Uma mania de olhar para trás e sentir conforto.
Um presente que não se encaixou nos planos certos do passado.
Um peso.
Um conto suspenso no ar.

Andando por antigas ruas conhecidas, atravessei o passado.
Leve, solto, partilhado.
E segui sob o resto de chuva a olhar, mais uma vez, para trás.

A urgência de enxergar além do nariz.
A quase-paralisia.
Um caminhar lento.
Articulações estouradas, músculos empedrados, ligamentos rompidos.

Um saber que não há mais hora do recreio.
E que o passado é apenas uma entre tantas interpretações.

Um andar às cegas…
Como um seqüestrado que, depois do pagamento do resgate, é abandonado.

A vontade de ter olhos muito abertos.
O grito abafado.
Enxergar inclusive debaixo d’água.

(Por João)

Escrito por anapessoa

Um comentário para “Sob a água”

  1. gonçalves disse:

    Texto e foto bárbaros.

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