Arquivo de maio de 2015

Terceirização da dor

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Hoje eu acho graça na escravidão moderna das empregadas.
E do coro dos preocupados com a luta de classes.
Verdade que pago alguns cobres para você arrumar a bagunça que deixo para trás.
Verdade mais que verdadeira, eu deixo tudo muito arrumado – sempre.
No máximo uma vassoura com pano úmido.
Umas roupas para dobrar.
E você não é mais CLT.
Pago a uma empresa.
Uma empresa que te paga.

Sabe que também me pagam para fazer faxina?
E a bagunça é de uma natureza mais variada.
Envolve egos, gente graúda e com medo das modernidades, gente graúda e que tem pressa e passa por cima.
Gente que chega agora.
Gente que demora a partir.
Gente que opera nas sombras.
Gente que tem medo de operar.
Tem os que metem pés pelas mãos.
Viciados em internet.
Operário padrão.
Secretária. Estagiário.
E você também paga a uma empresa.
Empresa que sou eu.
Com números e CNPJ porque ninguém mais aguenta FGTS, Inss, 40% de multa rescisória.

Ah, querido, o mundo é um moinho.
Talvez seja moedor de carne.

Eu fico aqui só pensando.
Na epifania de domingo.

No fim das contas, a matemática não fecha.
Porque a graça anda nas entrelinhas.
E a vida mesmo só acontece nos intervalos.

Foco Foco Foco Foco Folga Foco Foco Foco Foco