Arquivo de julho de 2011

(cansada)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Arrumando casa.
Procurando novas funcionárias (a anterior cansou de não fazer nada).
Comendo pouco, falando muito.
Querendo escrever sem ter como.

Nos vemos por aí.

Sapatos perdidos e coisas pequenas

sexta-feira, 22 de julho de 2011

pão australiano, manteiga goiana, bolo de milho de Gravatá, bolo de abacaxi da Carmen

Eu ando por aí e, vez ou outra, encontro um pé de sapato perdido pela rua.
O de hoje, de boneca tamanho 36, carmesim e em ótimas condições.
Procurei o outro par…
Nada.
O que terá acontecido a esta Cinderela?
Príncipe relapso… Nem para guardar e anunciar para o mundo que só se casará com a dona do rasteiro vermelhinho?

Enquanto pensava no pisante, passei o dia entre malas, confusões no cartão de crédito – essa viajação não me deixa tonta e detectei entre Apples, passeios e comidas uma rara contribuição para um site de relacionamento sueco.
Poxa, hacker bandido e descarado, eu jamais gastaria mi plata com louras suecas! Nem cervejas de falsas checas.

Minha mala verde que saiu de uma nevasca americana e aportou perdida em Dubai saiu do armário com livros, biquinis tamanho M-G, e uma saudade dessa casa que já não é a minha.
Numa rápida conversa com a empregada, novidades de lá.
Um técnico liga para avisar que mudou o ponto do telefone, da TV, da internet.
Um excesso de coisas ainda não guardadas.
E eu pensando em coisas mínimas sensacionais.
Cereja marrasquino, olhos azuis passeando no Leblon, minhas antigas moradas que hoje vivem na minha caixola.

Ouvindo o novo Chico, babando pela nova namorada. Ele é tão feliz com ela.
O dia voa – ela não acorda.
Nasci velha – o meu dia sempre voou – mesmo quando eu tinha cabelos vermelhos como o sapato da Cinderela.

Houston…

quarta-feira, 20 de julho de 2011

fuja dos cachorros

Aos poucos, a cidade grande fica mais perto.
E vou rindo baixinho dos deslumbres “maiores do mundo”.
O chinelo, a loja, a academia, a loja de tecidos…
A modéstia (ou o zelo pela verdade?) fazem com que alguns denominem o negócio de “um dos maiores do mundo”…
E tudo isso para se comparar com São Paulo.
Pois a lua é uma das mais bonitas do mundo.
Os raios de som entrando na janela.
A chuva quente.
As comidinhas locais.
A simpatia.
O centro, sujo, faz a gente se sentir mais próximo.
As sandálias, arrastadas, lembram que o tempo é outro. É tempo de viver.

E sábado vamos ver como será a volta ao meu mundo.

Devagar e arredondando

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Fiquei.
Sabendo que a poeira não baixou, querendo fugir da realidade, adiando a vida real.
E fui mais longe ainda, sob chuva – duas ações muito minhas.
Hoje, pela primeira vez em 3 semanas, pisei na areia em frente de casa.
Desta fuga, chega.
Não entrei.
Tubarão sou eu.
Caminhei.
A sensação de ter um corpo que não é seu é algo que torna as mulheres peculiares.
Um peso grande que traria problemas e dores para os homens mortais.
E um jeito engraçado de desapegar – para as quase imortais.
Caminhei e comi Pernambuco com gosto.

rEALiDAaAde

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Uma coisa surrealista em cinza

Meu melhor espião avisa que a casa ainda vai estar um caos quando eu chegar – depois de 2 semanas exilada para poder respirar ar puro e não viver dentro do programa Consumidores Compulsivos.

E é sempre assim: eu não quero sair, saio, chego querendo voltar e volto querendo ficar.
Ô coisa inconformista.

Preciso agendar uma hora num terreiro e liberar esse ebó.
Saia, espírito revoltado. Saia espírito inquieto.
Dê lugar para um ser classe média que compra móveis prontos, mora em edifício com fachada neo-clássica e sonha com férias em um resort na praia (all included – até coquetel feito dentro de abacaxi).
Deixa de ser radical, reclamona e revoltada.
Vá ouvir Ivete Sangalo e comprar abadá em 10 parcelas para o carnaval do ano que vem.
Vá pesquisar a lista dos produtos mais pedidos das novelas.
E peça autógrafo para O Astro da TV Globo.
Se tudo der certo na sua vida, compre um apartamento em Miami.

E dá-lhe fumar charuto e incensar o ambiente ao mesmo tempo em que grunhe palavras em alguma língua perdida da África.
Não enrola não e cachaça não pode.
Nem vem com Paris que sua vida agora tem “r” no lugar do “s”.

Para contrariar, deixei o sol rachar lá fora, a lua cheia subir gigantesca e nem coloquei o pé na areia.
Vivi apaulistanadamente, trabalhando no computador, resolvendo problema do condomínio e dispensando aquele head hunter que insiste em aparecer na hora errada.
EPA! Aô boboi!

tudo azul

Papai Noel, hambúrguer de minhoca e outras histórias

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Não se preocupe.
Quando você crescer, vai se casar, ter dois filhos – um menino e uma menina – e irá morar numa casinha com chaminé e uma árvore no jardim.
Seu cachorro será gordinho e simpático.
Você terá um carro bacana e vai trabalhar numa multinacional.
Provavelmente irá entrar como gerente e, em menos de 5 anos, será promovido a diretor.
Não, nunca precisará tomar empréstimo no banco.
Terá disposição para fazer ginástica todos os dias e vai adorar comer salada.
Não terá problemas de colesterol, obesidade, triglicérides e estresse.
Diabetes é marca de fruta tropical?
Viagens fantásticas, hospedagens no George V, classe executiva, como não? Você e sua família merecem.

Drogas?
Dívidas?
Dúvidas?
Bebidas e cigarro?
Emprego?
Você andou vendo muito Harry Potter e acreditou em Voldemort.
Muito impressionado? Ansioso?
Tome um valium que passa.

Feliz dia de sol na praia.
E cuidado com os aviões.

Sal, sol, chuva

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sal com chuva, esqueci minha sombrinha.
Ar condicionado desligado, o gato derrubou água no computador, no celular, no iPad.
Acordar muito cedo pode resultar em horas demais.
Prometo todos os dias ganhar massagem, rir do que vier e não esquecer o telefone no carro.
Chuva com calor?
Casamento do Alaor? Ou Babilônia de Nabucodonosor?
Quando menos se procura, mais se acha e no final se perde tudo de novo?

Mistérios da caixinha de jóias – você não precisa responder nada.
Mas que essa sopa de letrinha diz muito… Diz.

Um mercado com pedido de cerveja gelada

Andanças arqueológicas

domingo, 10 de julho de 2011

Centro da cidade, serra, praia. O fim de semana foi de muita exploração interna e externa.
No centro, pontos históricos e pontos folclóricos.
A rua do comércio local, rua das Calçadas…
Um mundaréu de gente e a invasão chinesa.
Angariei um mosquiteiro de 12 reais no camelô.
Fico louca para me misturar e, quando chego, sou transformada em um ser estranho à multidão. Não sei se é o branco da pele o preto do cabelo, mas ou é gringa… Daqui não é.
Talvez a roupa, o pensamento…
Suei feito tronco de seringueira.
Depois, Ilha do Leite.
Mercado com muita cerveja e charque.
Padaria sensacional.
Almoço em Gravatá – uma coisa quero ser Campos do Jordão.
E, para rebater, Porto de Galinhas com maré alta.
E aí, vida, para onde mais iremos?

Quando bate preguiça…

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Totalmente aclimatada, com fornecedores dos mais variados tipos.
Personal, massagista, doméstica, frutaria (sim, aqui tem isso)…
Minha mãe sempre me disse que eu era de fácil adaptação.
Já tenho a padaria preferida, a manicure, o banco, a academia, o mercado.
Já conheci pessoas legais.
Já bateu preguiça…

A casa paulistana começa a sair do pó.
Quarto pintado, colocando papel de parede.
O calor que não deixa meu cabelo sossegado.
O frio e saudade da cachorra vira-lata que teve que ficar para trás dessa vez.
Uma sexta com várias obrigações.
E uma vontade louca de fazer birra e cruzar os braços.

Trabalho?
Quem inventou essa chatice?
Amigos e aviões – Santos Dumont ou irmãos Wright, sou mais vocês.

Lights on

quarta-feira, 6 de julho de 2011

ciesta na rede ou "aclimatação relâmpago"

Enquanto São Paulo trinca no frio, o inverno de chuva e calor deu brecha para um dia com sol, passeio na praia e um olá ao comércio local com direito a picolé de banana.
Desde segunda estou matriculada na top academia local.
É uma delícia mergulhar numa cultura diferente da usual. E numa piscina poderosa!
Mulheres com muitos filhos, elite endinheirada, professores que admiram as novas técnicas de São Paulo (e não sabem que são melhores do que muita gente de lá)…
Gente que não te pergunta onde você trabalha.
(…)
Mocinhas lindas e loiras de farmácia, café da manhã na padoca?
Nada disso, na lanchonete dos chiques e famosos.
E os carros?
Parece um clip de rap americano.
Gigantes, pretos ou brancos, seguranças…
Ao sermos ofuscados pelas estrelas, ré e POW!
Um taxi ganhou um reparo no parachoque.
E ficou intrigado com o pedido de três orçamentos.
Passada a raiva e o momento arretado, já enviou dois. O mais barato de 120 pratas.
Conclusão: a academia é mais cara, a batida, não.

E a vida do lado deste trópico tem um tempo diferente.
Acho que começo a entender que a tal da pressa…
Bem, deixa para lá.