o que você não vê

Dizem que têm hábitos noturnos, que vestem capa e procuram pescoços de moças cândidas e virgens.
Mentiras, marketing puro para confundir os predadores.

Saíram das arábias, devoram babaganouch e coalhada seca.
Com doze anos, usaram aparelho fixo.
Aprenderam a dançar nos bálcãs.
E escolheram o Brasil para ficar.
Ciganos, anarquistas armados.

Ýn iþi, cin iþi deðil insan kiþi!

Não, não dormem num sarcófago no porão.
Gostam de cama macia e têm preferência por dossel com mosquiteiro.
O sangue doce e quente atrai insetos.

Quando a madrugada encontra o dia, por volta das cinco horas, correm como lobos.
Vêem o mundo que nem bandidos ou putas conhecem.
O mundo de quem ainda não acordou e de quem acaba de ir dormir.
Nessa saída quase que religiosa, gritam, dão socos no ar.
Levam iPod para lembrar da caminhada de outros séculos.
Suam.
O corpo não é esguio e muitas vezes pensam em cirurgia plástica.

É certo que não são dourados de sol.
A pele branca é usada como isca.
Em Cuba, fiquei sabendo, usam “vampisol”, um poderoso preparado que não deixa a pele descascar.

Sim, seduzem.
Têm canto de sereia.
E brincam de levar um séquito de curiosos para cima e para baixo.

Mas é na corrida de todo o dia que sabem quem são.
Correm sós.
Debaixo de temporal.
Pensam em, quem sabe um dia, baixar a guarda.

Escrito por anapessoa

Um comentário para “Transilvânicos tropicais”

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