Por que escrevo?
Não sei.
Pois não tenho ganas de ser lida, mas o faço em público.
Não quero livros, não quero apoio, reconhecimento, nada.
Não sei “me” explicar. Contente-se.

Desde minha pausa forçada, os (poucos) leitores minguaram.
Na rede é assim, sem constância, sem ninguém.
O mais interessante é que, sem alegria, mais ninguém.
Desde que o mundo é mundo, ganham os alegres, os belos, perdem os tímidos, os tristes.
Com alguns anos de atraso, talvez ganhem – postumamente – os melancólicos.

E o que fazer?
Ter mais de 30 e quase 40.
Minha empolgação de sair dos 20 se refletiu em tantas questões.
Não ser mais uma metralhadora sem mira.
Ser apenas mais alguém – e satisfeita e em ter apenas isto como meta.
Agora, com quase 40, reviravoltas com atraso.
E uma contagem das perdas.
Do viço, dos parentes, dos trabalhos com sobrenome, da vontade de parecer que tudo está sempre bem.

Não diria “êxtase”.
Mas contentamento.
Saber o que se é.
Esperar mais e contentar-se com muito menos.
Ser o que se é.

E acordar nesta segunda-feira com banzo.
Banzo de quem deu uma volta maluca para descobrir que não queria ter saido do lugar.

Escrito por anapessoa

5 comentários para “Banzo brasileiro”

  1. gonçalves disse:

    Mas você apura isso pela quantidade de visitas ou de comentários?

  2. sara ezequiel disse:

    eu continuo por cá, mais calada com mais que fazer e menos tempo para o fazer, esperando mais e me contentando com menos que a vida vai dando, mas continuo por cá todos os dias partilhando os pensamentos e as mudanças de vida de quem está tão longe (do outro lado mesmo) e ao mesmo tempo com tantas coisas em comum.
    essa realidade da constancia ser um nivel para a nossa audiencia tambem me faz um pouco de confusão…como se tivessemos de estar 100% no teclado…a viver para o mundo ver.
    um abraço de portugal.
    sara ezequiel

  3. anapessoa disse:

    Gonçalves, eu uso um programa que me diz a frequência dos que não falam e até de onde eles vêm… Te confesso que nada disso importa… Pois quem escreve tem sempre algo que vai além – e é isso o que realmente interessa.
    Mas, como bem notou a Sara, em terra eletrônica, parece que estamos a viver para o mundo ver…

    Abraços de uma moça em fuga.

    A.

  4. Maira Flores disse:

    Eu estou aqui e daqui ninguém me tira :)
    Bjs

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