Arquivo de março de 2012

Aquecimento

quinta-feira, 15 de março de 2012

ratatá

Sair por aí com pressa e a cabeça voando.
Recitando baixinho os velhos versos.
Sem a menor perspectiva e com mil coisas imaginadas.
Acreditando que tudo vai dar certo.

Disse meu guru de banca de jornal que as coisas não vão mudar sozinhas, pois, apesar de eu receber uma boa onda do destino, também vou ter de tomar iniciativas.
Não diga, amado mestre.
Eu quero é substância.
Porque partir para cima sempre foi a minha.

O fato é que ando contando com o incerto.
Tudo bem.

Uma viagem sem rumo.
Uma pessoa.
Um esbarrão.

Hoje olhei no espelho e me (re)conheci.
Por isso estou assim, meio besta.

Gostei do que vi.

Casa nova

quarta-feira, 14 de março de 2012

Carlos

A Companhia das Letras promove hoje o lançamento de quatro novas edições da obra de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).
“A Rosa do Povo”, “Claro Enigma”, “Contos de Aprendiz” e “Fala, Amendoeira” são os primeiros dos mais de 40 livros que a nova editora do poeta pretende publicar nos próximos quatro anos.
O evento “Drummond e o Mundo” terá direção e apresentação do compositor e crítico José Miguel Wisnik.
Drummond também será o homenageado deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Curiosamente o assunto não foi manchete hoje.
Manchete é bandido que explode caixa eletrônico, é assassino em jet ski, é senador que “rompe” com presidenta.
Brasil, sil, sil, sil, sil.

Drummond de capa nova, sem cheirinho de naftalina – como todos os do meu acervo?
Vamos ao primeiro livro, com 55 poemas, escrito na década de 1940.
Uma rosa nasce para o povo, será a poesia para o coletivo?
O poeta escrevia sob a luz dos duros acontecimentos da 2a Grande Guerra.
Nas páginas, escancaradas “sua indignação e tristeza melancólica com o mundo, com a violência e com a necessidade de se ter uma ideologia…” (por Márcia Lígia Guidin)

No primeiro (e, talvez, mais famoso) poema do livro, “Consideração do poema”, o poeta declara:

“Não rimarei a palavra sono
Com a incorrespondente palavra outono.
Rimarei com a palavra carne
Ou qualquer outra, que todas me convêm.
As palavras não nascem amarradas,
Elas saltam, se beijam, se dissolvem,
No céu livre por vezes um desenho,
São puras, largas, autênticas, indevassáveis.
Uma pedra no meio do caminho
Ou apenas um rastro, não importa.
(…)”

O fato é que, diferentemente do humor de outros livros, nestes poemas CDA tem um tom solene, grave e triste. Vejamos um trecho de outro famoso poema, “Procura da poesia”:

“Não faça versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
Não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam. (…)”

E como o poeta se via no cotidiano da cidade, em outro famoso poema, “A flor e a náusea”:

“Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me? (…)”
(Leia a reportagem completa em http://vestibular.uol.com.br/ultnot/livrosresumos/ult2755u120.jhtm)

Ah, mundo vasto mundo, no dia em que o poeta ganha nova edição, para mim nada é mais importante.
Celebrar Drummond, a poesia, a arte até quando política.

Numa quarta com cara morna de segunda atôa, deixei meus afazeres de lado, misturei Wilde com o poeta mineiro de minha preferência e esqueci de contas, de emprego, de pés no chão.
Voei, voei.
E ainda estou no alto.
Feito balão de gás.
Uma hora esvazio e ninguém vai saber onde fui parar.

Fantasmas

terça-feira, 13 de março de 2012

“To live is the rarest thing in the world. Most people exist, that is all.”
Oscar Wilde

Pois hoje apenas existi.

Lendo e me atualizando – por obrigação profissional – sobre as fanfarronices do futebol nacional.
Desde jogador bêbado, passando por ex-dirigente ficha suja até chegar em goleiro criminoso.
Uau.
Futebol é uma coisa ‘submundo do crime’.
Era uma vez Pelé que roubou do UNICEF que chamou Ronalducho para levantar uma grana que defendeu Ricardo Teixeira e fez o Corinthians contratar o Adriano. Adriano que descia ladeira abaixo como tantos e tantos outros.
Vontade de ver o filme “Heleno” mesmo sabendo que não vai vale a pena.

E a política?
Houve um tempo – poético – em que eu acreditava em anular meu voto.
Hoje acredito em eleger o menos pior e atrapalhar os terríveis que estão por cima.
Nas últimas eleições, ajudei a derrubar o Netinho de Paula…

Ah…
E a amiga que precisa de um abracinho?
Ela está em seu casulo e eu aqui pensando nela.
E a amiga cheia de esperança no futuro?
Se eu pudesse, beberia água da mesma fonte.
Ah – meus amigos queridos – que vêm e que passam como a garota de Ipanema.

Fim de dia. Vou reler o Fantasma de Canterville para ver se recupero o humor fino.

bu!

Vira vira

segunda-feira, 12 de março de 2012

shhhhhhh...

Shhhhhhhhhhhhhhh!

Eis que tudo pronto, papelada com firma reconhecida e…
Comprador, vendedor, corretor, banco – todos ávidos por trocar assinaturas e…
uma viagem fez com que tudo voasse.

Vento cigano.

Nada a ver com Manos, Ronaldos e Ricardos.
Coisa de gente normal.

Ser e não saber.
Pular de olhos fechados…

Aproveitar tudo o que é possível.

Como é bom (e perigoso) não ter amarras.

Fria e atolada

quinta-feira, 8 de março de 2012

mergulhada

O bode veio vindo e baixou no meu quintal.
Amiga querida passando por fase chata.
Passarinhada voando, voando.
Eu com minhas idiossincrasias.

Preguiça de ter que ser forte de manhã até a madrugada.
Ando numa precisão de virar “gente”.
Como é que faz quando vai tudo para o brejo?
Pedi carona, não passou ninguém…

Ah…
Quinta-feira que era para ser uma e mudou todo o plano.
Sexta, venha a galope.
Já cansei de hoje e qualquer amanhã está valendo.

Pobre vaca.

Brutalista

quarta-feira, 7 de março de 2012

Quand le monde sera réduit en un seul bois noir pour nos quatre yeux étonnés, – en une plage pour deux enfants fidèles, – en une maison musicale pour notre claire sympathie, – je vous trouverai.

Arthur Rimbaud

É inevitável passar noites em claro em fases como esta.

E ficar menos produtiva pois a cabeça voa…
E o que seria de mentes interessantes se não tivessem um curto circuito vez ou outra?

Hoje madruguei e acordei com Paulo Mendes da Rocha.
Brutalista na alma.
Querendo mergulhar numa piscina negra modernista e sair mais Ana Pessoa.

Vamos mudar tudo?
Marretar paredes, excluir portas, abrir janelas?
Sair com terno de linho para tomar uma branquinha antes do meio dia?

Atolar-nos em dívidas ricas.
Vamos virar tudo do avesso só para ver o que acontece?

Intenso nas profundezas.
Duro como concreto.
Sem medo.
Sem nada.

Será que o blog vai mudar de nome?
Afinal, queridos, eu tenho quase 37.
Quem sabe: “Passei dos 30 a 200km/h?”

A tal da energia

terça-feira, 6 de março de 2012

em construção

Sim, esse é um daqueles posts que não combinam bem com isto aqui.

Eu, em momento de fim de ciclo e mudanças necessárias, cismei que iria deixar o meu lindo apartamento na Vila Madalena.
11 anos de luta, companheiro – e de festas sem censura, babe.

Saí por aí com mil corretores, a descobrir como o meu cantinho antes (muito) pé sujo e (um tanto) hippie ficou nouveau riche, supervalorizado.
Não, nada disso me fez gostar menos da Vila Madalena.
Se os tempos, as pessoas, se tudo muda, o bairro mais carioca de São Paulo não haveria de escapar.
E, sim, continuo amando as praças, as árvores, os sabiás, a bagunça colorida, os altos e baixos que lembram o mineiríssimo Santo Antônio.

Andei tanto, perguntei à vera e, fina ironia, descobri que a casa da frente está a venda.
Entrei, vi uma coisa e imaginei mil outras.
Janelas gigantes, vista do alto.
No lugar de um quintal com caco de azulejos, jardim com chuveirão, grama, ervas aromáticas.
Fechei negócio.

Mas e o dinheiro?
Corrida maluca para colocar o apartamento a venda.
Preciso logo aumentar a minha própria renda.

Como em filme americano, deixei o ambiente cheiroso e mais lindinho para atrair copradores.
Quase montei uma banca de limonada…
Ontem de manhã, o primeiro casal.
A dupla veio cedo, voltou de tarde.
Vendido. (Ou apalavrado)

Assim, no primeiro lance.
E você não acredita que, às vezes, o universo conspira?

Vira a página

sexta-feira, 2 de março de 2012

Semana pauleira.
O calor afeta corpos e mentes.
Todos de sangue fervente.
Estresse no ar.
Falta de paciência.
Administrar tudo isso?
Corpo inteiro moído.
Será que no frio a gente se afasta?
Finge que não viu e passa?
Ah…
Caiu chuva lá fora.
Meu sofá virou esponja.
Esqueci-me de jantar.
Ah…
Sexta-feira rara.
Queria ter-te domingo.