Arquivo de agosto de 2011

Luz e fúria

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

cereja

Virada do mês.
Os orientais dizem que a primavera é estação de tensões, agressividade e falta de paciência.

“Madeira – a fase inicial – a Primavera: o Yang dentro do Yin.”

A Primavera é o início de um ciclo, o momento do aparecimento do Yang dentro do Yin – ou seja, o Yin do Inverno começa a diminuir e o Yang a aumentar.
O frio começa a diminuir e os dias ficam maiores.
Agora, pura transição antes da estacão literalmente florescer, é momento de calor, frio, chuva, sol – confusão de estações.
Segundo dizem, este é o período mais dinâmico do ano em que tudo se renova e se exterioriza. Corresponde ao “este” (ao nascer do sol) e está associado ao vigor, à juventude, ao crescimento e ao desenvolvimento.
Esta é a fase expansiva, explosiva, criadora, despertando na natureza o desejo sexual de procriar.
E é também o momento de violência, de pavio curto, de confusão.
A cor verde predomina, o céu está mais azul, e, como o vento, tudo se agita.

Fique de olho no fígado, dome seu stress, segure seu ego.
Take care.
O momento pede.

Figos e chocolate

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sim, minhas dores lombares melhoraram e o investimento foi alto.
Medicina ayurvédica, eutonia e acupuntura.
Tudo ao mesmo tempo agora como um dia de fim de inverno em São Paulo.
Ayurveda e seus óleos quentes e poções mágicas canforadas.
Eutonia, uma novidade (para mim) que é suave e delicada. Uma forma de respeito pelo corpo (e uma alerta ao que você faz com ele).
Acupuntura – reconhecidamente eficaz pela ciência ocidental (pela oriental nunca precisou de reconhecimento) e que ainda briga por um lugar ao sol.

Aos poucos, fui limpando minha área.
Parei com a yoga, com a hidroginástica, com a minha correria maluca, com o meu refazer o que os outros deixam mal feito para trás.
Parei com meu excesso de informação.
Investi no que é necessário.

E, hoje, a dor sumiu.
Como é bom não sentir nada além da sua respiração.

(Sobre figos e chocolates?
Ah…
Comi um cinelândia para comemorar…)

Meu casaco de general

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Acordei mais tarde, não ri das graças da macacada, mandei a tropa ao trabalho e fui fazer as minhas tarefas.
Dia produtivo, sem muita conversa ou poesia.
Segunda-feira.

Penso que as liberdades que damos e que de nós são tomadas configuram-se grande mistério.
… limites.
… respeito.
Na prática, a vida é luta.

Todo tempo e toda hora, com sol escaldade lá fora e chuva aqui dentro.
O dia, apesar da minha rebeldia que insiste em acreditar na doçura do caos, foi bom.
E cá estou sozinha às 17h31 fugindo para blogar e sonhando com goiabada cascão.

E que se cumpram as novas ordens.

assim, assim

Chuva de arroz

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Uma volta para reencontrar o eixo.
Duas voltas para perder a conta.
Três voltas e você está fora do jogo.

Nada é pessoal.
Nada mesmo?

Dirigindo sem poder.
Perdida com GPS na mão.
Arroz com feijão e brócolis.

E começa sexta-feira.

Segundo turno

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O seu dia acabou e você volta para casa sonhando com uma ducha quente?
Pois eu tenho reunião do condomínio.
E a tarefa não é das mais fáceis – apresentar contas e mostrar as furadas em que, durante anos, nos metemos.

News and no good news – subverti o ditado.

Os dias são inchados de coisas que inventamos.
Cabe trabalho, médico, falta almoço, sobra laboratório, encaixam-se compras para a casa, passada em banco, reunião que não leva a lugar nenhum…
E um canguru com 14kg que me faz andar como pato o dia todo.

Hoje eu penso para sentar, penso para levantar, penso para querer ir ao banheiro.
E vou enfrentar a fúria da terceira idade relapsa com contas alheias.
Bela combinação.

Ó céus, prometo que, se ganhar na loteria, terei um mordomo que resolve todas as coisas práticas da vida doméstica.
E procurarei um emprego de meio expediente.

Ohmmmmmmmmmmmmm!
(preciso começar a jogar)

A notícia do ano não…

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

fez o mundo parar e talvez você nem tenha lido.
Sim, cientistas descobriram um jeito de apagar a memória.
Na sociedade do espetáculo, agora podemos escolher não lidar com traumas, problemas, histórias que não deram tão certo.

Use ZIP e “ZAP”, você não vai se lembrar de mais nada.

É impossível deixar de pensar que estamos nos tornando uma sociedade acovardada e inerte.
No lugar de agir, virar o jogo, sentamos em frente ao micro e tomamos nossas pílulas.
Em alguns segundos, tudo passa e você nem sabe mais o que estava fazendo.
E, claro, você também seguirá em frente, sem referências, sem aprendizado e, provavelmente, vai repetir o “erro” que pagou esquecer.

E tudo certo: você tem uma caixa de pílulas. É só tomar mais uma.

E que tal aplicar o golpe em alguém?
Colocar a pílula no copo do chefe, do colega que foi promovido em seu lugar, daquela mala que te persegue?
E o gerente do banco? Forte candidato?

E eu, aqui, fico com medo até de sair de casa.

Afinal, estou proibida de tomar remédios.
Como vou sobreviver?

Pé no freio

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Frio

O frio graciosamente baixou sobre a terra da garoa e a vontade é de hibernar.
Você também tem esses arroubos?
Ir para uma caverna e desligar todos os equipamentos da tomada?

Converso com amigas que contam o que aconteceu em minha ausência – não que eu fizesse alguma falta.
Penso que todos sobreviveram às dificuldades.
Você também, tenha fé.

Penso nas obrigações da semana.
Nessa coisa chata que é treinamento de gente nova.
E nessa vontade de sair correndo, descabelada, sentindo o vento e chuva baterem no rosto.

Aí procuro o próprio umbigo e não acho.
E a dor no sacro apita.
Preguiça, inércia, inépcia.

Ai, frio macio.
Uma casa para chegar.
Um ver com graça de tudo o que não se encaixa.

Gaddafi caiu – e o mundo encontrará novos ditadores.

Minha primeira vez

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Amore

Você, amigo leitor, também experimenta a delícia do sobrepeso?
E a dor lancinante na lombar que acompanha esse momento mágico, pleno e com tudo que a propaganda oferece aos ingênuos?
Pois comigo aconteceu.
Na sexta-feira foi um pequeno incômodo.
Engraçadinho até – dá um certo charme no seu andar de pato.

Ela veio chegando, chegando, passando de um lado para outro…
A cabeça dura mandou a dor pastar e carregou coisas, foi para o trabalho, praticou exercícios fisicos, lavou roupa…
Ainda lutando, começou a fazer compressas de água quente.
Resultado: ontem de noite, cada levantada de cama era acompanhada de um ganido.
E foram vários ganidos – minha Alice canina não ousaria tanto.

Hoje cedo, fui me arrastando (de taxi) para a acupunturista.
A cena é mais ou menos assim: um pato gordo andando muito devagar com a cabeça para frente – praticamente um ganso com torcicolo.
E dá-lhe escada para chegar à portaria do Centro de Acupuntura.

E o ganso dolorido virou foca. Ãin, ãin, ãin. Sardinha, please!

Sim, recorri à medicina que teve a primeira publicação em VIII a.C.
A história de que a energia flui através do corpo, e de seus órgãos, em dois sistemas (um anterior, outro posterior) de linhas longitudinais (no sentido da altura do corpo) chamadas meridianos, e que é o equilíbrio no fluxo pelos dois sistemas que garante uma condição saudável e o bem-estar.
A introdução das agulhas (que pode ser associada a outras técnicas, como pressão digital, aquecimento, microimpulsos elétricos etc.) estimula, ou ‘ libera’ esse fluxo, o que pode aliviar dores, corrigir certas disfunções…

Pois ainda sinto dor.
Menos intensa.
E não posso tomar medicamentos.

Pato de borracha sem estabilidade na banheira.

Fui furada com carinho.
Ganhei também um vidrinho de floral.
E o papo foi ótimo.

Há dores e dores.

Era das pequenas certezas

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

caminhada

Que beleza é não ter vinte anos e todas as possibilidades do mundo.
Ter mais de 30 e saber que poucas e pequenas são as escolhas.

Não é mais possível fazer tudo sem pensar.
Nem é boa idéia querer mudar tudo a toda hora.

Cada pequena certeza, cada decisão minúscula tem gosto especial.
Mesmo que seja abolir o café da dieta.
Ou apenas ouvir uma bobagem e não reagir.

Estou, aqui, entregando jobs, preparando para uma chatice de prova de MBA, treinando equipe nova e vendo nos outros erros tão meus.
Aquela vontade de gente nova de resolver tudo custe o que custar.

Ah, a vida sem muitos embates, com calma para perder e serenidade para seguir.

Maria

terça-feira, 16 de agosto de 2011

possibilidades

Lava roupa com sabão de coco.
Discute aprovação de obra.
Passa no banco.
Com paciência, pede ao abusado para liberar a vaga que lhe é de direito.
Faz uma reunião online com todo aquele lugar comum de “Brasil corrupto”, novas leis, pau nos servidores públicos, o ideal é implantar um sistema de projetos em todos os escalões.
Ah, se tudo tivesse este estalo que resolve as questões fundamentais.
Maria, Maria, você já foi melhor nisso.

Vá encher bolsa de água quente para aquecer a lombar que dói.
Vá comer direito, vá dormir e descansar um pouco.
Opa, hoje já é outro dia.
E há trabalhos para entregar.
O cliente sempre tem pressa.
Mesmo que o sol aqueça a janela.
E que seu biquíni preferido esteja numa gaveta distante 2672km.
Maria, Maria, deixa de lero-lero.

Hoje é só terça-feira e o mundo inteiro quer mais.
Ninguém quer aurora boreal.
Gota de orvalho em folha de mato.
Terra, café, um vapor.

Acorda, Maria, que já são quase oito horas.