor de garganta para te obrigar a sossegar.
Ficar em casa no frio enquanto a vida fica em suspenso.
Ver filmes, ler livros esquecidos pela metade.
Forçar a vista para o que está dentro.

Esquecer da política.
Das partes chuvosas.

Sentir o corpo que pede cama.
E não lutar.

Pensar na poesia das coisas mínimas.
E em Lídia de Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

Lídia

Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros
Onde que quer que estejamos.

Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros
Onde quer que moremos, Tudo é alheio
Nem fala língua nossa.
Façamos de nós mesmos o retiro
Onde esconder-nos, tímidos do insulto
Do tumulto do mundo.

Que quer o amor mais que não ser dos outros?
Como um segredo dito nos mistérios,
Seja sacro por nosso.

“Entocaiei”

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

sexta-feira 17

Hoje foi um daqueles dias de Belo Horizonte no DNA.
Não corri, não yoguei, não almocei com meus amados amigos.
Fiquei em casa com os pés sujos, pretos de pó paulista.
Já pensou se eu ainda morasse nas cavernas?
Morar em Nova Lima, fazer video-arte, tomar Santo Daime e ouvir Pato Fu.
Ir ao show da Marina Machado, depois comprar ingresso para O Corpo ou o Galpão.
Trabalhar no Estado de Minas, bien sur.
Como pode o peixe vivo?
Eu nao vivo nessa lagoa.

Comprei jornal para ler tudo o que já havia lido sobre Erenice e suas lulices que serão dilmices.
E o bobo menino de 21 anos que saiu vestido de stormtrooper e virou notícia?

Ontem, em meio a louras ex-famosas (Caroline Bittencourt? Renata Fan? Maria Cândida? E Fernanda Young, a moça que já foi interessante e hoje é um pastiche sem sal). Em meio a “tudo” isso, uma pequena rã pulava tentando escapar de sapatos altos. A festa era de gastronomia da Veja SP.
Pensei na rã que provavelmente não conseguiu escapar.
E fiquei me sentindo uma idiota por não ter colocado o batráquio na bolsa e ter fugido dali. Não salvei ninguém. E fiquei até a metade.

Amigos, tenho inveja de hoje.
De um dia para não fazer nada.
E descobrir que a internet não é tão rápida ou reveladora como pensamos.

Logo mais tenho que sair da minha meditação para buscar irmão no aeroporto.
E tenho que ir a um jantar.
Ai, a irmã má de Ana Pessoa pode despertar.
Ela vai amar o novo filme de Joaquin Phoenix.

Pour Nico

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

aujourd'hui, j'ai rêvé en français

Nico, la vie se passe ici à un rythme différent.
Arriver. Voir des gens que j’aime.
Retourner à la maison, au lit, à la cuisine, aux animaux de compagnie.
Ensuite, vous vous réveillez à la réalité. Payer les factures, les petites administrations d’une vie.
La recherche de travail.
Mon ordinateur est mort.
Mon téléphone est tombé et a cessé de travailler.
Sao Paulo est la ville qui vit à l’intérieur d’une voiture.
Nous voyons moins de gens et ne donnent pas bonne journée.
Nous avons moins disponibles.
La politique sale qui nous entoure montrant que nous travaillons pour nourrir les monstres corrompus.J’ai couru 12 km.
(Pour sentir le vent souffler sur mon visage)

Paris et Sao Paulo ne devrait jamais être le même.
Ainsi, nous nous sentons unis.
De ce qui nous manque.

(Mon français est seulement autorisé à se tromper sous la forme de la poésie.)

Artes e Espetáculos

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

lindja

A vida como ela é!
Vejo um anúncio com uma foto de uma mulher com uma espécie de prego gigante no joelho… Fique linda na clínica de estética X.
E a Caralluma? Gisele tomou e emagreceu…Engraçado foi quando um bug mudou o anúncio e ficou assim: “Ela perdeu 2 kg em 24 meses”. Uau! Isso é que é dieta.

Pele de pêssego a preço de banana!
Saboreie os melhores bolos por muito menos!
Maiô trançado frente/verso. Com argola central.
Sapatos de Grife Baratos
Vamos encher um container com o melhor da noite para (sic) brasileira e trocar com o de outro país.
Visite o site e descubra o seu estilo íntimo (?)

E tantos “reality shows”?
A inglesa grossa e racista que morreu de câncer e o revival dela no twitter.
Os quase-atores gostosões que querem mostrar os “cérebros”.

Diga que não é engraçado. Diga que você não ri disso tudo.
Eu fico pensando (seriamente): por que não tomar caralluma, enfiar um prego no joelho e depois sair para trabalhar com um maiô trançado com argola central? Supostamente, a onda é essa!
Onte vi uma foto da Lady Gaga indo pegar um vôo em NY de calcinha e soutien, um sapato horroroso do Mc Queen e uma jaqueta dourada + algemas na cintura.
E o povo ama! O povo, ou os little monsters?
A novela brasileira? Todo mundo se perguntando o que um cara faz na frente do computador…
E você, o que faz em frente ao seu computador?

Gente, de perto ninguém é normal.
Todo mundo queria ganhar na Megasena e largar isso tudo e ser mais louco ainda.
Ainda, ontem li num jornal inglês (provavelmente o The Sun) que uma moça que ganhou uma baba na loteria quando tinha 16 anos está com a conta praticamente zerada. O que ela fez? Festa, plástica, festa, festa.
Quer mais? http://www.businesspundit.com/10-people-who-won-the-lottery-then-lost-it-all/

Não, não vou ficar fazendo discurso contra a sociedade de consumo, a favor da literatura e contra a preocupação com a estética.
Está aí escancarado.
Somos tudo isso e menos um pouco.
Mas queremos ser ou parecer ser mais.
E é nesse ponto que a porca torce o rabo.
(e que eu dou umas boas gargalhadas com o non sense alheio)

Amigos criativos

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Como falei, a yoga iria acabar comigo… e acabou.
Estou com uma dor de garganta infernal.
Mas sou tinhosa e corri de novo hoje.
Foi um filme de terror. Alice passou mal já no caminho.
E eu parei no km cinco.
Estou tomando comprimidos para me aguentar em pé…
Yoga na quinta – eu vou.

Tenho agenda lotada e amigos super criativos.
E nada mais me interessa…

Dizem que a força está nos cabelos

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

antes

Não me venha com esse papo de narizeu.
Tenho certeza de que a frase é da Xuxa ou do PC Farias.
O fato é que fui ao salão dar um trato no pé calejado de tanta caminhada e aproveitei para virar outra pessoa.
O corte não é novo: já experimentei a graça dez anos atrás.
A cor das madeixas igual a do Sílvio Santos é que deu o toque alucinado.
Como pode um marrom ficar meio acaju, meio estranho?
Enquanto a cor não muda (sim, amigos do sexo masculino, a tinta muda de cor aos poucos), vou criando uma nova personalidade para esse cabelo sem a força de Sansão…

(Observação importante: como é da minha natureza, eu fiz um teste antes com uma peruca que usei certa vez em Nova York. E, no dia seguinte, ao encontrar com os mesmos amigos, todo mundo perguntou se eu tinha uma peruca para cada ocasião. Risos)

depois
depois

Em se falando em mudanças, comecei a minha semana com a meta mais difícil de todas.
Criar uma rotina.
Logo cedo fui correr com a cachorra.
Eu e ela estamos duas POLPETAS!
Ela ficou mais cansada.
Vamos combinar: Alice pesa 12 quilos. Se for comparar, eu corri 6km, ela, pelo menos uns 30 – proporcionalmente.
Depois, fui contar para meu endocrinologista que andei pecando e passando mal.
Cada um tem o conselheiro que escolhe.

Em casa, saladas inovadoras.
A de hoje estava exótica. Hortelã com cogumelos de Paris, nabos e folhas + mostarda de Dijon. Uma coisa “verão desempregado em Sampa” – interessante, mas o sabor passa rápido (e o verão também! Já o desemprego… Aceito ajuda!)

hoje, depois de duas festas e uma corrida maluca no Ibirapuera

Logo mais, yoga.
Aquela coisa de Sampa que eu adoro.
Minha professora deixou o professor.
Foi para a Espanha ser feliz e ter filhotes com outro professor.
Eu fiquei órfã, mudei 3 vezes de cidade (Belo Horizonte – Curitiba – Rio – São Paulo), tentei, mas larguei meu nível faixa roxa de yoga – daqueles que colocam o pé atras da orelha e levanta o corpo com os braços…
Andando com Alice pela pracinha, encontrei um colega que (obviamente não me reconheceu – com tantas arrobas a mais e cabelo de menos) e ele me indicou para um cara.
Liguei para o cara e vou hoje ver qual é a da yoga.
Com toda a força dos cabelos curtos, volto para o básico “menos um”, um nível muito mais difícil do que qualquer outro que já desbravei. Um nível em que encostar a mão no pé dói e faz chorar…

E o trabalho?
Ah, plantei umas sementes aí.
Se nascer, aviso.

Bom começo de semana para você que tem como pagar as contas!

Paladar

sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Mineira em São Paulo

Mineira em São Paulo (=queijo francês)

Desde segunda-feira meu computador resolveu parar de trabalhar.
Eu o entendo perfeitamente…
A Apple é que poderia ter um serviço de assistência remota mais eficiente.
O fato é que, em Paris, meu telefone tinha acesso limitadíssimo a internet.
Aqui, a hora e a vez do computador.

Adoro como a semana voa em São Paulo.
E nunca tive a real noção de como o trânsito consome nossas horas preciosas.
Ele é como um gadget em sua estréia: rápido, intrigante… e com bateria que dura pouco.
No primeiro dia útil da semana, reuniao às 10h.
Meu carro estava no rodízio e me esqueci. Pedi para chegar meia hora mais tarde.

Sao Paulo em qualquer lugar

Reunião remarcada para o dia seguinte…
Coisas de São Paulo.
No dia seguinte, saí com folga de casa. E cheguei à reunião uma hora mais cedo.
A sorte (paulista e de principiante) é que a reunião teve que ser adiantada.
E teve que ser interrompida também.
Parti para um café com um amigo que trabalha ali perto.
E praticamente fechei um novo trabalho.

Depois tomei chá com a amiga querida.
E não consegui encontrar com a nova amiga.
Trânsito.
Sampa.
Eu resisto.
Eu gosto mesmo assim.

Ai ai ai.
Em dois meses uma pessoa sai de esquadro?

11 mil reais e a conta

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Que gelada!

Num sete de setembro meia-boca, com o Brasil tomando um chocolate da Argentina, a notícia que ecoa na rede é que, com 11 mil reais (segundo minha Mariana, 6,7 mil é o valor correto) por mês, você será feliz.

Essa pesquisa gringa foi feita para a gente questionar, certo?
Será que o dinheiro não traz felicidade, mas ajuda a comprar?
Você pode argumentar que não, que dinheiro só não resolve, que importante é o amor, a família, o dia e etc.

Eu desconfio de que é por isso que a minha parenta psicopata do mercado financeiro resolveu ir a missa todos os dias. Por que ela não acumulou o tal milhão que queria e faz uma fezinha com o além. Risos.

Para surpresa geral, eu concordo com os gringos: uma graninha por mês ajuda muito.
Paga o passeio do cachorro, a viagem para espairecer, afasta sogra e outros parentes polêmicos – ou agrada a ponto de criar uma barreira geográfica.

Grana é bom demais.
Não me venha com esse papo de realização pessoal, de alegria, joie de vivre.
Numa sociedade capitalista, os gringos nem precisariam de uma pesquisa pra somar dois + dois.
Grana = felicidade.

Olha, eu vou com Zola para a Normandia.
Eu não sou Pauline.
Também não sou uma Chanteau.
Tô no meio do caminho tentando remar contra a corrente, mas confesso: sem dinheiro não dá não.

Esse negócio de uma casinha na praia e um violão é coisa de baiano nos anos 50.
Baiano bom hoje tá na Odebrecht virando potência mundial.
Ou vai pular fantasiado no Madison Square Garden.

E quem imigrou para São Paulo não veio atrás de sombra e água fresca.
Veio correr atrás do ouro de tolo.
Eu, você e todos nós.

O problema é que eu gosto de andar no limite.
Aí, desvio do caminho e vou parar em Paris ou em Bangladesh. E amanhã coloco meu salto alto, passo a maquiagem francesa e vou procurar emprego como 12,4% da PEA.

Hoje estou num sarcasmo que nem eu me aguento.
Só pode ter sido o bordeaux 2007 e a massa com pinoli e 3 queijos.
Só pode.

Alguém expliiiiiiica?

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

E ainda ronca!

Cheguei, arrumei as malas e… mágica!
A casa, o cheiro da rua, a quase-chuva que nunca caiu.
Como é que a gente roda o mundo e, quando volta, a vida daqui continua uma delícia?
E por que a gente vai embora?
Talvez para voltar? Ou para confundir tudo e voltar para casa?
E a cerveja da padaria que continua gelada?
E o pão de queijo?
Dois meses sem pizza!
E eu ainda pensando na língua errada, fazendo a maior confusão no cerebelo. Se você não sabe, “sem ele seria impossível desempenhar todas as atividades motoras que requerem habilidade, desde apanhar um objeto qualquer, até realizar uma atividade física que requeira um pouco mais de coordenação motora, como a dança, por exemplo.”
Fica ligado, cerebelo!
Enquanto isso, Dilma continua mentindo, o sigilo bancário continua sendo publicado no jornal do bairro e o Brasil continua uma zona.

Ai, casa!

à deriva

segunda-feira, 6 de setembro de 2010
saladinha na

salade, salada, sei nada

nada estranho o fato de eu ter alugado o filme na Apple gringa, ter deixado o danado dormindo no meu micro por 5 dias e ter assistido hoje – todo dublado em francês.
quem viu, viu. quem não viu é porque não chegou a hora.

adoro Sampa no feriado.
o sol escaldante, depois o vento, a quase-chuva.
tudo se entrega em casa.
a salada niçoise que eu preparei.
o champagne que comprei em Dubai. minha marca predileta.
de Reims trouxe 3 magnuns e dois “comuns” para celebrar muitos outros dias e entre amigos.
ainda tenho um rosé estocado.

a falta que o bonjour, bonne journée e outros detalhes simples fazem.
dei bom dia a todo mundo na rua enquanto a ventania levantava as saias e eriçava cabelos.
poucos me responderam. um resmungou de volta.

hoje foi cassoulet comprado no Freddy’s.
alguns amigos falam absurdos via twitter.
a vontade de aparecer com o falo na mão.
não resisto, mas melhor é não “falar”.

então, sendo assim, bonne soirée.