Arquivo de dezembro de 2010

Meu mundo que você não vê

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tempestade

Quando o pobre suicida chega às vias de fato.
A turba, em coro:
– Covarde.

Quando a famosa atriz afirma em importante entrevista:
– Matei, dei, traí, roubei.
Nos salões, madames desdenham:
– Atriz.

Quando a vida pesa e você não tem saída.
Pelos corredores, sussurros:
– Fracassado.

Quando a fé é cega e o passado, dourado.
Um flit paralisante qualquer
Te aprisiona ao ontem e te impede de ver o hoje.

Quando a carne é fraca e o andor, de barro.
Deus chega ao sexto dia.

Ao contemplar a criatura, profetiza:

– Coragem.

Meu mundo que você não vê
existe mesmo assim.

Dramin®

domingo, 19 de dezembro de 2010

Esse blog trocou um biquíni por picolé.
Esse blog ficou em dúvida entre verde, onça ou preto.
Esse blog comeu uma salada de fruta.
Esse blog tomou banho gelado porque não tem ar-condicionado.
Esse blog anda cansado.
Esse blog tem altos e baixos de humor.
Esse blog ouve a gata no cio lá embaixo.
Esse blog quando não escreve fica desanimado.
Esse blog.


Ah, ele é muito enjoado.

Pizza e cerveja

sábado, 18 de dezembro de 2010

silêncio

A casa em silêncio.
Nem me lembro de quando foi a última vez em que estive só.
Sem visita, empregada, gente para todo lado.

Como quem veste uma camisa do avesso, acordei.
Fiz tudo com tanta calma.
Ver o jornal no chão, perto da porta, e ignorar.
O sanduíche que seria o lanche de ontem foi meu café da manhã, meu almoço e ainda teima em ser jantar.

Oito da manhã, telefone.
Saio, obedeço minha mãe.
Mais uma obrigação e casa.

Sem barulho, sem bagunça, sem desculpa.
Mergulhei dentro do meu mundo e fiquei assim, desagitada.
Este ano doido que bebi em grandes goles.
A mala – queria que viagens e malas nascessem prontas e resolvidas.
O dia vai acabar e leio o jornal.
Tanta desimportância.
Tomo banho de banheira.
Quantos banhos de banheira nesta casa?
Silêncio quente.
Cheiro de lavanda.

Casa.

Eu acho que o mundo pirou (ou Frida fritou)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Flagrante de minha manhã

Estou dormindo pouco.
Deito tarde, acordo cedo.
Trabalho.
Corro para chegar com tudo pronto até o Natal.
Em paralelo, casa para montar.
Tem coisa mais chata?
Preço de eltrodoméstico, acerto de contrato, empresa de mudança, tomada de preços…
Para relaxar, nem joguinho besta do Facebook ajuda.
Vinho não tentei…
Acabo rodando os sites de notícia e me admiro com o mundo.

Prefeito assassinado. Secretário de habitação preso.
Tentativa de assassinato de genro. Milionário dono de companhia de transportes preso.
Pai que mata dois filhos.
Pai que mata filha.
Wikileaks, estupro e intriga política.
Menino mau do Facebook eleito personalidade do ano.
Chove chuva, chove sem parar.

Eu sei, estou procurando sarna.
Mas dá para fechar os olhos diante dessa ferocidade animal a que somos expostos todos os dias no noticiário?
Fico pensando: o que não nos faz animais?

Destesto dezembro.
Destesto chuva que dura uma semana.

Gosto de sol com brisa.
Passarinho na janela.
Ficar em casa sem fazer nada.
Miado de gato.
Cachorro bobo.
Corrida na praia.
Açaí do Bibi.
Pizza do Braz.
Música nova.
Música velha.
Tênis usado.
Roupa de linho.
Livro novo.
Livro velho repetido.
Poesia concreta.
Champagne com amigos.
Sol no rosto.
Esmalte colorido.

2011, te espero ansiosa.

Buscando

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um minuto para respirar.

(!)

A quem interessar possa

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Uma vista para dividir com os amigos

Papai Noel,

este ano eu fui uma menina má.
Eu menti para você.
Eu não fiz nada do que esperavam de mim.
Eu meti o pé na estrada.
(e na jaca)

Poxa, Papai Noel, 2010 não foi bolinho.
Meus conterrâneos colocaram a carrancuda na presidência e ela já anunciou o Palocci.
Dizem que Ciro vem na sequência.
Francenildo vai ter que pedir asilo no Afeganistão.

Papai Noel, nem te conto.
Me disseram (e eu não duvido) que o Lula-lelé pretende, na calada da noite vermelha, aprovar a compra dos caças franceses e libertar o italiano terrorista e assassino.

Mas não tem nada não.
O Scorsese avisou que vai trabalhar com Robert De Niro pela nona vez.
A turma da Wikileaks ameaçou: tem mais uma papelada para jogar no ventilador explosivo da web.

Hoje fechei contrato do meu novo apartamento.
Hoje também não peguei engarrafamento.
E fiz uma hora de yoga bem feita.
Saí como a mulher gato depois da hérnia de disco.

Ah, Papai Noel, aqui em casa não tem chaminé.
O síndico distribuiu uma carta avisando que a instalação de gás vai custar 31 mil.

Papi Noelis, além de renas, anões, gnomos, neve e nariz vermelho, aí onde você vive tem gente engraçada como o finado Mussum?
Aposto que é como na Suécia, onde as mulheres levam estuprador para almoçar e oferecem a própria casa para ele passar a noite.
Mas não foi lá que começou a Stockholmssyndromet?

Papai Noel, deixa tudo para lá.
Só porque fui uma menina muito má e não acreditei em você – isso não é motivo para se estressar com o eleitorado.
Quem sabe em 2011?
Faça um pedido e mande sua cartinha.

Qual é a sua música?

domingo, 12 de dezembro de 2010

Maestro Zezinho, me dê duas notas e eu te digo qual é a música.
Pode ser das que ouço e gosto ou o novo hit do Calcinha Preta.
Sempre acerto.

Karina, foto do twitpic dela

Eu

Eu costumo brincar por ter ouvido absoluto, mas tive que colocar (literalmente) a viola no saco.
Eu tentei: fiz violão, toquei bateria em banda, mas não tenho um corpo musical.
A música não flui.
Peguei meu banquinho e assumi: sou boa para ouvir.
É o que me resta.

Tu

Ontem, surpresa mais que agradável, fui conhecer o som da Tulipa Ruiz.
Show de fim de ano, tipo dois em um.
Karina Buhr e Tulipa.

Elas

Começou com Karina e eu tive um déjà vu.
Escreveu Patrícia Palumbo: “Karina nasceu na Bahia mas foi criada em Pernambuco onde viveu intensamente a música de raiz, as pastoras, o cavalo marinho, o maracatu.”
Pois é. Eu “conheci” Karina lá atrás, num distante Abril Pro Rock, quando ela era a menina da percussão da banda Eddie. Claro que era para odiar.
Magrela, boa de música, roqueira.
Eu lá em Recife, com cartãozinho da revista Elle, sendo paparicada por Deus e o mundo – paulista fake – e Karina dando show. Eu queria o lugar dela, pô!
Recife foi um verão louco e bem passado.

Hoje e aqui

Ontem, surpresa, reconheci aquele som e tudo o que havia ficado encubado com ele.
Cantora mignon, de camisa e calça de paetês, correndo, andando de skate, interpretando letras pesadas, de duplo sentido. Letra de gente grande.
De quem sabe que a vida não é só flores.
Fazer o quê?

Karina é tão forte que demorei para notar que Edgar Scandurra estava na banda.
A banda, diga-se, é muito boa, mas não deixa a voz de Karina aparecer.
But… Karina é uma mulheraça e tenho certeza de que ainda vai mandar esse povo todo “baixar o tom”.

Tulipa no lançamento do disco Efêmera

Tulipa: se eu fosse homo, pegava.
Aliás, ela faz a gente querer pegar sendo ou não uma Coca fantasiada de Fanta.
No fundo do palco, telão bacaninha, com ilustrações para as músicas.
Ao meu lado, uma senhora de mais de 60 berrava as músicas (das duas).
Atrás de mim, pernambucanos por todo o lado.

Break comercial

Pensa bem.
Depois de passar 24 horas badalando, show.
A chuva de verão é quente e não levei guarda-chuva.
Com meu cabelete moderno, visual Vogue em decadência…
…a mulherada seca.
E a gente faz catwalk só para provocar.
(E depois corre para o banheiro para secar cabelo, bolsa, roupa).

Você tem convite?

Isso é para dizer que, mesmo me achando o último caramelo da caixinha, fiquei super deslocada.
Eu não conhecia as músicas, eu não sou da família.
E o show tinha básicamente fãs, amigos e parentes.
Fiquei me sentindo uma penetra…
Voyeur.

Flores e passarinhos

A banda de Tulipa parece que saiu de São Tomé das Letras.
Tulipa de meia-calça rosa shocking e vestidinho preto.
Deixasse ela comigo vinte minutos e Billie Holiday (re)nasceria.
Saindo do visual, vamos ao que interessa!
Que voz.

U-a-u.

No meio do show, mulher maravilha baixou de novo em mim.
Ouvindo as músicas, pensando em como gosto de tantas outras coisas.
Na cabeça, fui mudando todos os planos já definidos e acertados.
E me reinventei (de novo).
Já me vi lá na frente em meu melhor papel – rodeada de gente artista.
Foi daí que vim e não sei por que cargas d’água me desviei da rota.
Não, não vou subir num palco nem tentar a sorte num show de calouros…
Vou só voltar a fazer o que gosto.
Curtir um som.
Dar um happening em casa.
Ir mais ao teatro.

Hoje, animdíssima, resolvi ficar em casa.
Dei uma boa floereada nos planos da ponte São Paulo – Recife.
Tudo escrito para a louca da carambola aqui não sair do prumo.

Em tempo: ontem quase me joguei numa boate.
Mas sosseguei depois de ficar vinte minutos presa em frente à árvore de Natal do Ibirapuera.
Sossega, leão!

Agora, maestro Zezinho!

Vira Pó (KARINA BUHR)

Pedrinho (TULIPA RUIZ)

Multiculturalismo

sábado, 11 de dezembro de 2010

Com você, meu mundo ficaria perfeito

Meu amigo Nico, francês, chegou há uma semana e está hospedado em casa.
Minha vida que já andava de pernas para o ar, agora dança cancan.

Um visitante quebra a rotina, muda hábitos.
Esvaziei um armário, troquei o dia da yoga.
Passeei no Ibirapuera em dia e horário nada comerciais.
E, pedante, ando falando francês fluentemente e uso merci para tudo e todos.

Ontem, drinks no Skye – jamais fiz isso porque sexta-feira é dia de dormir cedo, curtir a casa, pedir pizza…
Badalação é para as crianças solteiras. Saída de adulto é sábado.

(Risos)

Do bar modernete para um bistrô.
Do bistrô, como boa mãe solteira, fui deixar as crianças na casa da amiga. De lá, foram para uma  disco e se estragaram noite adentro.
Acordei onze horas (e à seis quando o cachorro latiu avisando que alguém voltava da noitada).
Mal acordei, almoço com amigos no Mani.

De lá, empolgados, fomos para um happening na Micasa.
Picolé italiano.
Champagne.
De sopetão, comprei uma obra de arte.
Um lambe-lambe bem sacado de novo artista (Felipe Morozini).
Mês passado, ele espalhou 200 ditos e desabafos por São Paulo.
A obra chama-se Eu vejo frases em você.

Moldura branca, letra preta em arial bold:

UM MUNDO POR VEZ

Que vire meu lema a partir de agora.

Bangalô

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Correria de fim de ano.
Primeiro, o prazer.
Unha vermelha.
Cabelo esfiapado – quase careca.
Almoço na Figueira – uma ex-vegetariana de 18 anos vai sempre devagar.
Devo dizer que a cachacinha gelada é algo novo que vale à pena ver de novo.
Shopping center.
Reunião.
Casa.
Café.
Sanduíche.
Reunião.

E, de noitinha, planos…
Os emails disparados no cyber espaço viraram ouro.
E surgiram Fernandos de Noronha, Natais, Ilhéus,
Optei pelo meio do nada.
Fazenda da Lagoa.

Diferente da vida inteira, este ano não haverá Natal.
Nem luto.
Nem nada.
Vai ser puro reveillon.
No meio de uma fazenda de cacau.
Com dois rodesian.
E tartaruga,
Alice vai junto.
Passaporte canino carimbado.

Mal vejo a hora de não fazer nada com altíssimo estilo.
E ler Haia, a moça de Tchetchelnik, sem parar.

http://fazendadalagoa.blogspot.com/

Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.
C. L.

Alopradaria

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Esse calor está algo cubano.
Minha nuca fica molhada e meu cabelo, uma zona.
Vontade de dormir numa banheira de gelo.
E acordar no ano que vem.

Calor = Cuba = Rio
Férias
Mate com limão (da lata!)
Açaí do Bibi.

Trabalho = ar condicionado.
Salto alto.
Reunião.
Computador. Email.

Lógica paraconsistente.

Perdi minha chave de casa.
Excluí o escritório.
Virei caixeira viajante.
Fiz festa no meio da semana.
E o fim do ano continua sendo uma grande segunda-feira.

Lógica difusa.

Era uma vez uma moça que disse:
– Quando a mentira nunca é desvendada, quem está mentindo sou eu.
Em seguida Epiménides disse:
– Se a moça for uma mentirosa, o que o dragão diz também é mentira.
Por fim o dragão disse:
– Quem for capaz de desvendar a minha mentira, então, ele estará dizendo a verdade.
Qual deles está mentindo?

Paradoxo parafraseado.
Um blog.
E uma sauna.

só

só falta a essência de eucalipto