Arquivo de maio de 2011

Tricô ou croché?

terça-feira, 31 de maio de 2011

Existem algumas épocas em que a vida lá fora não deixa tempo para os escritos.
E são tantas coisas acontecendo, não?
Ratko Mladic chegando em Haia (se fosse inimigo de Obama, o chefe da democracia, não teria direito a julgamento…).

Ministro brasileiro ganhando milhões e não se explicando.

E eu com meu pequeno mundo, cheio de coisinhas tão pequenas e inhas.
Faz frio aqui e eu gosto muito.
Coloco roupas largas e quentes.
Ganho presente de avó.
Visita relâmpago de mãe.
Almoço com amigos sumidos.
Leitura de textos de conhecidos.
Piscina com fumaça subindo pelas paredes.

Ficar horrorizada com um país que torna-se rico e que ainda aceita, calado, políticos bandidos?
Ah… O mundo tem mais do que isso: um homem acusado de genocídio durante o cerco de 43 meses a Sarajevo e algoz do massacre de 8 mil muçulmanos em Srebrenica.
Para quê passeatas?
Tudo vira um grande julgamento pela televisão, até que o réu caia de AVC, infarto ou outra doença banal que acomete democraticamente velhos ou bandidos, mulheres ou assassinos.
Também se pode matar, sem esperar julgamento, e lançar o corpo ao mar…
Ah…
Eu não entendo nada.
Deixem-me aqui com minhas meias de lã e meus problemas de contas de luz, de pintura nova, de gás de cozinha.

Memória do frio

sábado, 28 de maio de 2011

cômica

Depois de um mês e meio, meu carro voltou de reboque para casa.
Lindo, louro de olhos azuis, sem as marcas do abalroamento provocado por um motoboy de Alice.
Veio no meio da noite fria.
E eu saí com a outra Alice para tomar agulhadas de chuva fina em uma São Paulo adormecida.
A caminhada no escuro que tanto me atrai.
Eu e Sancho Pança em direção aos moinhos de vento.

Devaneios.
Agora mais enclausurada no mundo virtual, ontem fui confinada com 7, 8 desconhecidos numa sala de chat para que a mestre cumprisse sua meta.
Os professores não existem.
Não há debate.
Há quem reclame da falta de discussão com cedilha.
Leia a apostila boba, com animações infantis e ganhe o título.
O preço – óbvio – é alto.

Meu jornal da manhã me salva.
Quero O Sonho do Celta de Llosa. Aguardo O Palhaço e Sua Filha pela Planeta.
E acho que me arrependerei de Um Dia ter ousado explorar (as) Teorias Selvagens.

Ai, meu ex-vegetarianismo.
Em pouco tempo o colesterol ruim passou de desejável, saltou o limítrofe e estreou elevado.
Dizem que toda gordura é necessária.
E eu estava apenas brincando de me enganar.
O colesterol alto me convém.
Completa.
Explica.
Agride.
Se eu morrer do coração, do latim condicens.

O carro?
Vai acumular pó na garagem até que volte a ser moreno, índio, saci, viciado em oxi.

Aqui no Brasil…

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A presidente bate em gays e simpatizantes para manter debaixo dos panos o enriquecimento espetacular (20 milhões de reais em dois meses) do ministro que é quase um Primeiro Ministro.
Hoje, caminhando apressada, passo na porta de uma agência de modelos e…
Pausa.
Sempre que passo por ali, fico com pena das frangotas de pernas longas que vão fantasiadas de moças poderosas mendigar um qualquer para fazer uma foto.
Hoje, enquanto uma se sentava na calçada para tirar o sapato altíssimo de verniz coral com lacinho infantil, outra correu logo para entrar no carro de político com chapa oficial e se mandar (com a nossa grana de impostos) para local não identificado.
O mundo gira…
E os homens não mudam tanto assim.
No almoço de aniversário da amiga, que surpresa: revi uma velha companheira de trabalho que é doente profissional.
Sempre a mesma história: a doença, a força no futuro, a alimentação, a filosofia oriental. Uma lutadora, uma mulher forte.
Num outro almoço, encontrei outra velha conhecida que me contou ter vencido o câncer de seio.
Ela estava ótima, cheia de trabalho, idéias, novidades.
E me contou: há três tipos de doente.
O que enfrenta, o que desiste e o que transforma a vida em doença.
Minha ex-colega não me cumprimentou.
Imagino que meu Estado não seja motivo de comemoração para quem carrega a cruz e a “glória”.

Ayruveda.
A massagem com óleo quente que te deixa tão diferente.
Estudar algo que não tem literatura, não tem explicação, não tem poesia.
Difícil.

Onde me meto eu sei.
Por que é que é problema.

Desabafo

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Minha vida é frugal.
Como comidas fáceis.
Muitas frutas, alguns legumes, opto por orgânicos.
Sempre consultei nutricionistas.
Fui vegetariana por 18 anos.
Agora carrego uma “mochila” de 7kg e tal na barriga.
Meu recente pecado foi ter me viciado em doce de banana (aquelas barrinhas açucaradas).
Mas as compro eu mesma no mercadinho natural.
Elas dividem a gaveta das guloseimas com 3 nhá-Bentas (tive uma recaída no domingo).
E alguns horríveis biscoitos naturais – para casos extremos de fome.

A casa é pequena. 100 m2.
Conto com gadgets incríveis.
Um aspirador robô. Outro turbo que não precisa de saco de papel.
Uma tremenda máquina de lavar que também seca as roupas.
Os melhores e mais modernos produtos de limpeza.
3 ferros de passar e um vaporizador igual aos de lavanderia.
Forno e fogão elétricos.
Tudo para quem quer levar uma vida limpa e fácil.

De manhã, é iogurte com frutas.
No almoço, quando em casa, PF brasileiro.
No jantar uma sopa.
Entre as refeições principais, um combinado de frutas e castanhas.
Vez ou outra, um sanduíche de pão árabe com um conserva de beringelas que eu mesma fiz.

Em dois extremos da economia mundial, Cuba e França, fazia eu mesmo a minha arrumação.
E a casa estava sempre cheirosa e cheia de flores.

Eis que, desde janeiro, minha casa é feita de esquecimentos.
Esqueci a castanha.
O caqui.
Esqueci de deixar comida para o cachorro.
Esqueci de fazer a lista de compras.
Esqueci de avisar que a ração acabou.
Esqueci também que falta sabão em pó.
E não esqueci de passar no posto de saúde para pegar uma dispensa médica de 5 dias.
Não me esqueci de sair mais cedo (as 14h30) para fazer algo particular.

O desabafo é politicamente incorreto, eu sei.
Mas falta uma semana para o esquecimento deixar a casa.
Na verdade 7 dias úteis.
E me vejo contando as horas.
Sinto que existe um alien em meu ninho.
Não me sinto bem aqui.
Coloco música para evitar o barulho.

Dois mundos.
Duas verdades.
Eu só vejo as daqui.
Ela, as de lá.

Sol com vento

terça-feira, 24 de maio de 2011

Outonal

Madalena.
De manhã, sol com gato.
Abacaxi, iogurte e castanha de caju.
Alice e bola vermelha.

Yoga: Natingui.
Ando muito Girassol.
Saio Harmonia com Aspicuelta.
Hidro.
Trabalho? Wisard (of Oz).

Vi o menino de bicicleta.
O dono da casa velha brigava.

Fonfom.

Não sobrou pão de leite. Só bolo.
Purpurina.
Bouganville ou primavera?
Beija-flor e o cachorro Zeca.

Sabiá que salta pequeno.
Vida com sol na Vila.

Lemmy

domingo, 22 de maio de 2011


Em tempos de Piratas do Caribe, sou mais Motörhead…
Veja o filme e divirta-se.

Eu vou ficando com meu domingo.

Assim, de repente

sábado, 21 de maio de 2011

mineiridades

Pensei em me mudar para uma casa.
Não posso reclamar do momento em que o Brasil está vivendo.
Estamos em 6º lugar no ranking das cidades com bilionários…

Quem sabe?
No meu quarteirão… Quintal, edícula, uma praça em frente.
Eu posso ser uma pobre excêntrica no jardim dos bilhões.

Assim, sem pensar, os dias têm se agitado.
Não tenho mais horário para marcar almoço com amigos.
Um trabalho novo pinta.
Eu vou inventando modas e modos.

Assim, num sábado, suco e argentino (não combina, eu sei) e “pau” no ex-presidente do FMI.
Reunião com arquitetos.
Adoro gente maluca.

Cachorrada. Sorvete. Gataria.
Sábados frios com sol.
Repetitiva, sem imaginação.
Textinho vagabundo e reciclado.
É, como diz a anetoda, o que temos para hoje.
(e é uma delícia – por isso divido – afinal, disseram que o apocalipse seria hoje)

 

O frio, a fome e a história

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Meu avô tinha um amigo queridíssimo e bem mais velho do que ele.
Dr.Bahia.
Todos os domingos era batata: depois do almoço, a conversa ia longe.
Viagens, civilizações, política, arte, espaço.
Eram mundos infindáveis dentro da sala de piso de pedra e parede de pinho de riga.
Nem parece que o que os uniu foi a medicina, essa ciência tão inexata e sem poesia.

Os netos achavam graça naquele assunto todo de dois seres que já haviam visto de tudo.
Os óculos com lentes grossas do Dr. Bahia, o profundo respeito de meu avô por ele.
As horas gastas com prosa, café, biscoitinhos.

Uma manhã daquelas que chegam para todos nós, Dona Zita, mulher do Dr. Bahia partiu.
Dr. Bahia, com muitos anos mais do que noventa, já andava cego, com audição fraca – mas com boa saúde.
Dona Zita havia sido hospitalizada dias antes e a família achou por bem não dar a notícia ao viúvo.
Fomos todos ao enterro. Menos ele.
Ambiente triste, com muita gente velhinha, rezas, flores, choros.
A morte ainda quente.

Passado um dia, Dr. Bahia perguntava por Zita.
Era uma desculpa atrás da outra: continuava no hospital, ainda não estava boa.
O velhinho dormiu e não acordou.
Pronto: todos reunidos para mais um enterro.
Esse foi o mais bonito que já vi.
O mortinho, magro, alto, cara serena.
Jeito de quem não deixou nada por fazer.
Um fim de dia calmo, tarde quente, sem muitas flores nem vela.

perpétuas

Mundo vasto mundo

terça-feira, 17 de maio de 2011

 

A história mais terrível do mundo contemporâneo é o estupro.

O estereótipo da guerra de gêneros, a força que um homem tem de fato e exerce na esperança de não ser denunciado.
Strauss-Kahn é ele mesmo um estereótipo: francês arrogante, executivo internacional, adúltero casado com uma ricaça, e em vias de se tornar presidente de um país falido e que – em pleno século XXI – defende a xenofobia e desrespeita as religiões.
Na folha corrida do francês encarcerado em Nova York, 3 casos contra mulheres.
Dois de assédio e um romance extra-conjugal que não foi apenas flores.
No Brasil (ou escondido no Líbano), outro caso icônico: Roger Abdelmassih, o médico e monstro.
Além de assediar, estuprar e fazer o diabo com a clientela, ele criou centenas, milhares de frankensteins: crianças feitas de misturas de material genético. Duas mães, um pai diferente do que seria o biológico, a mãe que não a biológica…

Eu simplesmente não consigo entender aqueles que são guiados pelo poder sem limites.
Os que usam o falo como objeto de dominação.

E acho engraçado estar cercada de novos homens que são mais femininos do que mulheres.
Não, não falo de homossexualidade.
Falo dos homens do século XXI: cheios de medos, inseguranças, esperando ser conquistados, dominados até.

Tenho pensado seriamente se a revolução dos 70 não passou dos limites.
Foi uma experimentação, uma loucura tamanha que perdemos o eixo?
Se vale tudo,nós, provavelmente, pouco valemos.
Se não vale nada, tememos.

Eu defendo o homem forte. A mulher parceira.
A independência financeira.
O auxílio mútuo.
Porque não somos iguais e nunca seremos.

PS: O NYPost publicou uma matéria sugerindo que a vítima seria portadora de HIV. E 57% dos entrevistados por um jornal de Paris acreditam em complô. O pior cego… não é a Justiça.

Eita de novo

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Segundona começando quente.
Técnico da Net às 8h em ponto.
Corrida para a hidro geriátrica – meu chinelo arrebentou e fui arrastando a sandália para a piscina.
Piscina gelada e a semana gritando…
Conversa com a empregada. Demissão.
Essa vida de gente grande que não releva, não tem um tão grande coração.
Corrida para a Berrini, templo dos grandes negócios.
Almocei com um novo amigo querido que chegou atrasado na história.
Fuga para ver tudo o que não posso comprar.
Trabalho – não rendeu nada.
A cabeça fervilhando. Trabalhar para pagar tudo o que não posso comprar.
Briguei com o WalMart de novo.
Comprei panelas chinesas, panelas avacalhadas.
Vieram com boca oval e tampa rendonda. Devolvi.
45 dias depois, mais panelas.
Vieram com as bocas cortadas – como se fossem um adereço da Lady Gaga. Pedi socorro, não quero mais WalMart – nunca mais nem de novo.
Marquei reunião.
Cancelei reunião.
A semana nem começou e já quero um domingo de novo.
Comprei um software de demissão.

(Funciona tanto e tão bem que penso em fazer automedicação)