Arquivo de julho de 2013

Sol de inverno

domingo, 28 de julho de 2013

Fugindo do frio, da casa triste, andei pela vila.
Acompanhada de meus fiéis escudeiros, chutei bola, bebi água, fiquei suja de terra.
Já pronta para ir embora, fui atraída por uma turma de jovens cabeludos em roda.
Havia vários com violão.
Havia uns coroas também.
Cada hora uma música.
Um pic-nic.
Suco, refrigerante, vinho, salgadinho.
Rodei a roda.
Senti o último raio de sol.
Daí que alguém cantou Helena.
E os mais velhos, em coro, choraram.
Fui saindo de mansinho.
A festa, a roda, a música.
Eram uma missa de sétimo dia.

Inverno na Vila Madalena.
Que pena.

por aí, atravessando a rima

Depois do inverno,

quarta-feira, 17 de julho de 2013

a primavera.

Minha cabeça aqui e os pés para o ar.
Correndo nas horas erradas – o que faço de melhor.

(Minhas primaveras)

Gritando pelas ruas.
Lendo o povo cheio de opinião.
Feliz por um Brasil errado e tão encantado.

(Nikes, Eikes, Lulas, Fernandos e outros quetais)

Pensando de verdade em uma praia no fim do ano.
Em sangue.
Em ferro em brasa.
Em dinheiro caindo do céu.

Velocidade de cruzeiro.
Libertadores da América.

A cuca pode fundir.
Confundindo tudo.
E todos.

De pernas para o ar.
Num inverno que não se encontrou.

Em mim.

Garota Bossa-Nova

terça-feira, 2 de julho de 2013

Domingo, eu vou ao Maracanã

O Brasil em revista me agradou.
Fui à final de futebol de negro.
Sim, menos por protesto, mais porque gosto deste modo.
Não, não vi a confusão e a violência que tomaram os arredores do Maracanã.
O gás de pimenta, a bala de borracha, a casa cercada por 300 pobres policiais paus-mandados.

Naquele dia, não deixei as bandeiras de lado e levei meu filho em seu primeiro jogo de futebol.
Tomei cerveja.
Xinguei o juiz.
Fiquei com pena da Shakira.
Urrei o nome de David Luiz, aquele que tem tipo de argentino.

A segunda-feira chegou.
Peguei meu vôo na chuva.
Comecei quase que de ré.
Voltar a ser mais uma no meio da multidão que não é festiva.
O protesto dos caminhoneiros.
O depoimento direto de Hélio Bicudo sobre o bolsa-família.
Os vereadores de São Paulo que pensam que nos enganam criando uma CPI do transporte público.
O Luciano Huck.

No calor dos acontecimentos, quis me lançar vereadora.
Pelo bundalelê criativo.
Pelo grito de desabafo.
Pelo respeito à opinião alheia e do alheio.
Pelo apartidarismo, ainda que sem anarquismo.

Pão e vinho – lembram-se do Romanée-Conti, amigos?
Porque o momento é bom para desabafos e um porre daqueles.
O futuro?
Que chegue em pleno carnaval de Olinda.
Num dia de sol.
Numa sexta-feira.