Arquivo de dezembro de 2012

Serpente

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Para celebrar 2013 que, segundo os chineses, começa oficialmente em 13 de fevereiro…
Curvas, elipses, rugas.
Porque ter mais de 30 é perder as vergonhas.
É sentir tudo direto na veia.
E cair quantas vezes se fizer necessário para provar o seu ponto.
E provar outras cositas más.
Ah…

“Cuando estés bien en la vía,
sin rumbo, desesperao…
Cuando no tengas ni fe,
ni yerba de ayer (…)”
Gardel

me permiti uma foto ridícula (mais do que as outras)

Ando (sempre) virada

sábado, 29 de dezembro de 2012

Durmo pouco, escrevo nada – penso em mil textos e deixo o vento levá-los sem publicar.
Vejo o agito do Rio.
O calor das Minas.
As chuvas em São Paulo.
Ando vermelha nas costas.
Muito banho de mar.
Com gritinhos para espantar o gelo desta água imunda que tanto me inunda.

Ontem entornei um Vouvray.
Eu consigo.
Penso em besteira.
Ainda.

Comprei sapatinhos de cristal para o ano que chega.
Vestidinho cor de champagne.
Vou, babe, perambular pelo Leblon perdida.
Vou de salto e bicicleta me desencontrar em Copacabana.

Desejo o fim das coisas.
Despejo o preto mais escuro.
Copacabada.
Copassambada.

Babe, ando imaginando coisas impossíveis com você.
Quero tudo transfigurado.
Posso tomar mais um gole…
Aí já viu.

Ano que chega, prepare-se.
Eu não te prometo nada.
2012, tranquilinho.
Você ainda dá um caldo.

De salto e bike.
Não duvide.

Mordo, corto, corro e grito

(calor)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

(ártica)

Chove em outros lugares, aqui, quase 40oC.
Nada disto combina com minha alma.

Em ponto de vodka sueca.
Cerveja checa.

Preciso urgentemente ir a praia.
Mudar de hábitos.
Ganhar uma cor.

Meus caninos, vampirescos, andam secos por suco de tomate.
Eu quero mesmo
qualquer coisa
que me arrebate.

Ando gelada.
Em plena sauna.

17 do 12

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Tempo curto, as últimas fichas são queimadas.
As pessoas hoje olham ao longe e se perdem no caminho.
Caminhada.
Ando com pés descalços como faquir em treinamento.
Penso em tudo que poderia ter sido.
E rio de minha vontade de trocar de caminho antes de dar tudo certo.

Infinito

Fim de era.
Chega de paciência.
Feche a cara e siga em frente.

Andei dez casas para trás.
Não ganhei hotéis no Banco Imobiliário.
Amanhã vôo de novo – não era essa a minha casa?

Fim de ciclo.
Que venha o ano de novo.

Dos opostos

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

preto no branco não pode

Garotas poderosas.
Orgulhosas dos próprios fracassos.
Irônicas sobre os lampejos de sucesso.

Geração Y.
Do estagiário que vira “rei” e leva pacote: modelo decadente + apartamento em prédio de arquitetura neoclássica.
Do rejeitado pelo Itamaraty que se contenta em ser mais um medíocre em multinacional.
Peter Pans.

X da questão.
Ser o que se quer com dignidade.
Ou vestir um disfarce e ser um ninguém muito aplaudido (por quem não conta)

Segunda-feira de ressaca do domingo.
Intenso.
Cerveja geladinha enquanto é tempo.

Calor de Ella

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Desconectada

…according to the latest report

I gotta get the heat down,
gotta get the heat down…

 

Em São Paulo, as paredes derretem.
As roupas, todas grudadas, suarentas.
Sapatos, por que?
Pura insanidade.
Cabelos, pelos, duchas, tudo para voltar ao inferno.

Pareço uma estrangeira vestida de linho num safari.
A pequena metrópole não combina com a temperatura dos trópicos.
Nem eu.

São Paulo.
Ella Fitzgerald.

Nada faz muito sentido.

Animal Silvestre

terça-feira, 4 de dezembro de 2012


Mundo moderno.
Faltam empregados domésticos e você usa o Facebook para localizar alguém.
Qualquer alguém.
Pessoas que pouca chance tiveram na vida.
Talvez não tenha havido iorgute na merenda, comeram muita vargem sem carne no jantar…
Brasil, mil brasis tão distintos.

Trabalhar e não receber e fazer-se de gente fina, daquele tipo que não precisa de dinheiro para viver.
Ter paciência para treinar a moça de bom coração que não teve escola.
Pagar para ver tudo.

E ver tudo o que não se quer.

Ando meio cansada do mundo como ele é.
Penso em comprar uma bicicleta dobrável, dirigir até a Ponte Cidade Universitária, estacionar meu carro no meio do engarrafamento…
18h30.
Descer por aquela escadaria enorme.
Colocar máscara.
E pedalar como louca às margens da Marginal Pinheiros.

Penso em juntar-me às capivaras e ficar ali, à margem, vendo loucos sem rumo enquanto pasto.