Tags: Ensaio
19 set

Foto criada em 19-09-15 às 02.24 #2Quando, finalmente, tudo o que poderia ser consumido termina e a casa adormece.
Quando, finalmente.
Os querubins e arcanjos deixam que as asas repousem sobre eles.

Eu me sento com meu pequeno pote de tâmaras ouvindo os salmos do Mestre.
O AMOR SUPREMO.
Nesta noite de nuvens e poucas estrelas não existe nenhum ser humano entre as paredes além de mim.
Os bichos, inquietos, ficam a me rondar. Mas eu estou só.

Eu como as tâmaras com fome.
E ouço a obra mais fina da criação.
Coltrane.
O mensageiro.

A minha energia é exatamente quando ninguém consegue ver.
A luz amarela, cor de gema de ovo.
O corpo, marcado, másculo, mas ancudo, feminino de te fazer querer morder.
A chama reta, num pavio longo.
Eu mordisco folhas de alface.
E como carne.

Sinto o mantra.
Sinto meu corpo inteiro em comunhão.
Entendo que nunca existirão rédeas.
Jazz.

Eu sou tudo e nada.
Eu me acabo, me esgoto.
E começo sem fim.
E de novo e sem parar.

Escrito por anapessoa

Um comentário para “A love supreme”

  1. Andrei disse:

    ”O amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só.”
    Leon Tolstoi

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