Arquivo de setembro de 2013

Em dias de ressaca,

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

tome um café amargo e siga em frente.

Nas manchetes, além de mensalão, Sarney e outros quitutes, o cardápio é variado:
– Polícia conclui que mãe matou duas filhas;
– Mãe e filho são achados mortos em prédio;
– Casal é morto e crianças são abandonadas;
– Chacina deixa 6 mortos e 1 ferido em SP;
– Homem morre atropelado ao fugir de ladrões e o corpo antinge e mata outro motorista.

Acordei com gosto de cabo de guarda-chuva na boca.
Cabeça pesada como pedra no alto da montanha.
País de m.
Eleitores de m.
Tudo m. m. m.
Daí que pensei que meu humor irônico não pode morrer.
Pois já está tudo morrendo mesmo.
Ele há de se salvar.
Rir do bigode do Sarney, do saldo da minha conta bancária, rir dos fornecedores que, como ratos, tentam te levar uns nacos.
Rir da chuva, do sol, rir.
E continuar a chutar a cachorrada.
Hoje mesmo fiz uma croniqueta.
Segue:

Era uma vez uma viúva alegre.
Saltitava de peitos novos pelo bosque quando encontrou uma amiga.
A amiga, emburrada, não saltitava, urrava.
Tentava, desesperada, se fazer ouvir ao celular.
Do outro lado da linha, a atendente de telemarketing.
– Lalalalalá.
A viúva achou muita graça de tudo e foi celebrar no bar.
Lá encontrou um moço rico e ficaram muito amigos.
Ela ganhou carro novo, celular e computador.
E todo ano, caso não faça chuva, ela leva mantimentos para o Lar dos Meninos Pobres.

Moral da história: quem pula com peitos de silicone vai mais longe.
Patrocínio: Petrobrás.
Apoio: Lei Rouanet.

Fim.

Era uma vez um país.

Em ação?

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Cara de "tô no cheque especial"

…daí que eu me pego fazendo as malas mais uma vez.
Cansada do quadro político atual, raspando o cofre para mudar para a casa nova – e arrependida por ter feito isto. Sem grana, de novo.
Cancelei meu hotel cinco estrelas e vou ficar em casa de amigos.
O carro quebrou. R$6 mil para arrumar.
Tento nem pensar na Síria, no festival de Veneza.
Penso que tenho que ir ao banco, transformar os dólares em reais para tampar os buracos.
Mandei email para a gerente assuntando um empréstimo.
Vai que…
Penso que preciso trabalhar mais para ganhar mais e juntar dinheiro de novo.
Daí que queria mesmo ir a Marte.
Sem contas, sem ter que sair da nave, alternando o dia entre a internet – para saber o que rola na Terra – e algumas músicas. Talvez alguns abdominais e uma corrida parada.
Tenho ouvido dois pops: Jack Johnson (por que ele é bonzinho e tem clips engraçadinhos no Havaí) e John Mayer (porque ele não é bonzinho – como eu -, mas tomou tanta porrada que agora quer ser).
Deixei os clássicos.
Comprei biografias – não romances.
Tenho ficado muito interessada na vida real.
Meu corpo voltou ao que era antes.
E está até mais forte, musculoso.
Foram 3 anos de calça que não cabe.
Esta coisa de você se olhar no espelho e não se reconhecer.
… daí que tenho que pegar um vôo para o Rio.
Durante 4 dias vou fazer caras e bocas, ficar por dentro do que rola de up no mercado, ver meu jornal na mão de todos os que interessam.
Tenho um encontro hoje com velhas amigas.
Uma festona no sábado.
Almoços, jantares.
Passei dois dias sem fazer ginástica e usando camisola a maior parte do tempo.
Estou preparando a mente para fazer bem o papel.
Aquele livro do Stanislavski mudou minha vida.
Porque – lá vem o chavão – todos somos atores em tempo integral.
Representamos o que queremos ser, ou o que gostaríamos que fóssemos.
E nem todos têm talento para subir ao palco.

“Esqueça de tudo, deixe fluir, mas lembrem-se: isto pode acontecer algumas vezes em sua carreira, ou mesmo nunca. O que existe é técnica. Todo o resto depende da forma (particular) com que você atua.”

Constantin Siergueieivitch Alexeiev (vulgo Stanislavski)