pão australiano, manteiga goiana, bolo de milho de Gravatá, bolo de abacaxi da Carmen

Eu ando por aí e, vez ou outra, encontro um pé de sapato perdido pela rua.
O de hoje, de boneca tamanho 36, carmesim e em ótimas condições.
Procurei o outro par…
Nada.
O que terá acontecido a esta Cinderela?
Príncipe relapso… Nem para guardar e anunciar para o mundo que só se casará com a dona do rasteiro vermelhinho?

Enquanto pensava no pisante, passei o dia entre malas, confusões no cartão de crédito – essa viajação não me deixa tonta e detectei entre Apples, passeios e comidas uma rara contribuição para um site de relacionamento sueco.
Poxa, hacker bandido e descarado, eu jamais gastaria mi plata com louras suecas! Nem cervejas de falsas checas.

Minha mala verde que saiu de uma nevasca americana e aportou perdida em Dubai saiu do armário com livros, biquinis tamanho M-G, e uma saudade dessa casa que já não é a minha.
Numa rápida conversa com a empregada, novidades de lá.
Um técnico liga para avisar que mudou o ponto do telefone, da TV, da internet.
Um excesso de coisas ainda não guardadas.
E eu pensando em coisas mínimas sensacionais.
Cereja marrasquino, olhos azuis passeando no Leblon, minhas antigas moradas que hoje vivem na minha caixola.

Ouvindo o novo Chico, babando pela nova namorada. Ele é tão feliz com ela.
O dia voa – ela não acorda.
Nasci velha – o meu dia sempre voou – mesmo quando eu tinha cabelos vermelhos como o sapato da Cinderela.

Escrito por anapessoa

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