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Egoísmo é amor exagerado aos próprios valores e interesses a despeito dos de outrem.
Não é de Kant (submissão do dever ao interesse particular, em detrimento da obediência à lei moral).
Não é de Nietzsche (sentimento cuja plenitude está restrita ao homem nobre e incomum, capaz de compreender o mundo do ponto de vista exclusivo de seu próprio interesse).
É um sentimentinho baixo mesmo.
Eu.
Eu.
Eu.
E a vida passa e você se concentra no eu.
No que pode ter.
No que pode te favorecer materialmente.
Numa falsa segurança material.

Egoísmo é um amor que te deixa sem o ser.
Ele é TER no estado puro.

Ser é algo imaterial.
É se doar.
É pensar no outro e, depois, em ti.
É se abrir no pensamento e na completude de que o mundo é grande e SOMOS todos um organismo vivo, somos únicos e somos um.
É saber que o material é bom, mas não vive sem o SER.

Querido egoísmo, primo da covardia, eu te dispenso.
Te coloco na geladeira.
Te desprezo.

Eu nasci para me doar.
Para me jogar em águas salgadas
Eu nasci para ir fundo.

E eu sou tinhosa.
Não mexa comigo.
Uma vez sacada a faca da bota, a história chega ao fim.
Que pena.
Lá no fundinho, eu sempre acredito.

Mas o meu melhor lado é o tal otimista.
Amanhã, primo Pessoa, já é outro dia.

Escrito por anapessoa

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