Arquivo de junho de 2011

Na terra do pó e do pano molhado

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Eu sei que você é aquela pessoa moderna que não tem auxiliar de faxina e que resolve tudo com muita facilidade.
Eu um dia vivi essa ilusão.
Até que acordei às 7h30 com a notícia de que Lourdes não viria.
Ao fim do dia, saldo mais do que positivo.
Casa limpa, gato cheiroso, jantar quentinho.
Trabalho avacalhado, cabelo molhado, email entupido, pagamento atrasado.
Ah! A vida como ela é.

Lendo a história do criador da cadeia Le Pain Quotidien, senti-me mais humana e possível.
Para chegar ao tal “lá”, o belga Alain Coumont teve literalmente que comer o pão que o diabo amassou.
Largou a escola de culinária tradicional e aventurou-se nos Eua.
Foi chef de ricaços que deixavam latas de 2kg de caviar pela metade e o faziam acordar às 3 da manhã para preparar ovos com bacon.
Ao voltar para a Bélgica, tentou abrir um restaurante, mas foi enrolado pela turma do mercado financeiro.
Tentou de novo, deu certo e tomou um cano dos sócios.
Começou tudo outra vez.
Eventualmente, prosperou.

E eu adoro o mingau de aveia da rede dele.
E, quem sabe, o cereal não seja a solução ou a inspiração para uma vida menos maluca?
Muito se tem estudado sobre a beta-glucana, uma fibra solúvel encontrada na aveia.
Ela ajuda a diminuir o colesterol sanguíneo, a reduzir a pressão arterial e a controlar o diabetes.
A fibra absorve água no intestino e forma uma pasta viscosa que ajuda na captura do colesterol dos alimentos e diminui sua absorção para o corpo.
A parte de fibra insolúvel da aveia é responsável por reduzir a chance de ter diverticulite e ainda ajuda a eliminar substâncias que podem levar ao câncer.
A aveia contém muitos antioxidantes que previnem o envelhecimento e o aparecimento de doenças, contém zinco que auxilia na diminuição de acnes e melhora o sistema imunológico e ainda contém boro, importante para a saúde dos ossos.

Bora tomar mingau de aveia e comemorar o fim de mais uma semana?

Por aqui e já partindo…

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sobe, desce e haja peso!

Sobrevivi e até fiz um passeio de turista. Aproveitei minha condição especial e furei a fila do barco para ir até a Estátua da Liberdade em um dia de sol… De muito sol!

Foram saídas, caminhadas, saudades dessa outra “casa”, encontro com alguns bons amigos… Uma Nova York de verão.

Aí, volto para casa, numa Fiorino alugada para caber muambas (arght), encontro a minha obra, tudo empoeirado… Pernas para o ar.

A boa e velha realidade.

E tenho que seguir em frente.

Vamos comigo de novo?

Lapsos

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Topo até Coney Island para abaixar a maré

Descubro hoje que faltei ao médico na segunda-feira. E que simplesmente não tomo meu remédio de tireóide desde sexta passada…
Não saí do eixo?
Deu nisso.

Ontem, ao meio dia, chego em casa com tempo para uma ducha, comida e saída correndo.
O lado esquerdo da caixa de energia desarmou.
Sem internet, telefone, luz, aquecedor, com banho frio e descabelada.
Chego em casa tarde da noite e vou dar uma de Maria.
Passar pano úmido para tirar poeira.

Nesse campo de guerra aberto em Marte, falta de vontade de ir para frente.
Ontem mesmo pensei em mergulhar dentro da própria barriga.
Ficar nadando no líquido quente.
E mandar uma banana para realidade.
Dar um chute se me incomodar.

Amanhã embarco de novo. 10 horas.
Calor.
Meias de média compressão.
Serviço de concierge.
Caminhadas e um pouco, um pouco mesmo de “trabalho”.

Se uma viagem não me salvar, aí é que a vaca vai para o brejo e não voltará nunca mais.

Pede um tempo

terça-feira, 21 de junho de 2011

 

SOS

Este blog hoje saiu para tirar pó dos móveis e não voltou.
Se você tiver notícias de seu paredeiro, avise-me.

Papéis

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Buscando as perguntas certas

Estou dormindo, trabalhando e recebendo um canil/gatil num quarto de hóspedes.
Minha sala é um exemplar de programa Colecionadores Compulsivos.
Meu quarto, o lavabo, um quarto – tudo cenário de guerra com armas brancas.
No fim de semana consegui trabalhar e viver razoavelmente bem.
Mas fugi de casa o quanto pude – fui para o parque, fui dar voltas. Usei parte da sala para não ver nada na TV.
Esta semana farei minha última viagem internacional do ano – pelo menos foi o que me propus.

Ok. E agora, José, Maria e João?

Hora de repensar tudo – pela enésima vez.
São Paulo ou não?
Consegui me organizar para trabalhar onde os clientes estão – portanto São Paulo ou Quixeramobim, tanto faz.
E sempre tive um pé na estrada.
Mas justo agora que eu queria sossegar?

Vai ver que é por aí.
Chegadas e partidas.
Uma não-rotina obrigatória.
Um reinventar constante.
Um andar no limite.

Borderliner?
Uma pessoa com um transtorno de personalidade borderliner muitas vezes experimenta um padrão repetitivo de desorganização e instabilidade de auto-imagem, humor, comportamento e relacionamentos pessoais.
Isto pode causar sofrimento significativo ou prejuízo no amizades e trabalho.
Uma pessoa com este transtorno muitas vezes pode ser brilhante e inteligente, e parece ser calorosa, simpática e competente.
Elas às vezes pode manter essa aparência por anos, até que sua estrutura de defesa desmorona, normalmente em torno de uma situação estressante, como o rompimento de um relacionamento romântico ou a morte de um pai.

Olha, não sou psiquiatra – mas nada me pareceu muito estranho, menos o desmoramento.

Contei que estou fazendo Estudo Biográfico?
De onde viemos, onde estamos, para onde vamos…
Interessante e difícil.
Bom para quem gosta de escrever…
Pesquisando histórias dos antepassados.

Esses 30 chegando aos 40.
Agora não dá pra chutar tudo para o alto (?).
E os chutes são garrinchinianos – até quando displicentes são para a bola bater na rede.

Vou sair arrastando meu sling por aí para ver se me inspiro.

Raizes e alguns galhos

sábado, 18 de junho de 2011

 

Mais curvas

Dias de inverno tropical com sol quentinho.
Calço meu tênis sujo.
Meu uniforme preto sobre preto.
Busco sol.
Busco cantos com árvores e sem gente.
Nada de notícias no jornal.
Escrevo um roteiro para um amigo que vai passar uma temporada em Paris.
Escrevo.

Quantas vezes em sua vida você teve tempo sozinho?
Sem ouvir.
Sem falar.
Sem nada para te obrigar.
E alterar o próprio roteiro só para brincar de Deus?

Ney Matogrosso canta Cartola.
Tudo no mundo acontece.

Ando pensando em deixar de ser morena.
Em setembro faz um ano.
Nova York está aí para isso, não?

Gosto da solidão animal.

o+o+o+o+o+o+o+o

Z

Diário

A obra veio para cumprir o seu papel: estressar, abalar, renovar, trazer novidades.
Digamos que estou de tocaia no quarto de hóspedes – que conta com roupa de cama fora do lugar e uma arrumação mínima para que minha alma repouse por algumas horas em alguns dias.

Sábado sem feira – liguei para meu contato que separou meu pedido e entregou em casa. R$60 pratas sem taxa de entrega.
Fui andar a esmo, com meus 9kg recém adquiridos. Que sirva de defesa: perdi 300g na última quinzena!

Eu e Alice, a cachorra pulguenta.
Alice ganhou remédio – matei uma pula-pula solitária que perambulava pela barriga dela na quinta-feira.
Andamos pelas praças, buscamos luz do sol.
Sem canto para me esconder, fico por aí como abelha, buscando nectar em jardins alheios.

Muita música e terminando o best seller do David Nicholls.
Na cozinha, frutas de todas as cores.
Um cheiro doce.

Meu gatinho velho não gosta de nada disso.
Escolheu meus sapatos dentro do armário para se aconchegar.
São 13h30 – vou ler as notícias de ontem só para me certificar de que nada vai mudar.

Amplitude

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Espaço

Meu espírito paradoxal gosta de organização e mudança.
E a casa agora está para peixes, gatos, cachorros e Anas.
Andar por um velho espaço e não se encontrar.
Ver pilhas de coisas e se questionar: para quê?
Levantar a poeira.
Contar com a ajuda de desconhecidos.
Esperar que a noite apareça e que eu esteja só dentro desse enorme receptáculo e reorganizar pensamentos, mundo.

Avançar com os fiapos de raios de sol do fim da tarde.
Correr com a manhã.
Falar menos.
Ver muito pouco.
Ler, música.
Acompanhar a curiosidade dos bichos.
Massagem com óleo quente nos pés.
Cheiro de alfazema.

Casa em ebulição.
Vida nova.

Dia 2 – Sobre insetos e falsas esperanças

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Tudo o que havia em um (!) armário

Reforma é aquele lugar comum e uma unanimidade: algo chato e caro.
Hoje foi dia de esvaziar armário.
Amanhã, mais esvaziamentos e o surgimento de uma porta.
Sairei do meu quarto para dormir no de hóspedes.
Minha cama poderosa será aprisionada em um gigante plástico-bolha.

E a vida lá fora continua, com manhãs nascendo frias e tardes com sol gostoso.
Na janela do escritório, a visita da sorte.
Joaninha. Um nome tão delicado que surgiu na idade Média quando pragas assolavam as plantações.
Rezaram à Virgem Maria e “Ladybug” apareceu. Logo foram chamadas de “The Beetles of Our Lady”. Lady Beetles, ladybirds, ladybugs.
Há várias lendas em torno do inseto.
Que traz sorte, que leva embora o mau agouro.
Se pousar no lado direito do peito, é casamento.
Se tiver mais de 7 pintinhas, é filho.
No meu caso, pousou na janela é obra que termina rápido.
(acabei de criar).
Quer saber como é em outras línguas/países? (Grifei minhas prediletas)

Aceleradora de reformas

“Glückskäfer” – Austria
“Slunécko” – República Checa
“Mariehøne” – Dinamarca
“LadyBird” – Inglaterra
“Leppäkerttu” – Finlândia
“Coccinelle” – França
“Marienkafer” – Alemanha
“Paskalitsa” – Grécia
“Lieveheersbeestje” -Holanda
“Katicabogár” -Hungria
“Coccinella” – Italia
“Tentou Mushi” – Japão
“Da’asouqah” -Jordânia
“Mudangbule” – Coréia
“Kumbang” – Malasia
“Mariehøne” – Noruega
“Biedronka” – Polônia
“Buburuzã” – Romênia
“Bosya Kopovka” – Rússia
“Pikapolonica” – Eslovênia
“Mariquita” – Espanha
“Nykelpiga” – Suécia
“Ugurböcegi” – Turquia
“Ilsikazana Esincane” -Zulu

 

Realidade sem reality

terça-feira, 14 de junho de 2011

pequeno abalo

Aqui no Brasil o novo hit são os blogs de anônimos que exibem fotos deles mesmos com seus visuais descolados.
Pois na Vila Madalena o novo não-hit é reformar a casa e chorar sobre cacos.

Eu decidi duas coisas: vou comprar uma casa maior e vou dar um tapa na atual.
Não pretendo vender esta onde vivo (que é bem charmosinha) e contratei uma equipe de arquitetos para criar um espacinho extra para que a casa funcione melhor até fevereiro que é quando devo comprar o apartamento do vizinho.
Resultado: o quarto de empregada vai virar closet/despensa.
O quarto de hóspedes deixará de ser escritório.
O banheiro de serviço vai virar um lavabo bacaninha.

Depois de muito fazer contas e discutir orçamento até acabar o estoque de café Nespresso, foi batido o martelo.
E hoje, em poucas horas, o banheiro veio abaixo.
Antes branquinho e muito simples, agora vai ganhar pastilhas, cores, box, tudo espremido em um espaço que mal dá para abrir os braços.
Na sequência, meu quarto será invadido.

Em meu hotel em Nova York, uma original Charles and Ray Eames de balanço na singela cor verde limão me aguarda.
Papéis de paredes serão enviados nos próximos dias.

Disseram que no oitavo dia fez-se o caos – e o homem se refestelou na lama.
(Por ser má propaganda, o editor recomendou que esse trecho fosse retirado da Bíblia)

Case, compre bicicleta, bolo de chocolate e fettuccine

segunda-feira, 13 de junho de 2011

 

Que seja eterno

Santo Antônio.
De pequena, freqüentei a casa dele em Minas.
Pe.Hélio comandava a patotinha que fazia catecismo aos sábados.
A festa, celebrada nesta data, era uma delícia.
Tinha procissão pelas ruas da Savassi ao anoitecer.
Eu tirava o copinho que protegia a vela e ficava queimando as mãos até elas virarem uma pasta endurecida de cera.
Arroz doce.
Coco caramelado.
Pipoca fria.
Pescaria com brindes simplórios.
Lírios brancos.
E pega-pega do lado de fora enquanto a missa não acabava.
As politicagens para levar oferendas. Para ler os salmos.
Minha avó frequentou por décadas (e ainda insiste) a turma “da costura”, que faz roupas e bordados para os mais pobres.
E olha que bordado até para rico hoje é luxo.
Antônio, dizem, atende prontamente pedidos relacionados à prosperidade e riqueza, além de recuperar objetos perdidos.
Para os místicos, é santo guerreiro, senhor da magia, da força e da coragem.
E foi numa sexta-feira, 13, dia dele, que me casei.
Nem Zagallo faria melhor.
No Estadão, a coisa vai longe:

“Isto porque se completam 780 anos de sua morte (ocorrida em 1231) e este é um número muito positivo, ligado às questões do coração”, explica Daniel Atalla, proprietário da Escola Esotérica Luz da Lua e um dos maiores especialistas no assunto. “De acordo com a numerologia, se somarmos 7 + 8 + 0, teremos um 15, e o 15 é justamente o número da paixão. E se formos além, a soma de 1 + 5 resulta em 6, o número da família, que traz a vibração do amor”, complementa.
(…)
Uma outra faceta não tão conhecida de Santo Antônio está relacionada à área de ensino. De acordo com Atalla, uma grande ocupação que Antônio teve em vida – e um de seus maiores dons – foi lecionar, atividade que iniciou por indicação pessoal de São Francisco de Assis. “Esse dom de ensinar rendeu-lhe o título de Doutor da Igreja, honra rara concedida apenas àqueles que contribuíram
notoriamente com a doutrina Cristã”, conta.

(Leia na íntegra: http://www.dgabc.com.br/News/5892560/antonio-um-santo-milagreiro-de-muitas-utilidades.aspx)

Hoje, sem quadrilha nem procissão, comecei pela sobremesa (Jean et Marie, um primor!) e pretendo seguir até um ilegítimo Fettuccine Alfredo
feito em casa.

E você? Pensa em casar ou montar uma quadrilha?