Arquivo de janeiro de 2013

Sobre a falta

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

de tempo: sim, nada mais será como antes e sobreviva a cada cinco minutos por hora.
de ganas: sim, chegou a bela hora de saber o que queres.
de alguém: ou de alguéns, ou de todos aqueles. Falta. Apenas isto.

Compro tudo de que preciso pela web.
Vassoura, maçã, adesivo decorativo, artigos de escritório, roupa de cama.
Trabalho pela web.
Vez ou outra uso a voz – agora rouca – para resolver o que ficou pendente na última reunião.
Voz que entra em cabos de fibra ótica e pode ser ouvida em outros oceanos.

Esta semana, médico.
No começo, senti incômodo.
Como pode?
Carro, sala de espera, jaleco branco, caminhada, hospital, nada certo, jaleco branco, carro, hospital, injeção.
Tanto tempo por um pouquinho de penicilina.

Tempo.
Tudo o que me falta.
Tudo o que não volta.
Essa coisa de viver cada hora lá.
Nunca cá.

Um mundo virtual que – ironia – não me deixa vir aqui descarregar meu pequeno mundo.
Vida.
Aqui, lá, hoje ou amanhã.
Sem sair para tomar sol.
Sem frequentar os bares de outrora.
Essa fita isolante, negra, grudenta.
Que me impede de respirar.

Só cinco minutos.
Fôlego.

Para Gabriela

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Gabriela, a menina forte.
Nasceu antes da hora.
Nasceu sem conhecer a mãe.
Nasceu para fazer o pai ficar de pé.
Gabriela que conheceu a vida pelo noticiário, pela busca no Google.
Que se viu ali, numa foto: uma barriga bonita.
Que viu a mãe sorridente e fazendo planos.
Na foto, tão jovem.
Gabriela, menininha predestinada.
Veio ao mundo para dizer que a cidade está perdida.
Que o bang bang é geral.
Que está tudo virado.
Gabriela que vai achar graça dos malandros de Nelson Rodrigues.
Que não tem nada de sertão, nada de praia, nem de Jorge Amado.
Gabriela que chegou sentido o ar lhe faltar.
Que perdeu a mãe, grávida aos 9 meses, com uma bala na cabeça.
Gabriela que já é grande.

Gabriela.

Quebre o vidro

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Ano novo, todo mundo resolve ficar bonzinho, fazer regime, parar de comer doces…
Por aqui, agora na terra da ponte estaiada, antes desbundadada em um posto qualquer, comecei enchendo a cara, andando de bicicleta em zig zag e curtindo o novo ano na maior ressaca.
O dia “um” pode dizer muito sobre os 364 que restam (ou 356 se você é purista).
Depois, estrada, São Paulo, poeira de casa, lar.
E trabalho.
Tudo o que não foi combinado vem fazendo o (meu) mundo entrar nos eixos.
Nesta pausa para o café, uma dívida – que não é promessa -: tentar escrever um pouquinho mais.
Em tempos de bandidos menores de idade que matam com pistola tamanho mini, em tempos em que grávidas são baleadas sem dó, há que se navegar sem medo.
Se for para doer, passe a navalha devagar.
Se não for, fique mais um pouquinho.
2013 é uma sopa de números tão bonitinhos.
Se você não ganhou os tais 81 milhões (já descontados os impostos), faça como eu: vá de classe econômica, mas estenda um lencinho de seda no assento.
E caminhe sem olhar para trás.

Ouvidos

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Para não ter que ouvir nada, nada, nada.
Pernas para correr.
Para virar esquinas.
Pulmões para não gritar.
Boca para aspirar todo o ar.

Mar, oceano, chuva.

Ressaca.
Sem álcool.
Cem noites.

Vento…

zen zun água

 

O ano em festa

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

enrolando

Chavez, el chivo, tem estado delicado – o Estado dele, eu diria, há tempos é terminal.
Que a Venezuela seja fênix.

Líder da Coréia do Norte quer fim de confronto com Sul.
Os dois países estão tecnicamente em guerra, já que não assinaram tratado de paz em 1953.
O affair acontece depois de o ditadorzinho ter tido um chilique por conta da iluminação ostensiva de Natal que foi colocada pelos do sul na fronteira entre os países.
Imagina pobre e faminto se encantando com a luzinha de Natal do vizinho?

Genoíno chama repórter de torturador moderno.
Isso diz tanto que nem ouso fazer comentário.

A luz…

Eu tenho uma receita infalível para curar ressaca: trabalho e beber menos.
E vamos em frente que falta pouco para o apocalipse.