12 nov

Eu prefiro vodka pura

Foi naquele aeroporto na Singapura.
Depois de pegar um teco-teco com destino a Frankfurt.
De esperar horas e agoras.
De passar pelas esteiras, escadas, camas-esteiras para quem vem de longe.
O cheiro acre de um banho em casa distante.
Eu não falava polonês.
Você não falava inglês, francês, espanhol e português.

3 horas, depois de 15 horas.
As mensagens jorravam do meu blackberry cheias de avisos, de gritos de socorro.
O avião para Sydney, atrasado.
No banheiro estranho.
O chuveiro parecia de ponta cabeça.
A água saía do chão.
Comprei um sabonete.
Tirei meu vestido preto.
E pensei: “o que estou fazendo aqui?”
A resposta veio afiada.
Ajudando incompetente a vender refrigerante.

Fazia calor.
Da janela, eu via o vapor no horizonte.
Lá no fundo da paisagem, imaginava, havia arranha-céus orientais.
De repente, ouvi a chamada.
Virei a torneira.
Molhada, coloquei meu vestido.
Joguei a meia americana no lixo.
Peguei meu telefone e coloquei a primeira música que apareceu.

Cazuza me sussurrou no ouvido.
Acrescentar pequenos momentos de silêncio
Movimentos sérios de mãos
Esperar o troco.

Foi ali no aeroporto, molhada e aliviada, que eu decidi.
Deixar toda essa hipocrisia de gente careta e covarde de lado.
Essa conta, pode deixar, eu pago.
O nome da música?
Manhãs de ressaca.

Escrito por anapessoa

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