Arquivo de setembro de 2012

(intervalos)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Nos dias de frio, pense na velha tática de correr.

hoje?

Ocupar espaços indesejados.
Bater para se proteger.
As horas somem.
Um novo dia amanhece.

Em meses como este, de carne no açougue, fica tudo tão claro.
A insistência em falhar no último minuto.
Sem surpresa.
Em seguir por caminhos tortos.
Em não baixar (cabeça, ombro, pé) guarda.

Não tomar taça de vinho para relaxar.

O problema é que – como hoje.
Você pode acordar na hora errada.
E não ter para onde correr.

Amanhecer.

Confesso tudo

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Em caso de emergência (...)

Depois de um fim de semana de pura esbórnia para menores no Rio de Janeiro, arrastei comigo, em corrente de prata meu bode.
Primo distante da vaca profana, conhecido da turma do terreno baldio, ele veio apertando o peito já no Santos Dumont.
Seria o excesso de champagne e de conversas proibidas em Santa Teresa?
Todas as noites mal dormidas?
Tudo o que poderia ser?
Tudo o que não se pode contar?
Com cara plácida, mastigando sei lá o quê… o Bode chegou devagar.
Sentou-se ao meu lado na 1E.
Nem o encontro com o amigo querido de São Gonçalo do Riacho das Pedras o afastou.
Lá pelas tantas, um balido.
Teve gente pensando que era turbulência.
São Paulo cinza, fria.
Mil emails sem ler.
Mensagens.
Decisões de segundo – tudo, tudo esperando, pressionando, exigindo resposta.
– Bééééé…
Bodejo de velho entediado.
Casa nova, emprego para decidir, carro, gato doente, menino, regime, conta.
-Béééééééé…
Confesso que quase fiquei na escolinha para que me fizessem brincar, para que me dessem banho e jantar.
– Bééééé…

Muda

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Calor insano não se cura com chuva fina.
Da pele grossa, vapor.
A pele fina, malsã.

Chove em São Paulo.
E nada muda.

Poluição como tudo – acúmulo.
Mais, mais e nada.
Mais do mesmo.
Firme.
Seja forte.
É?
Às vezes me falta estrogênio.

Chuva fina e rápida.
Nem deu tempo de preparar um drink com gelo.
São Paulo, menina mimada, muda tudo e volta às origens só para mostrar quem manda.

гла́сность

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Houve um tempo em que para ser minha a revolução só se misturassem vodka no meio.
Hoje um simples ir a academia já é para convocar o Fidel e o Raul.
Publicar na Granta.
Radical?
É conseguir encaixar 200 assuntos numa agenda curta.
Correr para pagar.
Pagar para ver.
E tirar álcool.
Cortar açúcares.
Ficar cansada com essa coisa de casa nova.
De lua cheia.
De seca.
Ah…
Ando encantada com essa перестройка particular.
O meu velho espírito rebelde, que grita, que raspa a cabeça.
A serviço apenas de um dia mais leve.
De dois minutos para um café.
De aceitar que nem tudo é para funcionar.
Que o agora – assim mesmo – é tudo o que nos basta.
E resta.

Seriam os 40 chegando?
(Temo pelo blog e por nós:
Não fica bem ter diário inventado aberto na rede.)

Eco chata

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ando assim eco-mala.

Reciclável?

BPA free?
A marca escravizou asiáticos pobres para confeccionar seus produtos?
Pode biscoito de maizena?
Ando bem perguntadeira.
Queria espreguiçar.

Mas a semana corre.
E só dá tempo de questionar.
Porre.
Ando assim cheia de interrogações.
Nem um pingo de dúvida.

Semana.
Corre.
Se ficar, o bicho recicla.

(.)

terça-feira, 11 de setembro de 2012
Fast days,
short nights.
I'm scratching in English to make some change.
Thinking of other worlds.
Maybe I'll buy a ticket to Mars.

Empty days.
Deep nights.

Life does not respect laws.

Casa grande, senzala, favela e trilho

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

own...

 

Meu universo parou na favela queimada.
Moradores não foram para o abrigo com medo que outros favelados invadissem seus ínfimos metros quadrados incendiados.
E o hit entre as babás de madame é pingar sonífero nas mamadeiras.
A empregada foi demitida só por que pediu vale refeição – não gostava da comida fresca da madame.
E tudo acaba em novela, um tal de empreguete com patroete que não entendo (nada) bem.
Brasil, sil, sil.
O ex não fala português, e diz coisas loucas, disparatadas.
E é o cara!
Em São Paulo, vence quem tira a uvinha da Mortágua em pleno carnaval.
No Rio, nem tropa de Elite tira o bandido do trono.
Está lá a moça morta por tiro de fuzil dentro do posto de saúde.
Zil, zil, zil.

Porque eu só quero ser feliz, andar tranquilamente…

…Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.

E a saudade no meu peito ainda mora (…)

quando pego meu cavalo e encilho
Sou pior que limpa trilho e corro na frente do trem.

mamífero hipomorfo da ordem dos ungulados

terça-feira, 4 de setembro de 2012

a-a-a!

Essa coisa mainstream de fazer marketing pessoal e sair por aí cantando loas a si mesmo…
De comprar votos e notícias para construir a bela figura.
Essa coisa de mundo moderno.
De ser tudo o que não se é.
De ser uma imagem carcomida.

Ah…
Sou do ramo ancestral dos pangarés.
De cavalgadura reta, arredia.
Sou da espécie dos livres.
Da família dos asnos e das zebras.

Compro as brigas impossíveis, abro mão das facilidades.
Porém gosto de um certo conforto.
Não sou louca sem causa.

Ah…
Parentes dos rinocerontes, das antas.
Pangarés desembestados, uni-vos.
Gritai.
Saí da toca.

Hoje preciso estar em grupo.

Amanhã

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sarjeta

Penso no Obelix e me pergunto se também cai em algum caldeirão.

Não, a roupa é de ginástica, mas não serviu para nada.
Fui para o escritório assim, fantasiada de atleta.
Coisas de quem corre sem sair da esteira.
Esteira?

De tarde, desmarquei a hora mais esperada.
Corri para receber a moça grávida que não planejou nada e, agora, quer casa.
Casa?

Há dois dias estudo o Rio.
Rio, rio de tudo tão impossível.
Casa? Corra, corra!

Amanhã farei uma bela pose.
Falarei com toda propriedade.
Mostrarei dotes.
Farei olhos de nuvem.

Rio?
Antes vagabunda no Bar da Lagoa, hoje soberba pensando em casa.
Casa?

Rio, o que aconteceu com suas noites ásperas e tão baratas?
Com seus Jardins nada Europeus?
Com seus preços camaradas, com a praia misturada?

Amanhã irei para a forca.
Rio.

(rio)