Pedras

Quanto mais me ausento, mais escrevo – e não publico.
Minhas viagens, antes longas, loucas, alucinadas, hoje parcas, curtas, densas.
Tensas.
Lentas.
Hoje tenho muito pouco tempo.
Faço tanto.
Corro com ritmo.
Minhas rugas, meus pouquíssimos fios brancos – vão chegando e eu, gostando.

Subi a escada de azulejos portugueses (espanhóis?) no Cosme Velho.
Vi os micos.
Sabiás.
Entrei numa paisagem que começou no século passado.
Aspirei os ares de nova vida.
Senti-me muito bem ali, em meio ao caos do que ainda não foi parido.
E que tanto promete.

Promessas.
Gosto de tudo o que não é.
Ainda.
Gosto dos causos.
Da areia que arranha meus pés e me afunda.
Gosto de ser carregada com a maré.
Água gelada.

Mesmo quando não termina bem.
O que me move é a história.
E se termina bem?
Vou com a maré…
Navego.

Escrito por anapessoa

3 comentários para “Idas e vindas”

  1. s. disse:

    largo do boticário, anota

  2. anapessoa disse:

    la décadence et de la beauté d’être reconstruit

  3. s. disse:

    muito fica pra tras
    muito do que era possivel

Deixe um comentário