Arquivo de fevereiro de 2012

Enquanto isso, na Sala de Justiça…

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Achei as chaves!

A Coréia do Norte topa negociar e nem todo mundo da imprensa deu bola.
O jornalista inglês que saiu são e salvo do Irã? Opa, 13 pessoas morreram para tirá-lo da zona de guerra civil.
Mas o gringo foi salvo.
E esta é a manchete.

Mundo virado.
Quando ouço mães comentando que o filho nasceu antes da hora, que não tiveram leite…
Sei lá.

O mundo anda mesmo chato, previsível.
Poesia, gritos, quadros tortos na parede.
Por favor, uma Rebecca Horn, um Hélio Oiticica.
Te fazer sair de esquadro nem que seja só um pouquinho.
Marina Abramovic.

Hoje me vesti de onça e fui tomar sorvete de chá verde.
Procurei locais com ar condicionado.
Fiz escalda pés.
Pensei num grande jardim que poderá virar jaboticaba.

Andei arrastando sandálias e pensando:
foi uma idéia supimpa jogar tudo para o alto.

Lambe-lambe

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

clique?

De volta à São Paulo em pecado.
Gula, luxúria, inveja, preguiça, vaidade.
Faltaram apenas dois para ir direto para o inferno.
Verdade e trabalho.

Inferno?
Talvez o calor desta madrugada – que passou por cima da chuva fina, intermitente, e negativa, inoperante – tenha sido um sinal.
O inferno são vizinhos travestidos de gente de bem.
Um projeto de responsabilidade social para dono de shopping center.
Uma ida à nutricionista (você sabe que ela vai cortar tudo o que interessa e, rebelde, ainda assim paga a consulta e não obedece).

E lembrar que hoje, segunda, não é dia de cerveja, vinho, aguardente.
Ah, cidadãos corretos de 9h às 17h, inferno é ser tudo de belo de segunda a sexta-feira.
No sábado ir para a feira comprar peixe fresco para perder-se na terça.

Ah, balzacas reunidos!
Como fazer se depois dos trinta fica difícil manter o corpão violão?
Mostrar, bêbada, bunda e pandeiro num programa de TV?
Ou sofrer as consequências de uma batalha nada síria sob edredons?
Ah…

Se até a Antártida sofre com incêndio, que dirá uma São Paulo ensandecida?
Restou-me fugir de 13h às 15h.
Fazer coisas básicas e inconfessáveis.

Vamos, vamos sair de mãos dadas.
Tomar umas e outras sem pensar.
Trocar a toga do juízo e nunca mais olhar para trás.

Porque toda segunda-feira de verão é dia morno como sauna seca na praia.

Vendo casa

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Passado em preto e branco

Apartamento de bom tamanho.
100 m², 2 quartos arejados, amplas janelas.
Alguns cantos empoeirados, histórias inacabadas, romances mal explicados.
Vendo banheira antiga com pés de ferro fundido, piso de ladrilho hidráulico, pastilhas em cores vivas.
Vendo tudo o que foi.
Casa de sonho.
Alvenaria. Suor.
Causos ocultos.
Gatos que não existem mais.
Tudo a preço de ocasião.
Bairro agradável que já foi mais tranquilo.
Mundo que dá volta.
Redemoinho na sala.
Vendo tudo desde que o bebedouro dos pássaros permaneça cheio e limpo na janela do escritório.

Pernas firmes

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Depois de um biênio sem carnaval, fui à forra.
Nada de excesso destrutivo.
Marchinhas, sol, cerveja, confete, ladeira.
Fantasias – uma para cada dia (e pense logo no que está subentendido).
E uma fome sem fim.
Minha festa pagã para expiar anos difíceis, viradas forçadas, experiências que, uma vez findas, não trarão saudades, mas obrigatoriamente, fortalecerão esta sobrevivente.
Lugar comum (como sempre).
Carnaval de gregos, pré-romano.
Culto em agradecimento aos deuses pela fertilidade.
Fertilidade de idéias, de andanças, de trocas, por fazer com que haja escolha.
Agora é seguir com fé.
2012 é para valer.
😉

mensagem subliminar

Caçamba

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Meu prédio contratou serviço de caçamba para se livrar de coisas antigas e inúteis.
Azulejos de 1975, gaiolas, portas empenadas…
Vidros, latas, madeiras, aparelhos que nem o Exército da Salvação quis levar embora.
Um sem número de coisas estocadas há anos sem a menor serventia.
Acúmulo.
Vontade de prender o tempo em gavetas.
Necessidade de agarrar coisas para segurar ventos.

Ontem saí de casa e vi um homem.
Magro, baixo, pardo.
Entrou na caçamba, separou madeiras de outros objetos.
Tirou pregos, selecionou pedaços.
Encheu a carroça.
Foi embora.

Hoje os porteiros jogaram mais coisas na caçamba.
Latões, quadros velhos, brinquedos faltando pedaço.
Vieram dois homens.
Enquanto o primeiro retirava pedaços desencontrados,
o segundo esperava por sua vez.

Uma caçamba com guardados de décadas.
R$270,00 para nos livrarmos do passado.
3 homens, uma nação e nenhum futuro.

passado

AA ou CD?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Dinamarquês de 22 anos vence torneio de pôquer e fatura US$ 9,15 milhões (2008)

Tão maluco.
O Brasil não “tem” mais classe média.
Tem ricos e pobres.
Os projetos ou são para a classe AAAA, rica, endinheirada, que é exigente, blablablá.
Ou os novos consumidores. Ávidos, novidadeiros, compulsivos. A nova Classe C.

E nóis na fita, mano?
Ensaduichados, brincando de intelectuais.
Pensando em dramas existenciais.
No menino pobre no farol.
Na escola que não ensina a pensar.
Num carnaval sem greve de PM (afinal, não tenho segurança privada nem saio na “pipoca”).
Na greve que não acaba aqui…

Ah… Penso na prestação do carro.
No emprego ideal, que me leve além.
E que, também, pague bem.
Penso na casa nova – tão cara e um passo tão ousado.
Penso num sarau.
Aí desanda tudo.

Quero uma casa de portas abertas.
Para receber os amigos de tantos cantos.

Para umas discussões acaloradas.
Preciso de jardim.
Uma mesa com 12 cadeiras.
Um pedaço de queijo.
Um engradado de qualquer álcool.

Ai, ai.
Se tudo se resumisse a dinheiro, a compras, a trabalho.
Nosso mundo logo seria trocada por uma mesa de pôquer.

Pois é…

domingo, 12 de fevereiro de 2012

payaça

Testes e mais testes enquanto a cabeça roda…
Bullying no grupo fechado do Facebook.
Confissões de toucador.
Voltas pelo mundo real.
Vinte e Cinco de Março.
Loucuras de carnaval.
Meia noite em pleno Largo do Arouche.
Palhaça nas vidas em geral.
Ah…
Carnaval para quem tem muito mais de 30.

São inúmeras as possibilidades.
E você nem imagina.

(Que pena)

Stay cute and shut up

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

(mundo, vasto mundo)

(mundo, vasto mundo)

A Síria se acabando, os tetos desabando e Gisele, nossa modelo-modelo, abalando Bangu gringa.
Tudo porque resolveu defender o marido atacando os colegas dele.
Já pensou se a moda da über model pega?
A empresa foi mal, ações despencam e a patroa do C.E.O. dá entrevista:
“- A culpa é das marmotas que trabalham para ele”.
O PIB despencando e a Dilma:
“- Mas com esse time de ministros o que vocês esperavam?”.
O Brasil perdendo mais uma Copa e o técnico da ocasião:
“- O Ricardo Teixeira escala esses pernas de pau e vocês olham para mim?”

Ah… O mundo em cores.
Não é assim o pensamento do Assad?
Ele é presidente e a culpa é dos civis por estarem morrendo…
Ok, comparação exagerada, mas hoje em dia está cada vez mais difícil de achar gente que:
1 – Pede desculpas,
2 – Assume erros.

Nossas escolas não preparam cidadãos.
Preparam competidores.
E, para chegar ao pódio, vale tudo.
Quando entramos na selva do mundo corporativo, fico pensando no professor de ética…
Herói da resistência – como os cidadãos sírios.

Ando lendo sobre antroposofia – ainda não tenho uma opinião formada – mas fui profundamente impactada por uma frase:
“A nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar propósito e direção para suas vidas.” (Rudolf Steiner)

Se eu tivesse lido isso antes, talvez não tivesse rodado como enceradeira por aí…

Chutei tudo

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

secando um pouquinho

Depois de muito tempo, chutei os cachorros, corri das crianças e tomei uma(s) cerva(s) estupidamente gelada(s).
Cheguei agora em casa trocando as letras.
Ai que delícia não ter nada na cabeça e fazer tudo errado.
São Paulo vive alguns dias de fritar ovo no asfalto.
E eu não subi no meu salto.
Fiquei aqui na sandália rasteirinha de baby boomer.
Dura e cheia de projetos, resolvi trocar de apartamento.
Quero mais espaço, quero brisa, quero virar vento.
Então é isso aí: ficar maluca e dar um passo maior que as pernas.
Como diria a bruxa má: adoooooro!
E vamos que vamos.
Pois hoje é só segunda-feira…

Ode ao Teló

sábado, 4 de fevereiro de 2012

moustache

Na próxima encarnação, anote aí, quero vir homem.
Fazer xixi em pé.
Arrotar na sala de visitas.
Olhar a bunda de todo ser vivo com cerca de dois neurônios.
Brincar de Farmville todos os dias – aquela coisa de fazer bolão do Brasileirão.
Deixar o tampo levantado é clichê.
Vou sair sem escovar dente.
Ficar a vida toda sem raspar o sovaco.
Vou comer um boi e perder todos os quilos depois de uma semana segurando a boca.
Vou ganhar mais e, talvez, trabalhar menos.
Vou achar linda a barriga da minha mulher (antes de parir, é claro).
Vou abrir a porta do carro.
Coçar o saco e ajeitar a calça em público, por que não?
Na próxima encarnação, prometo.
Toalha molhada na cama.
Roupa jogada no chão.
Carteira dentro da bermuda que está sendo lavada.
Uma mochila para viagem de 30 dias com 3 camisas, duas cuecas e um calção.
Depois dos 40, cultivar barriga.

Ah, se eu te pego.