François Villon, dizem, foi o primeiro. Preenchia três quesitos necessários: ladrão, boêmio e ébrio.
O termo ganhou o mundo depois de uma série de artigos dos anos de 1884-1888 assinados por Paul Verlaine intitulados “Les poètes maudits”, no “Boletim Lutèce”, com citações de Tristan Corbière, Rimbaud e Mallarmé.
Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Lautréamont.
Verlaine abandonou mulher e filho em 1872 para ficar com Rimbaud.
Foram para Londres.
Em julho, Verlaine disparou dois tiros contra Rimbaud, atingindo o pulso do jovem poeta.
Os últimos anos de Verlaine foram marcados pela dependência de drogas, alcoolismo (muito absinto em Paris) e pobreza.
Paulo Leminski escreveu que, “se vivesse hoje, Rimbaud seria músico de rock”.
Morto há 21 anos, Leminski era tradutor de japonês, inglês, francês, latim, espanhol, judoca faixa-preta, monge iniciante, compositor popular, biógrafo, professor de história e de redação, publicitário, contista e trotskista.
Meus queridos Truffaut e Gainsbourg.
John Fante, William Seward Burroughs, Jack Kerouac. Henry Charles Bukowski Jr.
Tutti bona gente!
No Brasil, um grupo. Escolha o seu.
Francisco Alvim, Carlos Saldanha, Antonio Carlos de Brito, Roberto Piva, Torquato Neto, José Carlos Capinan, Roberto Schwarz, Zulmira Ribeiro Tavares, Afonso Henriques Neto, Vera Pedrosa, Antonio Carlos Secchin, Flávio Aguiar, Ana Cristina Cesar, Geraldo Carneiro, João Carlos Pádua, Luiz Olavo Fontes, Eudoro Augusto, Waly Salomão, Ricardo G. Ramos, Leomar Fróes, Isabel Câmara, Chacal, Charles, Bernardo Vilhena, Leila Miccolis, Adauto de Souza Santos. Incluo Cazuza, Cássia Eller e até Renato Russo entre os populares. E Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta.

Engraçado mesmo é que quem expressa opiniões costuma ser maldito.
Do latim, “maledíctus” é aquele ‘que diz ou pronuncia palavras de mau augúrio’.
Poesia.
Opinião.
Tudo se resume em uma palavra: confusão.

E aí é inevitável.
O que pode ter causado na minha cabeça um filme que vi (escondida) aos dez anos de idade?
Era a estréia da Sessão Coruja.
Peter Fonda joga o relógio de ouro no acostamento…
E o destino quis que fosse assim.

(A melhor versão está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=nIfUD70yvz8)

Escrito por anapessoa

4 comentários para “poète maudit”

  1. MBSantiagoJr. disse:

    :: Acho que só conheço Salomão, Eller, Russo, Carneiro e Cazuza.

    Não li nada de Rimbaud e Baudelaire. Vi um ou outro Truffaut nas mesmas madrugadas da Globo. Sempre passo numa banca de jornais e penso em levar um Bukovski ou Kerouac.

    Mas realmente gosto de Leminski.
    Não importa quão clichê seja.

    –xx–

    Minha educação é falha, eu sei.
    Mas ainda não estou morto. Ainda.

    Então como diria Leminski

    Bom dia, poetas velhos.
    Me deixem na boca
    o gosto dos versos
    mais fortes que não farei.

    Dia vai vir que os saiba
    tão bem que vos cite
    como quem tê-los
    um tanto feito também,
    acredite.

  2. Lídio disse:

    Só não entendo como uma pessoa como você, Ana Pessoa (hã, hã, entendeu, entendeu?), não brada e se embriaga por aí com Rûmi e Omar Khayyam. É, junto com essa francesada aí (da fase caótica), o que mais parece contigo (na fase calma).

  3. anapessoa disse:

    Por que eu nao conheço nada, eu nao li nada deles! Só por isso… Jardim de infancia da boemia, saca?

  4. Lídio disse:

    Só não digo então que você tem muito o que aprender porque… bem, não tem. Só perde aquele pequeno prazer de soltar um palavrão ao ler algo que arrepia.

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