Ultimamente tenho me ligado em questões de gênero.
Talvez seja a idade.
Mas não posso deixar de defender um ponto: homens e mulheres andam perdidos, perdidos.

As mulheres, com soutiens em chamas e peitos despencando, decidiram dar uma banana para os homens.
E nenhuma, nenhuma mesmo, liga muito para o fato de não ter ganhos equiparados aos deles.
A questão é poder fazer tudo o que eles fazem e mais: ainda serem mães deles e dos filhos. Tudo?
Eles, encolhidos na perda do papel de provedores alfa, ficam na defesa.
E reclamam, pois não conseguem adivinhar o que mais elas querem.
Antes, era só um puxão de cabelo e uma penca de filhos.
Depois, houve a fase Liz Taylor: jóias, viagens, uma casa no campo.
Hoje ela puxa o cabelo, dá carro e ainda manda que ele lave a louça. Pode?
No fundo, creia em mim, elas querem ser mulherzinhas.
E eles, machinhos dominantes.

É um círculo vicioso.
Elas mudam o mundo, comem a vida pelas bordas, eles se encolhem, ficam perdidos, gritam, e ninguém se entende muito bem.

Hoje, numa daquelas conversas que pintam de quando em vez, o moço contou que está trabalhando loucamente e que a mulher, com filhos de 3 e 1 ano, deixou a profissão para virar mãe em período integral.
Não conheço o moço e nem tive interesse em me aprofundar em assunto tão íntimo, mas ficou no ar aquela sensação de que eles sabem que perderam o equilíbrio e que andam arriscando muitas coisas numa corda bamba.
Eu, particularmente, não quero falar da minha vida pessoal.
Só devo dizer que é muto difícil ser mulher moderna. Homem então…

Essa sensação falsa de autosuficiência não cola.
A gente é bicho. Vive em comunidade. Temos hábitos sociais. Precisamos do outro.

Eu ando com uma pulga atrás da orelha.
E ela, doutoranda em Lewis Caroll, vive gritando:
“-É tarde, é tarde… É tarde, é tarde, é tarde.”

Escrito por anapessoa

Deixe um comentário