Estou aqui, sem espaço, sem saber…

Como fui perder as raízes?
E que bom é não ter amarras.

Vejo o povo.
Loucos, ensandecidos no trânsito, puta que pariu, caralho e outras pérolas.
Na rua, oitos e oitentas.
Raimundas, loiras falsas, todas sem exceção com modinhas de interior.
Lacinhos, sapatinhos, boquinhas e cabelões.
Na capa do caderno de Cultura, amigos de outras galáxias.
Fazendo as mesmas coisas de sempre e com aquela inocência linda, de quem acredita.
Na praça, bolas, luzes, fitas e um chamado: coral de Natal.

Vou caminhando com tanta certeza por ruas que antes eu beijei.

Fui das montanhas.

Perdi minha alma de chita exuberante em corpo de violão.
Não acho mais graça em torcer contra.
Não conheço mais tudo o que conta.
Não creio.
Não ligo.
(no te extraño)

Agora, arrastando minha sandalinha, penso em nunca mais voltar.

 

Escrito por anapessoa

2 comentários para “Horizonte”

  1. totônio disse:

    extraña nostalgia en sus palabras, pequeña grande ana

  2. anapessoa disse:

    (…)

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