Arquivo de dezembro de 2011

Submergindo

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

o mundo hoje

Prometo não falar de números…

Você leu a do sujeito que, após levar um fora de uma moça, deixou recado no celular, mandou sms, e, não contente, enviou um email exigindo um retorno?
http://tinyurl.com/86ry3w3

E a das mudanças no Twitter?
O negócio no mundo hoje é usar a desculpa de ter uma versão “beta” para nunca ficar finamente acabado.
Tempos modernos: chique é ser relapso.
http://tinyurl.com/7nqgsko

E a do sujeito que se safou de uma condeção por conta do mesmo twitter? http://tinyurl.com/872w4vs

Eu que já vi gente louca para “aparecer” na TV, agora vejo que os loucos têm mais ferramentas para ganharem fama.
Redes sociais, ó, céus!

Sendo assim, melhor ficar quietinha aqui, lendo Unbroken – livro que recomendo.

Até amanhã!

gênio da maçã

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

 lat. genìus,i ‘divindade particular que presidia ao nascimento de cada pessoa e a acompanhava durante a vida, p.ext. a porção espiritual ou divina de cada um; divindade protetora de uma coisa ou lugar; anjo que perdeu a graça; o que faz as honras da casa, anfitrião; os apetites naturais; gulodice, sensualidade, deleite; ornamento, glória, beleza, graça; inspiração, talento’

Passado o frenesi com a morte de Steve Jobs, venho aqui depositar meu texto de devedora.
Devorei a biografia – comprada na loja por ele inventada.
E fiquei muito admirada.
Algumas vezes foi do mal.
Várias vezes, louco desvairado.
E arrogante, ousado, abusado, egoísta.
Apesar de tudo e por isso mesmo, gênio.
Ok, até aqui, nada de novo.

Um obsessivo.
Um pirado que não queria saber do que necessitávamos.
Ele queria inventar a própria necessidade.
Detalhe: Jobs mesmo não criava nada.
Era o maestro que farejava a novidade no ar e comandava a tropa para transformar a idéia em objeto.

O que me pegou foram otras cositas:
– hippie, peregrino na Índia, devedor dos efeitos do LSD, apaixonado por alguns instantes, cruel sempre que dava na telha, desconfiado de que morreria cedo, acelerado e desrespeitador de leis. Desapegado de coisas materiais (justo ele), dividia o mundo entre bons e ruins. A e B.
Um cara sem freios.
E com muito foco.
Um defensor da rebeldia.
Fosse ela ser alguém de muitas contradições.

Agora entendo melhor porque sou dependente química de suas criações.

O sim e o não

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Hoje estou de má vontade.
Pego a HP12C e patino em juros compostos, em prazos diferentes, taxas.
(…)
Nada dá certo, nada acontece.
Rodo, rodo, rodo e perco tempo.
Birra pura de ter que fazer algo que simplesmente não gosto.

E não é que é complicado entrar na fôrma (sic)?
Quando pequenos, dói ter que dormir.
Ter que fechar os olhos quando o mundo acordado é de colo, de carinho, de beijo e de leite.
O tempo passa rápido e, com uma conversinha mole, somos arrancados do seio quente e levados para a escola.

Aprender a ler, começar a escrever, brincar com números.
Para mim, que aprendi a tabuada na base do chicote (literalmente, embora as chicotadas fossem no chão), os números sempre foram em preto e branco.
Eu preferira decorar sílabas, acertar os acentos das oxítonas. E a concordância?
Vira e mexe, eu imaginava como seria a escrita se houvesse uma “discordância”.
A gente gostamos? Vocês sois coloridos sóis?
Inventei até as “propo”-paroxítonas, as proparoxítonas superpoderosas.
Nas “propos” a antepenúltima sílaba é tônica com mais força: êxodo, esdrúxula, maiúscula!

Aí vieram os números:
– você é o número 4 na chamada;
– pegue uma senha e aguarde na fila. A minha? Número 3.458!
– em que lugar você ficou no vestibular? 57
– quantos quilos ela perdeu? 12
– qual é meu saldo no banco? R$13,39
– e o valor da mensalidade? R$1.000,00

Comigo não adiantou ler o livro preferido do menino Covas, candidato a prefeito de SP.
“O homem que calculava” perdeu feio para “Um cão de lata ao rabo”, “Ayres e Vergueiro”, “Letra Vencida”, “Metafísica das rosas” e tantos outros contos do Machado.

O fato, amigos, é que hoje, infelizmente, Machado não me salva.

Comprei plumas de galinha morta e caí…

domingo, 4 de dezembro de 2011

carnaval, cheguei

No samba, menino.
Eu ando mesmo impoliticamente correta (sic).

Menino, foi assim como que acordar as pernas e esquentar o peito.
Me enchi de lantejoulas e frevi. (sic)
Na praça do Arsenal, com a turma do carnaval de salão, menino pendurado no pescoço e muitas, muitas marchinhas.

Colombinas, negas faceiras, amores perdidos, amores matados, pierrôs…
Cheguei devagar, com samba de mineiro, e saí cantando e dando pulinhos pelo centro antigo.
No coração dessa alemã de farmácia bate uma alma carnavalesca.
O menino, tão pequeno e gordinho, foi a alegria da rua, pulando feito um cabritinho e sem chorar.
Ai…
Em domingo sem ídolo do futebol, só confete e serpentina em minh’alma.

(E um maltado porque não sou de ferro)

Mrs. Bean

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Prazos apertados, calor danado e (…)!
Internet, telefone – tudo fora do ar.

A moça da limpeza colocou a tomada do aspirador na fonte master da casa.
Primeiro pensei comigo: fusível queimado.
Pedi para ela interfonar para o porteiro e descobrir com ele onde poderíamos comprar um novo.

– Adelino, onde a gente compra um fuzil (sic) que o da dona Ana estourou?
E eu gritando: “fu-sí-vel”.
E ela repetindo para o moço:
– FU-ZIIIIIIILVE!
– Sei não senhora não.

Tenho pressa, texto para entregar!
E eis que uma parede inteira está sem eletricidade. Duas salas, dois banheiros… Uma parede inteira está mortinha da silva.

Enquanto a moça corria atrás do fuzil, eu virava eletricista.
Abro a caixa de passagem e começo a testar todas as chaves.
A casa vira uma boate e a porcaria da eletricidade volta.

E ela também volta esbaforida:
– Os fuzil estão em falta no Recife.
Respondo com calma que entendo. O crime anda mesmo organizado.
Ela nem pisca.

Texto enviado, hora de ser dona de casa.
Lista de compras: eu falo, ela escreve.
1) Guarda Napo
2) Amém Duas
3) Olho
4) Marionese
5) Colvei
6) Massan
7) Venixe
(…)

Chego em casa exausta, peço para guardar as compras.
Num vidro, ela mistura os grãos de arroz e feijão.
Eu, que não prestava atenção, só tive tempo de ouvir a explicação:
– É uma pena que não dá para fazer com a mistura numa panela só.
Pergunto se ela é maluca.
Ela diz que é meio assim porque foi puxada de “fórpeces”.

Ah, Brasil, logo mais tomo um processo, eu sei…