Carregando mais peso, os passos lentos, o tempo é outro.
Três horas cruzando o país, dois gatos na cabine – nem um miado e uma curiosidade amansada.
“Casa” – um apartamento modernete, dois quartos, dois banheiros, muitos equipamentos eletrônicos, um calor viscoso, janela.
Foram sentir maresia.
Para começar a aclimatar, Olinda.
Comer polvo com leite de coco, ver árvores, sentir o Brasil onde ele é mais português.
De azeites, ladrilhos, cerâmicas, rendas, bacalhau. (um desconhecido francês disse detestar o peixe salgado. Bom mesmo é ter Sarkozy e Dominique Strauss-Kahn no cardápio).

No fim da tarde, enfrentar a multidão na feira de artesanato do Centro de Convenções.
Madeiras, panos, sementes, palhas, literatura de cordel, comidas com nome estranho e gosto familiar – mungunzá; bolo de macaxeira; se der, arrumadinho, e se não der, escondidinho.
Vim para uma semana.
Penso em transformar em duas.
Deixar São Paulo, reuniões, médicos, aulas para a terceira idade, pó de obra, empregada nova – deixar tudo o que é realidade para trás.
Café da “Mére”?
Tapioca com queijo coalho, mungunzá, chá de manga, maracujá e laranja e meio mamão para rebater.

Às vezes penso que só mesmo complicando primeiro é que desembaraçamos os desvios por completo.

Escrito por anapessoa

8 comentários para “Pelas ruas”

  1. Leo disse:

    Sua última frase faz todo o sentido…

    Aproveite!

  2. Diogène de Sinope disse:

    Pour une lionne… Où est l’intensité? Où puis-je le trouver?

  3. anapessoa disse:

    Estou aproveitando… Hoje mesmo queimei uns cobres numa hidroginástica para me jogar com os locais.

  4. anapessoa disse:

    L’intensité est cultivé. Elle n’est pas innée.

  5. Diogène de Sinope disse:

    Je soupire, en attendant.

  6. JuSaad disse:

    Boa, Donana!

  7. anapessoa disse:

    😛

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