Arquivo de outubro de 2010

Tacones lejanos

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Foi com esses que fui...

Um almoço grátis e um papo com um amigo espanhol que veio se aventurar por aqui e ficou.
Uma parada estratégica na Sak’s e dois novos pisantes de sola vermelha.
Uma corrida até Times Square e o filme sobre o Facebook.

“The Social Network” segue a história contada em revistas…
O menino Mark Zuckerberg (26 anos), que conheci pessoalmente no ano passado, parece o autista que pensei que fosse. Até a metade do filme, não faz uma triste figura como pintam as críticas. Ele dá o cano nos gostosões de Harvard e desconfio que 90% da população acha isso ótimo…
É quando ele engana o amigo e financiador do que viria a ser o Facebook que a imagem de nerd-daltônico dá lugar à imagem de mau caráter, manipulador e bandido sem moral.
Sendo o amigo traído um brasileiro, imagino que a coisa vá ficar quente na estréia em Sampa.

O filme é bom, a história não é nova.
O que me bateu é que saí com a sensação de “Vale a pena ver de novo”.
Acho que já conheci e já trabalhei com gente que tem essa mesma mentalidade e, certamente, menos sorte e talento.
Não é algo para se gabar.

Filme visto, fiquei com vontade de comprar o livro The Accidental Billionaires do Ben Mezrich…

Bastidores da criação de empresas de tecnologia turbinados com ficção bem ao estilo americano.

o salão do Daniel

Engraçado é notar que os tradicionais excluídos, quando incluídos, costumam virar monstrengões.
De perto, quase ninguém é do bem?
Recordo-me de um coordenador que tive em minha equipe.
Um baixote com calvície no estágio 2 (quando não dá mais para disfarçar)…
Ele daria a mãe para ser CEO de qualquer coisa, até da cooperativa de engraxates do rio Guaíba. Sorte do mundo que o menino só tem ambição e nenhum talento.

Depois de ficar com o filme sobre os nerds do mundo digital rodando em minha cabeça, uma aventura gastronômica daquelas.
Daniel Bouloud com “D” maiúsculo!
6 pratos harmonizados com vinho.
Comida que não acaba mais.
Blazer é obrigatório para homens e, como bons franceses em NYC, o moço que não for a caráter pode pegar um emprestado na chapelaria e fazer bonito no salão principal.
Além de comer bem, abusei do meu francês!

Foi um dia de extravagâncias.
Louboutins, filmes, 3 estrelas do Guia Michelin…
E a sexta-feira só começa hoje.

O próximo filme da semana será “Inside Job“.
Badaladíssimo por aqui, ele conta os bastidores de 2008.
O trailler tem entrevistas hilárias com essa turma nerd (aussi!) do mercado financeiro que quebrou a banca nos Estados Unidos.
Para esse, preciso de algo além de sapatos de 3 dígitos.

Quem disse que bebida, viagem, compras e outras bobagens não funcionam?

Calor e chuva

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Morrendo de rir

Depois de um dia quente e chuvoso, só mesmo Keith Richards para me fazer rir.
Comprei a autobiografia dele e estou dando risadas desde a primeira página. Para quem tem filho adolescente, não recomendo ter um exemplar em casa…
Keith é uma bula de remédio tarja preta às avessas.
A vida dele é um grande efeito adverso…
E parece ter dado certo.

Por aqui, uma manhã no Metropolitan cheio de crianças, turistas, lotado de gente.
Eu só queria mesmo ver a bateria do Ringo Starr e umas jóias bizantinas.
Passei um bom tempo acompanhando o entra-e-sai de gente.
Mc Donald’s das artes.

Tribeca é sempre aquele bairro estranho.
Só o Robert De Niro salva.

E o Brooklyn.
Para ver amigos, as crianças recém-chegadas, comer comida thai e voltar no último trem para o mundo onde não existem tão grandes parques e não habitam tantas crianças.

Para esse post não terminar com tanto senso… Eu repito as sábias palavras de Raimundo Fagner.

“Eu queria ser um peixe…” (dentro d’água)

Para ler depois: “Mel e Girassóis” de Caio Fernando de Abreu.
E ouvir aquela de Nara Leão.

Produção em andamento

terça-feira, 26 de outubro de 2010
Voltando com a fantasia

Roupas de Patricia Field e um momento Lego

Caminhando por aí…

Café Mogador – eu e Woody Allen gostamos.

NoHo, SoHo, Bowery, St.Mark, Chelsea, Meatpacking…

Montei minha produção de Halloween!
Adoro um carnaval…
Dessa vez, a cabeleira nova inspirou a fantasia.

Um dia batendo perna, comendo quando dá fome, revendo lugares de que gosto.
Sacando gente nova fantasiada para virar grande.
Sacando gente velha que vive em outro ritmo.

As idéias não estão no lugar, mas a cabeça está ótima.

Hoje quero ir ao MoMA.
Aquela Hello Kitty gigante já me chamou outra vez e eu não dei bola…
Agora é a hora.

(Desconfio que, lá no fundo, ela seja uma Hello Kitsch)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Coleção de outono

Coleção de outono

Uma previsão de chuva que não se realizou.
Um frio que está super tolerável – 15, 16oC.
Turbulências na chegada.
Cheguei e já ia partir.
Uma vontade de ficar inesperada.
Resolvi ficar.
Eu fui anti-americana por um longo tempo (e ainda tenho desconfianças dessa cultura que passa sobre as outras como um rolo compressor), mas Nova York é uma cidade tão anti-tudo isso.
Todo mundo misturado, velho-novo, de fora-daqui, um saber que a vida é dura, e uma vontade de querer ser mais suave.

Ontem vi o último filme do Woody Allen. Engraçado não ter o mesmo timing da platéia. As piadas que não entendemos. Um jeito de ser diferente.

Um drink num restaurante que tem como prato principal a vista. E a saudade de tempos mais amenos.

Dizem que o tempo cura. Eu acredito que o melhor remédio sempre é uma viagem.

Bom dia.

Carne, osso e yoga

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

sem photoshop

Há mais ou menos 7 anos comecei a fazer yoga.
Três motivos:
1 – Estava (e ainda está) na moda;
2 – Minha mãe praticava e ficou gatona;
3 – Havia um estúdio distante 3 quarteirões da minha casa.
Ou seja: funciona, é cult e dava para ir a pé.

Comecei com aquele jeito crítico que me é habitual, encarando os colegas como um bando de hippies de boutique, cheios de guéri-guéris yogísticos (tapetinho colorido, roupichas, prendedores de cabelo)… Ah! Todo mundo rico e planejando passar uma temporada na Índia!
Eu resolvi botar para quebrar.
Vou mostrar para essa mauriçada o que é uma hiperdistensão aguda!

Eu, que tenho um alongamento fora do comum, fui logo querendo a medalha de ouro.
Mas a yoga me deu um ippon.

A aula era de Astanga Yoga de Mysore.
Esse é um estilo de yoga que apresenta uma série de posturas / asanas que você vai, aos poucos, fazendo sozinho.
O seu “mestre” vai te mostrar que além da postura, você tem que trabalhar um número certo de Vinyasas, uma combinação de respiração e bandhas para fortalecer a energia (prana) e fluir com sincronia de asana para asana.
Não entendeu nada?
Vamos em frente.

Postura B

Um dia, minha professora me ajudou a fazer Marichyasana, quatro posturas de torção.
(Não fique achando que eu sei tudo não porque estou colando do meu livro).
Você tem que controlar a respiração.
O corpo fica quente.
Aos poucos, a coluna se alonga.
A mão segura o pé.
É chato porque a barriga pula para fora.
Não dá para disfarçar.
Dói. Incomoda.
Você cruza as mãos nas costas.
E quando está todo enrolado, torcido, dolorido, tem que ficar um tempo ali.

Simplesmente não dá para pensar na briga em casa.
Na conta do cartão de crédito.
Nas sacanagem da firma…
É respirar, concentrar, tentar.
E ganir por dentro.

Pavoa misteriosa que sou, fui com tudo.
Torci até onde conseguia.
Fingi que achava minha pança cool e joguei as banhas para o lado.
Respirei. Meu corpo virou uma caldeira.
Respirei.
Terminei… E meu intestino disse “olá”.
Sorte que o banheiro estava a poucos passos – passos que percorri para bater o recorde de 100m rasos.

Pode rir – foi engraçado mesmo.
E contrangedor…
Não menos do que a má alimentação que me deu uma bela pança; do que o amor que morreu porque não foi cultivado, a conta que é paga com o trabalho, trabalho aquele que não resolve tudo.

A minha cabeça dura não me deixou aprender que a yoga não é uma ginástica.
É uma forma oriental de tentar nos fazer conectar corpo e mente. Espírito. Você com você.

Todos temos limitações.
Entender que um dia é diferente do outro é difícil.
Seu corpo sabe.
Sua cabeça engana, finge esquecer.

Ontem eu fiz minha primeira aula de yoga depois de cinco anos diletante.
Cinco anos intensos, os mais vividos dos meus 35.

Esse 2010 tem sido danado de profundo para mim.
Da perda do meu pai em dezembro e tudo o que isso significa a dois dias do ano começar, à troca de emprego, passando por uma volta ao mundo, mais um pedido de demissão, uma terapia intensiva em Paris e uma nova volta ao mundo (ao meu mundo), fui largando pedaços, perdendo e ganhando histórias, jogando pérolas aos porcos, batendo e tomando – não nessa ordem.

Diletante.
Você sabe o que é?
Entre outros significados, diz-se daquele que mantém uma atitude imatura, de amador, em relação a normas de ordem intelectual ou espiritual.

houve num inverno um café chamado Borges

2010 veio com tudo.
Veio duro.
Veio para abrir caminhos no facão.
Já que não aprendi com a yoga…

E hoje numa entrevista de pré-emprego (não me faça pergunta difícil), a conversa desviou de caminho, saiu da pauta e eu comecei a ouvir o que eu estava falando e não mais aquele mantra me contrata.
Um balanço.
De quando eu resolvi tomar as rédeas e o cavalo desembestou.
Porque eu não sei tudo e a vida pode, sim, ser imprevisível.
Mesmo que você siga direitinho a série, respire no tempo certo, agradeça. Shanti.

Peguei o carro, voltei para casa, tomei um banho.
Li um recado esperado – daqueles que colocam os pingos nos is e tchau.
Chorei baixinho.

Eu queria só saber se um mestre de yoga fala palavrão de vez em quando.

Histórias da meia-noite

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Quem não conhece a história de Robert Johnson levante um dedo!

Robert Leroy Johnson é mais um ídolo da música que completou sua trajetória na Terra em 27 anos.
Ele compôs apenas 29 canções.
E esse pequeno acervo mudou a música e transformou o moço numa lenda do country blues.
“Sweet Home Chicago”, “Cross Road Blues”, “Love in Vain”, “Walkin’ Blues” e “Me and the Devil Blues” são clássicos atemporais.
Eric Clapton, Rolling Stones, Led Zeppelin, Jimi Hendrix e Red Hot Chili Peppers são alguns dos fãs declarados do músico.

Robert e seus dedos ligeiros
Robert e seus dedos ligeiros

Talentosíssimo, supersticioso e bom de marketing, Johnson também ficou famoso por conta de um contrato que assinou numa encruzilhada.

Na Umbanda, uma encruzilhada é um lugar onde são feitas oferendas aos orixás.
Os conhecidos despachos.
Se for em formato de “x” ou de “+”, a oferenda é para Exu, a entidade que faz a comunicação entre a Terra e o céu.
Se for em “t”, o presente é para a danada da Pomba-gira.

O marketing poderoso de Robert Johnson começou com uma história.
Ele teria ido (violão a postos) até a interseção da U.S. Highway 61 com a U.S. Highway 49.
À meia noite, o convidado deu um peteleco em seu ombro.
Johnson não olhou para o recém-chegado que pegou o violão e tocou algumas músicas.
Em depoimento para o documentário “The Search for Robert Johnson” (dirigido por Chris Hunt), a ex-namorada Willie Mae Powell contou que Johnson confessou ter vendido sua alma ao diabo.

Johnson morreu em 1938 pouco tempo depois de ter gravado suas canções.
Ele bebeu uma garrafa de uísque temperada com veneno (dizem que foi preparada por um marido traído ou uma namorada ciumenta – não se sabe ao certo).
Durante a recuperação do envenenamento, morreu de pneumonia em Greenwood, Mississippi.

Pois a minha história da meia-noite não tem pacto com diabo.
Tem a ver com as decisões que tomamos e as encruzilhadas que vamos encontrando ao longo da caminhada.
Todos – mesmo inseguros ou covardes – somos obrigados a fazer escolhas e lidar com as conseqüências que surgem daí.
Sair da zona de conforto, embora os papas da cultura vazia de corporações achem a coisa mais linda desse mundo, sempre é doloroso.
Afinal, todos buscamos essa tal zona onde pisamos com segurança e sabemos nos virar de olhos fechados.
Mas ela não é eterna.
E, de tempos em tempos, temos que nos virar.

Eu sempre fui “vista” como alguém que tem coragem.
E isso é caro – você não imagina o quanto.
Daria para encher sacolas e mais sacolas da Sak’s.
Parte do pagamento vai para amizades perdidas e situações afins.

Enfim, por mais que as Igrejas, os analistas e os curandeiros digam que essa característica possa ser alterada, eu não acredito.
A gente é o que é nem sempre porque queira.

Fato, companheiros digitais, que eu estou aqui bem no meio do entroncamento.
Esperando por um cutucão no ombro.
E eu não trouxe nenhum instrumento musical.
Isso pode dar em confusão…

Abaixo, uma bela homenagem do Cream:

E uma versão sensacional com dois bad boys da guitarra: Eric Clapton e John Mayer. (O som é baixo, se você quiser o melhor som vá para: http://www.youtube.com/watch?v=Zh4n1bZi4d8&feature=related)

Raiz

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Eita que segunda-feira é dia de desatar nós.
Choveu logo cedo.
E o mundo acordou de mansinho.

Concentrar no que é urgente.
O tempo voa, mas o mistério é saber que tudo (ainda) é.

Procuro alguém que queira me reensinar ashtanga.
A tarefa é para ser desenrolada sem pressa.
Começa com a mão que não encosta no pé.
E avança quando sua cabeça perde o controle.

Mexendo em meus arquivos, uma série de autoretratos.
E uma frase.

The foot feels the foot when it feels the ground.
Buddha


E aí brotou do nada, como que para provar que certas coisas não vão embora:

Vande gurunam charanaravinde sandarshita svatma sukhava bodhe
Nih shreyase jangalikayamane samsara halahala mohasantyai
Abahu purusharakam sankhachakrasi dharinam
Sahasra shirsam svetam pranamami patanjalim

Bye-bye, Johnny!

domingo, 17 de outubro de 2010

Dizem muito sobre o número “7”.
Sorte, crise, mudança.
Eu gostaria mesmo que esse número não significasse nada.
7 dias da semana.
5 vezes e eu aqui.
7 + 4 = nada.
Até agora não inventaram a máquina de teletransporte – o que dificulta muito minha vida.
Será que dá para inventar a máquina que apaga a memória?

Eu sei que não resolve, mas disfarça bem

Quando 1+1= -1

Enfim, tudo combinando, nada decidido.
Resolvi que não vou morar em Recife e, portanto, continuo desempregada e com bônus.
Bônus de ter que reinventar minha vida toda.

Ah, para os amigos que me esperavam do outro lado do Hudson, essa decisão também inclui o cancelamento da semana em Nova York.
E olha que isso faz parte do bônus.
;-P

Salve o ócio OU o ócio salva?

Ontem, super otimista (ou numa crise aguda de Pollyanna) fui ao Conjunto Nacional para comprar entradas para a 34a Mostra de Cinema de São Paulo.
Assim como acredito que as pessoas vão parar de usar o “foursquare” para avisar que estão no escritório ou no km 1, no km 10, no km 30 da rodovia, eu acreditei que, na trigésima quarta edição de um festival, detalhes sempre criticados da organização fossem mudar.
Tolinha.

Aceita VR?

A turma da Mostra avisa: pelo terceiro ano consecutivo, os valores de permanentes, pacotes promocionais e ingressos individuais continuam os mesmos. E super caros!
O pacote que te dá acesso a tudo custa a bagatela de R$ 390,00.
E o mais modesto, com 20 ingressos, sai por R$ 165,00 (R$ 8,25 por filme).

Detalhes desanimadores que remetem a edições passadas:
1 – A programação dos filmes ainda não está pronta (embora o festival comece na próxima sexta-feira).
Ou seja: você compra às cegas;
2 – Quem levar o pacote milionário ficará obrigado (como os simples mortais) a passar no Conjunto Nacional para retirar ingressos.
Ou seja: não é chegar e assistir.
Tem sempre o estacionamento, a fila para pegar ingresso, depois o estacionamento do cinema escolhido e a fila do filme.

Noves fora, decidi arriscar comprar o ingresso regular via internet.
Como não quero me afundar numa cadeira e assistir 5 filmes por dia, pago mais caro e não enfrento fila.
Para que complicar a vida que já está uma nau sem rumo?

Uma hora a menos

Eu tenho a impressão de que sou das poucas que curte o horário de verão.
Egoista que sou, por mim, o horário de verão já engoliria logo um mês.
E hoje seria 17 de novembro de 2010.
Otimista que sou, espero que nesta data eu já seja a outra pessoa.

Sobre a evocação

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Esse resgate voluntário feito pela memória; a recordação de algo importante pode também ser  uma tentativa de atração de (espíritos, seres, almas etc.) em rituais ou cerimônias específicas ou não.

Todo dia recebo spams.
Compram consórcio, oferecem uma cafeteira, prometem emprego, devolvem o ser amado ou dão descontos que você não encontra por aí.
O tempo que perdo separando o joio do trigo.
Quando eu era menina, eu tinha certeza de que hoje já haveria um teletransportador.
Te leva a todos os lugares num flash e como brinde, uma volta ao passado por ano.
Eu queria ver as mulheres queimando soutiens.
Ou passar uma tarde no festival de Woodstock.
Nunca, jamais quis voltar à Idade Média, para ver gente morrendo de peste bubônica ou porque pensou além da conta.
Nunca quis ser homem.
E, hoje, penso na falta que me faz um soutien.

Não sei se chuto os cachorros e beijo as crianças.
Ou se beijo os cachorros e chuto as crianças (eu sempre me despedi com esta frase).

Mais claro que isso só petróleo.

Batter my heart, three-personed God; for you
As yet but knock, breathe, shine, and seek to mend;
That I may rise and stand, o'erthrow me, and bend
Your force to break, blow, burn, and make me new.
I, like an usurped town, to another due,
Labor to admit you, but O, to no end;
Reason, your viceroy in me, me should defend,
but is captived, and proves weak or untrue.
yet dearly I love you, and would be loved fain,
But am betrothed unto your enemy.
Divorce me, untie or break that knot again;
Take me to you, imprison me, for I,
Except you enthrall me, never shall be free,
Nor even chaste, except you ravish me.

Holy Sonnet XIV: Batter My Heart, Three-Personed God (John Donne)

O Chile merece o presidente que tem, o Brasil, também!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Piñera, presidente do Chile, ao comprovar que os mineiros estavam vivos

Podem me detestar.
Mas eu não me interessei muito pelo resgate no Chile.
Se fôssemos acompanhar todos os casos semelhantes, em especial na China e na Rússia, dava até para fazer um programa de TV.
Algo entre um reality show e o programa do Sílvio Santos.
Com direito a ver os homens sucumbindo ao vivo ou escolhendo um novo eletrodoméstico na Porta da Esperança.

Apenas uma coisa me chamou a atenção.
Foram (estão sendo) muitas críticas ao presidente chileno – se você não sabe, grande parte da verba gasta no resgate saiu do governo federal do Chile.
Pelo que entendo, faz parte da liturgia do cargo de um líder de Estado dar apoio à nação em momentos como esse.
Ele vai faturar com isso?
Não importa. Ele tem que estar lá. É o papel de um presidente.

E em tempos de radicalismo político no Brasil, não quero fazer palanque para Serra ou Dilma.
Quero relembrar a brilhante participação de meu presidente em um caso muito mais triste e dramático do que o do Chile.

Na sexta-feira, dia 22 de agosto de 2003, às 13:26h, vinte e um engenheiros e técnicos do CTA (Centro de Tecnologia Aeroespacial), sediado em São José dos Campos, SP, morreram em um incêndio no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado no Estado do Maranhão, quando preparavam o lançamento de um protótipo do foguete de fabricação nacional, o VLS (Veículo Lançador de Satélites).

Reproduzo matéria da BBC Brasil:

Lula disse que queria dar um “aviso ao povo brasileiro” em função do que aconteceu na base espacial de Alcântara.
“Estes homens morreram prestando um serviço inestimável à nossa pátria. Certamente vamos seguir com a política espacial e pretendemos continuar com a base de Alcântara, principalmente para lançamento de foguetes”, disse.
Lula disse que quer que os familiares da vítimas saibam “que o governo brasileiro estará solidário” e fará o que estiver ao seu alcance para “minorar o sofrimento dos entes queridos dos que se foram.”
Mas Lula não disse se o governo vai indenizar as famílias, nem se visitará Alcântara.

Até hoje as famílias dos engenheiros e técnicos que morreram na explosão não receberam a indenização que o presidente prometeu (ajuda de custo para os filhos em idade escolar, entre outras).
E o seguro das famílias (Bradesco Seguros) recusa-se a pagar o sinistro por acidente de trabalho. Pagou um seguro de vida comum.

Pouco depois do acidente, leiam o que saiu no Terra:

Lula e Putin no Itamaraty, foto de Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem uma frase infeliz ao comentar o acidente da Base de Lançamentos em Alcântara, no Maranhão, onde a explosão do Veículo Lançador de Satélites (VLS 01) matou 21 pessoas em 22 de agosto.
Lula disse que “há males que vêm para o bem”, conforme o relato de fotógrafos que cobriam o encontro do brasileiro com o presidente russo, Vladimir Putin.
“Há males que vêm para o bem. Ao invés de prejudicar, pode estimular os avanços do conhecimento tecnológico”, teria dito Lula, de acordo com os fotógrafos em Nova York.
Lula agradeceu Putin pelo apoio de seu país nas investigações do acidente.

Um curto-circuito provocou a explosão do VLS 01. Essa foi a terceira tentativa frustrada de lançar um foguete totalmente nacional ao espaço.

Eu gostaria de mantar uma lista para o Lula:
Os nomes dos 21 engenheiros e técnicos mortos na tragédia.
– Amintas Rocha Brito,
– Antonio Sérgio Cezarini,
– Carlos Alberto Pedrini,
– César Augusto Varejão,
– Daniel Faria Gonçalves,
– Eliseu Reinaldo Vieira,
– Gil César Marques,
– Gines Ananias Garcia,
– Jonas Barbosa Filho,
– José Aparecido Pinheiro,
– José Eduardo de Almeida,
– José Eduardo Pereira,
– José Pedro Peres da Silva,
– Luís Primon de Araújo,
– Mário César Levy,
– Massanobu Shimabukuro,
– Maurício Biella Valle,
– Roberto Tadashi Seguchi,
– Rodolfo Donizetti de Oliveira,
– Sidney Aparecido de Moraes,
– Walter Pereira Júnior.

No final de 2003 o governo federal pagou uma indenização de R$ 100 mil para cada uma das 21 famílias das vítimas do acidente. Também indenizou o tratamento médico e psicológico dos familiares e algumas despesas de educação dos filhos das vítimas.
Insatisfeitos, os familiares procuraram a Justiça, reivindicando, em média, uma indenização de R$ 2 milhões. (Lula chegou a falar em algo em torno de R$1milhão).
Algumas das ações propostas individualmente pelos familiares das vítimas já tiveram decisões favoráveis em primeira instância, mas que foram questionadas pela Advocacia Geral da União (AGU), com respeito ao valor pedido das indenizações.
Segundo a AGU, “não há legislação específica que fixe parâmetros de indenização por danos materiais e morais aos servidores públicos estatutários, vitimados em acidente, como no presente caso”.

Os familiares dos mortos no acidente fundaram a Associação dos Familiares das Vítimas do Acidente do VLS (ASFAVV).
Essa associação defende a continuidade do projeto do VLS, busca na Justiça o direito de saber quem foram de fato os verdadeiros responsáveis pela tragédia ocorrida, e luta para “manter acessa a chama de humanidade”, que os 21 engenheiros e técnicos falecidos deixaram a partir do seu trabalho interrompido no CLA.

Se você se comoveu com o caso no Chile, eu só te peço que pense no brasileiros que morreram em Alcântara