Arquivo de outubro de 2010

Previsões equivocadas dos 20 anos

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Cá estou no Recife em meio a uma viagem de análises antropológicas.
Não, nada de Gilberto Freyre mas muito dele também pois estar no nordeste é ver que Casa Grande e Senzala persistem embora o século seja XXI.

Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus

Com a ajuda de um GPS completamente abilolado, entramos todos os dias em bairros pobres que só não chamo de favela porque são ditos bairros.

O centro antigo, antes uma lembrança de cores e festa – Chico Science vivia e eu era uma universitária/foca da Veja cheia de idéias sem começo e nem fim – virou um amontoado de casarões que correm sério risco de desabar.
O centro perdeu as cores e virou um centro qualquer do Brasil.
Com mendigos, putas, lixo.
A diferença é que os casarões seculares resistem, mostrando que, sim, insistimos em olhar para frente e esquecer o que nos trouxe aqui.

Como é estranho ver o Recife com olhos de 20 anos, rico em cultura e histórias que iriam levá-lo a um plano diferente e ver, aos 35, que nada do que se profetizava aconteceu.
O bairro mais elitizado, onde estou hospedada, a Boa Viagem, é um cenário de novela.
Literalmente.
Um trecho, a parte nobre, tem prédios pseudo-modernos com grandes varandas com vista para o mar.
Mas aqui embaixo a história muda de figura.
A praia é suja e o calçadão só é bem conservado nos trechos onde a Casa Grande domina.
Mas para a novela o que importa é o mar azul.
Com um bom filtro na lente, esses detalhes somem.
Atrás dos prédios, onde os tapumes mostram que o Projac acaba, vielas sem pavimentação, ruas tortas e sem planejamento, casas, casebres, lixo, muita pobreza.
Sem contar as avenidas de acesso que mostram que uma cidade sem plano urbanístico rapidamente perde personalidade.

Havia bairros agradáveis em minha memória: Casa Amarela (onde mora Ariano Suassuna), Casa Forte.
Descobrimos outros no entorno: Jaqueira, Espinheiro, Madalena.
São ruas arborizadas com edifícios modernos (leia-se muito vidro e ladrilho) cercados (ó sina) de pobreza por todos os lados.

O rio Capibaribe é lindo.
Seu nome deriva da língua tupi – Caapiuar-y-be ou Capibara-ybe (ou ipe) – e significa rio das Capivaras ou dos porcos selvagens.
Engraçado é que já vi famílias de capivaras na Marginal Pinheiros.
Aqui, vi esgotos e favelas ciliares.

O período eleitoral me leva a Brasília Teimosa.
No fim da Boa Viagem, 400 famílias vivem em palafitas feitas de restos de tudo.
Crianças caminham por ruas com esgoto a céu aberto e sem pavimentação.
Lula, depois de eleito, foi até lá e prometeu uma vida melhor.
A vida não melhorou.
Mas deve mudar: como a área é nobre, é questão de tempo para que sejam todos despejados.

Sim, fui conhecer as praias que o Guia 4 Rodas elegeu com as mais belas do país.

Brasília Teimosa, foto de Luiz Baltar

Chegamos em Porto de Galinhas e me assustei.
Cuspida pelos resorts, a cidade se revela um caos.
Vielas sem pavimentação, sem esgotamento, vias públicas transformadas em particulares.
A vista é bela.
Mas para se chegar lá, há que se fechar os olhos.

Vamos então mais longe, para Carneiros, a procura do idílio.
Os coqueiros ainda não foram derrubados para abrigar casas de aluguel – e elas são muitas.
A igrejinha do século XVIII resiste na boca do mar com seu verde e branco colonial.
Os nativos, quando não viram garçons, vendem castanha, alugam cavalos e barcos.
A água é quente.
O peixe, farto.

E eu fico aqui pensando comigo: deixar o caos confortável de São Paulo e descobrir que ainda sou senzala em Pernambuco?
Na minha cabeça tenho ouvido repetidas vezes um antigo hit do The Clash.

Peace

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Nobel foi para um chinês preso por defender os direitos humanos.
A China proibiu o acesso ao moço e cercou a casa da mulher dele.
Ela pôde se comunicar com o mundo via internet.
Não contente, a China chamou o embaixador da Noruega em Pequim para reclamar da história e teve autoridade dizendo que essa escolha foi uma “obscenidade”.
Inacreditável é que o cara ainda não sabe que recebeu o Nobel da Paz.

oOoOoOo

Usando a rede, Yoko Ono convocou o mundo a mandar mensagens para celebrar o que seria o aniversário de 70 anos de John Lennon.
O Google que não é bobo nem nada tascou um doodle com a cara do ex-Beatle no buscador britânico. Tem clipe e tudo.
Enfim, o John que morreu em 1980 virou marca, foi usado com os mais diferentes fins…

Hoje, uma coincidência: o aniversário do autor das músicas Imagine, Give Peace a Chance e o Nobel para um chinês.
E precisa falar algo mais?

How in the world you gonna see?
Laughing at fools like me
Who on Earth d’you think you are?
A superstar?
Well, right you are

http://www.youtube.com/johnlennon#p/c/D257381FFD47202E/4/QmrEgcFXLbI

A matilha ladra ou liberdade de expressão de butique

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mario versus Maria?

Depois do Nobel de Llosa, o assunto nos meios digitais foi a demissão de Maria Rita Kehl do Estadão.
Engraçado essas histórias se entrelaçarem no mesmo dia…

*o*o*o*o*

Llosa é um profissional da escrita que sempre se mostrou ativo no terreno político.
Em sua juventude, foi um defensor do marxismo.
Cedo, ele se desencantou com o regime cubano e passou a denunciá-lo.
Nos anos 90, lançou-se candidato à presidência do Peru com uma plataforma que defendia um agressivo plano de privatizações e o mercado livre neoliberal.
Foi derrotado (de virada) pelo atual presidiário Alberto Fujimori.
Desgostoso, o escritor se mandou para a Europa.
Mais recentemente, Vargas Llosa passou a bater em Lula e em Chávez.
Em 2009, ele recusou um convite para participar do programa televisivo “Alô presidente” pois Chávez não topou fazer um debate direto com ele.

*o*o*o*o*

A despeito (ou por causa também de?) da gritaria dos jornalistas, Maria Rita Kehl ganhou um bilhetinho azul do Estadão.
Doutora em psicanálise, ensaísta e poeta, Maria Rita Kehl escreve na imprensa desde 1974.
Ela não é marinheira nova e conhece as regras do jogo.
No sábado passado, o Estadão publicou uma crônica em que ela elogia a atitude do jornal que havia anunciado seu apoio à Serra e desce a ripa nos que criticam o governo assistencialista de Lula e que menosprezam as massas que se beneficiam dessa política.
Falar de corda em casa de enforcado…
Para mim, ela arriscou as fichas e perdeu o jogo.

*o*o*o*o*

Eu sempre achei engraçada uma opinião corrente que defende a imprensa como o único bastião da democracia.
Ué? Jornal não é empresa privada?
Toda empresa privada defende interesses particulares, os de seus proprietários.
De instrumento de debate e pluralismo ideológico e político até meados do século XIX, a imprensa foi assumindo o papel de porta-voz dos interesses monopolistas dominantes.
Para Gramsci, os maiores veículos de comunicação assumiram “o lugar de intelectuais orgânicos da burguesia, no quadro da luta de classes, encarregando-se de assegurar a hegemonia ideológica desejada pelos patrões.”

Se o Estadão defendeu publicamente a candidatura do Serra, não é por altruísmo, é por estratégia política, comercial, etc.
E aí que não faz o menor sentido manter uma colunista que vai contra seus próprios interesses.

*o*o*o*o*

Pelo que acompanhei, tudo começou com o jornalista da Folha, o Xico Sá, fazendo pressão, via twitter: ele anunciou o desconforto do Estadão com o texto da colunista.
Ele “gritou” em um meio particular, não falou em nome da Folha de São Paulo, sua empregadora.
Em seguida, outros gritaram também.
Que absurdo, onde está a liberdade de opinião e todas essas bobagens chamadas de corporativismo (defesa exclusiva dos próprios interesses profissionais por parte de uma categoria funcional).
Ora, tudo muito válido.

*o*o*o*o*

Pero…
Se você quer tirar os urubus da Bienal, recomendo que faça-o pelos meios legais.
Porque se você tentar tirar os bichos de lá será preso por crime ambiental.
E se pixar a obra ou o edifício da Bienal, também responderá a processo por vandalismo.

*o*o*o*o*

Quer falar mal do padeiro?
Não recomendo que o faça na padaria.
E, se decidir fazê-lo, prepare-se para comer pão duro.

Censura haveria se o jornal não tivesse publicado a tal crônica.
Censura do jornal – uma decisão privada que não é fora da lei.
O jornal escolheu publicar.
E, ao acompanhar a gritaria –  em especial a dos jornalistas -, o Estadão decidiu demitir a colunista.
Fica aqui uma questão: seria a turma da gritaria cúmplice desta demissão?
Afinal,  o caso e a crônica foram usados para bater no jornal.
E o jornal, bateu em quem fez a crônica.
Efeito colateral?

*o*o*o*o*

E o que diz a Lei de Imprensa?

CAPÍTULO I DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO E DA INFORMAÇÃO

Art. 1o É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer.

§ 1o Não será tolerada a propaganda de guerra, de processos de subversão da ordem política e social ou de preconceitos de raça ou classe.

Art. 4o Caberá exclusivamente a brasileiros natos a responsabilidade e a orientação intelectual e administrativa dos serviços de notícias, reportagens, comentários, debates e entrevistas, transmitidos pelas empresas de radiodifusão.


CAPÍTULO III DOS ABUSOS NO EXERCÍCIO DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO E INFORMAÇÃO

Art. 16. Publicar ou divulgar notícias falsas ou fatos verdadeiros truncados ou deturpados que provoquem:

I – perturbação da ordem pública ou alarma social;

II – desconfiança no sistema bancário ou abalo de crédito de instituição financeira ou de qualquer empresa, pessoa física ou jurídica;

III – prejuízo ao crédito da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município;

IV – sensível perturbação na cotação das mercadorias e dos títulos imobiliários no mercado financeiro.

*o*o*o*o*

Para não ir longe, o jornal tem que publicar a verdade e não pode se beneficiar disso para criar caos ou colocar em risco o sistema.
A orientação intelectual, diz a lei, fica por conta da diretoria do meio.
O escritor Vargas Llosa preside desde 2008 a Fundación Internacional para la Libertad, ligada ao Instituto Cato, um think tank liberal americano. Foi o meio que ele encontrou para questionar alguns meios de imprensa corruptos e para defender jornalistas que ousam criticar os regimes de alguns países e colocam as próprias vidas em risco.
Enfim, não preciso repetir que Maria Rita Kehl fez uma aposta ao usar o Estadão para expor sua opinião política.
Aposta tola – digna de  receber um pão dormido.

*o*o*o*o*

Estamos há anos-luz do momento de formação do Estado nacional burguês, quando a imprensa funcionava como um motor propulsor do debate democrático.
O debate foi substituído pelo controle.
E o desenvolvimento da televisão foi decisivo para o processo de controle e propaganda porque acabou com as fronteiras entre os gêneros (notícia, entretenimento e publicidade) e promoveu uma “confusão” total entre eles.
As notícias passaram a ser apresentadas como show, já os programas de entretenimento simulam debates sobre a “vida real”…

Tem gente que se acha esclarecida porque “viu na novela”.

Se você quer gritar para ser ouvido com direito a continuar gritando quando bem entender, faça como tantos: use o que lhe resta.
Twitter, Facebook, blogs.
E tenha em mente que, a partir do momento em que você passar a receber dinheiro por isso, sua opinião antes ousada e radical pode ter que ser “desidradata”
Como você vai lidar com isso é que vai determinar o fim da história.

Se você vai ser um prêmio Nobel ou candidato à presidência…
Se simplesmente vai ser um cara com um público disposto a ir mais longe…
…ou se vai ficar com fama de aloprada que quis se fazer de mártir enquanto atacava quem pagava seu salário.

A pergunta que não quer calar é: Xico Sá, você agora vai arrumar emprego para a Maria Rita Kehl?
É o mínimo, não?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Bruno, o goleiro anti-herói desmaiou mais uma vez.
Com ele, é tiro (?) e queda: é entrar numa audiência que o grandão tem peripaques.
Hoje, deu show: foram publicadas fotos de todos os ângulos. Até das canelas machucadas.
Eu fico obrigada a fazer o comentário lugar-comum: será que, na hora de meter pílulas abortivas goela abaixo de uma moça com quem ele tinha um relacionamento, ele desmaiou?
E quando a turma dele bateu nessa mesma moça que carregava um filho na barriga?
E, se ele mandou mesmo matar mãe e filho, ele desmaiou ao dar a ordem?

Zapeando pela internet, caí num vídeo do Pânico.
Num evento há cinco anos, o insuportável menino vesgo faz piadinhas infames com o atual candidato derrotado, Netinho.
Netinho, sorridente para as câmeras, é subitamente abduzido por um bicho-papão.
Faz um olhar de louco e desfere um soco na nuca do comediante.
Depois, puxa o moço pelo colarinho e faz ameaças.
É impossível não cair em outro comentário lugar-comum.
O que não devem ter passado as duas moças que comprovadamente apanharam desse rapaz?
Alto, corpulento e com olhar e atitudes de psicopata.
Hoje, cinco anos depois, o menino vesgo vai atrás de seu algoz e ele, o que não surpreende, o trata muito bem, com doçura até.
Afinal, era momento de campanha eleitoral.

Como tenho formação de jornalista, reconheço que convivi com seres absurdos em grande parte de minha vida profissional.
E grande parte das bizarrices que vi se passavam dentro de redações.
Já ouvi muitos gritos e poucos sussurros.
Fechamento de jornal, para muitos, é metáfora de gente alterada.
Para mim, a tensão e a pressão de um fechamento nunca justificaram grosseria ou descontrole.

Gritar?
O grito é uma manifestação de animal.

Tenho um grande amigo que se diverte com o que ele chama de “momento alto” da análise.
O grito primal.
Manifestação violenta, sob a forma de grito (com ou sem palavras, acompanhado ou não de gestos bruscos ou comportamento histérico), de emoções e afetos reprimidos por ocasião de um acontecimento traumático que é revivido durante uma psicoterapia

O grito, o desmaio, o show.

Em 1988, Zuenir Ventura escreveu um texto interessante sobre Cazuza em que cita uma consideração muito atual de um psicanalista:

Na sua teoria sobre a nossa dissolução social – exposta por José Castello no Idéias de 21-5-88 – o psicanalista consegue avistar um país sendo cavalgado por quatro apocalípticos cavaleiros: o cinismo, a delinqüência, a violência e o narcisismo. Essa combinação forma uma cultura da descrença. “No lugar da indignação”, diz Jurandir, “produziu-se um discurso desmoralizante”. (http://literal.terra.com.br/zuenir_ventura/por_ele_mesmo/artigos/05um_grito_contra_a_razao_cinica.shtml?porelemesmo)

Em tempos de histeria coletiva com a política e em país em que goleiro de time campeão é assassino e músico-apresentador de TV vira espancador de mulher, será a hora do grito?
Sabe quando uma boa história está chegando ao fim?
Você olha para trás e pensa qual foi o ponto de virada que levou tudo o que havia de bom para o buraco.
Em que momento você perdeu o fio da meada?

Eu aprendi que a crítica serve para aliviar as tensões de nossa vida dura.
E, sempre que posso, uso um remédio medicinal: firmeza combinada com gentileza.
Marina “venceu” porque usou esta poderosa arma.

E nós?
Acabaremos num grito?

Eu quero defender toda aquela corrupção!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Uma amiga manda mensagem e avisa: encheu o saco e pediu demissão.
Um meio-irmão enfrentando uma barra.
E eu aqui, drenando toda minha energia esperando pelo imponderável.
Então é a hora do Brasil que chuta o balde!

Versão 1: para perfeccionistas

Pausa para tomar uma sozinha na terça-feira?
Meu bar está praticamente um encontro anual da ONU…

Percebi que, em minhas andanças, eu comprei coisas muito interessantes.
De gin premiado a arak proibido, tenho de tudo!
E, em meio a tanta opção, meu espírito Coquetel Latino ressurgiu…
Desde que recebi um convite absurdo aos 18 anos (assunto para outro post), fiquei ousada!
O de agora está muito interessante.

Batizei de “É o que temos para hoje“.

Anote aí:
– uma gota de angostura,
– gin,
– vodka,
– suco de caju,
– favo de baunilha,
– gengibre + gelo!

Vou ter que fazer uma jarra!

Aí entro no Facebook e encontro essa pérola enviada pela Dedé:

Ai, ai, ai.

para quem tem pressa

Juro que vou mudar meu título para Brasília.
Vote na única mulher que diz a verdade!
Dona de casa, pau mandado e sem um parafuso!
Weslian!!!

Tá no inferno, abraça o capeta!

Não sei como, parei no site do Naked Cowboy.
E ele tem franquia!
Claro que mandei email pedindo detalhes.
Já me imagino só de bota de cowboy tocando violão no cruzamento da Rebouças com Faria Lima.
Espero que não haja problema de gênero!
Porque a profissão não é só para bofe… risos
E celebrando casamentos por 500 doletas.
Aproveita porque o dólar está em queda!

Bora celebrar a vida de qualquer maneira?!

Alegria

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A gaveta da alegria
já está cheia
de ficar vazia

Alice Ruiz

A janela se abriu e o vento não  deixou dormir.
O vento?

abra a gaveta

Ou aquela velha sensação de criança.
De estar em casa quando deveria beber o mundo.
De um auto-exílio involuntário. Pausa forçada para um agito interior.
Um resgate das raízes para lembrar tudo o que é “não”.
Um sono em hora imprópria.

A janela aberta e o vento.
O silêncio da madrugada.
Paz e calma.
Nem os passarinhos.

Ah, o mundo lá fora.
Tempos de agito político.
Muita opinião.
E a madrugada vazia, doce. Em oposição à manhã rebelde.
Todos entrando em um mar de carros.
Guardando-se em cubículos com ar refrigerado.
Carne de segunda esperando a hora do bife.

... e acenda a luz.

Fome?
Medo então.
O estômago vivo.
Avisando que mais uma vez é hora de deixar a maré mandar.
Em complexas combinações binárias, o passado.
Fotos, histórias, caminhos abdicados.
Tudo para lembrar que o que foi ainda pode ser.
E o que será?

A madrugada desliza macia.
Anunciando os fiapos da manhã.
E o velho hábito de querer o que não se tem.
De couro gasto de burro velho.

Ter fé, fechar os olhos e pular.
E seguir por trilhas tortas.
Sentir coragem.
É o que lhe resta.

A Verdadeira viagem não está em sair a procura de novas paisagens, mas em possuir novos olhos
Marcel Proust

Eye of the tiger

segunda-feira, 4 de outubro de 2010
retrato

retrato

Cheguei no fundo de algum poço.
Acordar de uma ressaca eleitoral com a(s) música(s) do Rocky Balboa e achar que ela(s) tem alguma mensagem é para rir.

Don’t lose your grip on the dreams of the past
You must fight just to keep them alive


E estão todos questionando os Institutos de Pesquisa…
Hello, foram as pesquisas toscas favorecendo a tranqueira nacional que nos fizeram virar o jogo.
Eu sacrifiquei um voto de senador para derrubar o Netinho e derrubei! Derrubamos.
Num cargo tão importante ter um picareta violento desse?
Socorro.
E fui de Marina, apesar de saber que várias posições políticas delas (especialmente sobre uso de células-tronco) são para lá de retrógradas…
Mas não teríamos “chegado” ao segundo turno se não tivéssemos visto que os números eram absurdos.
Meus avós, na casa dos 90 anos, não votaram na última eleição e fizeram questão de participar nessa.
O Tiririca não deu para derrubar. Efeito colateral.
Lembram-se do Severino? Não durou muito…

Penso nos grandes nomes que não foram eleitos, em especial no Tasso.
O jogo político é insano.
Eu conheço de perto pois sou filha e neta de políticos.
E não recomendo a experiência para ninguém.

Em dia de metáforas, a da vida é sempre mais complicada.
O que acontece quando a decisão não está em suas mãos?
Só os gregos me dão a pista…

Do not plan for ventures before finishing what’s at hand.

(Não olhes para longe, despreocupando-se do que tens perto de ti )

Eurípedes

Famosos e fantasmas

sábado, 2 de outubro de 2010

toda enrolada

Meninos, tudo confirmado, nada realizado.
Mudanças pesadas se aproximam.
E meu destino me chama mais uma vez.
Porre. Porre total ter que ouvir o chamado e saber que é esta a minha sina.
Enfim, nada que uma caixa de Bis não resolva.
E pizza no fria no almoço, claro.

Hoje a treinadora veio ver Alice, a vira-lata de madame.
E me mandou deixar a bichinha de castigo até amanhã.
Ela está lá na caixinha, trancada.
Tudo para aprender “quem é que manda”.
Eu aqui, morrendo de dó, vendo a biografia da Whoopi Goldberg no The Biography Channel.
Aliás, você já viu a série sobre famosos que viram fantasmas?
A primeira e única série onde as celebridades partilham os seus encontros pessoais na vida real com os fenómenos paranormais.
Morri de medo! E de rir – sensação engraçada.

A vida é uma só, não?