A culpa é da Patrícia Palumbo.
O ótimo programa dela na rádio Eldorado é toda quarta às 20h. Entrevistas lindas, músicas incríveis – é uma maravilha. Quem mora em SP, BH e Curitiba pode ouvir pelas ondas do rádio. Quem mora no mundo, pode ouvir na URL do Vozes do Brasil.
Pois o fato é que saio do trabalho e, ato contínuo, entro no carro inteligente que liga o rádio na minha estação preferida. E Patrícia está lá, chamando Elza Soares para um bate-papo. Elza chora, Elza incrivelmente pudica, não quer dizer o que sente quando canta, Elza diz que música é terapia, diz que arrepia.
E bota Elza para cantar… Paulo Vanzolini (um ano mais novo que vovó).
Depois de um dia de ralação, aumento o som e canto alto, mais alto que a rádio. E dirijo rápido. Na chuva.
“… pena de mim não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
(…)
Reconhece a queda
Mas não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima!”
Essa música é a coisa mais linda. Dá vontade de cair (mais uma vez) só para levantar. E como a gente sabe que vai cair, canta por conta.
Elza canta com um acompanhamento debochado, clássico, moderno – participação especial do rapper francês Pyroman.
Bom demais.
Escândalo.
Sobre Paulo Vanzolini, essa coisa de doutor fera em zoologia e sambista… Eu acho que entendo um pouco de vida dupla. (Não a parte de ter dado certo e nas duas!)
O lado “A” e o lado “B”.
Tão bom ter isso bem separado.
Ser um trabalhador de carteira assinada, bater ponto, levar a pastinha. De noite botar meia arrastão, batom e tocar um samba no meio da malandragem.
É o tal do equilíbrio do louco. Risos.
E, claro, este é meu ano de pensar nos mortos.
Nos mortos que aproveitaram a vida e deixaram um rastrinho de bagunça para trás – bien sûr. Porque morto ajeitadinho é muito chato. Deixa pago até o jazigo. Blergh!
Eu acho que meu lado A nesse quesito é pouco B.
Mas vai saber…
Se eu fosse hoje, a conta ia ficar no positivo, mas ia dar um certo trabalhinho para desembaraçar…
Sobre isso mesmo, tem mais uma do Vanzolini. Coisa mais delicada e irônica.
“O que eu fiz é muito pouco
Mas é meu e vai comigo
Deixo muito inimigo
Porque sempre andei direito
Agasalhei neste peito muita cabeça chorando
Morena minha até quando você de mim vai lembrar
Quando eu for, eu vou sem pena
Pena vai ter quem ficar”
Para terminar, sem uma linha de melancolia, e com muito grito e riso. Mais um pedaço de música das cavernas…
Miguel Matamoros em versão de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, Lágrimas negras… Em duas frases.
“Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento”
Abaixo, só mesmo essa internet é capaz de nos trazer isso… Risos.



