Arquivo de dezembro de 2011

Agora

sábado, 31 de dezembro de 2011

“For last year’s words belong to last year’s language And next year’s words await another voice. And to make an end is to make a beginning.”
T.S. Eliot

Por que esperar 2012?

Seja pequeno.
Veja o que ninguém percebe justamente porque se está perto do chão.
Ria de si.
Ria dos outros.
Não pense muito no depois.

Seja lugar comum porque tudo o que é diferente – em algum momento – cansa.
Não se dê ao trabalho de lutar contra a essência.

Seja.
Não mude de planos apenas porque o ano é novo.

Seja apenas um pouquinho feliz.
Seja triste também.
Um dia de cada vez.
Intensamente.
E tudo será sempre muito interessante.

Aproveite o hoje.
Porque o amanhã não existe.

Pé na porta

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Eu não fujo de nada.
E tendo a ver de cima para baixo todos aqueles que se escondem.
Os omissos, os covardes, os tristes, os baixo-astral.
A vida, nego, é curta.
Seja 16, 30 ou 80 anos que lhe caibam – é curta e passa rápido.
Daí para que ter medo?
Não, não sou panfletária nem adepta de gritos e de escândalos.
Só acho que ficar calado pode ser perda deste precioso tempo.
Portanto, coloco meu pé na porta e entro. Falo.
Seja um adeus ao emprego com sobrenome, seja um tempo na nossa bela história para ver o que acontece do outro lado do mundo, seja uma opinião que não é compartilhada pelos demais.
Com delicadeza, sem perder a firmeza, com educação, sem deixar para trás o recado a ser dado.
Eu falo.
Eu chuto.
Eu piso.

Eu já entrei em 2012.

A fé tem a ver com coisas que não são vistas e a esperança nas coisas que não estão à mão.
São Tomás de Aquino

Cheers!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Action is eloquence.
William Shakespeare

 

soneca esperta

Nada de jet set este ano.
Pela primeira vez desde 1996 estou em São Paulo para o reveillon
Sem trânsito, sem estresse, e, ainda, com tudo o que me faz gostar (muito) da Pequena Maçã.
Bibliotecas, música, lojinhas, bicicleta, tempo nublado, passarinho cantando logo cedo.

Bom ter tudo isso em casa, não?

Aos poucos, meus poderes de balzaca em fim de feira voltam.
Não durmo de noite, durmo pouco durante o dia.
Tomo umas e outras só para curtir um pilequinho de leve.
Subo na balança e nem levo susto.

Fim de ano?
Começo de era!

carpete

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
tortos

tortos

Arrastando quilos de coisas – caramujo de táxi.
Uma trilha brilhante mostra o ponto de partida.
Na volta à casa, perdi meu sentimento de lar.
Um mês e meio fora para quem havia jurado nunca tanto sumir.

Anestesia.
Casa.
Alma.

Um cano estourado me trouxe de volta à tona.
Sem banho.
Sem comida.
Numa São Paulo vazia.
De repente, feliz.

Como pode ser assim, perdida?
(e com canelas debaixo d’água)

Horizonte

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Estou aqui, sem espaço, sem saber…

Como fui perder as raízes?
E que bom é não ter amarras.

Vejo o povo.
Loucos, ensandecidos no trânsito, puta que pariu, caralho e outras pérolas.
Na rua, oitos e oitentas.
Raimundas, loiras falsas, todas sem exceção com modinhas de interior.
Lacinhos, sapatinhos, boquinhas e cabelões.
Na capa do caderno de Cultura, amigos de outras galáxias.
Fazendo as mesmas coisas de sempre e com aquela inocência linda, de quem acredita.
Na praça, bolas, luzes, fitas e um chamado: coral de Natal.

Vou caminhando com tanta certeza por ruas que antes eu beijei.

Fui das montanhas.

Perdi minha alma de chita exuberante em corpo de violão.
Não acho mais graça em torcer contra.
Não conheço mais tudo o que conta.
Não creio.
Não ligo.
(no te extraño)

Agora, arrastando minha sandalinha, penso em nunca mais voltar.

 

Mais

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um aeroporto.
Tantas malas.
Menos tempo.

Trocar o calor pela chuva.
Ver gentes queridas que moram longe.

Saudades de casa.

Comida quente.
Suor.
Balanço no ar.
Mais uma estrada.

E gente nova para acompanhar a tropa cigana.

Você pode fechar a conta?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Não sei se para você já chegou, para mim, a tal da conta do ano novo veio num envelope.
O que mudar?
Por que mudar?
Qual personagem vestir?
2012, depois do caminhão que passou por cima de 2010-2011, chegue de mansinho.
Eu não quero decidir nada.
Mas assumo a responsa.
Se quiser briga, eu desço do bonde.
Se for para chacoalhar, colo.
Se for para correr, paro para uma branquinha no boteco.
Não aceito café com leite.
Média desnatada.
Vou tropeçar na calçada e sentar no meio da rua.
Nem venha me empurrar que daqui não saio.
O meu 2012 vai ser como confete e serpentina em baile de gala no domingo de carnaval.
Banana-split, ok?

O que fazer…

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

…se amo uma confusão?
Encher a mala com lagostas e levar todas para a terra das montanhas já contando com aquela champanhota nota 10?
Correr na praia esbaforida e, na volta, tomar uma cervejinha para hidratar?
Criticar por criticar só para comprar uma boa briga?
Usar cabelo sarará quando a moda é chapa lisa?

Ah! Hoje acordei com vontade de andar de costas.

Ignomínias, ignorâncias e outros igs

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A quem interessar possa, fui para o tronco e saí estropiada, porém livre.
Matemática financeira nunca mais.
Restou-me uma contabilidade.
Cada problema a seu tempo.

De volta ao mundo dos bons, entrei numa discussão com 500 estranhas.
Só para exercitar meu lado beligerante.
Homens, não me deixeis neste post de teor absolutamente feminino.

Eu venho de uma família às avessas.
A mãe, intelectual, foi quem colocou arroz na mesa.
O pai, operário, foi o que pirou na batatinha.
E, assim, no meio da confusão, fui criada.

Quando da maternidade, comprei cerca de 20 livros.
Parto normal ou cesárea?
O que é ser mãe balzaca?
Tive que estudar muito antes de me enfiarem na faca.
E, por fim, já cheia de argumentos, gritei como louca da casa a maternidade, tirei logo a roupa e não teve faca.

Recentemente uma amiga de infância – que não faz a mínima idéia do que a vida fez com essa que vos escreve – convidou-me para um grupo fechado só para mulheres.
É uma chatice danada: perguntam sobre chupetas, fraldas, colchões que reclinam e outras sandices.
Abro minha caixa de email e é aquela chuva de mensagens sem sentido e sem noção.
Daí que decidi apimentar nossa relação.
Fui logo para a pergunta que divide o mundo.
Pior do que Mouros e Cristãos, Flamengo ou Vasco, preto ou branco…

– Parto normal ou cesárea?!

A turma operada desceu logo a ripa.
Civilização, medicina, modernidade, fim da dor.
A turma de Adão e Eva se justificou: natural, feliz, sem pós-operatório.
E eu fui para o ataque.
Bati sem atender o pedido de anestesia.

Enquanto a OMS recomenda que 15% dos partos sejam cesárea, aqui são 52%.
Civilização é isso: quando colocam vacas em fila e mandam para o abate.

Não queira saber o que foi.
A chapa ferveu.
Para mais de 50 mensagens.
Quase todas a fim de me matar em defesa do fim da dor e em prol do subdesenvolvimento, do refluxo, dos meninos a base de leite em pó, da chupeta, do peito de silicone.
E eu, fora de esquadro, defendendo o direito de nascer na hora errada e no local inapropriado – em casa em pleno carnaval, por exemplo -,  tecendo loas ao peito caído, elogiando a meninada que comeu terra e areia da pracinha, decretando o fim das provas (inclusive do vestibular) e incentivando a bebedeira na faculdade.

Como dizia meu amigo Magoo, foi um dia de caos no galinheiro.

Faltou milho. 😉

Se Inês é morta, resta-nos o Leite

domingo, 11 de dezembro de 2011

Pedro e Inês

Doida mesmo foi Inês que, de aia da primeira dama, acabou virando amante do infante que viria a ser rei.
A crítica ácida da plebe hipócrita, o rei que não aprovava, o exílio – nada foi capaz de acabar com a história.

D. Inês, que era belíssima, foi tendo filhos de D. Pedro I: Afonso em 1346, João em 1349, Dinis em 1354 e Beatriz em 1347.
O amor era profundo e a publicidade tão descarada que, em 1355, o rei D. Afonso IV mandou que cortassem a cabeça da mãe de seus próprios netos.
Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de Inês formaram a Fonte dos Amores da Quinta das Lágrimas.

D. Pedro I tornou-se o oitavo rei de Portugal em 1357.
Três anos depois assinou a declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que se tinha casado secretamente com D. Inês.
Mandou matar os algozes de seu amor  (arrancaram o coração de um deles pelo peito e do outro, pelas costas) e fez com que o povo beijasse a mão do cadáver da rainha.
Quando morreu, foi enterrado ao lado de Inês.

E eis que o Leite, antigo e cheio de histórias, criou uma sobremesa bem luso-brasileira: queijo (de coalho) com goiabada (derretida). O restaurante batizou a deliciosa combinação de Pedro e Inês.

Eu, vampira tropical, fugindo do sol em dia que é quase carnaval, entendi de cara que amor é assim: quase impossível e absolutamente perigoso.